mar 10 2010

Por que Berlusconi saiu de fininho?

Categoria: Internacional, Política, fascismoSenhor_do_Servo @ 18:13

Do Náufrago da Utopia

“Um homem de moral
não fica no chão
Nem quer que mulher
Venha lhe dar a mão
Reconhece a queda
e não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima”
(Paulo Vanzolini)

O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi deveria ter chegado segunda-feira (08/03) ao Brasil, para visita oficial.

Desistiu na enésima hora, a tarde de sexta-feira (05/03), sem quê nem pra quê.

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro comunicou apenas que a visita tinha ido para o espaço. Se nosso governo foi inteirado do verdadeiro motivo calou, da mesma forma que as autoridades italianas.

A BBC Brasil recorreu à correspondente em Roma, Assimina Vlahou, que tentou e não conseguiu esclarecer o episódio:

“A assessoria de imprensa do governo italiano informou (…) que a viagem do primeiro-ministro não foi cancelada, mas adiada, sem explicar, contudo, o motivo do adiamento. Uma nova data será definida.

“‘Somente após a definição da nova data será explicado o motivo do adiamento’, informou um dos assessores do premiê”.

A jornalista especulou, então, que a causa poderia ser uma crise política relacionada às eleições regionais marcadas para o fim do mês. Papo furado.

Tal crise existe mesmo: o partido fascistóide de Berlusconi, cuja denominação (Povo da Liberdade) é típico duplipensar orwelliano, deveria ficar de fora do pleito nas duas principais regiões do país devido a irregularidades em suas listas de candidatos, mas o governo remediou/remendou a situação com um decreto-lei, obviamente casuístico.

Até a Conferência Epicospal Italiana ficou contra. Seu responsável por assuntos jurídicos, Domenico Mogavero, declarou, ao ser entrevistado pela Rádio Vaticana:

“Mudar as regras enquanto o jogo está em andamento é incorreto, porque se legitima qualquer intervenção arbitrária”.

Há, no entanto, um porém: fosse esta a razão do adiamento, por que não a estariam admitindo? Afinal, não se trata de uma sigilosa crise de bastidores, mas sim de uma que transcorre às claras. Quem recriminaria Berlusconi por preferir apagar os incêndios domésticos, antes de viajar?

Se o primeiro chute da correspondente da BBC pareceu ter passado perto da trave, no segundo ela simplesmente isolou a bola:

“Além da questão das listas eleitorais, Silvio Berlusconi enfrenta problemas com o suposto envolvimento de funcionários do governo em casos de corrupção e com o processo no tribunal de Milão sobre supostas irregularidades na compra de direitos televisivos pelas empresas de propriedade do primeiro-ministro.

“No processo, cuja audiência foi marcada inicialmente para esta segunda-feira e adiada para o próximo dia 12 de abril, Silvio Berlusconi está sendo acusado de fraude fiscal”.

Alguém consegue discernir alguma emergência nesses casos que se arrastam há anos? Eu, não.

O XÍS DA QUESTÃO

São essas as besteirinhas a que a grande imprensa brasileira dá credito, reproduzindo-as na maioria dos veículos. A BBC Brasil é in, os comentaristas independentes somos out, embora sejam nossas avaliações as que acabam quase sempre se confirmando.

O que aconteceu de realmente inesperado na última sexta-feira foi o anúncio da sentença da Justiça Federal do Rio de Janeiro, condenando o perseguido político italiano Cesare Battisti a prestar serviços comunitários durante dois anos, porque estava portando passaporte falsificado ao ser preso no Rio de Janeiro, em março de 2007.

Para bom entendedor, foi o xeque-mate na estapafúrdia, rancorosa e extemporânea caça às bruxas em que o Governo Berlusconi tanto se empenhou.

Enquanto estiver cumprindo a sentença brasileira, Battisti não poderá ser extraditado. Depois, a sentença italiana já terá prescrito, mesmo segundo os critérios anômalos que o tendencioso relator do processo de extradição no Supremo Tribunal Federal, Cézar Peluso, introduziu para contornar a pequena inconveniência de a prescrição já haver ocorrido.

A menos que o presidente da República o eximisse do cumprimento da pena daqui, lembrou Célio Borja, que foi ministro da Justiça de Collor.

Fazendo lobby em favor do linchamento, Borja apontou a possibilidade de nosso legalista presidente Luiz Inácio Lula da Silva atropelar uma sentença da Justiça brasileira para atender a espúrios interesses estrangeiros (uma mera vendetta de direitistas empedernidos e comunistas envergonhados, estes últimos querendo silenciar quem denuncia consistentemente o papel infame que o PCI desempenhou nos anos de chumbo, acumpliciando-se aos excessos policiais e farsas judiciais perpetrados contra a ultra-esquerda).

Sabem qual a chance disso acontecer? Nenhuma. Lula tem vergonha na cara, ao contrário dos brasileiros que rezam pela cartilha berlusconiana.

Quanto a como procederá seu sucessor, é uma incognita, claro.

Mas, tão abjeta sujeição a imposições externas pegaria mal para qualquer presidente. O estigma que Getúlio Vargas carregou por haver entregado Olga Benário aos nazistas ainda está bem vivo na memória dos brasileiros.

Isto, claro, na eventualidade de o Supremo Tribunal Federal continuar redigindo com lerdeza exasperante o acórdão de sua decisão de novembro/2009 sobre o Caso Battisti, que só passará à alçada de Lula depois da publicação da sentença.

Quando o STF finalmente cumprir com sua obrigação, Lula dará a palavra final.

E esta vai ser, todos sabem, a confirmação da decisão que seu governo tomou em janeiro/2009, quando concedeu a Battisti o direito de escrever seus livros no Brasil, em liberdade e em paz.

Isto é reconhecido na própria matéria da BBC Brasil (vindo, aliás, ao encontro do que a comentarista Eliana Cantanhêde antecipou e eu noticiei):

“A tendência, depois de entendimentos com autoridades italianas, é que o presidente Lula anuncie sua decisão depois da eventual visita do premiê italiano ao Brasil e de uma forma que não questione o funcionamento das instituições italianas nem a democracia no país”.

Traduzindo: os italianos já se conformam com uma decisão favorável a Battisti, desde que o anúncio não coincida com a estada de Berlusconi e seja justificada por razões humanitárias, não pelas aberrações jurídicas que marcaram os processos italianos dos anos de chumbo, destacadas pelo ex-ministro da Justiça Tarso Genro quando apreciou o caso.

Foi aí que a coisa pegou. A sentença da Justiça Federal do RJ surpreendeu a todos, pulverizando de vez as possibilidades de extradição.

E Berlusconi, mau perdedor, não quis ser indagado sobre sua acachapante derrota, assunto que inevitavelmente entraria como prato principal no cardápio jornalístico se ele desembarcasse aqui logo depois do desfecho real do Caso Battisti, cujos trâmites restantes serão meramente formais.


mar 10 2010

Nenhuma mudança…

Categoria: Apoiamos, MídiaSenhor_do_Servo @ 17:06

Do Luís Nassif Online:

Olha que interessante esta crítica do Oscar Wilde à imprensa.

Deve-se levar em conta o ano apublicação: 1891.

“(…) Foi um dia fatal aquele em que o público descobriu que a pena é mais poderosa que as pedras da rua, e que seu uso pode tornar-se tão agressivo quanto o apadrejamento. Procurou imediatamente pelo jornalista, o encontrou e aperfeiçoou, e fez dele seu servo diligente e bem pago. É de lamentar por ambos. Atrás das barricadas, muito pode haver de nobre e heróico. Mas o que há por trás de um artigo de fundo senão preconceito, estupidez, hipocrisia e disparates? E esses quatro elementos, quando reunidos, adquirem uma força assustadora e constituem a nova autoridade.

Antigamente, os homens tinham a roda de torturas. Hoje tem a imprensa. Isso certamente é um progresso. Mas ainda é má, injusta e desmoralizante. Alguém – teria sido Burke? – chamou o Jornalismo de o quarto poder. Isso na época sem dúvida era verdade. Mas hoje ele é realmente o único poder. Devorou os outros três. Os Lordes temporais nada dizem, os Lordes espirituais nada tem a dizer, e a Câmara dos Comuns nada tem a dizer e o diz. Estamos dominados pelo Jornalismo. Nos Estados Unidos o Presidente reina por quatro anos e o Jornalismo governa para todo o sempre. Felizmente, nesse país, o Jornalismo levou sua autoridade ao extremo mais flagrante e brutal e, como decorrência lógica, começou a gerar um espírito de revolta: ou diverte ou aborrece as pessoas, conforme seu temperamento.

