ago 18 2008

A ira, a saudade, a esperança

Categoria: Cultura,Internacional,PolíticaSenhor_do_Servo @ 17:54

Máhmude Deruíche: a ira, a saudade, a esperança*

Uri Avnery, 16/08/08

Uma das frases mais sábias que jamais ouvi em minha vida ouvi-a de um general egípcio, poucos dias depois da visita histórica de Anuar Sadat – a visita da vitória –, a Jerusalém.

Fomos os primeiros israelenses a chegar ao Cairo, e, dentre outras curiosidades, queríamos muito saber: como os egípcios haviam conseguido nos surpreender, no início da guerra de outubro de 1973?

O general respondeu: “Em vez de ler relatórios dos serviços de inteligência, vocês deveriam ler nossos poetas.”

Pensei nestas palavras na quarta-feira passada, no funeral de Máhmude  Deruíche.

DURANTE a cerimônia em Ramállah, vários referiram-se a ele como “o Poeta Nacional da Palestina”.

Aquele morto foi muito mais do que isto. Foi a encarnação do destino dos palestinenses. Seu destino pessoal coincidiu com o destino de seu povo da Palestina.

Deruíche nasceu em al-Birwa, vila na estrada Acra-Safad. Há 900 anos, um viajante persa contou que visitou esta vila e ajoelhou-se nos túmulos de “Esaú e Simeão, que descansem em paz.” Em 1931, dez anos antes de Máhmude  nascer, viviam na mesma vila 996 habitantes, dos quais 92 cristãos; os demais, muçulmanos sunitas.

Dia 11 de junho de 1948, a cidade foi ocupada pelo exército de Israel. Suas 224 casas foram derrubadas logo depois da guerra, exatamente como em outras 650 vilas da Palestina. Só alguns cactos e poucas ruínas ainda testemunham que aquelas vilas um dia existiram. A família Deruíche fugira pouco antes da chegada das tropas; e o pequeno Máhmude, de sete anos, partiu com os parentes.

Não se sabe como, a família conseguiu voltar – para onde então já era território israelense. Receberam documentos de “ausentados presentes [1]” – espantosíssima invenção israelense. Significava que eles seriam residentes legais em Israel, mas que suas terras lhes haviam sido roubadas, nos termos de uma lei que dizia que qualquer árabe perderia a propriedade de suas terras se não estivesse fisicamente presente na vila quando fosse ocupada. Nas terras da família Deruíche foi construído o kibbutz Yasur (do movimento de esquerda israelense) e implantou-se a vila-cooperativa Ahihud.

O pai de Máhmude instalou-se na vida árabe mais próxima, Jadeidi, de onde podia ver de longe as suas terras. Aí Máhmude cresceu e sua família ainda vive, até hoje.

Durante os 15 primeiros anos do Estado de Israel, os cidadãos árabes viveram sob um “regime militar” – sistema de repressão severa que controlava todos os aspectos da vida, inclusive todos os movimentos. Nenhum árabe podia viajar para fora de sua vila sem permissão especial. O jovem Máhmude Deruíche várias vezes violou esta proibição; e sempre que foi apanhado foi encarcerado. Quando começou a escrever poesia, foi acusado de incitar a sublevação e posto sob “detenção administrativa”, sem julgamento.

Na prisão, então, escreveu um de seus poemas mais conhecidos, “Carteira de Identidade”, poema em que se manifesta a ira de um jovem que cresceu em condições de humilhação. O primeiro verso troveja para o mundo: “Lembrem: sou árabe!”

Neste período encontrei Deruíche pela primeira vez. Procurou-me e trouxe outro jovem árabe, nascido em outra vila árabe, e com forte compromisso político nacional, o poeta Rachid Hussein. Lembro do que Hussein disse-me, naquele dia: “Os alemães mataram seis milhões de judeus, e apenas seis anos depois os judeus fizeram a paz com a Alemanha. Conosco, os judeus não querem a paz.”

Deruíche alistou-se no Partido Comunista, o único partido,  político, então, em que um nacionalista árabe poderia atuar politicamente. Editou jornais. O partido mandou-o estudar em Moscou, mas o expulsou quando Deruíche decidiu não voltar a Israel. Em vez de voltar, alistou-se na OLP e foi para os quartéis de Iásser Árafate em Beirute.

LÁ O REENCONTREI outra vez, num dos eventos mais emocionantes de minha vida, quando cruzei a fronteira em julho de 1982, no auge do sítio de Beirute, e tive uma reunião com Árafate. O líder palestinense insistiu em que Máhmude Deruíche assistisse àquele encontro simbólico: era a primeira vez que Árafate encontrava-se com um israelense. Mandou chamar Deruíche.

