
Adolf Hitler, um bebê salvo do aborto
Dia destes, um colega meu, professor de biologia, passou um filmezinho “educativo” sobre o aborto. Resolvi, como professor de filosofia que sou, comentá-lo. O texto em itálico, de um tal Beto Brito, é o que ele passou, na forma de um vídeo narrado em tom calma, ao som de flautas e harpas suaves e com imagens ora belas, ora chocantes. Meus comentários, em negrito.
De repente, Papai do Céu fez a luz e esta luz começou a brilhar para mim. Eu era apenas metade de uma vida.
Na verdade, foi sexo. Repentino, brusco, repleto de desejo e paixão, de vontade. Que problema há no sexo? Mesmo os padres mais imbecis e as freiras mais reacionárias, foram frutosde sexo… Sim, seus pais transaram! E desta transa, você nasceu.
Apenas um minúsculo óvulo dentro do corpo de minha mamãe, quando meu papai, no auge de seu amor com minha querida mãezinha, mandou a outra metade de minha vida e o milagre da vida pelas mãos de Deus se fez presente. Em breve serei um bebê. É mamãe, em breve serei o seu bebê.
Engraçado que, nos sermões, padres e pastores gostam é de falar de paulo e de vociferam sobre o inferno, a culpa, o pecado e o castigo. Esta história de “mamãe” e “papai” não fica bem em bocas imundas de fel, rancor e hipocrisia.
Não posso conter a ansiedade de estar no colo de minha querida mãezinha, sentindo o calor de seu corpo, ouvindo sua voz macia cantando bem baixinho prá mim:
“Nana neném que a cuca vem pegar …”
E o papai batendo nela, isso quando e se ele não fugiu. Acaso os padres e pastores querem pagar a conta, acordar de madrugada? Nãoooo. Só querem dar lição de moral, o filho foi “culpa” deles, eles que fiquem com o castigo, que se virem, não é mesmo? É impressionante como, lendo uma porcaria destas e sobretudo se ajudados por uma música com muita flauta e harpa narrada num tom suave com imagens de ternura e carinho, esses crápulas hipócritas conseguem disfarçar a ideia de que há culpa e para expiá-la, os pais devem ser castigados, criando o filho até a polícia o levar.
Eu já tenho 12 semanas. Já posso ver meus bracinhos e de vez em quando coloco meu dedinho na boca prá treinar quando a minha mãezinha estiver me alimentando, me colocando em seu colo e dando-me seus seios, um de cada vez, para que eu possa me tornar uma criança forte e sadia.
Ou não. Pode se tornar raca e doente, por que para a sua “mãezinha” te alimentar e poder ficar em casa só te servindo, pequeno imperadorzinho, ela precisa ter dinheiro. Você sabia que o mundo aqui fora é capitalista? Que se sua mãezinha não tiver dinheiro vocês ambos passarão fome e privações?
E papai. Puxa! Papai deve estar todo bobo. Todo dia quando ele estiver chegando em casa e eu já estiver andando, vou correndo com meu bracinhos abertos dar-lhe um abraço bem gostoso e dizer prá ele: Papai. Eu estava morrendo de saudade de você.
Claro, se você morasse no país da fantasia até poderia ser. Mas quantas crianças hoje, Terra, Século XXI, saem correndo para abraçar o papai quando ele chega do serviço? E outra, mané, você acha que vai ter pai? Acha que se tivesse o pleno e irrestrito apoio do pai da criança sua “mamãezinha” faria aborto? Pense: ele só transou com sua mãe, não quer ser pai porcaria nenhuma. E quem disse que sua mãe queria, necessariamente, ter um ilho com ele?
Mamãe não se preocupe. Eu vou deixar você um pouco gordinha. Mas é só por pouco tempo tá. Quando eu nascer eu vou mamar bastante e vou ajudar você a ficar esbelta muito mais rápido do que qualquer academia. E vou deixar sua pele muito bonita. Eu te amo muito mamãe.