Mas deixou de ser a força real que era. Não é levado a sério. Na Inglaterra, o Jornalismo, com exceção de alguns poucos exemplos bem conhecidos, não tendo atingido estes excessos de brutalidade, permanece ainda um fator de grande significado, um poder realmente notável. Parece-me descomunal a tirania que ele se propõe exercer sobre nossas vidas privadas. O fato é que o público tem uma curiosidade insaciável de conhecer tudo, exceto o que é digno de se conhecer. O Jornalismo, ciente disso, e com vezos de comerciante, satisfaz suas exigências. Em séculos passados, o público expunha as orelhas dos jornalistas no pelourinho. O que era horrível. Neste século, os jornalistas ficam de orelha em pé atrás das portas. O que é ainda pior. O mal é que os jornalistas mais culpados não estão entre aqueles que escrevem para o que se chama de coluna social. O dano é causado pelos jornalista sisudos, graves e circunspectos que trarão, solenemente, como hoje trazem, para diante dos olhos do público, algum incidente na vida privada de um grande estadista, de um homem que é assim um lider do pensamento político como criador de força política. Convidarão o público a discutir o incidente, a exercer autoridade no assunto, a externar seus pontos de vista, e não somente a externá-los, mas a colocá-los em ação, a impô-los àquele homem sobre todos os outros argumentos, a impor ao partido e à nação dele; convidarão, enfim, o público a se tornar ridículo, agressivo e perigoso. A vida particular dos homens ou das mulheres não deveria ser revelada ao público. Este não tem nada absolutamente nada a ver com ela.

Na França há um controle maior nesses assuntos. Lá não se permite que pormenores dos julgamentos que se realizam nos tribunais de divórcio sejam divulgados para entreterimento ou crítica do público.

Tudo que se lhe permite saber é que houve o divórcio e que foi concedido a pedido de uma ou outra parte envolvida, ou de ambas. Na França, com efeito, limitam o jornalista, e concedem ao artista quase que completa liberdade. Aqui, concedemos liberdade absoluta ao jornalista e limitamos inteiramente o artista. A opinião pública inglesa, por assim dizer, procura tolher, cercear e submeter o homem que cria o Belo efetivamente, e compele o jornalista a recontar o factualmente feio, desagradável ou repulsivo; de modo que temos os mais sisudos jornalistas do mundo e os jornais mais indecentes. Não há exagero em se falar em compulsão. Há positivamente jornalistas que têm verdadeiro prazer em publicar coisas horríveis, ou que, por serem pobres, vêem nos escândalos uma fonte permanente de renda.

Mas não tenho dúvidas de que há outros jornalistas, homens de boa formação e cultura, a quem realmente desagrada publicar esse tipo de assunto, homens que sabem ser errado agir assim e, se assim agem, é apenas porque as condições doentias em que exercem sua profissão os obriga a atender o público no que o público quer, e a concorrer com outros jornalistas para que esse atendimento satisfaça o mais plenamente possível o grosseiro apetite popular. É uma posição muito degradante para ser ocupada por qualquer desses homens, e não há dúvida de que a maioria deles percebe isso sensivelmente.” (OSCAR WILDE, A Alma do Homem Sob o Socialismo, págs. 57/59, LP&M, 2003).

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mar 10 2010

Os tempos estão indo…

Categoria: Apoiamos, CulturaSenhor_do_Servo @ 16:43

Do Blog do Saraiva

A nove meses do fim do mandato presidencial, sem a perspectiva de novas lideranças sindicais da região ascenderem ao topo da política nacional, São Bernardo do Campo prepara um “tombamento” em vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O processo começou pelo antigo estádio de Vila Euclides, agora chamado de 1º de Maio. O prefeito da cidade, Luiz Marinho (PT), anunciou o plano de criar no local, tombado provisoriamente, o Museu do Trabalho. No diretório do PT, cujo andar superior esteve prestes a abrigar uma pizzaria, o presidente terá suas mãos impressas em tinta nas paredes. No Sindicato dos Metalúrgicos, o prédio carece de reformas, mas ninguém ousa mexer nas marcas de balas nas paredes, relíquia da época da intervenção, em 1980.

Wanderley Salatiel conheceu Luiz Inácio Lula da Silva em 1979 quando, aos 17 anos, trabalhava num bar em frente ao estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Hoje, aos 49 anos, presidente do diretório municipal do PT em São Bernardo do Campo, Salatiel conseguiu evitar que uma pizzaria se instalasse no segundo andar do prédio e agora tenta agendar o dia em que o presidente da República poderá ir até à sede estampar suas mãos nas paredes que ajudou a erguer. A nove meses do fim do mandato presidencial, sem a perspectiva de novas lideranças sindicais da região ingressarem no topo da política nacional, o reduto petista do ABC prepara um tombamento de Lula em vida.

O tombamento começou pelo estádio de Vila Euclides, agora chamado de 1º de Maio. Foi na assembleia dos 100 mil metalúrgicos ali reunidos em abril de 1979 que Lula projetou-se para a política. O prefeito de São Bernardo , Luiz Marinho (PT), anunciou o plano de criar ali o Museu do Trabalho. O prédio foi tombado provisoriamente pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de São Bernardo em 2002.

Um poster de mais de quatro metros de comprimento cobre toda a parede da sala onde trabalha Salatiel. Lembrança da última campanha presidencial. O retrato gigante com o sorriso de Lula, que abre os braços para uma criança erguida por um soldado, foi usado num caminhão de som. Assim que o material de propaganda começou a ser retirado, o dirigente decidiu levar o cartaz ao partido.

A casa que abriga o diretório do PT recebeu melhorias recentemente. Para acomodar as visitas, foram colocados sofás vermelhos no saguão de entrada. As paredes e janelas ganharam tinta nova nas cores branca e vermelha. A reforma só preservou os buracos de bala de revólver na porta de ferro lateral – herança dos tempos de intervenção militar. O dirigente guarda um filme em que Lula aparece ajudando a despejar cimento durante a construção.

A próxima parada do circuito São Bernardo de Lula é o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Com muitas salas e um auditório, o prédio de três andares deixou de ser funcional, segundo o presidente, Sérgio Nobre. Ao contrário dos anos de ditadura, a agenda da entidade inclui muitas negociações com as empresas e um novo formato de representação dos trabalhadores, com dezenas de comitês. Mas, por uma questão histórica, ninguém ousa mexer no edifício.

Aos seus amigos de São Bernardo, Lula tem dito que uma das primeiras coisas que pretende fazer quando deixar Brasília é descansar no sítio que possui à margem da represa Billings. A expectativa dos amigos no ABC é que Lula, vez ou outra, retome a rotina de churrascos e jogos de bola no sítio. Os amigos dizem que o presidente é bom cozinheiro e esperam que ele retome o hábito de cozinhar coelho.

O sítio de Lula fica em Estoril, no Riacho Grande, um distrito ao sul da área urbana que, além da represa, reune os bairros rurais de São Bernardo do Campo. Cercado de muito verde, em meio à Mata Atlântica, na Serra do Mar, o refúgio do presidente fica na mesma rua do clube de campo do sindicato dos metalúrgicos.

A altura do mato à entrada do terreno – pequeno, segundo contam – revela que há tempos a família Lula da Silva não passa por lá. Uma placa suspensa sobre o portão de madeira anuncia o nome do sítio: “Los Fubangos”. Ideia dos filhos do presidente, fubango é gíria usada por jovens que querem se referir a uma pessoa mal arrumada ou sem dinheiro.

O acesso é no início da Estrada Velha de Santos. Para quem segue pela via Anchieta, sentido Baixada Santista, “Los Fubangos” fica numa região logo após a ponte que passa por cima da represa, do lado esquerdo. No lado direito está a prainha, onde há bares e restaurantes, inclusive um flutuante, que no passado era um destino chique de casais de namorados. Esses estabelecimentos ainda funcionam, mas o Riacho Grande perdeu o glamour. Deteriorou-se. Falta estrutura para receber visitantes e há até pouco tempo os moradores reclamavam da falta de iluminação.

A prefeitura tem planos de revigorar a região. O governo federal vai dar uma mão. Em meados de dezembro, o Ministério do Turismo liberou R$ 10 milhões para revitalizar a prainha e o Estoril. O projeto prevê desde redes de água e esgoto, até a construção de quiosques, deques, ciclovia e reforma de um antigo teleférico.

Segundo o secretário de Desenvolvimento e Turismo de São Bernardo, Jefferson da Conceição, ex-economista do Dieese, a atual administração entende que é preciso resgatar a vocação turística de Riacho Grande. Isso servirá, segundo ele, para montar estrutura de turismo voltada aos que visitam a região a negócios. Apesar de abrigar diversas multinacionais, a cidade nunca teve rede de hoteis de alto padrão. O secretário está em busca também de parceiros para instalar um museu do automóvel.

O sítio de Lula é vizinho ao do prefeito, Luiz Marinho. O presidente animou-se a comprar terreno por lá depois que Marinho e dois amigos metalúrgicos haviam comprado um, em parceria. Um dos sócios do imóvel era o atual deputado federal Vicente Paulo da Silva. Vicentinho e o outro colega venderam suas partes para Marinho, que agora está prestes a morar no sítio de Riacho Grande.

Em seu gabinete, no último andar do enorme edifício no Paço Municipal, Marinho reclama da infiltração de água, cada vez mais comum. O paço inunda a cada temporal e, segundo diz, só não há goteiras no gabinete do prefeito. O único, ironiza, que recebeu manutenção das últimas administrações, comandadas por PTB, PSB e PSDB.

O PT e muitas das suas lideranças nasceram do movimento sindical de São Bernardo. Mas não se pode dizer que a cidade, com mais de 800 mil habitantes, é um reduto do partido. Ao contrário de Mauá, por exemplo, também no ABC, onde Lula sempre venceu nas eleições presidenciais.