A descrição do sítio de Beirute é um dos trabalhos mais impressionantes de Deruíche. Naqueles dias, converteu-se em poeta nacional da Palestina. Acompanhou a luta dos palestinenses; nas sessões do Conselho Nacional Palestinense – instituição que uniu todo o povo da Palestina, eletrizava multidões com seus versos, que ele mesmo declamava.

Naqueles anos, Deruíche viveu muito próximo de Árafate. Árafate foi o líder político do movimento nacional na Palestina; Deruíche foi seu líder espiritual. Deruíche escreveu a Declaração de Independência da Palestina, adotada na sessão de 1988 do Conselho Nacional por iniciativa de Árafate. É muito semelhante à Declaração de Independência de Israel, que Deruíche aprendera na escola primária.

Ele claramente entendeu a significação de seu discurso: ao adotar este documento, o parlamento palestinense no exílio aceitava, na prática, a idéia de estabelecer-se um Estado palestinense lado a lado com o Estado israelense, apenas numa parte da Palestina, como Árafate propusera.

A aliança entre os dois rompeu-se quando foram assinados os acordos de Oslo. Para Árafate, tratava-se de “o melhor acordo possível, na pior situação possível”. Deruíche entendeu que Árafate concedera demais. O coração nacional impôs-se à mentalidade nacional. (Este debate histórico ainda não está concluído hoje, embora os dois já estejam mortos.)

Desde aquela época, Deruíche viveu em Paris, Aman e Ramállah – o palestino errante, que substituiu o judeu errante.

NUNCA QUIS ser o poeta nacional. Não queria fazer poesia política; queria ser lírico, poeta do amor. Mas para qualquer lado para o qual se virasse, o longo braço do destino dos palestinenses o alcançava e o arrastava de volta.

Não tenho capacidade para avaliar seus poemas ou a grandeza artística de Deruíche. Reconhecidos especialistas em língua árabe ainda discutem furiosamente entre eles o significado de seus versos, nuances, camadas, imagens e metáforas. Foi mestre em árabe clássico, e também vivia à vontade entre poetas ocidentais e israelenses. Para muitos, Deruíche foi o maior poeta da língua árabe e dos maiores de nosso tempo.

Pela poesia, conseguiu o que não conseguira fazer por outros meios: unificar todas as fraturas e fragmentos que dividem ainda o povo palestinense – na Cisjordânia, na Faixa de Gaza, em Israel, nos campos de refugiados e em toda a Diáspora. Pertenceu a todos os palestinenses. Os refugiados identificavam-se com Deruíche porque era um deles; os cidadãos palestinenses-israelenses também, porque também era um deles; e os que vivem nos territórios palestinenses ocupados, porque foi um guerreiro incansável contra a ocupação.

ESTA SEMANA, alguns cabeças da Autoridade Palestinense tentaram explorá-lo, na luta contra o Hamás. Duvido muito que Deruíche concordasse com isto. Embora fosse palestinense absolutamente secular e muito distante do mundo religioso do Hamás, ele manifestava os sentimentos de todos os palestinenses. Também falava à alma dos membros do Hamás em Gaza.

DERUÍCHE foi o poeta da ira, da saudade, da esperança e da paz. Estas foram as cordas de seu violino.

Ira, pela injustiça cometida contra o povo palestinense e contra cada filho da Palestina, individualmente. Saudade, do “café de minha mãe”, das oliveiras de sua aldeia, da terra dos antepassados. Esperança de que a guerra chegue ao fim. Apoio à paz entre israelenses e palestinenses, baseada em justiça e respeito mútuo. No documentário da francesa-israelense Simone Bitton, Deruíche apontou o burrico como símbolo do povo palestinense; o burrico é inteligente, paciente e sempre encontra meios para sobreviver.

Entendia a natureza do conflito mais claramente que a maioria dos israelenses e dos palestinenses. Dizia que aquele conflito era “uma luta entre duas memórias”. A memória histórica da Palestina colide contra a memória histórica dos judeus. Só haverá paz quando um lado entender a memória do outro lado – seus mitos, suas saudades secretas, as esperanças, os medos.

Este o significado do que disse o general egípcio: a poesia manifesta os sentimentos mais profundos dos povos. E só onde se compreendam estes sentimentos pode haver verdadeira paz. A paz costurada pelos políticos não vale grande coisa, se não houver alguma paz entre os poetas e a emoção dos muitos que a poesia manifesta. Por isto Oslo foi um fracasso. Por isto também o “acordo de prateleira” que está sendo negociado será também completamente inútil: nada tem a ver com as emoções e os sentimentos de palestinenses e israelenses, os povos.

