fev 07 2010

Jabotinsk e as origens do facismo israelense

Categoria: Internacional, Israel, PolíticaSenhor_do_Servo @ 10:42

Jabotinsky e o Fascismo Judeu

Alguém já disse que é no passado que se encontram as respostas para os dilemas do presente e as agruras do futuro. Assim, torna-se da maior importância o conhecimento da base política original dos principais líderes israelenses de ontem e hoje. Muito se fala em sionismo, às vezes até se lembra de Thedor Herzl, entretanto, do ponto de vista concreto e objetivo, houve um ativista do sionismo que merece ser recordado e compreendido como o sustentáculo teórico do presente Estado de Israel – Vladimir Jabotinsky. Embora a sua presença e atuação tenham sido fundamentais para a criação de Israel, durante muito tempo, tempo em que perdurou a hegemonia política de um grupo sionista oposto à algumas de suas idéias, foi esquecido. Mas, hoje, saber quem foi e o que pensou Jabotinsky é uma das básicas condições para se compreender a política e a função de Israel na geopolítica do imperialismo. O presente post é a transcrição de um trecho de uma matéria do conhecido jornalista argentino, Roberto Bardini.
Vladimir Jabotinsky, o Fascismo Judeu
Vladimir Jabotinsky foi um dos líderes sionistas mais brilhantes e fanáticos da historia.
Inimigo mortal do socialismo, foi o seu crítico mais feroz quando o sionismo socialdemocrata conquistou a hegemonia do sionismo mundial…
Pode-se ser judeu e fascista? Um recorrido rápido pela agitada vida do ucraniano Vladimir Jabotinsky, nascido em Odessa em 1880 e falecido em Nova Iorque em 1940, talvez responda a esta pergunta. Jornalista, escritor, orador, poliglota, soldado e dirigente político, também foi, dependendo de por onde se olhe, combatente pela pátria ou terrorista.
Influenciado pelo “O Estado Judeu”, livro de Theodor Herzl publicado em 1896, Jabotinsky adotou o sionismo na sua expressão mais extremista e promovia uma sociedade de “homens obedientes até a morte”. Opõs-se ao socialismo e ao movimento operário judeu na Palestina. Fundou o grupo Betar, milícias juvenis que vestiam camisas pardas, como os membros dos Comandos de Assalto nazistas (Sturm Abteilungen ou SA), e são organizadas ao estilo dos “squadristi” fascistas.
Menahem Begin e Itschak Shamir, que chegariam a ser primeiros ministros de Israel, foram na juventude seguidores de Jabotinsky. Il Duce Benito Mussolini o considerava um dos seus e o chamava de “cidadão fascista”. O trabalhista David Ben Gurion, fundador do Estado Judeu em 1948, o comparou com o Führer e o apelidou de “Vladimir Hitler”.

Grupos sionistas desfilando em Varsóvia em 1938

Uma Idéia Fixa
Conhecido como “Zeev”, Vladimir Jabotinsky falava fluentemente russo, francês, inglês e alemão. A última língua que aprendeu foi o hebraico, logo traduzindo “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Quando em 1914 estourou a Primeira Guerra Mundial, criou uma Legião Judaica a serviço dos aliados. Pretendia liberar a Palestina do domínio turco-otomano e, depois, conseguir um lugar nas negociações de paz, com direito a exigir o estabelecimento de um Estado judeu.
Ao finalizar a guerra, em 1918, Jabotinsky se estabeleceu com sua esposa e filhos na Palestina, já então sob controle da Inglaterra. Em 1920, o descontentamento árabe pelos festejos de Pessach – uma das datas sagradas judias na qual se comemora a saída dos hebreus do Egito – derivou em violentos protestos de rua. Jabotinsky organizou uma represália contra os nativos, e não lhe tremeu a mão na hora de apertar o gatilho. Os britânicos o prenderam e julgaram por posse ilegal de armas. Sentenciado a quinze anos de prisão, foi posto em liberdade alguns meses mais tarde.

Quando, em 1923, os ingleses adjudicaram terras na Transjordânia aos palestinos, Jabotinsky propõs uma “revisão” das relações entre o movimento sionista e o Reino Unido. Os objetivos – tão agressivos como quase todas as decisões que tomou em sua vida e as ações que promoveu – incluíam a restauração da Legião Judaica e a chegada massiva de até 40 mil judeus por ano à Palestina.

Em 1925, Jabotinsky anunciou o estabelecimento da Aliança de Sionistas Revisionistas, com escritórios em París, e a criação do Betar, movimento juvenil nacional-sionista. Passa os anos seguintes dando conferências e colaborando em dezenas de publicações para promover mundialmente a sua causa. Predica que a atividade econômica do sionismo deveria se concentrar na economia privada, para financiar a imigração massiva para a Palestina. Retorna a Jerusalém em 1928, onde se torna gerente de uma companhia de seguros e edita um jornal.
Em 1930, enquanto se encontra viajando, as autoridades inglesas lhe proibiram o retorno à Palestina. Desde então, e até a sua morte, Jabotinsky fomentou o nacional-sionismo em vários países.

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O “Cidadão Fascista”

Jabotinsky não teve pudor em estabelecer contatos com mandatários anti-semitas, como o marechal polonês Jozef Pilsudski, um ex-comunista que em 1926 deu um golpe de Estado e instaurou um regime próximo ao nacional-socialismo. Mas o seu inspirador supremo foi Benito Mussolini. Admirava o fascismo e aspirava copiá-lo na Palestina. “Que queremos nós? Queremos um império judeu, igual como a Itália”, declarou.

Quando o Duce assumiu em 1922, Jabotinsky lhe fez chegar uma mensagem por um enviado especial. Dois anos depois, um representante oficial do Partido Fascista Italiano visitou a Palestina para estabelecer relações com os seguidores do dirigente judeu.

A agência de notícias fascista, Avanti Moderno, aplaudiu a celebração do Congresso dos Sionistas Revisionistas em 1935, pelo apoio que este movimento brindou à Itália durante a campanha na Etiópia. Nesse ano, Mussolini comentou ao Rabino de Roma: “As condições necessárias para o êxito do movimento sionista são possuir um Estado judeu, com uma bandeira judia e língua judia. Há uma pessoa que conhece isto muito bem e é o cidadão fascista Jabotinsky”.

O certo é que a perseguição de judeus não figura entre as prioridades de Mussolini. O Duce teve várias amantes, entre elas duas judias: Angelica Balabanov e Margherita Sarafatti. A primeira, quando militou no socialismo; a segunda, logo após assumir o poder. Além disso, cinco judeus –entre eles César Sarafatti, irmão de Margherita – participaram na fundação dos “Fasci de Combattimento” em 1919.

Mussolini, um ex-socialista que recebeu de seu pai o nome de Benito em homenagem ao político liberal mexicano Benito Juárez (1806-1872), só assinou leis anti-semitas em 1938. Então já estava há treze anos no poder, e a Itália começava a transformar-se num Estado satélite da Alemanha. Até esse momento, a comunidade judaica italiana conviveu tranqüilamente com o fascismo.