Em São Bernardo, o PT só ganhou as eleições municipais em 1988 e 2008. Um dos amigos mais próximos de Lula, Marinho nunca escondeu o desejo de administrar a cidade. Mas permaneceu no cargo de presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) quando Lula assumiu o primeiro mandato de presidente da República. De lá saiu para assumir o Ministério do Trabalho e depois, o da Previdência. A presença de Marinho numa central poderosa com muitas facções a manteve sob controle no início do governo.

Marinho almeja a reeleição. Isso o levou a abortar a ideia de ser candidato ao governo estadual nas próximas eleições. Ele tem planos de reurbanização da periferia – “que parecia campo de concentração”. Para isso, espera obter ajuda de linhas de financiamento dos governos federal e estadual. Sobre a sua mesa estão os desenhos das plantas dos projetos que mais o entusiasmam: a construção de várias unidades de CEU (Centro Educacional Unificado), criado por Marta Suplicy em São Paulo.

A administração petista enfrenta forte oposição. Marinho só conseguiu maioria na Câmara Municipal graças a uma aliança com o DEM, principal opositor do governo Lula. O vereador Admir Ferro (PSDB), líder da oposição, diz que os primeiros meses da administração petista foram “bastante conturbados”. Ferro, o vereador mais votado, repete discurso comum dos opositores do PT no ABC: “Quem ganhou a eleição em São Bernardo foi Lula e não Marinho”. Para ele, Lula continuará a agir como o principal cabo eleitoral do PT quando deixar a Presidência.

A iminência do término do mandato presidencial provoca sentimentos antagônicos entre as lideranças operárias em São Bernardo do Campo. O retorno do líder ao reduto causa euforia e muita expectativa por um lado, mas um sentimento de vazio por outro. Pela primeira vez desde que o Partido dos Trabalhadores começou a disputar eleições, em 1982, Luiz Inácio Lula da Silva não está no páreo. O ABC ainda não tem um trabalhador candidato a substituto de Lula. Mas o sindicalismo não quer perder espaço no poder. Há poucos dias, durante um congresso, os dirigentes dos metalúrgicos da CUT decidiram que o movimento sindical deve continuar interferindo na política nacional.

“Primeiro, vamos nos alinhar com a candidatura de Dilma”, diz o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, Carlos Aberto Grana. Além disso, os metalúrgicos decidiram fortalecer a presença dos sindicalistas na vida política. “Para que esse projeto não fique em oito anos”, diz.

A maior parte dos sindicalistas e políticos alinhados com o PT que atuam no ABC hoje era formada por jovens operários quando Lula despontou na política sindical. E vieram, assim como ele, de outras regiões do país.

É o caso do presidente do diretório, Wanderley Salatiel. Ele abandonou a vida de cortador de cana em Sertãozinho, da região de Ribeirão Preto (SP), para procurar trabalho em São Paulo. E assim como Lula, chegou na carroceria de um caminhão. Arrumou emprego no bar do tio, aquele de onde assistia Lula discursar na Vila Euclides. Começou a carreira sindical numa fábrica de produtos de higiene, base dos químicos do ABC.

Foi nessa mesma época que, um dia, enquanto jogava bilhar no sindicato, Lula recebeu a visita de um jovem desconhecido, que foi pedir ajuda numa greve. Era Carlos Alberto Grana, hoje presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos. Grana conhecia o movimento sindical do ABC desde os 14 anos porque participava de uma organização chamada Juventude Operária Católica. Logo que entrou na Brosol, extinta fabricante de carburadores de Ribeirão Pires, o metalúrgico recém-formado no Senai ajudou a organizar uma greve. Mas garante que a empresa só aceitou negociar depois que Lula apareceu no carro de som.

Assim como Lula, Grana, passou mais tempo da vida trabalhando como militante do que como metalúrgico. Nas próximas eleições, ele se candidatará a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo. O dirigente contesta a tese de que as fábricas deixaram de formar lideranças políticas. Garante que surgirá muita gente preparada para a política entre os 2 milhões de trabalhadores que formam a base de metalúrgicos no Brasil. Para um cenário mais próximo, Grana aposta as fichas em Luiz Marinho.

Para Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os sindicalistas hoje estão prontos para atuar de uma forma diferente da época de Lula. Ele lembra que naqueles tempos era preciso fazer greves de pelo menos 40 dias porque somente a partir disso, o estoque de matéria-prima e peças terminava.

A globalização trouxe o desafio do trabalho sem estoques, o que antecipou o diálogo com os empresários. “Criamos em São Bernardo a negociação permanente”, afirma. Nobre diz que a agenda do sindicato hoje é outra. Enquanto nos tempos de ditadura o movimento sindical se concentrava na briga por melhores condições dentro das fábricas e havia conflito por qualquer coisa, hoje os desafios são outros. “A agenda mudou”, diz. “Agora há uma nova realidade econômica e política no país e, por isso, os sindicatos precisam estar preparados para questões como o enfrentamento da crise, o desenvolvimento regional e relações internacionais”, completa.

Para Ademir Médici, pesquisador do ABC, os metalúrgicos se elitizaram. Ele lembra que muitas empresas, como a Volkswagen, que ameaçavam deixar a região, decidiram permanecer e aproveitar a especialização da mão-de-obra local.

Os lulistas do ABC aguardam o fim do mandato presidencial com grande expectativa. Seu reduto espera que, com a experiência do Planalto na bagagem, Lula continue de alguma forma engajado em movimentos populares. Essa legião de seguidores já está informada de que o presidente provavelmente se dividirá entre São Bernardo e missões internacionais em países em desenvolvimento.

Para o professor Luiz Roberto Alves, pesquisador da Universidade de São Paulo e coordenador da cátedra de gestão de cidades, no ABC, os admiradores de Lula já se conformaram em não tê-lo mais por perto porque entendem que ele é alguém construído a partir da história deles. “É o povo pobre que saiu de regiões como o Nordeste para trabalhar nas fábricas do ABC e que cresceu ouvindo a mãe contar as histórias de que pobres quase sempre perdem, mas pode haver uma esperança”, afirma.

O Sindicato dos Metalúrgicos o aguarda o presidente para participar do segundo congresso da mulher metalúrgica, no fim deste mês. O primeiro foi no mandato de Lula como dirigente, em 1978. A confederação dos metalúrgicos já o aclamou presidente de honra. E, no diretório do PT, Salatiel ainda tem esperanças de que o presidente tenha tempo para ajudá-lo a organizar o partido na cidade.

Ele gostaria de preparar uma grande festa “de volta às origens”. Pensou numa fila de pessoas de mãos dadas à entrada da cidade. Difícil saber, no entanto, qual entrada, já que São Bernardo do Campo faz divisa com São Paulo, Santo André, São Caetano do Sul, Diadema e Cubatão.

A vizinhança do apartamento da Avenida Prestes Maia também está na expectativa. O administrador de empresas Carlos Borges, que mora no quarto andar, petista e escorpiano como Lula, é fã do presidente. Mas ele já presenciou a cena de vizinhos erguendo faixas com “fora, Lula”, em épocas de eleição. Nathali Requena, que mora nas redondeza, já se cansou do ruído dos geradores dos carros de televisão. Ela diz que não imagina Lula circulando pelo bairro com tranquilidade mesmo depois de deixar a Presidência.

Mas não é apenas a base política que espera ansiosamente pelo fim do mandato presidencial. Num modesto e agradável Restaurante do bairro Assunção, o ex-metalúrgico Juno Rodrigues Silva, o Gigio, já se prepara para servir a chuleta preferida de Lula como nos bons tempos: com o cliente sentado na mesa número 1 ou na número 2, como ele costumava fazer.

Gigio passou os dois mandatos levando o prato do presidente para o prédio da Avenida Prestes Maia, em boa parte das vezes em que ele passava pela cidade. Chegou ao requinte de enviar a carne crua, já temperada, até Brasília. Por isso, ele diz não se incomodar se a próxima missão de Lula for novamente longe do restaurante -”Eu mando a chuleta onde ele estiver”.

A chuleta do Gigio pesa 850 gramas. O prato completo, que acompanha arroz, feijão, fritas e salada de alface, tomate, cebola, presunto e mussarela, custa R$ 45. O Gigio”s, nome do estabelecimento que só funciona no horário do almoço, oferece outras opções. Mas a chuleta é a preferida da clientela – formada por executivos da região e políticos “da esquerda e da direita”, segundo ele. Diariamente saem, em média, 25 a 30 chuletas.

Fã inveterado do presidente, Gigio montou uma galeria de fotos antigas dos tempos sindicais e uma, mais atual, ao seu lado. O caprichado salão com capacidade para 120 pessoas começou pequenino, há 22 anos. Depois de perder o emprego na fábrica e não se dar bem na política, o metalúrgico decidiu vender uma casa e comprar um bar velho. “Deus e Nossa Senhora vão te ajudar”, disse Lula quando o amigo revelou os planos. Quem sugeriu a chuleta foi um camioneiro de passagem. O prato caiu no gosto graças a um bom açougue na mesma rua e ao tempero de Dona Divina, a esposa, que comanda a cozinha.

Os amigos de Lula no ABC têm um certo receio de falar com jornalistas. Gigio lembra um deles que “aprontou” depois de visitar o restaurante em busca de fotos que mostrassem o presidente da República tomando bebida alcóolica. Era Larry Rohter, o repórter do “New York Times” que chegou a ter o visto brasileiro suspenso depois de escrever, há seis anos, a polêmica reportagem sobre a suspeita de que o presidente consumiria bebida alcoólica além do razoável.