Claro. As crianças levam quase um ano para aprender a balbuviar e com 3 meses já pensam de maneira poética. Ah, me esqueci, não é um feto que escreveu estas palavras, mas a cabeça safada e hipócrita de algum moralista religioso que tenta convencer pessoas simples de que elas seriam más se abortassem. Ele mesmo, sabe que não tem moral nenhuma para escrever qualquer coisa, então assume o alter ego de um “feto inocente” para nos inocular veneno em meio a palavras melosas, sob medida para esconder sua verdadeira personalidade, seus vícios e seu caráter.
Hoje mamãe acordou cedo. Ela parece que está bastante nervosa. Já sei. Ela está indo no shopping. Tá indo comprar roupinha prá mim. Puxa mamãe, eu gostaria de poder dizer prá você que eu sou um menino, assim você poderia comprar roupinhas azuis prá mim. E você papai. Tá todo bobo né?, falando pros seus amigos que vai ser papai. Pode deixar paizinho. Eu vou ser um menino muito estudioso. Vou ser também muito obediente e nunca vou dar nenhum desgosto prá vocês. E o que é mais importante. Eu já amo vocês dois desde o primeiro dia que Deus me deu o dom da vida aqui dentro da barriguinha da mamãe.
Claro. Todas as crianças são assim: sempre obedientes e nunca dando desgoto para seus pais, não é mesmo? E as mães que fazem aborto em sua maioria podem acordar cedinho e ir nos shopings,q ue abrem as 10m da manhã, comprar roupinhas, não é mesmo? Afinal, dinheiro e tempo elas têm de sobra! E o pai dos fetos abortados são sempre todos bobos, acariciando as mães. Que mundozinho lindo, não é mesmo? Lindo, falso, mentiroso, enganador como uma nota de 3 dólares! Não é assim que o mundo funciona e o hipócrita que escreveu isso sabe disso e só diz estas palavras por que sabe as raízes reais do problema. Procure no texto, uma vez sequer, a palavra “dinheiro” e veja se acha.
Puxa. A mamãe tá parecendo tão nervosa. Mamãe não precisa ficar nervosa não. Compra uma roupinha branca mesmo. Puxa eu tô tão feliz. Gostaria muito de dar um abraço na minha mamãe e dizer pra ela. Mamãe eu te amo muito. Tô louco prá sair daqui logo e te encher de beijinhos. Só faltam 6 meses.
Mais uma vez outra dose cavalar de patético e de piegas, e nenhuma vírgula sobre a verdade. Sobre mães que seriam abandonadas pelos pais, pelo namorado/pai da criança, o dinheiro que custa sustentar um filho. Por que, o salafrário que escreveu este texto não menciona isto? Mas, já que que por safadeza ele não o faz, o farei: basta clicar aqui e você, que me lê, verá o que o autor do texto esconde, que é o quanto custa criar um ilho.
Que silêncio. Esta loja de roupinhas de nenêm tá tão vazia. Será que a mamãe entrou na loja certa.
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Papai do céu. Mamãe não me trouxe em uma loja de roupinhas de neném. Meu Paizinho do Céu querido, me ajuda a dizer prá mamãe para ela não fazer isto comigo. Eu sou tão pequenininho. Não tenho nenhuma chance de defesa. A única chance que tinha de viver eu vou perdê-la em instantes. Mamãe não quer que eu venha ao mundo. E eu nunca vou ouvir sua voz macia cantando prá mim “Nana neném que a cuca vem pegar”. E muito menos vou adormecer em seus braços sentindo o calor de seu peito. E papai. Puxa papai prefere a comodidade de não ter uma responsabilidade. Puxa como eu gostaria de dizer a ele que quando eu crescesse eu iria trabalhar bastante para poder cuidar dele quando velhinho. Mas eu não vou ter esta chance. Minha mãe e ele já decidiram. Se ao menos eu pudesse dizer a ela: Não mamãe. Não faça isto. Eu te amo muito. Não mate o fruto do seu amor que no momento mais sublime deste mesmo amor se fez vida e te pede apenas a chance de poder viver.