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O escritor Daniel Muchnik garante que o fato de que un judeu possa ser fascista é tão compreensível como que possa ser um gangster. E descreve Jabotinsky da seguinte forma: “Foi um dos líderes sionistas mais brilhantes e fanáticos da historia. Ninguém lhe foi indiferente: todos o amaram ou o odiaram. Inimigo mortal do socialismo, foi o seu crítico mais feroz quando o sionismo socialista conquistou a hegemonia do sionismo mundial. [...] Por volta de 1930, o partido de Jabotinsky, chamado revisionista, começou a assemelhar-se muito aos movimentos fascistas da Europa, e Ben Gurión chegou a chamar seu líder de ‘Vladimir Hitler’. O ideal de Jabotinsky, tal como ele mesmo o descreveu, era o de uma sociedade monolítica, de homens todos iguais e todos obedientes até a morte, capazes de atuar em uníssono” (Mundo Judío, Lumen/Mairena, Buenos Aires, 1984).

“Atire e Deixe de Conversa Fiada”
Em 1934, “Zeev” firmou um pacto com David Ben Gurion, líder do sionismo trabalhista, secretário geral da poderosa Federação de Trabalhadores e porta-voz inconteste da principal tendência sionista em Palestina. Mas o acordo, que procurava diminuir as tensões entre as duas tendências, fracassou. Nacional-sionistas e sionistas trabalhistas continuaram como ferrenhos adversários políticos durante décadas.A divisão se ampliou mais com o assassinato, numa praia de Tel Aviv, de Chaim Arlozoroff, jovem e proeminente líder sionista moderado, que foi atribuído a seguidores de Jabotinsky.

Quando em 1936 uma comissão britânica recomendou a partilha da Palestina entre um Estado árabe e outro judeu, Jabotinsky rejeitou a proposta e ordenou incrementar os ataques contra os ingleses e os nativos árabes. No ano seguinte se transformou no comandante do “Irgun”, grupo paramilitar clandestino dos revisionistas. “Maldita é toda a guerra, mas se não quiseres matar um inocente, morrerás. E se não queres morrer, atira e deixa de conversa fiada”, escreveu em julho de 1939.

Benoît Ducarme anotou em “Israel, Likud e o sonho sionista”:
“A primeira etapa da evolução do ‘revisionismo’ sionista é a da constituição da Nova Organização Sionista, fundada em 1935, de cujo seio surgiram dois grupos armados que, substancialmente, não diferiam politicamente em muito: o Irgun e o Grupo Stern. A diferença estava na forma de combater a presença britânica na Palestina [...]. Era necessário acabar com os britânicos ou dialogar com eles?

A direção do Irgun, sob o comando de [Menachem] Beguin, era partidária de uma revolta imediata contra os britânicos. [...] A cúpula do grupo Stern pretendia provocar a revolta inclusive antes de concluído o conflito mundial. De fato, dita organização fez propostas a Mussolini no final dos anos trinta. Segundo os planos que se discutiram, os nacional-sionistas deveriam aliar-se com a Itália para acabar com os ingleses na Palestina, fundar um Estado hebreu de caráter corporativo satélite do Eixo, e colocar os lugares santos de Jerusalém à disposição do Vaticano. Estas propostas não puderam se concretizar, assim como o oferecimento feito a Hitler de recrutar 40 mil soldados judeus procedentes da Europa Oriental para enfrentar os britânicos na Palestina. Hitler preferiu apostar na carta árabe”.

Hotel Rei David destruído por bombas do Irgún em 1946

Quatro Dólares e um Cachimbo
No dia 4 de agosto de 1940, durante uma visita a um campo de treinamento juvenil de Betar nos arredores de Nova Iorque, Jabotinsky morreu de um infarto. Faltava pouco para festejar os seus 60 anos, dos quais os dez últimos tinha permanecido fora da Palestina. Seus partidários contam que seus únicos bens pessoais eram um cachimbo e quatro dólares.
Cinco anos antes, o líder nacional-sionista tinha redigido o seu testamento. Nele solicitava que o seu cadáver fosse trasladado a Israel “apenas por ordem do governo judeu que será estabelecido”. Em 1965, seus restos foram levados e sepultados no Monte Herzl, em Jerusalém. Em 1977, os herdeiros políticos de Vladimir “Zeev” Jabotinsky chegaram ao poder em Israel com Menachem Begin e uma aliança de partidos “revisionistas” chamada Likud. Em “Mundo Judío”, Daniel Muchnik afirmou que Begin seguramente passará à historia como “o primeiro chefe de governo judeu e fascista”.
ROBERTO BARDINI (*) – Bambú Press – 28/07/2006
- traduzido pelo PAZ AGORABR -
http://es.wikipedia.org/wiki/Roberto_Bardini


fev 07 2010

Israel ameaça Israel

Categoria: Internacional, Israel, MídiaSenhor_do_Servo @ 09:44

Robert Fisk: Israel sente-se sitiada. Como se fosse vítima. ‘Excluída’.

2/2/2010, no jornal britânico Independent pelo Viomundo

E prossegue a guerra de propaganda. Esqueçam que Israel invadiu o Líbano em 1982. Esqueçam os 15 mil libaneses e palestinos mortos. Esqueçam o massacre de Sabra e Shatila no mesmo ano, por milícias aliadas de Israel, enquanto os soldados israelenses assistiam ao massacre. Apague-se para sempre da história o massacre de Qana em 1996 – 106 libaneses mortos sob fogo israelense, mais da metade dos quais, crianças. Apaguem-se, claro, também, os 1.500 mortos por Israel na guerra do Líbano em 2006. E, sim, esqueçam, claro, os mais de 1.300 palestinos massacrados por Israel em Gaza, ano passado (e os 13 israelenses mortos pelo Hamás), como resposta aos foguetes que Hamás lançava contra Sderot. Israel – para quem acreditar no que a elite do setor de segurança da direita de Israel anda dizendo aqui em Herzliya – está sob ataque, o mais perigoso, ataque de violência jamais vista.

A Grã-Bretanha – e essa foi contada por ninguém menos que o embaixador de Israel em Londres! – é “um campo de batalha” no qual os inimigos de Israel tentam “des-legitimar” o Estado judeu aos 62 anos de existência.

Até o conhecido amigo de Israel, e grande juiz judeu, Richard Goldstone, já está reduzido, nas palavras de um dos mais destacados judeus-americanos apoiadores de Israel, Al Dershowitz, à condição de “traidor absoluto do povo judeu” e “homem mau, do mal” (frases que, claro, já foram manchetes nos jornais israelenses de ontem).

Israel sitiada. Esse o tema assustador, velho, incansavelmente repetido e irremediavelmente jamais compreendido da 10ª conferência anual de diplomatas, funcionários, militares cobertos de medalhas e galões e membros do governo israelense, ontem, em Herzliya.

Israel a excluída. Israel a vítima. Israel, a do exército mais perfeitíssimo, exemplo de moralidade a ser copiado por todos os exércitos do mundo… estaria sob sítio, porque há risco de seus generais serem acusados de prática de crimes de guerra, se puserem o pé na Europa.

Deus impeça que oficiais israelenses jamais sejam acusados por aquelas atrocidades! O Jerusalem Post publicou ontem foto da líder do partido Kadima, Tzipi Livni, olhando para um pôster polonês em que é mostrada como “procurada por crimes de guerra em Gaza”. Esqueçam que Livni nada fez, quando os israelenses fizeram chover bombas de fósforo sobre Gaza; e era ministra.

Tudo, só, uma mesma campanha de perseguição a Israel, de uso deliberado de leis internacionais para des-legitimar o Estado de Israel – como sempre que Israel foi condenada. Assim seria, se fosse! Mas não é. A atual crise de identidade é, sim, uma tragédia para Israel – mas não pelas razões que o atual governo de extrema direita tanto se esforça para disseminar para a opinião pública.

