jan 29 2009

Resposta

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 10:29

E eu, sem saber que talvez o hálito sedutor de tão sublime e sutil pedaço do paraíso possa estar perto de mim. Muita gente morre sem ter tido sequer pensado em tal promessa de prazer e felicidade. Vá lá, encanta-nos rios e a água deles que nos roça o corpo, e podemos nos deliciar na verdade com coisas pequenas e lindos por-do-sóis. Mas isto?

Ahhhhhhhh… Há noites em que dormimos em meio a uma semana comum, em meio a dias comuns e acontecimentos comuns esperando apenas acordar a tempo de ir trabalhar. E de repente, eis que  um sonho leva-nos ao inimaginável. O coração se acelera, o sangue que antes pulsava morno, ferve em nosso peito e nos derrete a alma. A respiração, porém, é gelada.  E então, meio que a tremer e a respirar devagar, acordamos.

O que emerge então, de uma noite assim, extraordinária, é que não há como os dias serem como antes, por que algo despertou e se acendeu uma vontade que não é  nossa, mas antes  é um pedido de um pedaço da alma que julgávamos adormecido e conformado. E se há o chamado, o caminho constrói-se. Eu aguardo.

Se hoje de manhã, ao despertar, fosse um gato, pouco mais tarde, diante do que anunciou,  até meus sonhos seriam de tigre. Ah, e houver o que me roça o pelo, e se sinto o cheiro perfumado de uma pele suave, como se resiste? Para que resistir, digo melhor? Não o farei. Se o caminho me for dado, eu só posso seguir; se me dão água, eu hei de saciar aquela sede que eu nem sabia que tinha, e era tão intensa…


jan 28 2009

Sobre amor e paixão…

Categoria: Crônica,Cultura,Política,Senhor do ServoSenhor_do_Servo @ 18:20

Ela me disse  “eu não estou apaixonada por você”. E me dirá, você que me lê, que infinitas mulheres disseram o mesmo e que por tais palavras, fez-se lágrimas que quase dariam um mar… Mas eu, que encarei estas palavras com ampla serenidade, digo que daqui, dos altos pensamentos onde estou, estas palavaras me agradam, agora.

Pois eu também não estou apaixonado por ela. A desejo e a amo, o que é muito diferente. Senão vejamos. O que é a “paixão”? É aquele brilho intenso, que cega e queima, e é fugaz? Pois por ela não me cego, mas antes vejo tudo mais belo: o ar que respiro, até ele, me parece mais leve, e suaves são todas as formas. E tampouco queimo-me, ao ponto de me consumir. Antes, é um calor tão bom que a presença dela me dá, que me sinto bem e até sorrio diante de coisas na verdade bem pequenas. E é este sentimento que quero ver retribuído, não a paixão.

Não quero que se incendeiem por mim, mas que minha luz seja suave ao ponto de nunca lhe fazer sombra ou deixá-la no escuro. Paixão é tempestade. Amor, porto seguro. Se eu sei também ser vento e tempestade? Claro. Mas apenas quando pintar uma vontade mais louca que as outras, um desejo mais intenso e as alturas como se me chamassem. Nestes momentos eu ,se queira,  brigo para que a terra inteira trema diante da tua vontade, que será o meu desejo.

Paixão, do latim passio , que significa sofrimento, dor. Palavrinha tão enganosa que tiveram que disfarçá-la e esquecê-la sob outro significado. Amor, do latim… Amor! Tão linda quem nem de nome a mudaram. Há quantos anos sobrevive? 3.000? Uma palavra para sobreviver, intacta, por 30 séculos, tem de ser mesmo muito especial.  Não lhe maquiaram. E quem poderia?!?

Por amor, muitos morreram. Por paixão, mais ainda mataram. Por amor, se faz loucuras. Por paixão se enlouquece. Paixão é furacão; amor, fortaleza. A paixão não tem hora, o amor aguarda. A paixão consome, o amor alimenta. A paixão não tem medo, o amor o enfrenta.

No mesmo dia, disse que me ama. Então também sabe a diferença, e quando vejo seus olhos curiosos, vejo-os a uma mesma altura: de bem alto, onde tudo é mais claro e limpo. Mas como, em um mesmo dia se diz “e amo” e “não estou apaixonada por você”? Por que ambas as coisas são verdade, e agora, de aqui sozinho e calmo, não sei qual das duas me faz mais feliz. Há a cereja, mas igualmente existe o oceano…

Paixão é a orquídea e a rosa? Quero ser o teu lírio e o teu jardim. Aquele lugar onde se repousa da tristeza e da dor, mas onde também se dança e se grita bem alto, para que toda a felicidade saia e seja ouvida. Ah, teu corpo que me encanta tanto, sua pele que ao mero encostar me eletriza, tua voz… Eu os nego? Jamais! Mas tambem não te resumo a isto.