Essa é também a preocupação de Rosa Kido, a dona do bar vizinho do sindicato dos metalúrgicos. Descendente de japoneses, ela se instalou por ali em 1968 e não gosta nem de lembrar dos tempos da intervenção militar. Rosa estabeleceu uma relação especial com o passado sindical e se diz orgulhosa por conhecer políticos famosos que hoje ainda passam por lá. Desconfiada, ela vai logo dizendo que quando ia no bar, Lula só tomava guaraná e comia pastel – “E, de vez em quando um Domecq”.

Entre os dois mandatos, Getúlio Vargas se refugiou numa fazenda em sua terra natal, São Borja (RS). Ninguém consegue imaginar um cenário semelhante com Lula em São Bernardo. Para o professor Luiz Roberto Alves, Getúlio, construiu “um mito que desaparecia nos intervalos de poder”. Com Lula, pode ser diferente. “A liderança de Lula excede a do presidente. Se ele conseguir retornar à base sem a mitificação, terá dado um passo importante na história”. diz.Valor Econômico


mar 10 2010

A satanização dos dissidentes cubanos

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 12:58

Celso Lungaretti (*), pelo Viomundo

“A liberdade é, sempre e fundamentalmente, a liberdade de quem discorda de nós.” (Rosa Luxemburgo)

Cuba tem carradas de razões para protestar contra o embargo comercial estadunidense, que asfixia sua economia há décadas.

Mas, com sua insistência em manter um estado policial tipicamente stalinista, praticando violações grosseiras dos direitos humanos de dissidentes e insatisfeitos de todos tipos, afugenta os homens justos que tenderiam a simpatizar com sua causa, dando um ruinoso tiro no pé.

As perdas irreparáveis que sofre na batalha pela conquista dos corações e mentes, ao fornecer de mão beijada trunfos valiosíssimos à propaganda inimiga, nem de longe são justificadas por um perigo real que as vítimas dessas perseguições e arbitrariedades estivessem causando.

Então, não vejo proveito nenhum em ajudar a vender gato por lebre, satanizando um Orlando Zapata para livrar a cara dos desatinados que causaram sua morte e dão má fama à revolução em escala mundial, fazendo-a passar por liberticida.

Lamentavelmente, vilificar a vítima para inocentar o algoz é o que boa parte dos esquerdistas virtuais está fazendo.

Eu me coloco inteiramente ao lado do bravo companheiro Carlos Lungarzo e das entidades que, no cumprimento de sua missão de defender os direitos humanos em todo mundo, posicionam-se consistentemente contra os excessos repressivos de Cuba.

Daí fazer minha a argumentação de Lungarzo no seu digno artigo Os Argumentos Oficiais Contra Zapata, cujos principais trechos reproduzo em seguida:

“…a simples falsidade dos pró-americanos garante a sinceridade dos antiamericanos?

“Esta pergunta veio à tona quando assisti a um vídeo que exibe uma matéria de Cuba InformaçãoTV, na qual se refuta que a morte de Orlando Zapata Tamayo fosse uma violação dos DH…

“Entre os primeiros 47 segundos e o 1:03 minuto, o locutor adverte sobre as exigências de Zapata, que pretendia ter ‘fogão, televisor e telefone em sua cela’, que ele qualifica como impensáveis em qualquer prisão do mundo. Curiosamente, o governo cubano nunca tinha denunciado que estas eram as reivindicações de Zapata e só as fez públicas agora. Entretanto, mesmo em países como Brasil, onde o sistema carcerário é truculento, alguns presos (e nem sempre os abastados) possuem algumas facilidades que lhes permitem telefonar e assistir TV, mesmo que não seja através de um aparelho exclusivo em sua cela.

“O segundo argumento contra Zapata é mais grave. Ele seria pintado pela imprensa capitalista como um bom proletário, mas na realidade, seria um ‘violento delinqüente comum’ processado a partir de 1993 por violação de domicílio, estelionato, e lesões (1:04-1:30). Não se indica a exata índole das lesões, mas apenas que eram graves, pelas quais foi condenado a 3 anos. Essa pena foi estendida para 24 anos por agressão violenta aos guardas prisionais (1:30-1:35). Não falemos de provas, mas o apresentador nem mesmo dá detalhes de como foram estas agressões nem os nomes das vítimas.

“Informa-se depois (1:35-1:50) que Zapata não aparece entre os 75 detidos em março de 2003 por alegados contatos com os Estados Unidos, nem foi apresentado como prisioneiro político no relatório do Departamento de Estado americano desse ano, onde se faz um balanço da situação dos DH em Cuba. Este argumento é usado pela fonte cubana para afirmar que os Estados Unidos não o consideravam um preso político, mas apenas um criminoso comum, que depois teria sido utilizado pelos dissidentes.

“Vale a pena observar que, no relatório sobre DH em Cuba em 2003 (sem julgar sobre a qualidade da informação) o Departamento de Estado apresenta um panorama geral dividido por itens, mas NÃO FAZ UMA LISTA dos 75 presos. É claro que Zapata não está na lista de presos, porque, simplesmente, NÃO HÁ LISTA DE PRESOS. O relatório apenas menciona aqueles mais conhecidos, como Lorenzo Copello Castillo, Barbaro Sevilla Garcia e Jorge Martinez Isaac, os três que foram executados pela tentativa de assaltar uma barca.

“Também é mencionado Manuel Vazquez Portal por ter apresentado uma queixa sobre sua situação prisional. Outros mencionados são: Luis Enrique Ferrer Garcia; Martha Beatriz Roque Cabello; Oscar Elias Biscet; Pedro Pablo Alvarez Ramos; Antonio Diaz; Regis Iglesias Ramirez; Raul Rivero; Marcelo Manuel Lopez Banobre; Manuel Vazquez Portal; Oscar Mario Gonzalez. Destes, alguns eram jornalistas, outros líderes de oposição e alguns outros militantes destacados de oposição.

“Observe que só são mencionados 14 detentos, sobre um total de 75. Pessoas que eram simples aderentes ou simpatizantes provavelmente não foram tidas em conta pelo Departamento de Estado. Estados Unidos nunca se preocupou por vítimas de qualquer natureza, salvo que tivessem relevância para seus projetos. Então, Zapata não foi citado porque era pouco interessante para os Estados Unidos.

“É CURIOSO QUE O GOVERNO CUBANO CONSIDERE UM ELEMENTO CONTRA ZAPATA O FATO DE QUE SEU MAIOR INIMIGO, OS ESTADOS UNIDOS, NÃO O MENCIONE…

“Entretanto, Anistia Internacional, que acredita que os DH são iguais para todos, menciona claramente Zapata ao conceder-lhe o status de prisioneiro de consciência. No seguinte site, você pode conferir a ficha redigida por AI em relação com Orlando Zapata:

Orlando Zapata Tamayo
Data de prisão: 20 de Março 2003
Sentença: Sem julgamento ainda, indiciado por “desacato”, “desordem pública” e “desobediência”.

Orlando Zapata Tamayo é membro do Movimento Alternativa Republicana e membro do Conselho Nacional de Resistência Cívica.

“Foi preso várias vezes no passado. Por exemplo, foi temporariamente detido em 03/07/2002 e em 28/10/2002. Em novembro de 2002, depois de fazer parte numa oficina sobre DH no Parque Central de Havana, José Marti, ele e outros 8 opositores foram arrestados e depois libertados. Ele foi também preso em 06/12/2002, junto como Oscar Biscet, mas foi libertado no dia 08/03/2003

“Segundo o relato da TV cubana, sendo Zapata um criminoso vulgar e um sujeito sem ideologia nenhuma, teria sido facilmente cooptado por Oswaldo Payá Sardinhas e Marta Roque, dois dirigentes de movimentos opositores, que o teriam convencido da importância de sua causa e lhe teriam conseguido uma boa pensão para sua família, paga pela máfia que apóia os cubanos de Miami. (1:56-2:26).

“Antes que Zapata se tornasse conhecido, as informações sobre ele o indicavam como um militante de base da oposição. Assim sendo, o que Roque e Payá poderiam ter feito era apenas estabelecer uma aliança, no sentido de que Zapata trabalhasse para seu movimento. Até aí, tudo pode ser verdadeiro. Também pode ser verdade que sua família recebesse uma pensão da máfia. Como todos sabem, é difícil saber nos Estados Unidos qual é a origem do dinheiro. Por outro lado, é ridículo pensar que uma família miserável que tem um parente preso rejeitaria uma pensão, percebendo que a prisão de Orlando era uma aberração e não um ato de justiça.

“A afirmação mais curiosa aparece entre os instantes 2:27 e 2:58. Aí, o locutor disse que os verdadeiros opositores convenceram a este homem (que, segundo se pode inferir das insinuações do relato, estaria grato pela ajuda dada a sua família) para fazer greve de fome.

“Em seguida, se menciona que REJEITOU TODA ASSISTÊNCIA MÉDICA, e se destaca a solidariedade dos médicos do governo que em nenhum momento o abandonaram.