Hahaha. Me fale quantos filhos pensam em trabalhar bastante para ajudar os pais quando eles forem velhinhos? Você, que me lê, trabalha é para isso? O autor hipócrita joga com a hipocrisia de todo mundo para criar uma catarse hipócrita coletiva. Ele finge que o que escreveu é a realida e o leitor finge que é assim que ele mesmo pensa.
Não adianta. Mamãe não pode me ouvir. Este homem vestido de branco que carrega os instrumentos da morte em suas mãos já começou seu trabalho. Hipócrates lhe ensinou a salvar vidas e ele preferiu, em troca de valores que lhe trarão riquezas materiais, mas nunca a paz de seu espírito, retirar a vida de quem nunca lhe fez mal algum, apenas implora dentro útero de minha querida mãezinha uma chance de viver. E esta chance ele já começou a me negar. Adeus papai. Adeus mamãe. Eu nunca vou esquecer de vocês, mesmo sabendo que vocês não me amaram o suficiente para me deixar viver. Mamãe não está numa loja de roupas de bebês. Ela está numa clínica de aborto.
Para começar, Hipócrates morreu há milênios e esta figura de retórica para tentar culpar os médicos é ridícula. Aliás, se o jogo é relembrar o passado, aproveito para clarear aqui algumas passagens pouco conhecidas sobre Pio XII, Martinho Lutero ou mesmo Alan Kardec. Por que não cita estes três senhores como exemplos de amor filial? E outra, um médico que realiza a vontade de uma mulher pode sim estar salvando vidas. Estatisticamente, ainda que nem todos os fetos de bebês não desejados sejam Hitlers em potencial, a maioria dos ladrões, bêbados criminosos e assassinos, reitero, foram filhos indesejados. Então ele pode ter salvo a vida de um parente seu que ainda nem nasceu ao realizar um aborto. Aqui o safado ataca os médicos. Por que não vai ao ponto e diz que você é contra o direito das mulheres de decidir? Por que não ficaria bonito em meio a tanta pieguice, não é mesmo?
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Acabou. O meu sonho de ser uma criança, de ter uma família está indo para a lata do lixo, junto com o resto do meu corpinho. Meu Paizinho do céu. Como teu amado filho Jesus Cristo disse à cruz, eu vos digo também com a força do último suspiro que me resta. Perdoai-os. Eles não sabem o que fazem.
Por fim, o grand finale para a palhaçada. Eles sabem sim o que fizeram. Foram coerentes e corajosos. É óbvio que o o infeliz que escreveu esta porcaria sabe que a maior parte dos presos são filhos indesejados e que a mínima parte dos alunos e pós-graduação o são. A maior parte dos assassinos, dos ladrões, dos seres marginais e violentos, oram filhos indesejados. Não tivessem nascido e o mundo seria melhor. E Hitler? O que custou à humanidade a mãe dele não ter feito um aborto? E Stalin? Mao-Tse? Se a mãe de Judas Iscariotes tivesse feito um aborto…



Dessa vez eu não resisti. Li no 
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São dois discursos pesadamente anti-iranianos, que mostram o quanto os sionistas da mídia pró-israelense [melhor, da mídia a serviço _ e quiçá a soldo_ do Estado de Israel], um do tristemente célebre caluniador Diogo Mainardi, este bufão da extrema direita que tem os miolos moles e as idéias ocas e outro do Arnaldo Bloch, a quem não se pode acusar de ser uma toupeira, apenas de colocar o seu povo acima da sua espécie. Não os publicarei na íntegra. O primeiro por que o Mainardi me dá ânsias de vômitoe o segundo por que o primeiro parágrafo repete a ladainha escrita pelo Mainardi.






















