Lembro perfeitamente, depois da desastrada invasão israelense contra o Líbano, em 1982, que se organizou enorme conferência em Londres, para descobrir por que a “propaganda” israelense fracassara. O massacre de libaneses e o número crescente de baixas no exército de Israel? Esqueçam! O que interessava era entender o grande mistério: como podia ter acontecido de a propaganda israelense ter fracassado? Como podia ter acontecido de a imprensa antissemita ter conseguido publicar calúnias contra Israel? Foi conferência idêntica à que está reunida essa semana em Herzliya.

Hoje, se trata de fazer esquecer a Operação Chumbo Derretido contra Gaza e a selvageria e os muitos mortos. É necessário condenar o Relatório Goldstone e aquelas inadmissíveis mentiras – de que o exército dos bons israelenses teria cometido crimes de guerra contra terroristas do mal – e todos têm de convencer-se de que Israel só deseja a paz.

A verdade é mais simples. De fato, Israel cometeu uma série de terríveis erros diplomáticos. Não falo da humilhação imposta ao embaixador turco por Danny Ayalon, do ministério dos Negócios Exteriores – o qual também estava presente à conferência em Herzliya. Não falo tampouco do patético protesto apresentado por Ron Prossor, embaixador de Israel em Londres, segundo o qual haveria “uma cacofonia de vozes vindas de Israel”, em vez de uma única voz.

Nada disso. O mais grave erro que Israel cometeu em anos recentes foi ter-se recusado a contribuir para as investigações propostas no Relatório Goldstone sobre o massacre de Gaza em 2008-09. “Boicote tolo”, como o chamou o diário Haaretz. Completo desastre, na avaliação da esquerda liberal israelense, que percebeu, acertadamente, que o boicote às investigações pôs Israel no mesmo nível do Hamás.

Passei horas assistindo à conferência em Herzliya – que terminará amanhã à noite, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu fazendo-se de líder de torcida organizada –, e o Relatório Goldstone e o medo da “des-legitimação” percorria praticamente todas as discussões, como fio de costura.

Ontem, sentei-me ao lado de um estudante israelense de pós-graduação e vi-o balançar a cabeça, em desespero. “Eu e meus amigos estamos terrivelmente frustrados, ao ouvir nosso governo dizer o que dizem aí. O que podemos dizer? O que podemos fazer?” Foi comentário muito lúcido. Foi exatamente o que milhões de britânicos sentimos quando Tony Blair nos arrastou para a guerra, sob uma catarata de mentiras, em 2003.

Um dos momentos mais constrangedores em Herzliya aconteceu quando Lorna Fitzsimons, ex-deputada do partido Labour e hoje presidente do Bicom, think-tank britânico pró-Israel, disse que “a opinião pública não tem qualquer influência na política externa britânica. Política externa é tema para as elites.” A implicação? Negocie com a elite, e tudo dará sempre certo. “Nossos inimigos estão buscando cortes internacionais nas quais não temos voz”, disse ela.

Em certo sentido, aí está dito tudo. O que Israel busca é legitimidade internacional. E como Estado, Israel é legítima. Israel foi criada pela ONU. E, como disse Avi Shlaim, historiador israelense, a criação de Israel pode não ter sido justa – mas é legítima. Pois é. Só que, quando uma equipe de juízes internacionais convidou Israel a participar das investigações, Netanyahu pomposamente rejeitou o convite.

Nesse sentido, a guerra de Gaza expôs o que há de mais profundamente inconsistente e contraditório no atual corpo político que governa Israel. Desejam que o mundo reconheça a democracia israelense – por mais cheia de falhas que seja –, mas não dão ouvidos ao mundo quando o mundo pede contas a Israel sobre o que fez em Gaza. Israel quer ser um farol para as nações do mundo, mas impede que o mundo examine de perto o tal farol, que analise o combustível que mantém acesa a luz e que conheça de perto o mundo que o tal farol ilumina.

Goldstone, Goldstone, Goldstone. O nome do eminente juiz e jurista que tão valentemente buscou justiça para as vítimas assassinadas e violadas pelos sérvios na guerra da Bósnia – e cuja coragem, daquela vez, tanto inspirou o mundo, inclusive Israel – esteve na boca de todos os apologistas do atual governo de Israel, na conferência de Herzliya.

Tzipi Livni falou sobre ele. Yossi Gal, diretor geral do ministério de Negócios Exteriores de Israel, também falou. Referiu-se à “tentativa de usar o Relatório Goldstone para empurrar Israel até a margem da legitimidade”. Malcolm Hoenlein, da Conferência de Presidentes das Organizações Judeu-norte-americanas” também falou. Observou que o governo dos EUA havia sido “extraordinariamente sensível” – quer dizer: ignorou completamente – o Relatório Goldstone. E até o embaixador dos EUA em Israel, James Cunningham, cara-de-rato, sugeriu que o Relatório Goldstone poderia estar sendo usado como tentativa para des-legitimar Israel.

Que loucurada é essa? Depois do massacre em 1982 dos palestinos em Sabra e Shatila, o governo de Israel nomeou uma comissão governamental de inquérito. O relatório da Comissão Kahan não foi perfeito – mas que outra nação do Oriente Médio examinaria tão corajosamente os próprios pecados? O relatório denunciava diretamente a “responsabilidade pessoal” do ministro da Defesa, Ariel Sharon – que autorizou o ataque pelas milícias libanesas. Esse relatório não purgou todas as culpas de Israel, mas provou que aquela Israel era Estado respeitável, Estado, então, preparado para enfrentar aqueles crimes com seriedade, sem fugir das investigações.

Desgraçadamente para Israel, não há comissões Kahan para julgar a Israel de hoje. Nenhum tribunal para julgar Gaza. Apenas um tapinha na mão de uns poucos oficiais que usaram bombas de fósforo e acusação formal contra um soldado que roubou cartões de crédito.

Estive com o juiz Goldstone depois de ele ter sido designado para presidir o tribunal para crimes de guerra na ex-Yugoslávia em Haia. Homem palpavelmente decente, honesto; disse que o mundo acabou por cansar-se de admitir que governos pratiquem impunemente crimes de guerra. Falava, é claro, sobre Milosevic. Escreveu um livro sobre isso, que Israel elogiou calorosamente. Pois hoje o juiz Goldstone é o terremoto que ameaça a legitimidade de Israel.

Encontrei ontem à tarde em Telavive o coronel da reserva israelense Shaul Arieli, homem excepcionalmente sensível, no escritório de sua ONG, e discutimos a situação atual, em que militares e políticos israelenses estão ameaçados de serem presos, acusados de prática de crimes de guerra, no instante em que pisem em território britânico e em alguns outros países europeus.

“Essa questão nos preocupa muito mais hoje, do que há alguns anos” – disse-me ele. “Temos medo dessa tendência, depois da Operação Chumbo Derretido. Compromete a imagem de Israel em todo o mundo; não diz respeito exclusivamente aos militares e políticos. Se forem formalmente acusados em Israel, será como Israel declarar que não pode proteger seus soldados. O Relatório Goldstone afeta campos profundos.”