Há oito anos, o então ministro da Educação de Israel, Yossi Sarid tentou incluir dois poemas de Deruíche no currículo das escolas em Israel. Houve escândalo, e o primeiro-ministro, Ehud Barak, decidiu que “o público israelense não está preparado para isto”. É o mesmo que Barak ter decidido que o público israelense não está preparado para a paz.

Talvez ainda seja verdade. A verdadeira paz entre dois povos, paz entre as crianças que nasceram na semana corrente; no dia do funeral de Deruíche, em Telavive e em Ramállah, só será viável quando os alunos árabes puderem ler os versos imortais de Chaim Nachman Bialik “O vale da morte”, sobre o pogrom de Kishinev, e quando os alunos israelenses puderem ler os versos de Deruíche sobre a Naqba [a Catástrofe]. E, sim, também os poemas da ira, inclusive o verso “Vão! E levem daqui a morte de vocês!”

Sem entender e encarar com coragem a ira flamejante contra a Catástrofe e suas conseqüências, jamais entenderemos as raízes da guerra e não saberemos construir a paz. Como escreveu outro grande intelectual da Palestina, Edward Said: sem entender o impacto do Holocausto na alma dos judeus, os palestinenses nunca entenderão os israelenses.

Poetas são os generais na luta entre duas memórias, entre os mitos, entre os traumas. Precisamos muito de poetas na estrada que levará à paz entre israelenses e palestinenses, entre dois Estados, para construirmos um futuro comum.

Não estive presente às cerimônias funerais organizadas pela Autoridade Palestinense na Mukata, tão organizadas, tão encenadas. Cheguei duas horas depois, quando o corpo de Deruíche foi enterrado numa bela colina, pairando sobre o cenário.

Impressionou-me o povo, reunido sob sol escaldante à volta do túmulo, ouvindo uma gravação da voz de Deruíche declamando seus versos. Gente simples, gente menos simples, unidos com o homem morto, numa comunhão privada. Apesar de serem milhares, abriram alas para nos deixar passar; nós, israelenses, que ali estávamos para reverenciar Máhmude Deruíche.

Nos despedimos silenciosamente de um grande filho da Palestina, um grande poeta, um grande ser humano.

* URI AVNERY, 16/8/2008, “The Anger, the Longing, the Hope”, em Gush Shalom [Grupo da Paz], e em:

http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1218922126/.


ago 16 2008

A hipocrisia de Bush e Rice

Categoria: Apoiamos,Internacional,PolíticaSenhor_do_Servo @ 00:35

Do Pravda

Se não fosse a pura arrogância de George W. Bush e Condoleeza Rice, a sua hipocrisia seria ridícula, mas devido à sua intrusão descarada e insolente, a sua própria presença irrita, as suas palavras grasnam nos ouvidos. São insuportáveis manchas na alma colectiva humana e os seus insultos são intoleráveis.

Eis um George W. Bush e uma Condoleeza Rice, com expressões de preocupação total nos seus rostos (eles estão preocupados com a implicação de militares/assessores dos E.U.A. no acto de chacina perpetrado pelas forças georgianas contra russos e ossétios, quando numa noite 2,000 civis foram abatidos?), falando sobre a necessidade de respeitar o direito internacional, no início do século 21.

Eis um Presidente e seu Secretário de Estado condenando a Rússia e apoiando a Geórgia sem uma única palavra de menção dos crimes de guerra perpetrados pelo seu fantoche, crimes que despoletaram todo esse lamentável episódio. Nem uma única palavra de referência sobre a obrigação da Geórgia realizar um referendo na Abcásia e na Ossétia do Sul, nos termos da Constituição soviética, nomeadamente no que diz respeito às suas disposições na dissolução voluntária da União ou secessão dos Estados-Membros.

Eis dois membros sénior de um regime que entrou no Iraque com base num tecido de mentiras que, em seguida, declarou que o objetivo era mudar o regime e que procedeu ao estabelecimento de um tribunal “cangurú” que trocou os juízes tantas vezes, até que eles conseguissem sentença a condenar (o que diziam ser) Sua Excelência o Presidente Saddam Hussein Al-Tikriti, que (sendo ele) foi enforcado. Em seguida, eles queixam-se que a Rússia queria remover o criminoso assassino, Saakashvili?

Eles têm a audácia de reclamar que a Rússia violou as fronteiras da Geórgia, quando as forças armadas dos EUA invadiram o Iraque e chacinaram centenas de milhares de civis? Eles têm o descaramento de reclamar contra as operações militares russas quando bombas de fragmentação foram lançadas em áreas civis no Iraque, quando foram torturados seres humanos em Abu Ghraib, quando pessoas inocentes foram arredondados e enviadas para o campo de concentração ilegal de Guantanamo, onde nem sequer têm acesso a um devido processo legal, passados sete anos?