“A atenção médica recebida deve ter sido real. Entretanto, chama a atenção que um criminoso sem ideais políticos fizesse GREVE DE FOME POR UM DEVER DE CONSCIÊNCIA PARA COM SEUS PROTETORES. Aliás, no site de Payá na Internet, o blogueiro estimula a todos os opositores cubanos a preservar suas vidas, e não fazer greve de fome.

“Então, será que ZAPATA ERA TÃO SIMPLES QUE NÃO SABIA QUE UMA PESSOA PRECISA COMER PARA VIVER???

“Até pode ser verdade que ele tenha resistido a receber assistência médica no começo, mas, quando percebeu que estava morrendo, SERÁ QUE ALGUM IDEAL OU PRINCÍPIO ÉTICO O ANIMOU A CONTINUAR???

“…Segundo a descrição feita pela TV cubana, Zapata seria um lumpen sem valor que se venderia a qualquer um. Então, como uma pessoa assim pode ser convencida a morrer por uma causa? Até onde se conhecem as greves de fome, não há nenhum caso de alguém que não tivesse uma motivação, social, ética ou religiosa muito clara; correta ou errada, mas clara.

“A idéia de ser subornado pelos agentes americanos coloca esta pergunta: subornado a troco de que? O que faria ele com algum dinheiro depois de morto?

“A única hipótese possível, mesmo aceitando a explicação da TV Cubana é que Zapata se deixou morrer por desespero. Fosse apenas um lumpen (existem lumpen em Cuba depois de 50 anos de Revolução???), ou um agente da CIA, ou qualquer outra coisa, é natural que um homem condenado a penas crescentes de prisão (no último momento atingiam os 36 anos), sem a menor possibilidade de defesa nem de julgamento limpo, só pense em morrer.

“Acima de qualquer outra idéia (cuja existência não negamos) em valores éticos ou sociais, seu desespero face uma morte lenta conduz naturalmente ao desejo de uma morte mais rápida. Como disse o senador Cristóvão Buarque, a morte por greve de fome é muito mais cruel que a morte por fuzilamento. Acrescentemos, porém, que é bem mais macia que uma agonia de décadas.”

*  Jornalista, escritor e ex-preso político. Blogues: Náufrago da Utopia e O Rebate




mar 09 2010

Contra o Ato Médico!

Categoria: ApoiamosSenhor_do_Servo @ 22:09

Do Conhecer e Agir!

No último dia 27 de fevereiro 20.000 pessoas disseram NÃO AO ATO MÉDICO, no evento promovido pelos conselhos profissionais no parque do Ibirapuera.

Acontece dia 9 de março a manifestação nacional pela rejeição ao chamado PL do Ato Médico, que tramita no Senado Federal.

Se aprovado, o PL representará um retrocesso para a saúde, prejudicando a autonomia das outras 13 profissões da área e impedirá a organização de especialidades multiprofissionais em saúde.

Em 2004, diversas categorias da saúde pública no Brasil entregaram mais de um milhão de assinaturas ao presidente do Congresso, organizaram manifestações que reuniram mais de 50 mil pessoas em atos realizados contra o Ato Médico em diferentes cidades e capitais brasileiras.

Essas mobilizações foram importantes, pois profissionais e estudantes de 13 categorias da área da saúde conseguiram explicar à população e ao poder legislativo os enormes prejuízos que o projeto causaria à sociedade brasileira caso fosse aprovado. Foram responsáveis pelo engavetamento do PL até 2009.

Passados cinco anos, o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em 21 de outubro de 2009, e que voltou ao Senado, mantém o mesmo vício de origem, que é colocar em rico o cuidado integral preconizado pela Constituição Federal, através do SUS, que é uma das grandes conquistas do povo brasileiro no processo de democratização do país.

Não fique de fora!

As manifestações, que devem ocorrer em diversos estados, são uma iniciativa das entidades da campanha contra o PL do Ato Médico e são importantes para que o Senado não aprove os pontos do PL que interferem no trabalho de outras profissões.

Assine o Abaixo assinado contra o Ato Médico: clique AQUI!

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mar 09 2010

A Bahia fez história, Goiás fez merda!

Categoria: Apoiamos, Educação, José Serra, Mídia, Política, fascismo, judiciárioSenhor_do_Servo @ 21:38

Do PHA

Trata-se do depoimento histórico do professor Luiz Felipe de Alencastro no Supremo Tribunal Federal, no dia quatro deste mês, no quadro dos pronunciamentos que antecedem o julgamento das cotas.

Alencastro é o responsável pela cadeira de História do Brasil na Sorbonne e autor do livro clássico “Trato dos Viventes”, Editora Companhia das Letras, sobre o tráfico negreiro – um “Casa Grande” contemporâneo.

Alencastro lembra:

Em 2010, os afrodescendentes, os que se dizem pretos e pardos, são a maioria da população brasileira.

Nenhum país  foi tão escravista quanto o Brasil.

Dos 11 milhões de escravos vivos que chegaram às Américas, entre 1550 e 1886, 44% vieram para o Brasil, ou seja, 5 milhões.

Eles vieram sob tortura, trazidos por negreiros lusos e brasileiros e,  depois, por traficantes brasileiros.

Vinham acorrentados, como descrevia Castro Alves, que sabia disso, porque o padrasto era negreiro.

Das 35 mil viagens através do Atlântico, nenhum barco africano esteve envolvido no tráfico.

Alô, alô, Senador DEM-óstenes (clique aqui para ler “DEM-óstenes põe a culpa nos africanos pela escravidão” )

No Século XIX, o Brasil foi a ÚNICA nação independente que traficava escravos.

A Lei estabeleceu que, em 1831, os negros que chegassem a uma praia brasileira eram considerados livres.

Porém, a Lei e as instituições fizeram vista grossa e foi possível re-escravizar por sequestro.

Era o sequestro de homens livres.

Assim, desde 1831, 760 mil negros e seus descendentes foram mantidos ilegalmente na escravidão, até 1888.

Eles não eram escravos.

Eram sequestrados.

Esse pacto entre sequestradores de homens livres para torná-los escravos e as instituições brasileiras é, segundo Alencastro, o “pecado original” da democracia brasileira.

E, por isso, não só os negros pagam pela escravidão.

A violência contra o escravo contaminou tudo.

A violência policial surge como subproduto da escravidão.

Como punir o escravo delinquente, sem privar seu proprietário do trabalho do encarcerado ?

Desde 1824 tinham sido extintas, formalmente, as punições físicas a presos.

Mas, pesou sobre toda a população negra E LIVRE o temor de ser açoitado, como substituto do encarceramento.

O terror, a tortura, o açoite intimidavam o escravo – e todos os outros cidadãos pobres.

O proprietário preferia punir com o açoite a prender.

Os pobres também pagaram o preço da herança escravista e sua violência.

Eles também eram vítimas da violência corriqueira.

Além disso, a Lei Saraiva, de 1881, impediu o voto do analfabeto e, portanto, bloqueou o acesso de libertos e futuros libertos à cidadania.

Isso permaneceu até 1985, quando a Lei autorizou o voto do analfabeto.

Mas a exclusão permaneceu, sobretudo na população negra, onde o analfabetismo é maior.

As taras do Século XIX contaminaram o país inteiro – negros e braços.

Só a redução da discriminação consolidará nossa democracia.

A política afirmativa e a adoção das cotas aperfeiçoam a democracia.

Não tem sentido fazer alarmismo e dizer que as cotas vão transformar o Brasil  numa Ruanda, um país em que a independência ocorreu em 1962.

As cotas já existem !, – enfatizou Alencastro.

Dezenas de milhares de brasileiros entraram na universidade através do ProUni.

52 mil estudantes de universidades públicas entraram através de cotas e não se tem notícia de violência – nada que se compare aos trotes.

O acesso à universidade é o estrangulamento essencial à democracia brasileira.

Essa discussão não deve ser ideológica ou partidária, como lembrou o Senador Paulo Paim – lembrou Alencastro.

As primeiras medidas para reduzir a discriminação foram tomadas pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso.

O presidente do IPEA – instituição de onde Alencastro tirou informações para o pronunciamento – no Governo Fernando Henrique, Roberto Martins, é a favor das cotas.

O presidente do IPEA no Governo Lula é Marcio Pochman, a favor das cotas.

(A reprodução não é literal e foi feita por PHA)

Alencastro pode ser o responsável pelo mais iluminado depoimento nas audiências ao Supremo.Nem o Supremo Presidente do Supremo – que já indicou ser contra as cotas e aconselhou a principal a advogada dos DEMOS que combate as cotas – nem Ele será capaz de resistir à dialética de Alencastro.A luz se fará.

Como diria Castro Alves, o pronunciamento de Alencastro foi o “o germe-que faz a palma, a chuva-que faz o mar.”


mar 08 2010

O Aniversário do Marconi Perillo e a Farra do PIG Goiano

Categoria: Biografia, Ceticismo, José Serra, Mídia, Política, Vera L. SilvaVera L. Silva @ 21:32

O maior evento social  da semana foi ampla e incansavelmente divulgado  pela mídia alternativa e  pelo PIG. No site da Assembléia Legislativa do Estado de  Goiás,  no dia 5 (meio em cima da hora para assegurar um sucesso tão grandioso?),  encontramos   mostras da  atenção que seria dedicada  ao senador Marconi Perillo, quando lá se anunciava que o deputadado catalano “Jardel Sebba, líder do PSDB na Assembleia Legislativa, passou a semana convidando prefeitos,  vereadores, presidentes de partidos, lideranças comunitárias e populares das cidades que representa para a comemoração do 47º aniversário do senador Marconi Perillo (PSDB).”