Tudo isso sugere que o verdadeiro terremoto que sacode Israel, o que realmente ameaça sua imagem, posição e legitimidade, o verdadeiro perigo, hoje, é uma nação chamada Israel.


fev 07 2010

Por mais que doa à Veja, vencemos

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 09:29

Esse artigo é uma resposta para a peça de apologia ao direitismo assinada pelo jornalista Diogo Schelp chamada “Bandeiras Ideológicas”. Esse Editor da Veja é um dos especialistas da revista em falar o que a minoria reacionária quer ouvir, atacando tudo que ele considera ideologia de esquerda com uma virulência muito comum naqueles que não possuem capacidade de convencimento por argumentação, precisando apelar para clichês batidos. Segundo o wikipedia o seu artigo mais importante é uma tentativa torpe de desconstrução de Che Guevara.

A verdade incontestável para quem se informa em vez de ficar alienado como os leitores da Veja, é que a política externa no governo Lula projetou o Brasil internacionalmente passando de eterna promessa sem expressão para alcançar uma posição de destaque no cenário mundial e o respeito da comunidade internacional. O Brasil foi alçado a uma posição de liderança do G20, que pela força com que se destacava os BRIC tomou o lugar do G8 no centro das decisões mundiais. O presidente Lula ganhou o reconhecimento quase unânime dos demais países por provar que era possível um país crescer de forma sustentável distribuindo renda e fazendo justiça social, porisso acabou homenageado no Forum Mundial de Davos com o prêmio de Estadista Mundial, prêmio inédito naquele fórum, além de ser aplaudido de pé no Forum Social, que é um contraponto ao forum mundial.

Na política de relacionamento com os demais países o Itamaraty demonstrou “personalidade” e em vez de se alinhar automaticamente aos interesses dos EUA e União Européia isolando os inimigos destes, adotou políticas de conciliação, buscou o diálogo tentando aparar arestas, agiu quando precisou sem abandonar sua tradição pacifista, liderou uma missão internacional para pacificação do Haiti, interviu em nome da democracia no golpe imoral em Honduras, que esse jornalistazinho adulador de golpistas afirmou que era algo legal, quando o mundo inteiro condenou o golpe de estado. Acho que só a imprensa Brasileira e a imprensa chapa branca dos golpistas de Honduras aprovaram aquele golpe imoral.

Nas Américas o Brasil adotou a posição de liderança natural, nunca assumida pelos governos anteriores, soube controlar agitações de reformas em países vizinhos e entender a necessidade desses países em realizar aquelas mudanças que mesmo em um primeiro momento parecesse que o Brasil estava levando prejuizo, o Brasil teve a visão de entender que para chegar onde o Brasil almeja chegar precisa de vizinhos fortes. Sufocar os vizinhos era o que os adversários desse governo esperavam, acho que eles não conhecem a fábula da galinha dos ovos de ouro.

Essa posição de destaque e reconhecimento das nações mais importantes do mundo sobre a importancia da opinião brasileira nem sempre foi assim. No governo anterior, o complexo de vira-latas era uma constante no posicionamento brasileiro nas decisões internacionais, o país naturalmente se alinhava as posições dos EUA e outros países líderes com a subserviencia de um país de terceiro mundo bem comportado. O FMI dava puxões de orelhas públicos no governo brasileiro, e quando vinha ao Brasil determinava quais seriam os parâmetros política econômica e determinava os limites das políticas sociais. O presidente Brasileiro chegou a humilhar o país publicamente ao discursar em língua estrangeira como um colonizado amestrado e em outra situação onde vestiu fardão para se encontrar com a Rainha da Inglaterra mostrando que a reverência aos poderosos foi a marca principal da política externa do governo FHC.

Os golpistas de plantão, que apoiam ditadores como o Micheletti e marionetes dos americanos como o Uribe, gostariam que o Brasil intercedesse em vizinhos soberanos, onde os presidentes foram eleitos democraticamente e não sofreram golpes de estado, que passam por momentos de agitação mas porque estão decidindo seus destinos de forma democratica, já esses neo-amantes-da-democracia defenderam veementemente que o golpe de estado em Honduras não foi um golpe, ou seja, democracia para eles é derrubar governos eleitos democraticamente só por não se alinharem ao seu ideário elitista. Golpe de estado e ditadura é aceitável mas só se for de direita.


fev 07 2010

Rússia Denuncia que EUA criou Terremoto do Haiti

Categoria: Internacional, Mídia, Vera L. SilvaVera L. Silva @ 09:15

A Frota Russa do Norte indica que o sismo que devastou o Haiti foi, claramente, resultado de um teste da Marinha norteamericana através de uma de suas armas de terremotos e que elaborou um diagrama de sucessão linear em relação aos terremotos denunciados que casualmente se produziram à mesma profundidade na Venezuela e em Honduras.

A Frota do Norte tem monitorado os movimentos e atividades navais dos EUA no Caribe desde 2008 quando os norteamericanos anunciaram sua intenção de restabelecer a IV Frota, que foi desmobilizada em 1950, e ao que a Rússia respondeu, um ano mais tarde, com a Frota comandada pelo cruzador nuclear “Pedro, o Grande” começando seus primeiros exercícios nesta região desde o fim da Guerra Fria.

Desde o final da década de 70 do passado século, os EUA “avançaram muito” o estado das suas armas de terremotos e, segundo estes relatórios, agora empregam dispositivos que usam uma tecnologia de Pulso, Plasma e Sônico Eletromagnético Tesla junto com “bombas de ondas de choque”.

O relatório compara também as experiências de duas destas armas de terremotos da Marinha dos EUA na semana passada, quando o teste no Pacifico causou um sismo de magnitude 6,5 atingindo a área ao redor da cidade de Eureka, na Califórnia, sem causar mortes. Mas o teste no Caribe já causou a morte de, pelo menos, 140 mil inocentes.

Segundo o relatório, é “mais do que provável” que a Marinha dos EUA teve “conhecimento total” do catastrófico dano que este teste de terremoto poderia ter potencialmente sobre o Haiti e que tinha pré-posicionado o seu Comandante Delegado do Comando Sul, General P.K. Keen, na ilha para supervisionar os trabalhos de ajuda se fossem necessários.

Quanto ao resultado final dos testes destas armas, o relatório adverte que existe o plano dos EUA da destruição do Irã através de uma série de terremotos concebidos para derrubar o seu atual regime islâmico. Segundo o relatório, o sistema experimentado pelos EUA (Projeto HAARP) permitiria também criar anomalias no clima para provocar inundações, secas e furacões.

De acordo com outro relatório coincidente, existem dados que permitem estabelecer que o terremoto de Sichuan, na China, em 12 de maio de 2008, de magnitude 7,8 na escala Richter, foi criado também pela radiofrequência do HAARP. Ao existir uma correlação entre a atividade sísmica e a ionosfera, através do controle da Radiofrequência induzida por Hipocampos, nos marcos do HAARP, conclui-se que:

1.- Os terremotos em que a profundidade é linearmente idêntica na mesma falha, se produzem por projeção linear de frequências induzidas.

2.- A configuração de satélites permite gerar projeções concentradas de freqüências em pontos determinados (Hipocampos).

3.- Elaborou-se um diagrama de sucessão linear dos terremotos denunciados em que casualmente todos se produziram à mesma profundidade.

- Venezuela, em 8 de janeiro de 2010. Profundidade: 10 km.

- Honduras, em 11 de janeiro de 2010. Profundidade: 10 km.