E esses porcos, têm a enorme arrogância de falar sobre a integridade territorial da Geórgia, quando o Iraque foi invadido fora de qualquer norma de direito internacional, as suas estruturas civis foram destruídas com equipamento militar e contratos de reconstrução foram adjudicados sem concurso para amigos da Casa Branca?


ago 13 2008

Por quê declarei a paz hoje

Categoria: InternacionalSenhor_do_Servo @ 14:20

Dmitry Medvedev (Presidente da Federação Russa)

Por que só hoje? Eu já respondi a essa pergunta hoje, mas posso voltar a fazê-lo agora. A verdade é que um contingente reforçado russo de manutenção da paz levou a cabo uma operação para impor a paz ao líder georgiano. Esta operação foi bem sucedida, e estamos, portanto, terminando-a.

Hoje era o momento certo para pôr termo a esta operação, e não ontem ou amanhã. Temos, portanto, declarado um cessar-fogo temporário até uma completa solução para o problema pode ser realizado em conformidade com os princípios que nós citámos. O mais importante de tudo é que conseguimos os nossos objectivos.

Quais foram esses objectivos? Em primeiro lugar, estamos protegendo cidadãos da Federação Russa que vivem na Ossétia do Sul. Em segundo lugar, nós restauramos o status quo e defendemos a lei da ordem pública, em conformidade com os acordos internacionais assinados em 1992 e anos subsequentes, em que os esforços na resolução dos conflitos nesta região foram baseados. Em outras palavras, nós temos agido em plena acordo com o nosso mandato de paz, expandindo-o infelizmente, devido a estas circunstâncias necessárias.

No que diz respeito às declarações do Presidente georgiano que a Geórgia tem observado um cessar-fogo durante dois dias, isso é mentira. Forças georgianas têm estado a abrir fogo contra os soldados da paz. Houve mortes também ontem, infelizmente. As forças georgianas dispararam artilharia e armas de fogo e por isso não tem sido observado qualquer cessar-fogo por eles.

Você sabe que existem algumas pessoas que, ao contrário de pessoas normais, uma vez que eles cheiram sangue é muito difícil detê-los… Mas, hoje, temos assegurado as condições necessárias para a realização da nossa missão e isso abre o caminho para que possamos voltar à questão principal – a de paz…


ago 12 2008

O Narcogoverno colombiano

Categoria: Apoiamos,Internacional,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 07:07

Claudia Jardim, de Caracas (Venezuela)

O ex-chefe paramilitar colombiano Hebert Veloza admitiu ter sido responsável junto com seu grupo armado pelo assassinato de mais de três mil pessoas entre os anos de 1994 e 2003. “Calculo que meus dois grupos assassinaram 3 mil pessoas ou mais. Muitos deles eram atirados ao [rio] Cauca”, respondeu ao ser questionado quantas pessoas havia matado.

HH, como ficou conhecido Veloza, também reconheceu que morreram mais inocentes que culpados. “Mas assim é a guerra”, afirmou em entrevista ao jornal colombiano El Espectador publicada neste domingo. “Matamos muita gente só pelo fato de que eram apontadas”, em referência às pessoas que são identificadas como colaboradores ou simpatizantes das guerrilhas colombianas.

Massacres

HH, que foi considerado como um dos mais temidos chefes das paramilitares Autodefesas Unidas de Colombia (AUC), disse ter utilizado a “decapitação” para aterrorizar as comunidades. “Quando chegamos a Urabá decapitamos muita gente, era uma estratégia para promover o terror, para que tivessem mais medo de nós do que da guerrilha”.

O paramilitar ingressou no controvertido programa de desmobilização encabeçado pelo governo de Álvaro Uribe, mas perdeu sua condição de “desmobilizado” quando fugiu e teria reingressado aos cartéis armados. Agora, encontra-se preso e aguarda o andamento de seu processo de extradição aos Estados Unidos para ali ser julgado pelo crime de narcotráfico.

O ex-chefe paramilitar revelou também que o grupo atuava em cumplicidade com as autoridades locais para promover os assassinatos.” Em Urabá, quando começamos, deixávamos os corpos onde as pessoas eram mortas”, relata. “Depois de um tempo o poder público começou a pressionar e (disseram) que nos deixariam continuar trabalhando, mas tínhamos que desaparecer com as pessoas. Assim começaram a surgir as fossas comuns”, afirmou.