Eu vejo teus olhos em silêncio e só de me perder neles é que me encontro. Que faço, sob uma ponte de estrelas entre nossas casas, a viagem de eu a mim, e me torno no que sou. Você não é a minha perdição, mas o meu caminho. Não quero ser seu guia, mas parte do seu destino. É assim que se fazem as vidas, meu amor. Agora, você não há caminho entre nós, pode dizer. E é verdade. Mas a estrada é tão longa que só ao seu lado eu a percorreria feliz e apenas junto a ti, posso deixá-la segura. Onde nos encontraremos, se nos encontrarmos? Onde você quiser, e quando. E enquanto sem você eu vou andando, pavimento minha trilha com aquilo de que são feito os sonhos…

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jan 24 2009

Brasil lança VLS1 com sucesso

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 12:16

Do Pravda:

A última experiência foi desastrosa. Com problemas de pré-ignição, o lançamento fracassou dando causa a incêndio que destruiu grande parte da base maranhense, além de matar 21 pessoas. Grande lástima, sem dúvida. O sucesso é auspicioso. Vai permitir o lançamento de satélite geoestacionário, proporcionando ao país facilidade nas comunicações, principalmente.

O lançamento foi assistido pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim e pelo Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juni Saito. Não se entende a causa da notícia não ter sido divulgada na imprensa. Pode acreditar-se que para muitos países não interessava o Brasil ser capaz de colocar satélites em órbita, o que significa também o seu notável desenvolvimento bélico, pois mísseis de muito longo alcance não são bem vistos pelas nações que não os possui. Mesmo as poderosas potências, que além do vetor têm a ogiva nuclear, não ficam muito satisfeitas quando um fato desta natureza é atingido.

É sabido pela comunidade mundial que o Brasil não desenvolve corrida armamentícia, e não possui artefatos nucleares agressivos, mas pode construir em pouco tempo, já que a tecnologia permite com folga que eles sejam construídos em pouco tempo.

Talvez tenha sido esta a razão do fato não ter sido divulgado com alardes. Vizinho nossos podem interpretar o sucesso como uma ameaça, quando na realidade o fato não é este. Quem acompanha o lançamento dos “Sacis”, sempre com fracasso, sabe disto.

Foi um feito respeitável, sem dúvida. São muito poucos países capazes de operações de tamanha envergadura, e é uma consolidação dos velhos so nhos dos cientistas brasileiros, que estão de parabéns.

Excessivamente preocupados com a crise financeira, os órgãos de informação brasileiros não informaram o sucesso do lançamento do míssil espacial VLS-1, feito com sucesso no dia 20 de outubro de 2008, partindo da base de São José dos Campos, e não de Alcântara, como era costume.

O Brasil, apesar dos pesares do mundo e dele mesmo, caminha fácil para um futuro de brilho. Todo este trabalho vem sendo desenvolvido com auxilio da tecnologia russa, de acordo com um protocolo firmado entre Brasil e Rússia. Segundo este acordo, os russos auxiliam na transferência de tecnologia de ponta, e o governo brasileiro compromete-se a emprestar a base de Alcântara, para o lançamento de mísseis russos. A base está próxima a linha do equador, o que facilita os lançamentos e diminui os gastos.

Jorge Cortás Sader Filho


jan 24 2009

As relações cubano-estadunidenses

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 10:58

baia-dos-porcos1

David Brooks La Jornada via Rebelión

Desde tiempos de John F. Kennedy hasta Bill Clinton, los presidentes de Estados Unidos exploraron secretamente la posibilidad de normalizar las relaciones bilaterales con Cuba, según documentos oficiales recién desclasificados y presentados por primera vez.

La organización independiente National Security Archive, en Washington, presentó hoy una serie de documentos oficiales del gobierno estadunidense, hasta ahora secretos, que revelan desde una entrevista secreta entre un asesor de Kennedy con el Che Guevara, hasta los intentos de Kissinger por abrir un diálogo sobre la normalización de relaciones con representantes de Fidel Castro.

Estos documentos, argumenta el director del proyecto sobre Cuba del Archive, Peter Kornbluh, podrían servir de guía para el gobierno de Barack Obama. “La historia demuestra que presidentes desde Kennedy hasta Clinton consideraron el diálogo tanto posible como preferible a una continuación de la hostilidad y agresión en la política estadunidense hacia Cuba. Este rico historial desclasificado del pasado ofrece un mapa a seguir en el futuro para el nuevo gobierno estadunidense”, declaró hoy.

De hecho, una directiva secreta emitida en marzo de 1977 poco después de que Jimmy Carter asumió la presidencia, marca la primera y única vez en que un presidente ordenó la normalización de las relaciones con el gobierno de Castro. “He concluido que deberíamos lograr la normalización de nuestras relaciones con Cuba”, afirma la directiva presidencial NSC-6.

Encuentro con Castro

Carter dio instrucciones para impulsar “un proceso que llevará a restablecer las relaciones diplomáticas entre Estados Unidos y Cuba”. Las negociaciones brindaron resultados como el establecimiento de las secciones de interés diplomáticas en Washington y La Habana, y hubo hasta un diálogo secreto con Castro, pero el esfuerzo se descarriló por la demanda estadunidense del retiro de tropas cubanas de África antes de que Carter estuviera dispuesto a considerar suspender el bloqueo económico de la isla.