- Haiti, em 12 de janeiro de 2010. Profundidade: 10 km.

O restante das réplicas ocorreu em profundidades próximas dos 10 km.

Logo após o terremoto, o Pentágono informou que o navio-hospital USNS Confort, ancorado em Baltimore, convocou sua tripulação para zarpar para o Haiti, ainda que pudessem levar vários dias até a chegada no Haiti. O almirante da Marinha, Mike Mullen, chefe do Estado Maior Conjunto, disse que o Exército dos EUA trabalhava preparando a resposta de emergência para o desastre.

Fraser, do Comando Sul (SOUTHCOM), informou que navios da Guarda Costeira e da Marinha dos EUA na região foram enviados para oferecer ajuda mesmo que tenham recursos e helicópteros limitados.

O portaviões USS Carl Vinson foi enviado da base naval de Norfolk, Virginia, com sua capacidade de aviões e helicópteros completa e chegou ao Haiti nas primeiras horas da tarde de 14 de janeiro. Outros grupos adicionais de helicópteros unir-se-ão ao Carl Vinson, declarou Fraser.

A Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), já operava no Haiti antes do sismo. O presidente Obama foi informado do terremoto às 17h52 de 12 de janeiro e solicitou ao seu pessoal que se a assegurassem de que os funcionários da Embaixada estivessem a salvo e que começassem os preparativos para proporcionar a ajuda humanitária que fosse necessária.

De acordo com o relatório russo, o Departamento de Estado, USAID e o Comando Sul dos EUA começaram seu trabalho de “invasão humanitária” ao enviar pelo menos 10.000 soldados e mercenários, para controlar, no lugar da ONU, o território haitiano após o devastador “terremoto experimental”.

“A desordem é o melhor servidor da ordem estabelecida”. (Jean-Paul Sartre)

Pravda.ru

A  Rússia insite em sua denúncia.  Interessante  é que,  quando  o presidente da Venezuela fez a mesma denúncia, o mundo não acreditou. Nos Estados Unidos, a imprensa , salvo rara exceção,  riu.

no Blog do Atheneu

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fev 07 2010

Haiti: A causa da ocupação militar dos EUA

Categoria: Defesa, Internacional, Mídia, Vera L. SilvaVera L. Silva @ 09:02

A implantação de mais de 15 mil soldados armados no Haiti após o terremoto que abalou a nação   levanta dúvidas e  preocupações de muitas pessoas e governos.

Livre  do valor estratégico e geopolítico  que representa a  presença militar dos EUA nesse país, localizado no centro do  Caribe e   ao lado de  Cuba e da Venezuela, a incursão das tropas do Pentágono tem “segundas intenções”.

Os alarmes da mídia foram acionados  agora com as  informaçôes do site  Global Research, onde  se afirma   em declarações de Georges Michel, um especialista que  em 2004  denunciou que “o propósito norte-americano  sobre o petróleo haitiano surgiu quando as forças especiais da ONU invadiram e ocuparam   o  Haiti em 2004, e retiraram do poder o presidente Jean Bertrand Aristid, posteriormente enviado à África do Sul “.

Ao que  se acrescenta as declarações de Leopoldo Espaillat, ex-presidente da Refinaria Dominicana  de Petróleo, que  assegura que  sob o solo do  Haiti existe um grande  reservatório  de petróleo, assim como ouro e outros minerais.

Uma busca na Internet mostra  que, em 29 de janeiro de 2008, o site dominicano Almomento.net   revelou que o diretor do Bureau of Mines  no Haiti,  Diusel Anglade,  afirmava a existência de “hidrocarburo”  no solo haitiano.

O relatório, que parte de uma entrevista realizada  pela  emissora haitiana  Radio Metropole, conta  que Anglade confirmou a execução de 11  perfurações de exploração   realizadas por empresas européias, que perfuraram  nas regiões de Plaine  de Sac, Artibonite, Plateau  Central, e no Golfo do Gonave.

Em seu  trabalho, o especialista disse que “As ações não sobrepassam  os  2.400 metros”, sugerindo a avaliação a partir  de 3 mil metros  de profundidade, e sua extensão pela região  Nord Ouest, Sud e Jérémie. O artigo, que  data de 2008, também inclui depoimentos dos  cientistas  Daniel  e Ginette Mathurin, que acreditam que o subsolo haitiano  é rico em hidrocarbonetos.

“Nossos estudos revelaram a existência de 20 reservatórios  de petróleo, cinco deles de grande importância para os especialistas”, declarou  Daniel Mathurin.

Plateau Central, particularmente  na região de Thomonde, Plaine  de Sac, e da baía de Porto Príncipe  contém petróleo – assegurou. 

Ambos os especialistas concordam que a região dos lagos, com  as cidades como Thomazeau e Cornillon, contém depósitos de petróleo, enquanto que em Jacmel  há depósitos de petróleo e  urânio 238 e 235, usados em reatores nucleares para a  produção de energia elétrica.

O relatório, no qual a  imprensa internacional não percebeu,  inclui um mapa que registra as zonas com potencial  presença de  petróleo  e outros minerais  no subsolo haitiano.

Em 22 de janeiro passado, o War  of Iraq ,  em edição digital, insere um artigo  de  Marguerite Laurent, que fornece dados sobre a existência de petróleo e outros minerais no solo do Haiti.

Nele  é  revelado que, em 8 de novembro de 1973, Martha Carbone,  da  Embaixada dos Eatados Unidos em Porto Príncipe, enviou correspondência a  Oficina de Energía y Combustible,  do Departamento  de Estado, para informar que o Governo do Haiti havia recebido  propostas de oito grupos  diferentes  para construir um porto em  águas profundas e  instalações para a transferência de petróleo para navios-tanque dos  EUA e leva-lo aos portos do Leste desse país;  o relatório menciona que o presidente Duvallier estava envolvido nesta  proposta. roposta.

O artigo  do War in Iraq  fala  que em 2004   George Bush (filho)  propiciou o  Golpe de Estado que tirou do  governo o presidente Jean Bertrand Aristide, porque   já estavam em andamento as discussões  para o estabelecimento de  estações de perfuração na costa do Haiti, já que fazer isso  no interior da nação requereria grandes portos para operar os navios petroleiros,  e as  super-estruturas da Costa Leste dos EUA. ainda não  estavam preparadas para receber esses navios. Tudo isso deixava   claro que se trtatava de grandes quantidades de petróleo.

A jornalista Margarida Laurent revela que,  além do petróleo,  Haiti tem gás, irídio, cobre, diamantes, ouro, urânio e outros minerais.

Outro indício sobre os recursos naturais do Haiti  está em um artigo publicado no  blog El Muerto, onde se retomam as declarações feitas pelos cientistas e Daniel Ginette Mathurin, que asseguram que o planalto central, incluindo a região de Thomond, la Plaine  de Sac e da baía de Porto Príncipe estão cheias de petróleo, acrescentando que as reservas de petróleo do Haiti são maiores que as da Venezuela. “Uma piscina olímpica em comparação com um copo de água;  esta é a  comparação para demonstrar a importância do petróleo do Haiti em relação com o da  Venezuela”, explicou o entrevistado.