“Assassinávamos pessoas todos os dias, em todos os municípios de Urabá”, acrescentou. Foram nestes mesmos departamentos (estados) de Córdoba e Urabá que se constituíram em 1998, sob o auspício do Estado colombiano, as AUC com o objetivo de combater as guerrilhas FARC e ELN.

Parapolítica

Na entrevista, HH confirmou as ligações de políticos, militares e policiais colombiano com os paramilitares ao afirmar que “os políticos se utilizaram das Autodefesas para alcançar seus objetivos”. “Fazem qualquer coisa para chegar ao poder. Nos procuravam para que os apoiássemos, sabendo que éramos ilegais”, afirmou.

Mais de 60 congressistas da base governista de Álvaro Uribe estão sendo investigados pela Corte Suprema de Justiça e pelo Ministério Público colombiano por vínculos com paramilitares. Deste grupo de parlamentares, 30 já foram condenados e estão na cadeia.

O escândalo da parapolítica ocorre em meio a uma tentativa de reforma do Judiciário que visa implementar a “imunidade parlamentar” na atual legislatura, fato que na opinião de analistas poderia coibir o julgamento de outros envolvidos com paramilitares.

Ainda na entrevista, o ex-chefe paramilitar HH afirmou que, com sua extradição e a de outros chefes da extrema-direita armada para os Estados Unidos, as vítimas “ficarão sem as verdades”. “Uma guerra tão longa e tão atroz não se conta em um mês ou dois meses. Há gente que diz que a verdade não está sendo contada”, disse. HH revelou que “há muitos militares que estão incomodados” em referência as possíveis declarações dos ex-chefes paramilitares que estão presos.


ago 11 2008

Guerra no Cáucaso!

Categoria: Apoiamos,Internacional,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 16:02

por Andrei Areshev

Na noite de 7 de Agosto, forças georgianas lançaram um ataque a Tskhinvali, o qual Tíflis cinicamente descreveu como um esforço para restaurar a ordem constitucional. Poucas horas antes, Sasskashvli declarou um cessar fogo na zona de conflito, mas o movimento era apenas uma manobra de propaganda que disfarçava o plano para uma ofensiva em grande escala. O momento foi cuidadosamente escolhido — a atenção mundial está voltada para a abertura dos Jogos Olímpicos, o primeiro-ministro russo V. Putin está em Pequim, e o presidente russo D. Medvedev está numas férias curtas.

As forças georgianas estão a actuar com extrema ferocidade. Uma devastação total do centro de Tskhinvali a qual deu-se com mísseis Grad, artilharia, morteiros e fogo de metralhadoras. Dúzias de explosões estilhaçavam a cidade a cada minuto. Dezenas de veículos blindados e milhares de soldados deslocaram-se para a zona de conflito. O vice-comandante da Força Russa de Manutenção da Paz, V. Ivanov, disse que as posições das suas forças não foram alvejadas ou atingidas directamente e que continuavam a observar a situação na região. Contudo, o lado ossetiano e jornalistas russos dizem que o centro de comando das forças de manutenção da paz esteve sob fogo.

A ofensiva já fez dezenas, se não centenas, de mortos. No entanto, parece que a actividades das forças de manutenção da paz permanece limitada à monitorização da situação. A sua inacção ajuda o agressor — o lado georgiano declara que a força russa de manutenção da paz não está a intervir no conflito. O exército da Ossétia do Sul respondeu ao fogo, mas não tem potencial comparável àquele das forças georgianas. Várias aldeias da Ossétia já foram capturadas e há possibilidade de que a auto-estrada Zar que liga a Republica à Rússia seja bloqueada.

A declaração feita por Mathew Bryza quanto aos acontecimentos é notavelmente cínica — tomando partido com astúcia pela Geórgia e interpretando a posição de Moscovo à maneira de um puro e simples gangster, ele culpou a Ossétia do Sul pela escalada. Anteriormente Condoleeza Rice dissera em Tíflis que os EUA estavam totalmente ao lado da Geórgia no conflito, não deixando portanto dúvidas quanto à posição estado-unidense. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Gonzalo Gallegos, disse que os EUA pediram à Moscovo para exercer pressão sobre a liderança da Ossétia do Sul a fim de alcançar um cessar fogo na zona de conflito. Ao mesmo tempo, o lado georgiano é apenas aconselhado a agir com moderação.