E rápidamete  jornais e TV e blogs pipocaram  manchetes com  informações ao sabor de todos. De fato, aconteceram duas grandes  festas: a do senador e da imprensa goiana.

O site No Debate explica:  “A cobertura nas eleições deste ano aponta para uma guerra de nervos entre os diversos meios de comunicação que  decidiram seguir a lógica, segundo a qual a imparcialidade não existe, e cada empresa jornalística deve ser transparente quanto as suas  opções partidárias. Uma discussão e tanto, pois o leitor com dificuldade para fazer comparações em diversos meios deverá realizar escolhas na grande mídia e nas comunidades eletrônicas. Talvez até mesmo o vizinho, ainda, seja uma boa oportunidade para se buscar informação. Como exemplo do problema: em Goiânia a festa promovida pelo candidato ao governo do Estado Marconi Perillo  (PSDB) tem números desencontrados entre o Jornal Diário da Manhã que deu destaque para 40 mil pessoas no evento, enquanto o Jornal Opção enumera 16 mil, menos da metade. Quem fez corretamente a contagem?

O Jornal O Popular preferiu recorrer às fontes: “O senador (Marconi Perillo) disse que não tinha conta do número de presentes. O secretário-geral do PSDB, Sérgio Cardoso, falou em 30 mil pessoas. Segundo militares, havia entre 10 e 15 mil. O salão, que ficou lotado, tem capacidade para 7 mil pessoas, segundo a assessoria do Atlanta Music Hall. Desta forma, o número pode ainda mais reduzido, menos de 10 mil?” – questiona o editor, como todos nós.

Um jornal anunciou:  “40 mil pedem a volta de Marconi“,    enquanto alguém  se atreveu a informar um número menor de convidados – 5 mil.  Epa!

E todos  falaram da excelência dos convidados de  honra, citando 142 prefeitos presentes.  Uma  grande apoio neste 2010,  convenhamos, SE tivessem divulgado   lista com os nomes desses 142 prefeitos para que o leitor  acreditasse, afinal, talvez  o mestre de cerimônias    tenha também se perdido em mais esta conta,  e SE junto ao nome constasse   o número de habitantes (eleitores)  dessas cidades.

Quem não é goiano  talvez  não saiba ( normal), mas Goiás é composto por   246 municípios  e tem sua  uma população concentrada  em poquissimas cidades. Alguns desses municípios chegam a ter  menos de 1000 eleitores – ou mesmo habitantes, como Anhanguera. Outros possuem 1500, 2000, 3.000, 5.000 moradores. O fato (e a única certeza)  é  que os prefeitos  representantes das cidades maiores, como Goiânia (prefeito  Íris Rezende, PMDB; governador Alcides Rodrigues, PP  e  cerca de 1.300.000 hb), Aparecida  de Goiânia (prefeito Maguito Vilela, PMDB e  mais de meio milhão de hb) e Catalão (Velomar Rios/Adib Elias, PMDB e cerca de 100.000 hb),  entre muitos outros,    não compareceram na festança tucana.

Mas queremos mostrar, atendendo sugestão de  um leitor nosso, um  vídeo postado no YouTube, contendo as mensagens dos homens e mulheres do Senado Federal brasileiro à  Marconi Perillo.

Eu  achei lindo  tanta delicadeza, afeição e apoio político externados, e teria continuado encantada, SE esse leitor nosso não tivesse nos enviado junto ao link do vídeo a ficha corrida dos atores e atrizes  senadores,  retirada do site Transparência Brasil . Então tudo ficou muito muito sujo..  e percebo que Duda Mendonça vai ter muito muito trabalho em Goiás para não voltar de  onde vier, na melhor  das hipóteses, não só derrotado, mas muito envergonhado.

As  figuras políticas mais anunciadas e esperadas, José Serra e  Aécio Nves, não compareceram – mas mandaram  recadinhos e beijnhos na testa. FHC, também.

A campanha política para as Eleições 2010 em Goiás teve incício.  Do seu fim, cuide Deus!

Clique Aqui

Álvaro Dias
- Teria deixado de declarar R$ 6 milhões à Justiça Eleitoral em 2006. O montante é referente à venda de uma fazenda em 2002. A omissão não é considerada ilegal, pois a Justiça Eleitoral não obriga que candidatos forneçam a declaração de saldo de contas bancárias e investimentos financeiros; somente a declaração de bens é obrigatória (Gazeta do Povo, 11.ago.2009).
- Sua sobrinha trabalhava no Senado e foi exonerada depois da decisão do STF de proibir o nepotismo na casa (O Estado do Paraná, 1.nov.2008).

Sérgio Guerra
- Segundo o jornal Folha de S. Paulo sua filha teria acompanhado-o numa viagem a Nova York e gastado R$ 4.580,40 com diárias de hotel, que foram pagas pelo Senado. O senador afirmou não ter cometido irregularidades, e que teria devolvido a quantia se fosse cobrado (Folha de S. Paulo, 10.ago.2009).

Cícero Lucena
- STF Ação Penal Nº493/2008 – Crime da lei de licitações; reautuação do Inquérito Nº2535/2007. Cícero Lucena é acusado de desvio de verbas públicas e fraudes em licitações referentes a convênios firmados entre a prefeitura de João Pessoa e o Governo Federal.
- STF Inquérito Nº2527/2007 – Denúncia por crime contra a lei de licitações e formação de quadrilha. Cícero Lucena é acusado de integrar uma organização criminosa que teria desviado recursos públicos por meio de fraudes em licitações e contratos.
- TRF 5ª Região Agravo de Instrumento Nº2008.05.00.079541-1 – Referente a medida cautelar (TRF 5ª Região 2ª Vara Federal da Paraíba – Processo Nº2007.82.00.008479-0) vinculada a ação civil pública (Processo Nº2005.82.00.014845-0) por improbidade administrativa, que tramita em primeira instância.
- TRF 5ª Região Agravo de Instrumento Nº2008.05.00.028274-2 – Referente a ação civil pública (TRF 5ª Região 3ª Vara Federal da Paraíba – Processo Nº2007.82.00.007298-2) por improbidade administrativa, que tramita em primeira instância.
- TRF 5ª Região Agravo de Instrumento Nº2007.05.00.089446-9 – Referente a medida cautelar (TRF 5ª Região 2ª Vara Federal da Paraíba – Processo Nº2007.82.00.008133-8) vinculada a ação civil pública (Processo Nº2007.82.00.007302-0) por improbidade administrativa, que tramita em primeira instância.
- TRF 5ª Região Agravo de Instrumento Nº2007.05.00.089169-9 – Referente a medida cautelar (TRF 5ª Região 2ª Vara Federal da Paraíba – Processo Nº2007.82.00.008605-1) vinculada a ação civil pública (Processo Nº2007.82.00.007295-7) por improbidade administrativa, que tramita em primeira instância.
- TRF 5ª Região Agravo de Instrumento Nº2007.05.00.089162-6 – Referente a medida cautelar (TRF 5ª Região 2ª Vara Federal da Paraíba – Processo Nº2007.82.00.008606-3) vinculada a ação civil pública (Processo Nº2007.82.00.007296-9) por improbidade administrativa, que tramita em primeira instância.
- TRF-5 Seção Judiciária da Paraíba Improbidade Administrativa Nº2007.82.00.007299-4 – É processado em ação civil movida pelo Ministério Público.
- TRF-5 Seção Judiciária da Paraíba Improbidade Administrativa Nº2007.82.00.007300-7 – É processado em ação civil movida pelo Ministério Público.
- TRF-5 Seção Judiciária da Paraíba Improbidade Administrativa Nº2007.82.00.007302-0 – É processado em ação civil movida pelo Ministério Público.
- TRF-5 Seção Judiciária da Paraíba Improbidade Administrativa Nº2007.82.00.007303-2 – É processado em ação civil movida pelo Ministério Público.
- TRF-5 Seção Judiciária da Paraíba Improbidade Administrativa Nº2008.82.00.001956-0 – É processado em ação civl movida pelo Ministério Público.
- TRE-PB Prestação de Contas Nº1617/2006 – Rejeitada por unanimidade a prestação de contas de sua campanha em 2006. O TSE manteve a decisão ao julgar o Agravo de Instrumento Nº8624/2007.
- TCU Acórdão Nº1064/2007 – Manteve decisão anterior (Acórdão Nº1865/2004) que o condenou a multa de R$ 20.000,00 por irregularidades em convênios com a Embratur, o Ministério da Integração Nacional e com o Fundo Nacional de Saúde (FUNASA) quando era prefeito de João Pessoa. Essa posição do Tribunal foi novamente confirmada pelo Acórdão Nº1586/2008.
- TCU Acórdão Nº1063/2007 – Reduziu para R$ 10.000,00 a multa definida em decisão anterior (Acórdão Nº1683/2004) por irregularidades em convênios com a Embratur e a Caixa Econômica Federal quando era prefeito de João Pessoa – contrato vencido, edital de licitação vago, prorrogações e sub-rogação de contratos.