Daniel Mathurin revela que as investigações de  vários governos haitianos anteriores  permitiram verificar a existência e a dimensão desses  depósitos de  petróleo. Recorda  um documento  do Partido Lavalas  no poder em 2004, onde se havia  especificado o número de locais  onde havia petróleo no Haiti.  De acordo com Daniel e Ginette Mathurin, a região do lago, com cidades como Thomazeau e Cornillon, contém grandes jazidas de petróleo

 

A Cobiça dos EUA 

 

 

Segundo  Daniel e Ginette Mathurin, os depósitos de petróleo no  subsolo do Haiti  estão  declarados como “reservas estratégicas dos Estados Unidos da América”,  nação que em 2005 autorizou o uso das reservas estratégicas, algo que pode movimentar os EUA  e  que explica ocupação militar do Haiti.

Uma avaliação do panorama  econômico  e político  que hoje se move nos Estados Unidos indica que as suas necessidades energéticas o conduzem  a  exploração de petróleo haitiano. 

No momento da descoberta de tais depósitos, o império contava com outras fontes de ofertas estáveis: Arábia Saudita, Iraque, Venezuela, México e outras nações tributavam o combustível, sem  necessidade de explorar as descobertas no Haiti, mas hoje o quadro é outro.

A Arábia Saudita anunciou que suas  reservas não são infinitas;   a Veneluela, livre da tutela yanque,  está envolvida em um processo revolucionário  onde a soberania sobre o petróleo não tem discussão,  enquanto o México vê decrescer  suas reservas e  um Iraque em guerra e ocupado  não oferece garantia alguma de poder  explorar seus poços em toda sua capacidade.

Com esse  mapa energético  tão complicado e um crescente nível de consumo, os Estados Unidos enfrenta um complexo problema de energia, o que pode tê-lo levado a determinar qual é a hora de começar a explorar o petróleo do Haiti.

Como uma ave de rapina que  ataca a vítima  indefesa, os EUA aproveitou a comoção causada  pelo  terremoto de 12 de Janeiro para lançar  suas tropas,  garantindo  sob suas botas militares os  depósitos de petróleo que   se encontram debaixo da terra instável do Haiti e que pode ser a causa principal desta  ocupação militar “humanitária”  que o mundo  observa  com espanto.

 

Noel E. Martínez

no Blog do Atheneu

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fev 07 2010

Israel está “satisfeito” com relatório da ONU sobre Gaza

Categoria: Internacional, Mídia, Vera L. SilvaVera L. Silva @ 08:36

Israel está satisfeito com a ONU  – e  com o SILÊNCIO CRIMINOSO  do Mundo: Veja  Gaza

 

“O governo de Israel demonstrou hoje a sua “satisfação” pelo relatório apresentado por Ban Ki-moon  à Assembleia-geral da ONU sobre investigações realizadas pelas autoridades israelitas e palestinianas sobre possíveis crimes de guerra cometidos na Faixa de Gaza -  o Relatório Goldstone.

O Secretário-Geral da ONU disse ainda que “não era possível dizer”  se Israel e a Autoridade Nacional Palestina  tinham realizado investigações “confiáveis”.

Na Assembleia da ONU, ele explicou que as duas partes ainda tinham o que investigar sobre a atuação das suas forças durante a ofensiva israelense  contra Gaza há pouco mais de um ano.

Em resposta, o Ministério de Assuntos Exteriores de Israel divulgou hoje um comunicado no qual assegura que o Estado judeu “está satisfeito com o fato do Secretário-Geral ter mostrado fé no documento apresentado esta semana” pelos israelenses, informou o serviço de notícias “Ynet”.

Tanto Israel como a ANP entregaram à ONU, no último dia 29, suas contribuições para o Relatório Goldstone, que averiguou os 22 dias da operação lançada por Israel entre Dezembro de 2008 e Janeiro de 2009.

O Relatório Goldstone foi  aprovado em Novembro pela Assembleia-geral da ONUl,   apontando  indícios de  crimes de guerra.

Em Setembro, um painel da ONU já concluia  que Israel havia cometido crimes de guerra. Morreram no conflito 13 israelenses  e 1 400 palestinos, incluindo centenas de crianças e  civis.”

 

no Blog do Atheneu

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jan 31 2010

A falta que fazem aqueles quatro repórteres

Categoria: Apoiamos, Internet, José Serra, PolíticaSenhor_do_Servo @ 21:08

A matéria abaixo, de Luiz Carlos Azenha, do Viomundo e da Record, é mais que um texto de jornalismo de primeira. é um pérola expositiva da língua portuguesa.  Nela ele mostra que o rei está nu, e fede.

Fiquei sabendo que meu amigo Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de S. Paulo, disse que os blogs jamais seriam capazes de substituir os jornais e, como argumento, destacou o fato de que a Folha deslocou quatro repórteres para cobrir o terremoto do Haiti contra nenhum dos blogs.

Justo, mas posso dizer que não li a Folha e talvez, através de blogs, tenha me informado mais e melhor sobre o Haiti do que se fosse assinante do jornal. Sim, porque recorri diretamente aos próprios haitianos. Que falam a língua, conhecem as pessoas e a cultura locais. Muito antes que o primeiro repórter estrangeiro chegasse a Jacmel, por exemplo, os estudantes de uma escola de cinema local já tinham subido vários vídeos no Vimeo mostrando o impacto do terremoto. Não vejo como os repórteres da Folha, que caíram de paraquedas no Haiti, poderiam fazer melhor cobertura que os próprios moradores de Jacmel. Além do que, não acredito que os blogs tenham o objetivo de substituir os jornais, muito embora isso eventualmente venha a acontecer se os jornais e os repórteres dos jornais se tornarem irrelevantes.

O que me leva ao ponto: acho que os quatro repórteres que a Folha mandou para o Haiti estão fazendo falta em São Paulo.

Mais exatamente, na cobertura das enchentes que tiram os paulistanos e paulistas do sério.

Nos últimos dias, a Folha e outros orgãos da mídia tem dançado em torno de um recorde irrelevante: se as chuvas deste janeiro em São Paulo serão ou não as maiores dos registros históricos. Minha pergunta é: e daí? Para quem é vítima das enchentes ou para quem dirige pelas marginais do Tietê e do Pinheiros isso é absolutamente irrelevante. A chuva “acumulada” nos recordes não caiu de uma só vez e, portanto, pode não haver relação entre elas e os transbordamentos episódicos.

O que importa é saber o motivo pelo qual a obra central da estratégia contra as enchentes em São Paulo, o rebaixamento da calha do rio Tietê, não está dando conta de impedir os transbordamentos. É preciso ter em conta sempre o papel central que o rio Tietê tem nas enchentes da cidade: quase todos os rios que cortam São Paulo desaguam nele. Se não há vazão adequada no Tietê, o risco de transbordamento dos afluentes também aumenta.

É impossível dançar em torno dessa realidade: o gerenciamento das represas do alto Tietê e a capacidade de vazão do próprio rio são essenciais não apenas para a temporada de chuvas de 2010, mas de 2011, 2012, 2013… independentemente de quem seja o governador de São Paulo.

Sabemos que o então governador Geraldo Alckmin concluiu uma obra bilionária cuja promessa central era acabar com as enchentes em São Paulo. Está até em um site tucano essa promessa. Ficou expressa em placas e faixas espalhadas pela região da marginal do Tietê.

No entanto, quatro anos depois da conclusão desta obra o rio Tietê já transbordou quatro vezes: uma durante o próprio governo de Alckmin e três recentemente, no governo Serra. Foram milhões em prejuízos para a cidade, tanto em danos diretos como em danos indiretos.