É simbólico que Tíflis tenha lançado a agressão no aniversário da queda da República Krajina da Sérvia. A sua morte tornou-se o prólogo para a fase seguinte da guerra balcânica – para a guerra no Kosovo, os ataques da NATO à Sérvia e a humilhação da partição do país. Já foi dito muitas vezes que o Ocidente está a re-utilizar o cenário balcânico no Cáucaso, e que desta vez planeia-se que a Rússia desempenhe o papel da Sérvia. Políticos de Belgrado que 13 anos atrás disseram que vendendo seus compatriotas na Croácia e na Bósnia impediriam a agressão ocidental agora pretendem que estavam inconscientes de que chegaria a vez da Sérvia após os sérvios na Croácia e na Bósnia.

Será Moscovo capaz de aprender pelo menos alguma coisa do passado recente? Em 1995, “manutendores da paz” da ONU abriram o caminho para o exército croata que estava a matar sérvios, e nestes dias vemos “manutendores da paz” russos e ossétios a observarem passivamente a artilharia georgiana martelar quarteirões residenciais em Tshkhinvali. No Cáucaso, as consequências de tal passividade estão em vias de se tornarem catastróficas — não haverá respeito pelo país fraco incapaz de normalizar a situação na sua fronteira e proteger seus cidadãos.

A situação pode ficar fora de controle e evoluir para condições em que as autoridades federais serão incapazes de controlar não só as actividades de líderes informais e as máfias dos seus seguidores como também aquelas dos chefes das repúblicas do Cáucaso do Norte que – se a escalada continuar – começarão a actuar independentemente e tentar de alguma forma estabelecer controle sobre o processo. O presidente da Ossétia do Norte, Taymuraz Mamsurov, já disse que centenas de voluntários estão a caminho da Ossétia do Sul. Disse ele: “Não podemos travá-los”. Pessoas de outras republicas do Caúcaso do Norte e da Abkhazia estão prontas para fazer o mesmo. Às 4 horas da manhã de 8 de Agosto, os guarda fronteiras na Ossétia do Norte não relataram forças russas a cruzarem a fronteira.

A agressão georgiana significa um golpe duro para as posições da Rússia no Cáucaso do Norte. Neste caso ela é “apoiada” por vários actos terroristas (a explosão numa praia em Sochi foi um alerta), há mais em jogo do que simplesmente as Olimpíadas de 2014. Todo o sistema de administração na Rússia pode ser tornado instável por vários ataques a alvos preciso, sendo o resultado uma ameaça directa à existência do Estado russo.

Tristemente, as advertências acerca das consequências negativas a longo prazo da passividade da diplomacia russa para tratar a questão das repúblicas não reconhecidas não tiveram efeito apesar de terem sido reiteradas durante anos. A verdade óbvia de que a autoridade georgiana tão pesadamente armada pelo Ocidente não está a enganar e algum dia irá até o fim foi simplesmente ignorada. Tal como em 1992 e 1993, é a Rússia que terá de enfrentar os problemas resultantes, sendo a diferença que o exército georgiano de hoje é algo muito mais sério do que as gangs de Kitovani e Ioseliani .

Até agora Moscovo reagiu às intenções agressivas da Geórgia unicamente com apelos incertos à paz e convites para assinar um acordo a fim de não utilizar força, assim praticamente fazendo a tarefa mais fácil para Tíflis. As esperanças de que “as coisas de algum modo serão estabilizadas” e de que o não reconhecimento de Moscovo da Abkhazia e da Ossétia do Sul atrazarão a integração da Geórgia na NATO — qual era um assunto decidido — não se concretizaram. Tíflis abertamente ridicularizou tais expectativas e continuou plenamente consciente das suas tarefas e do apoio dos seus aliados. Infelizmente, a Rússia não proporcionou apoio igualmente decisivo aos seus amigos no Cáucaso.

Agora, só medidas urgentes podem remediar a situação. A Rússia deveria romper imediatamente relações diplomáticas com a Geórgia e, caso a agressão continue, efectuar ataques aéreos contra as forças georgianas na Ossétia do Sul (incluindo o corredor Liakhv o qual é o principal recurso estratégico da Geórgia na república de facto).

Só uma resposta pronta e resoluta pode travar a agressão e, também, impedir desenvolvimentos semelhantes na Abkhazia, os quais desestabilizariam o Cáucaso irreversivelmente. Declarações tipo “não ficaremos simplesmente de prontidão” e “temos uma resposta adequada” já não são suficientes. Quanto ao aspecto informativo da resposta resoluta, a Rússia deveria declarar que abre uma operação anti-terrorista destinada a contrapor-se ao acto de terrorismo de Estado e a proteger as vidas dos civis.

A seguir ao retorno ao status quo — desta vez assegurado pela força — a Rússia deveria formar imediatamente uma aliança de defesa com a Ossétia do Sul e a Abkhazia, e o parlamento russo deveria estabelecer o status das repúblicas como sujeitos associados dentro da Federação Russa (em bom poliquês: anexá-las à  Federação Russa).