José Agripino
- http://www.deunojornal.org.br/materia.asp?mat=260832&pl=José Agripino
- http://www.deunojornal.org.br/materia.asp?mat=192347&pl=José Agripino

Garibaldi Filho
- TJ-RN Comarca de Natal Improbidade Administrativa Nº001.02.014007-0 – É processado em ação civil pública movida pelo Ministério Público.
- TJ-RN Comarca de Natal Improbidade Administrativa Nº001.04.024309-6 – É processado em ação civil movida pelo Ministério Público.
- TJ-RN Comarca de Natal Ação Popular Nº001.95.003024-5 – Condenado solidariamente por receber verbas de gabinete referentes ao mandato de deputado estadual, após o término do exercício. A sentença determinou a nulidade do ato e o ressarcimento da quantia recebida, mais o pagamento de custas processuais.

Flexa Ribeiro
- Preso durante a Operação Pororoca da Polícia Federal, que investigou fraudes em licitações no Pará, Amapá e Minas Gerais (O Estado de S. Paulo, 5.nov.2004; O Globo, 12.jan.2005).
- Sua construtora, a Engeplan, é acusada de se utilizar de fraude para quitação de dívida junto ao INSS. O esquema foi descoberto pela Operação Caronte da Polícia Federal (Correio Braziliense, 19.fev.2005).
- Investigado pela CPI do Banestado por suposta remessa ilegal de dólares para o exterior (Correio Braziliense, 3.dez.2005).
- Processado por irregularidades em contrato de R$ 20 mi entre sua construtora e o governo do Pará (Diário do Pará, 15.jul.2006).
- O Ministério Público instaurou procedimento administrativo para apurar a legalidade da construção de um prédio luxuoso na orla de Belém pelo grupo empresarial ligado ao senador (Correio Braziliense, 6.ago.2009).
- Teria nomeado uma funcionária em cargo comissionado para divulgar seu trabalho em Belém (PA). O senador teria afirmado ser necessário manter uma assessora na região (O Estado de S. Paulo, 31.out.2009).

Arthur Virgílio
o avô
- A irmã de seu assessor no Senado foi nomeada por ato secreto; além disso teve um funcionário fantasma que recebia salário enquanto estudava na Espanha. Com a venda de um imóvel de sua mulher, restituiu parcialmente o total de R$ 210.696,58 recebido pelo funcionário. O senador afirmou que devolverá o restante em três meses (Folha de S. Paulo, 30.jun.2009; O Globo, 30.jun.2009, 30.jul.2009, 02.jul.2009).
- O presidente do Senado, Renan Calheiros, requisitou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para levar parlamentares ao enterro da mãe de Virgílio, no Rio de Janeiro (Correio Braziliense, 6.mar.2006).
- A Controladoria Geral da União (CGU) cobra a restituição de R$ 154,7 mil aos cofres públicos, devido à falta de comprovação da aplicação de recursos transferidos pelo extinto Ministério do Interior à Prefeitura de Manaus em 1989, quando Virgílio era prefeito (Correio Braziliense, 13.dez.2004).
o neto
-  TSE Recurso Especial Nº28214/2007 – Ação de impugnação de registro de candidatura.
- TJ-AM 1ª Vara da Fazenda Pública Municipal Ação Civil Pública Nº001.02.039972-4 – É processado em ação civil pública de improbidade administrativa movida pelo Ministéio Público.

Romeu Tuma
- Teria usado parte da verba indenizatória para pagar quatro quartos por três dias em um resort country durante a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos (SP), totalizando R$ 14.127,00. Além disso, também teria utilizado o benefício em uma churrascaria e numa pizzaria. O senador afirmou que foi à Barretos para trabalhar (O Globo, 19.jan.2010).

Wellington Salgado
- STF Inquérito Nº2628/2007 – Crime contra a ordem tributária; apropriação indébita previdenciária referente a imposto de renda de pessoa física. Corre sob segredo de justiça.
- STF Inquérito Nº2364/2007 – Crime contra a ordem tributária; apropriação indébita previdenciária referente a imposto de renda de pessoa física.
- Devedores do INSS – A Associação Salgado de Oliveira de Educação deve R$ 37.436.817,36 ao INSS.
- TRF-5 Seção Judiciária do Rio de Janeiro Execução Fiscal Nº88.0034332-5 – É processado pela Fazenda Nacional.

Gerson Camata
- Foi acusado pelo ex-assessor de receber propinas de empreiteiras e apresentar prestações de contas falsas para justificar gastos inexistentes; o ex-funcionário também relatou que 30% de seu salário era reservado para custear as despesas do senador. Além disso receberia R$6.800,00 referente a auxílio-moradia mesmo possuindo residência fixa em Brasília, e teria alugado o apartamento funcional a terceiros (Zero Hora, 20.abr.2004; O Globo, 21.abr.2009 ; O Tempo, 23.abr.2009).

Cristovam Buarque
- O Tribunal de Contas da União acusou Cristovam Buarque e outros ex-reitores da UnB de irregularidades na concessão de aposentadorias a funcionários da instituição (Jornal de Brasília, 9.jun.2006).
- Teria sido beneficiado por atos secretos editados pelo Senado entre 1995 e 2009 (O Estado de S. Paulo, 23.jun.2009).

Papaléo Paes
- Teria sido beneficiado por atos secretos editados pelo Senado entre 1995 e 2009 (O Estado de S. Paulo, 23.jun.2009).

Mão Santa
- STF Inquérito Nº2449/2006 – Peculato.
- STF Inquérito Nº2849/2009 – Peculato.
- O procurador geral da República, Antonio Fernando Souza, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra o parlamentar por contratação irregular de pessoal. Mão Santa é acusado de contratar 913 funcionários fantasmas (O Globo, 29.dez.2006; O Estado de S. Paulo, 14.dez.2007).
- Teve seu mandato de governador cassado em 2001 por abuso de poder econômico nas eleições de 1998 (O Estado de S. Paulo, 18.nov.2006).
- Contratou como assessoras em seu gabinete a mulher e a filha (Folha de S. Paulo, 20.ago.2007).
- Foi citado no inquérito aberto pela Operação Castelo de Areia, que investiga doações ilegais da Camargo Corrêa a campanhas eleitorais. Em uma conversa grampeada, seu assessor cobra um depósito ao emissário da FIESP, apontado pela PF como elo da empreiteira para o suposto esquema de doações (O Estado de S. Paulo, 30.mar.2009).

Patrícia Sabóya
- Empregou o irmão como assessor técnico de seu gabinete. Ela o demitiu após decisão do Supremo Tribunal Federal que proibiu a prática de contratação de parentes no Senado (O Povo, 11.set.2008).

Serys Slhessarenko
- O Ministério Público do Mato Grosso do Sul, que investiga desvios de recursos no governo de Zeca do PT, encaminhou à Procuradoria Geral da República suspeita de que a senadora Serys Slhessarenko teria recebido parte desse dinheiro em financiamento à sua campanha ao governo do Mato Grosso (O Estado de S. Paulo, 10.nov.2007).
- Teria sido beneficiado por atos secretos editados pelo Senado entre 1995 e 2009 (O Estado de S. Paulo, 23.jun.2009).
- O relatório da CPMI dos Sanguessugas dá conta de que existem indícios do envolvimento deste parlamentar com as irregularidades investigadas no âmbito do escândalo da Máfia das Ambulâncias (O Estado de S.Paulo, 10.ago.2006, Folha de S. Paulo, 11.ago.2006, Gazeta (AC) – Folhapress, 11.ago.2006).
- Leia  o relatório parcial da CPMI dos Sanguessugas e seus anexos.

Eduardo Paes
- http://www.folharepublicana.net/2009/07/eduardo-paes-faz-promocao-pessoal-em.html

Eduardo Azeredo
- STF Inquérito Nº2280/2005 – É réu em inquérito que investiga o uso de caixa 2 durante as eleições de 1998, caso conhecido como “mensalão tucano”. A denúncia foi aceita em 3.dez.2009 e o STF abrirá ação penal contra o senador por lavagem de dinheiro e peculato.
- TJ-MG Comarca de Belo Horizonte Processo Nº002409647753-4 – É processado por dano ao erário em ação civil movida pelo Ministério Público. O montante da ação é de R$ 2.721.717,46.
- Denunciado pelo Procurador-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF) por peculato e lavagem de dinheiro no caso do chamado mensalão tucano em Minas Gerais. O STF acatou a denúncia e abrirá ação penal contra o senador. Azeredo se diz inocente e afirma que as provas apresentadas contra ele são falsas (O Estado de S. Paulo, 23.nov.2007, 4.dez.2009; Folha de S. Paulo, 4.dez.2009).
- Teria utilizado recursos de caixa dois durante sua campanha à reeleição ao governo mineiro em 1998. O esquema de arrecadação irregular seria organizado por Marcos Valério, publicitário indiciado como o pivô do escândalo do “mensalão”, ocorrido em 2005. (O Estado de S. Paulo, 26.out.2005; Folha de S. Paulo, 12.jan.2006; O Globo, 30.mar.2006; Folha de São Paulo, 15.mar.2007).

Os cumprimentos  do blog então são para cada goiano que, por incompatibilidade ideológica  e alergia a penas, foi barrado da festa do ninho tucano.