O que os paulistas e paulistanos gostariam de saber é: o Tietê vai encher outras vezes? Quanto precisa chover para que o Tietê transborde? A obra foi em vão? Ou houve falta de manutenção?

Pelo que apurou a repórter Conceição Lemes, deste blog, o rio Tietê ficou três anos sem limpeza (2006, 2007, até outubro de 2008). O plano do governo de fazer uma parceria público-privada para providenciar a limpeza teria fracassado. A limpeza foi retomada através de concorrência pública, em 2008, bem abaixo do que é recomendado por alguns técnicos.

Apesar da insistência da repórter, o órgão do governo que poderia fornecer os documentos comprovando que fez a limpeza, se de fato ela foi feita, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), se negou a responder.

O que nos leva a uma questão secundária, não menos importante: a falta de transparência do governo Serra quando se trata de temas politicamente embaraçosos. O próprio Defensor Público que zela pelos interesses de moradores da Zona Leste vítimas das inundações teve de recorrer à Justiça para obter documentos da Sabesp e de outros órgãos controlados pelo governo Serra. A mídia exige do governo federal a transparência que não cobra de autoridades estaduais e locais.

Por fim, vamos à questão do gerenciamento das barragens do Alto Tietê, que diz respeito diretamente ao nível do rio quando ele atravessa a metrópole.

Mais uma vez, a repórter Conceição Lemes foi direto ao ponto, em entrevista com José Arraes, membro do Comitê da Bacia do Alto Tietê, do Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e do conselho gestor da APA (Area de Proteção Ambiental) da várzea do Tietê. Ele denunciou que a Sabesp e o DAEE mantinham os reservatórios cheios antes mesmo do início do período das chuvas, o que os obrigou a “sangrar”  as represas no período de chuvas, agravando as enchentes:

Viomundo – Por que a Sabesp e o Daee mantiveram as barragens lotadas?

José Arraes – Eu desconfio de um destes esquemas. Primeiro: para não faltar água para a Região Metropolitana de São Paulo. Assim, pode ter havido determinação governamental para estarem na cota máxima. Segundo: a Sabesp e o Daee já estarem aumentando o volume das represas, visando aumentar a produção da Estação de Tratamento de Água Taiaçupeba de 10 metros cúbicos por segundo para 15 metros cúbicos por segundo (10m³/s para 15m³/s) . Terceira: a privatização do Sistema Produtor de Água do Alto Tietê – chamado SPAT. Hoje é um consórcio de empresas privadas que regula, administra, mantém e fornece as águas que estão represadas nessas barragens.

Viomundo – Por favor, explique melhor isso.

José Arraes – Existe um consórcio de empresas – entre elas, uma empreiteira conhecida na nossa região, a Queiroz Galvão –, que hoje gerencia as águas reservadas nas represas em uma parceria público-privada. Toda a água represada em todas as barragens do Sistema do Alto Tietê são gerenciadas por esse consórcio. Quanto mais cheias as represas, mais interessantes para o consórcio. Interesse comercial, nada mais do que isso.

Viomundo – Quer dizer que as águas das barragens do Alto Tietê estão privatizadas?

José Arraes – Sim. As empresas do consórcio fazem a conservação das barragens e a intermediação com a necessidade da Sabesp que a trata e remete para a população. Logo, para o consórcio de empresas, quanto mais cheias estiverem as barragens, mais água fornece para a Sabesp. Mais ganhos financeiros, portanto.

Viomundo – Qual das três hipóteses é a mais provável?

José Arraes – Talvez a combinação das três. Cabe ao Ministério Público investigar. O fato é que as barragens do Alto Tietê estão excessivamente cheias e as comportas estão sendo abertas, contribuindo com as inundações em toda a calha do rio até a região do Pantanal.

A íntegra está aqui

Depois da entrevista, foi um blog, o NaMaria News, que localizou o contrato: a Sabesp deve pagar até 1 bilhão de reais durante 15 anos para que o consórsio privado que controla os reservatórios faça obras, com a promessa de aumentar a capacidade de fornecimento de água tratada de 10 para 15 metros cúbicos por segundo.

O que levanta questões importantes para o futuro: o que vai prevalecer na gestão dos reservatórios, o interesse público ou o interesse privado?

A parceria público-privada foi apresentada pela Sabesp, no Diário Oficial, como uma forma de vencer a burocracia das licitações e acelerar as obras. Isso é bom ou ruim?

No mesmo DO, diz-se que a PPP paulista foi o primeiro passo de um modelo que poderia ser exportado pela própria Sabesp para outros estados brasileiros. Isso já aconteceu?

O estado de São Paulo paga para entregar represas que já existem a empresas privadas, que embolsam 1 bilhão de reais. Quanto elas devolverão em obras? Elas — e a administração das represas por 15 anos — valem esse bilhão?

O estado de São Paulo paga ainda ao consórcio privado pelas águas contidas nos reservatórios e entregues à Sabesp para tratamento na estação de Taiaçupeba. Quanto custa o metro cúbico da água vendida à Sabesp?

Qual a posição da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) a respeito?

Se as PPPs de fato forem exportadas para outras regiões do país, entre o abastecimento de água para a população e a geração de energia elétrica, quem terá prioridade no uso das águas quando houver conflito de interesses?  Quem decidirá, os órgãos públicos locais, estaduais e federais ou as empresas privadas? A população será ouvida?

São todas questões pertinentes e interessantes que aqueles quatro repórteres que a Folha mandou para o Haiti poderiam fazer aqui no Brasil.

Poderiam fazer, como as fez a Conceição Lemes, do ponto-de-vista dos que ficam à mercê do poder público, especialmente das vítimas das enchentes, que através do pagamentos de impostos também são vítimas dos planos mirabolantes e fracassados para extinguir as inundações.

Não se trata, portanto, de uma questão de número de repórteres ou de recursos financeiros. Os blogs crescem no espaço que os jornais abdicaram de cobrir, quando interesses políticos e econômicos particulares deles, jornais, se colocam acima do interesse público.


jan 31 2010

A polícia de José Serra

Categoria: José SerraSenhor_do_Servo @ 08:38

A Polícia Militar de São Paulo, aquela famosa por fazer de tudo para preservar a vida de bandidos [e deixar a vítima ser morta], até entregar reféns a ele; além de ser conhecida por matar dentistas negros, os quais não conseguem discernir de bandidos, fez escola. Como a nefanda instituição já tem em seu rol corrupção, racismo e incompetência, resolveu dividir com a Polícia Civil Paulista a sua caixa de maldades. Esta então resolveu começar perseguindo delegados. Senão vejamos a matéria abaixo, retirada d’Os Amigos do Presidente Lula:

O delegado Roberto Conde Guerra é autor do blog Flit Paralisante, onde escreve suas opiniões sobre política e polícia (identificando-se e assinando o que escreve). Faz críticas a política de segurança pública paulista, denuncias de conhecimento público que saem nos jornais, ou em processos abertos ao público, contra focos de corrupção policial, e críticas políticas aos governos. Não há registros de vazamentos de informações confidenciais no blog.

Por isso é um cidadão exercendo seu direito de expressão fora do trabalho, aparentemente sem infringir regulamentos, nem cometer indisciplina.

Na manhã de sexta-feira, ele narra que recebeu a visita de membros da Corregedoria da Polícia Civil, com mandado de busca e apreensão em sua residência.