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ago 11 2008

A mídia e a Rússia

Categoria: Apoiamos,InternacionalSenhor_do_Servo @ 15:06

Se as pessoas do mundo estão supostas a julgar as ações da Federação Russa através da imprensa com base na informação que é-lhes apresentada, então, seria uma boa ideia começar a partir de um ponto de vista segundo a qual a mídia internacional apresenta a verdade, toda a verdade e não algumas semi-opinadas peças de pseudo-informação, subjetivas, empacotando a história de uma forma sempre hostil a Moscou.

Em primeiro lugar, a dissolução (nunca “colapso”) da União Soviética foi prevista na sua própria Constituição e sob esta Constituição, as Repúblicas que tinham minorias étnicas tinham no acto de secessão realizar referendos para que os respectivos povos pudessem escolher o grau da sua auto-determinação. Geórgia não realizou estes referendos nos territórios da Abkházia e da Ossétia do Sul, enclaves etnicamente russos dentro da Geórgia. Desde então, e depois destas dois territórios terem ganho sua “independência” em guerras com a Geórgia, tem havido numerosas tentativas de encontrar uma solução pacífica da parte de Moscou.

Em segundo lugar, Moscou teve sempre o cuidado de informar o mundo através de uma campanha de comunicação social incansável a partir do seus adidos de imprensa nas suas Embaixadas, segundo a qual o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa tem vindo a prestar informações detalhadas e de forma constante sobre como Moscou negociava uma paz na Ossétia do Sul, salientando sempre a necessidade de satisfazer ambos os lados – Tblissi (Geórgia) e Tskhinvali (Ossétia do Sul). Acontece que o leitor alguma vez encontrou essa informação em qualquer órgão de notícias ocidental? Não, porque foi sistematicamente ignorada num imenso esforço de desinformação. Depois digam que a imprensa no Ocidente é livre e na Rússia, não, e depois dizem que há liberdade de expressão no Ocidente e não na Rússia. Já agora, como explicar os ataques de hackers contra o site da RIA Novosti ontem? Liberdade de expressão? Ou um ato de terrorismo?

Em terceiro lugar, horas depois de anunciar um cessar-fogo, Geórgia incumbiu as suas forças de manutenção da paz a atacar as forças russas da manutenção paz russos na zona, um acto que levanta dúvidas quanto à sanidade do Presidente da Geórgia Mikhail Saakashvili e mais grave, quanto às intenções de Washington, que juntamente com Tel Aviv, tem centenas de conselheiros militares de apoio às Forças Armadas da Geórgia. Como poderia este ataque não ter recebido a aprovação do fantoche-mestre que puxa as cordas de Saakashvili?

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ago 11 2008

A Geórgia e os Estados Unidos

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 05:37

Do  Pravda:

A administração dos Estados Unidos instou por imediato cessar-fogo no conflito entre Rússia e Geórgia a propósito da república não reconhecida da Ossétia do Sul. No entanto, as autoridades russas acreditam que foram os Estados Unidos que orquestraram o atual conflito. O presidente da Comissão de Segurança da Duma do Estado, Vladimir Vasilyev, acredita que o atual conflito na Ossétia do Sul lembra muito as guerras no Iraque e no Kosovo.

“As coisas que aconteceram no Kosovo, as coisas que aconteceram no Iraque – estamos agora seguindo pela mesma trilha. Quanto mais a situação se desdobre, mais o mundo entenderá que a Geórgia nunca seria capaz de fazer tudo isso sem os Estados Unidos. As autoridades de defesa ossetas do sul costumavam fazer declarações a respeito de agressão iminente da Geórgia, mas essa última negava tudo, enquanto que o Departamento de Estado dos Estados Unidos insistia em não tecer comentários a respeito do assunto. Em suma, eles prepararam a força que destrói tudo na Ossétia do Sul, ataca civis e hospitais. São responsáveis por isso. A comunidade mundial perceberá isso,” disse a autoridade.

Por outro lado, veio-se a saber que as tropas georgianas conduziram a purgação, por fogo cerrado, de diversas povoações ossetas do sul, onde as casas das pessoas foram simplesmente arrasadas.

“O número de vítimas, com mulheres, crianças e pessoas idosas entre elas, pode ser contado às centenas e até milhares,” disse uma fonte do governo da Ossétia do Sul na capital, Tskhinvali.

O chefe do Ministério do Exterior da Rússia, Sergei Lavrov, disse aos repórteres que as ações da Geórgia na questão da Ossétia do Sul suscitam dúvidas quanto à consistência da Geórgia como estado e como membro responsável da comunidade internacional, informa a Interfax.