Vera L. Silva – Blog do Atheneu

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mar 08 2010

Homens burros traem mais

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 15:39

Homens burros traem maisDo Vooz:

Homens que traem as esposas e namoradas tendem a ter QI mais baixo e ser menos inteligentes, segundo um estudo publicado na revista especializada Social Psychology Quarterly.

De acordo com o autor do estudo, o especialista em psicologia evolutiva da London School of Economics, Satoshi Kanazawa, “homens inteligentes estão mais propensos a valorizar a exclusividade sexual do que homens menos inteligentes”.

Kanazawa analisou duas grandes pesquisas americanas a National Longitudinal Study of Adolescent Health e a General Social Surveys, que mediam atitudes sociais e QI de milhares de adolescentes e adultos.

Ao cruzar os dados das duas pesquisas, o autor concluiu que as pessoas que acreditam na importância da fidelidade sexual para uma relação demonstraram QI mais alto.

De acordo com o estudo, o ateísmo e o liberalismo político também são características de homens mais inteligentes.

Evolução

Kanazawa foi mais longe e disse que outra conclusão do estudo é que o comportamento “fiel” do homem mais inteligente seria um sinal da evolução da espécie.

Sua teoria é baseada no conceito de que, ao longo da história evolucionária, os homens sempre foram “relativamente polígamos”, e que isso está mudando.

Para Kanazawa, assumir uma relação de exclusividade sexual teria se tornado então uma “novidade evolucionária” e pessoas mais inteligentes estariam mais inclinadas a adotar novas práticas em termos evolucionários – ou seja, a se tornar “mais evoluídas”.

Para o autor, isso se deve ao fato de pessoas mais inteligentes serem mais “abertas” a novas ideias e questionarem mais os dogmas.

Mas segundo Kanazawa, a exclusividade sexual não significa maior QI entre as mulheres, já que elas sempre foram relativamente monogâmicas e isso não representaria uma evolução.

Mais sobre a burrice dos homens religiosos de direita? Leia o post abaixo!


mar 08 2010

o auxílio reclusão, pela direita acéfala e raivosa

Categoria: Apoiamos, Política, Senhor do Servo, fascismoSenhor_do_Servo @ 15:32

Burro direitaVocê sabe o que é o AUXÍLIO RECLUSÃO?

Todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa que, a partir de  1º/1/2010 é de R$798,30 por filho para sustentar a família, já que o  coitadinho não pode trabalhar para sustentar os filhos por estar preso.  Mais que um salário mínimo que muita gente por aí rala pra conseguir e manter uma família inteira.

Ou seja, (falando agora no popular pra ser entendido) [Reparem que o infeliz autor desta "denúncia" estava convicto que a linguagem dele era culta...]. Bandido com 5 filhos, além de comandar o crime de dentro das prisões, comer e beber nas costas de quem trabalha e/ou paga impostos, ainda tem  direito a receber auxílio reclusão de R$3.991,50 da Previdência Social [não é o preso que recebe o auxílio reclusão, o mané ignorante e estúpido. É a família, os filhos, a esposa. A ideia é que estes não tenham que, também, ingressar na criminalidade.].

Qual pai de família com 5 filhos recebe um salário suado igual ou mesmo  um aposentado que trabalhou e contribuiu a vida inteira e ainda tem que  se submeter ao fator previdenciário?  Mesmo que seja um auxílio temporário, prisão não é colônia de férias [Resumindo: o asno dá a entender que é o PRESO e não sua família, que receberá o benefício. Já vimos que ele é burro, por que se acha culto, mesmo  escrevendo como um ignorante letrado, mas eu acho que ele sabe que não é assim. Quer apenas chocar e manipular os incautos].

Isto é um incentivo a criminalidade nesse pais de merda, formado por  corruptos e ladrões. [país de merda se houvesse apenas "gente" como o imbecil autor deste texto. Eu particularmente, adoro o Brasil. Se ele não gosta, a emigração é serventia da casa. E outra: não sou corrupto nem ladrão, muita gente não é. Decerto ele toma a todos pela própria família...] Não acredita?  Confira no site da Previdência Social.

Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS
( http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22 )

Pergunto-lhes:

1. Vale a pena estudar e ter uma profissão [o que ele quer que você responda? Que não? Burrooooooooo!!!] ?
2. Trabalhar 30 dias para receber salário mínimo de R$510,00, fazer  malabarismo com orçamento pra manter a família [Não, não vale. Por isso é importante voltar em políticos que advoguem aumento do salário mínimo e não em quem o mantém baixo, como políticos do PSDB, DEM e PPS]?
3. Viver endividado com prestações da TV, do celular ou do carro que  você não pode ostentar pra não ser assaltado [alguém que tem carro, celular e TV "para ostentar" ganha realmente um salário mínimo? Burrrroooooooooooooooooooo!!]?
4. Viver recluso atrás das grades de sua casa [a segurança pública é dever do INSS ou dos estados? Burrooooooooooooooo!!!]?
5. Por acaso os filhos do sujeito que foi morto pelo coitadinho que está preso, recebe uma bolsa de R$798,30 para seu sustento [e por acaso os filhos de quem está preso têm culpa disso?]?
6. Já viu algum defensor dos direitos humanos defendendo esta bolsa para os filhos das vítimas [Para isto existe a Justiça, não existe não? Ou a culpa disso também é do INSS, que apenas cumpre a Lei?] ?
7. Vc acredita nas promessas dos politicos corruptos, ladrões eleitos  pela grande massa de ignorantes em nosso pais [repare no massa d eignorantes, como se o asno que escreveu isso não fosse um.Ele ou ela se julga "elite" e está convicto de que, por não eleger alguém que pense como ele, o povo é burro como ele próprio]?
8. Você acredita no discurso da polícia que está se esforçando pra  diminuir a criminalidade [ e o que tem a ver os olhos com os óculos? Em que os dois assuntos se relacionam mesmo? Ióooooooo!!!]

A VERDADE SOBRE O AUXÍLIO RECLUSÃO? LEIA O POST ABAIXO, DO FILÓSOFO PAULO GHIRALDELLI.


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mar 08 2010

Verdades sobre o Auxílio Reclusão

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 15:04

Do filósofo Paulo Ghiraldelli:

Para pararmos com a campanha da direita contra tudo que é civilizado, eis aqui as informações corretas.

Seguem abaixo algumas informações sobre o Auxílio Reclusão, que é um benefício destinado ao trabalhador que contribui(ou contribuiu) com a previdência durante algum prazo pre-estabelecido, e quem recebe são seus dependentes. Nãoé um valor pago ao bandido(como incentivo). Quaisquer outras dúvidas é só verificar no sítio do INSS.


O que é o auxílio-reclusão?
É um benefício legalmente devido aos dependentes de trabalhadores que contribuem para a Previdência Social. Ele é pago enquanto o segurado estiver preso sob regime fechado ou semi-aberto e não receba qualquer remuneração da empresa para a qual trabalha, nem auxílio doença, aposentadoria ou abono de permanência em serviço. Dependentes do segurado que estiver em livramento condicional ou em regime aberto perdem o direito de receber o benefício.

Esse benefício é pago ao preso?
O segurado preso não recebe qualquer benefício. Ele é pago a seus dependentes legais. O objetivo é garantir a sobrevivência do núcleo familiar, diante da ausência temporária do provedor.

O auxílio-reclusão é proporcional à quantidade de dependentes?
Não. O valor do benefício é dividido entre todos os dependentes legais do segurado. É como se fosse o cálculo de uma pensão. Não aumenta de acordo com a quantidade de filhos que o preso tenha. O que importa é o valor da contribuição que o segurado fez. O benefício é calculado de acordo com a média dos valores de salário de contribuição.

Que princípios norteiam a criação do auxílio?
O princípio é o da proteção à família: se o segurado está preso, impedido de trabalhar, a família tem o direito de receber o benefício para o qual ele contribuiu, pois está dentre a relação de benefícios oferecidos pela Previdência no ato da sua inscrição no sistema. Portanto, o benefício é regido pelo direito que a família tem sobre as contribuições do segurado feitas ao Regime Geral da Previdência Social.

Desde quando ele existe?
O auxílio foi instituído há 50 anos, pelo extinto Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos (IAPM) e posteriormente pelo também extinto Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários (IAPB), e depois incluído na Lei Orgânica da Previdência Social – LOPS (Lei nº 3.807, de 26 de agosto de 1960). Esse benefício para dependentes de presos de baixa renda foi mantido na Constituição Federal de 1988.

A família do preso pode perder o direito de receber o auxílio?
Sim, desde que o segurado obtenha sua liberdade, fuja ou sua pena progrida para o regime semi-aberto. Pela legislação, os dependentes têm que apresentar a cada três meses, na Agência da Previdência Social, a declaração do sistema penitenciário atestando a condição de preso do segurado.

Quantos benefícios de auxílio-reclusão são pagos atualmente no país?
De acordo com o Boletim Estatístico da Previdência Social (Beps), o INSS pagou 26.490 benefícios de auxílio-reclusão na folha de janeiro de 2010, em um total de R$ 15.587.580,00. O valor médio do benefício por família, no período, foi de R$ 588,43.

Como solicitar?
O auxílio-reclusão, a exemplo dos demais benefícios da Previdência Social, pode ser solicitado com agendamento prévio, pelo portal da Previdência Social e pela Central 135.”


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