A natureza da busca não é por desvio de conduta do delegado, e sim por crimes contra a honra, ou seja, gente que se sentiu ofendida com o que ele publica no blog.

Na diligência, foram apreendidos (dentro da lei), para investigação os pertences de sua família:

- um computador;
- dois notebooks;
- uma carabina Puma, registrada e , no mês de dezembro, recadastrada;
- mídias com arquivos pessoais (a maioria contendo material sem quaisquer relações com o Blog, pois ele alega não possuir arquivos sobre denúncias ou correspondência de leitores).

O texto afiado e corajoso do delegado obviamente incomoda muito setores da polícia, da secretaria de segurança e as pretensões do governo José Serra de abafar no noticiário as mazelas da segurança pública no estado.

Daí haver forte indício de ser perseguição política, com cheiro de intimidação para calar o delegado.

Pelo que o delegado escreve em seu blog, ele é da banda boa da polícia, do contrário não tocaria em temas que são verdadeiros tabus dentro de estruturas corrompidas de polícias.

O governo José Serra tem adotado táticas fascistas de uso da força policial como polícia política para intimidar adversários (batalhões de choque contra estudantes, contra manifestantes, prisões de sem-terra, e agora contra policiais críticos da política de segurança pública).

Enquanto esse contingente policial é alocado nestas diligências e investigações, o PCC faz “arrastão” em condomínios residenciais, sem ser incomodado pela polícia.


jan 30 2010

SERRA, O CANDIDATO EVITA

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 11:30

Do Luís Nassif Online

(A piada do “não chores por mim” eu deixo a alguém mais inspirado…)

Pronto, Nassif. Já tenho argumentos para o meu comentário: pesquisa no Google mostrou que, digitando “Serra evitou” (), os primeiros resultados de jornais como Folha e Estadão são os seguintes:

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Serra evitou falar sobre eleição presidencial no Brasil
Serra evitou confirmar seu destino político ()
Serra evitou comentar os motivos da antecipação no debate sobre o pré-sal ()
Serra evitou falar da disputa em São Paulo ()
Serra evitou opinar sobre a atuação das prefeituras ()
Serra evitou entrar em atrito direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ()
Serra evitou comentar comentar o resultado pesquisa Datafolha divulgada ontem ()
Serra evitou falar em eleições ()
Serra evitou usar politicamente o apagão ()
Serra evitou fazer análises ()
Serra evitou comentar a pesquisa CNT/Sensus ()
Serra evitou polemizar sobre as críticas do presidente Lula ()
Serra, evitou comentar as críticas pelo deputado federal ()

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jan 28 2010

Gravação indica compra de apoio político por Marconi Perillo

Categoria: Biografia, Política, judiciárioVera L. Silva @ 06:08

Gravações inéditas em poder do Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), montou esquema de compra de apoio político para garantir sua eleição, em 2006. Os diálogos, aos quais o Estado teve acesso, foram gravados pela Polícia Federal com autorização da Justiça. Perillo, que antes da campanha havia deixado o cargo de governador de Goiás, é alvo de inquérito no STF para apurar suposto caixa 2 e suspeitas de uso da máquina pública durante a eleição.

Nos relatórios, investigadores afirmam que os diálogos “demonstram a movimentação do alvo (Perillo) para obter dinheiro, visando o pagamento de dívidas de campanha e compra de apoio político”. A lista dos que teriam garantido apoio ao tucano em troca de dinheiro inclui vereadores e deputados federais e estaduais de Goiás.

As conversas sobre pendências financeiras prosseguiram após a eleição. De acordo com a investigação, o senador teve de recorrer a empréstimos para cumprir as promessas. Passado o pleito, telefonemas para cobrar pagamentos eram frequentes. Num deles, Francisco Sobrinho de Oliveira, que perdera a disputa por uma cadeira de deputado federal pelo PSDB, reclama dizendo que estava endividado.

“O “trem” seu todo dá uns quatrocentos?”, pergunta Perillo, segundo o relatório. Oliveira responde que suas dívidas já somavam R$ 750 mil. Perillo, então, diz que tem uma pessoa que vai “arrumar” parte do dinheiro. Em outra ligação, o senador diz ter conseguido R$ 100 mil emprestados, e avisa que não poderia dar mais porque precisava cumprir promessas feitas a outros políticos: “Eu posso ajudar mais se você arrumar quem queira ajudar.”

Ao ex-deputado Nédio Leite, que também lhe telefonara cobrando valores prometidos na campanha, Perillo garante que tentaria “resolver a totalidade ao invés de ser só aquela parte”. Ele pergunta se Nédio Leite, à época no PP, não sabia de alguém que pudesse lhe emprestar dinheiro e diz que poderia dar um cheque como garantia.

As cobranças se estendiam ao tesoureiro da campanha de Perillo, Lúcio Fiúza. Num telefonema, de acordo com o relatório da PF, o então deputado federal Pedro Canedo (PP), candidato à reeleição, cobra de Lúcio um “caminhão de arroz” . Em outro, Canedo reclama do atraso no pagamento e diz que o próprio Marconi lhe havia dito que “ontem ou hoje ia me passar”.

O então presidente da União de Vereadores de Goiás, Wolmer Tadeu Arraes, também ligou para cobrar. Usando o telefone do comitê de Perillo, o tesoureiro Fiúza fala com um pastor evangélico, identificado como César. Diz que precisava marcar encontro para “encomendar umas orações”. Em seguida, deixa de falar em código. “Metade agora e metade na outra semana”, afirma o tesoureiro ao pastor.

O senador foi gravado em conversas com juízes pedindo favores e recebendo pedidos. Uma juíza pede que Perillo interceda para evitar a transferência do marido, funcionário do governo. Em outro diálogo, é Perillo quem repassa a uma desembargadora pedido que recebera de uma prefeita.

A investigação detalha o que a PF classificou como uso da máquina pública na campanha. Assessores reservam aviões e helicópteros do governo para viagens de Perillo pelo interior goiano. Há registro, ainda, de voos para buscar Perillo em Búzios e Cabo Frio (RJ). As viagens eram tão frequentes que Perillo diz que pararia de usar aeronaves do Estado: “Podem usar isso no futuro.” A PF também acusa o tucano de utilizar policiais militares, pagos pelo Estado, para fazer sua segurança pessoal. As gravações foram autorizadas por uma juíza do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás e, depois, pela ministra Ellen Gracie, do STF.

OUTRO LADO

Ao Estado, Perillo disse ter resposta para todas as suspeitas lançadas pela PF e chanceladas pela Procuradoria Geral da República, que já ajuizou denúncia contra ele no STF. “Minha defesa está 95% pronta e no momento apropriado a apresentaremos”, afirmou. O senador diz que as conversas com políticos sobre dinheiro referem-se a doações legais. “Pedi a empresas doações para vários candidatos, algumas viabilizaram, outras não, e por isso que eles ligavam cobrando”. Ele nega o uso da máquina. “Se usei aviões do Estado depois que deixei o governo, foi a convite do governador.”

O ex-deputado Nédio Leite, nega ter vendido apoio político a Perillo em 2006 e diz não lembrar de conversas sobre dinheiro com o senador. “Tenho muita afinidade com ele”, afirmou. Wolmer Arraes e Francisco Sobrinho não foram localizados. O ex-deputado Pedro Canedo, hoje presidente da estatal Indústria Química de Goiás (Iquego), não deu retorno ao contato.

no Blog  do Atheneu

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