“Civis, inclusive mulheres, crianças e pessoas idosas estão morrendo na Ossétia do Sul. Além disso, a Geórgia conduz purgação étnica em vilas ossetas do sul. A situação na Ossétia do Sul continua a piorar cada hora. A Geórgia usa equipamento militar e armamentos pesados contra as pessoas. Usa fogo de artilharia contra setores residenciais de Tskhinvali [a capital] e outros locais povoados. Bombardeiam os comboios humanitários. O número de refugiados continua a aumentar – as pessoas tentam salvar a própria vida, a vida dos filhos e parentes. Um desastre humanitário está ganhando impulso,” disse o Ministro do Exterior da Rússia.

O ministro acrescentou que a administração georgiana ignorou o apelo da Assembléia Geral das Nações Unidas para que respeitasse a trégua olímpica durante os Jogos Olímpicos de Beijing.”

É óbvio que os Estados Unidos estão por trás da agressão georgiana. O traiçoeiro presidente da Geórgia, afinal, não teria a idéia de jerico que teve sem que fosse aconselhado por outro grande energúmeno. A questão é que o Sakashvili calculou _como se vê, erradamente_ que a Rússia não interviria no massacre étnico que pôs em curso na Ossétia do Sul. Até a nossa mídia golpista, como por exemplo a Folha, admite que quem começou o conflito foi a Geórgia, e a traição, quase na mesma hora em que tinha assinado um acordo se comprometendo a não atacar os sul-ossetianos.

O custo a pagar pela Geórgia será caro, por que na prática, a Rússia agora domina a Ossétia do Sul e os abkhazes conseguiram expulsar os georgianos, caindo também sob a esfera russa.  O traiçoeiro Sakashvilli muito provavelmente  será deposto. Não acredito que os russos o farão agora, mas manobrarão para que seja responsabilizado pela perda de 1/3 do território georgiano, em função apenas de uma pretensão tão desmedida e impensada.  E de toda forma, o unilateralismo acabou. Os russos mostraaram seu limite. E agora, Sakashvilli, não adianta pedir cessar fogo não, rapaz: sua palavra vale tanto quanto risco na água.

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ago 09 2008

A Geórgia acabou com minhas férias…

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 14:34

A idéia era ficar mais duas semanas sem postar. Mas acho que semana que vem terei de voltar. As agressivas campanhas contra a China e a Rússia me obrigam a isso. Sinto ser meu dever alertar contra campanhas midiáticas patrocinadas pelos EUA contra as duas nações. E também para reiterar: o Tibete faz parte da China e estou contra os georgianos, em sua tentativa de oprimir abkhazes, sul-ossetas e russos! Que o Exército Vermelho os proteja! Por hora, acompanhem a versão russa dos fatos pelo Pravda, que foi de onde retirei este Artigo:

“a noite de 7/8 de agosto, apenas algumas horas depois do acordo de paz ter sido alcançado a dialogar para resolver o novo ciclo do conflito Ossétia do Sul/Geórgia, unidades militares georgianas realizaram um traiçoeiro e maciço em Tskhinvali. O cenário da utilização de força foi escolhido pela liderança da Geórgia, apesar de todos os esforços diplomáticos que foram levadas a cabo nos contactos entre Moscou, Tbilisi, Tskhinvali, Washington e outros.

A credibilidade da liderança georgiana como um responsável participante do processo de negociação internacional e dos princípios da Carta das Nações Unidas, em geral, foi completamente prejudicada como resultado. Tornou-se absolutamente compreensível por isso que durante um longo período Tbilisi tinha sob vários pretextos obstinadamente evitar a conclusão de acordos juridicamente vinculativos na Abcásia e na Ossétia do Sul, contra o uso da força.

Ainda não é tarde demais para evitar novos incidentes com derramamento de sangue entre a população civil inclusive. Estamos também muito preocupados com a situação dos capacetes azuis russos.

Os líderes da Geórgia deveriam pensar melhor e voltar a métodos civilizados para resolver os problemas complexos de uma solução política. Esperamos também que os nossos parceiros estrangeiros e da comunidade internacional como um todo não vão ficar indiferentes neste difícil momento em que os destinos das centenas de milhares de pessoas que vivem nesta região estão a ser decididos. É necessário pôr cobro à violência em conjunto que está cheio de graves consequências para a segurança internacional e regional.

A Federação Russa irá continuar os seus esforços dirigidos a impedir mais derramamento de sangue e trazer a situação na Ossétia do Sul sob controlo.

Ministério das Relações Exteriores

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