Un par de años antes, en 1975, un asesor de alto nivel del entonces secretario de Estado Henry Kissinger elaboró un informe secreto titulado “Normalizando relaciones con Cuba”, que afirmaba que “nuestro interés es lograr poner el asunto de Cuba detrás, y no prolongarlo de manera indefinida”. Agrega que “si hay un beneficio para nosotros en un fin del estado del ‘antagonismo perpetuo’, reside en sacar a Cuba de la agenda doméstica e interamericana, en sacar el simbolismo de un tema intrínsicamente trivial”.

Al inicio de ese mismo año, el 11 de enero de 1975, el secretario asistente de Estado, William Rogers, y representantes del gobierno cubano se reúnen en secreto por primera vez en una cafetería pública en el aeropuerto LaGuardia en Nueva York, donde el estadunidense entregan un documento aprobado por Kissinger a Ramón Sánchez Parodi, representante de Castro. “Estamos reuniéndonos aquí para explorar las posibilidades de una relación más normal entre nuestros dos países”, y agrega que “Estados Unidos puede y está dispuesto a progresar sobre tales temas, aun con naciones socialistas con las que tenemos un desacuerdo ideológico fundamental”, dice el documento sin título ni firma.

Pero estos intentos comenzaron desde casi el principio. Entre los documentos revelados hoy, hay un informe de una reunión con el Che Guevara en agosto de 1961. El asesor presidencial de Kennedy, Richard Goodwin, cuenta de su conversación informal con Guevara en Montevideo, Uruguay, donde dice que se tocaron, entre otros puntos, el deseo de Cuba de establecer un modus vivendi con Estados Unidos, Guevara también informó que aunque Castro estaba dispuesto a hacer algunas concesiones para lograr ese objetivo, era innegociable el sistema político cubano.

Guevara también sugirió que una negociación podría arrancar sobre temas secundarios para encubrir una conversación sobre los asuntos principales. Esta reunión, según el Archive, marcó el primer diálogo de alto nivel entre representantes de ambos países desde que se rompieron las relaciones diplomáticas el 3 de enero de 1961.

“Es un hecho poco conocido que desde cuando el gobierno de Eisenhower rompió relaciones con Cuba, el 3 de enero de 1961, cada presidente ha participado en alguna forma de diálogo con Fidel Castro, a excepción de George W. Bush”, escribe Kornbluh con William LeoGrande, en el amplio artículo Hablando con Castro, en el numero más reciente (febrero) de la revista Cigar Aficionado.

El artículo está basado en esta documentación hasta hoy secreta y un proyecto de investigación del Archive sobre los diálogos secretos entre ambos países a lo largo de los últimos 50 años, desde Kennedy, pasando por Carter, Kissinger durante el gobierno de Gerald Ford, y Bill Clinton, donde está, entre otros, el esfuerzo ya conocido de Gabriel García Márquez de promover un diálogo hacia la normalización de relaciones.

El artículo ofrece la historia de negociaciones tanto abiertas, sobre temas como migración, a los intentos secretos, frecuentemente a través de intermediarios, de buscar alguna manera de proceder hacia una mayor normalización. De hecho, cuenta que al mismo tiempo que Kennedy autorizaba actividades hostiles, también daba luz verde a la exploración de una reacomodación diplomática. Los principales intentos hacia ese objetivo fueron promovidos primero por asesores de Kennedy, y se repitieron en tiempos de Carter, Ford y Clinton.

Aunque todos fracasaron, Kornbluh y LeoGrande argumentan que esta historia cobra nueva relevancia en esta coyuntura, ya que el ahora presidente Barack Obama afirmó durante su campaña que estaba dispuesto a reunirse con Raúl Castro “sin precondiciones”.

Lo repitió en un debate contra su ahora secretaria de Estado, Hillary Clinton, quien criticó esa postura, y en el cual Obama dijo que con preparación previa, era factible, ya que “es importante para Estados Unidos no sólo hablar con sus amigos, sino también con sus enemigos. De hecho, ahí es donde la diplomacia hace la mayor diferencia”.

Los autores señalan que Carter fue el más parecido a Obama en su visión diplomática de buscar una solución pacífica a los asuntos internacionales, incluida Cuba. “Sentía entonces, igual que hoy, que la mejor manera de promover un cambio en el régimen comunista de Cuba era abrir el comercio, las visitas y las relaciones diplomáticas”, comenta a los autores en una entrevista. Carter indicó que viendo hacia atrás, “ya sabiendo lo que sé desde que dejé la Casa Blanca, yo debí haber procedido y debí haber sido más flexible en el manejo con Cuba y en el establecimiento de relaciones diplomáticas plenas”.

Los autores indican que esta historia de intentos y diálogos entre Washington y La Habana, muchos de ellos secretos hasta ahora, son una guía para el nuevo gobierno en una coyuntura que tal vez es la más prometedora en estos últimos 50 años para dejar atrás una política fracasada y repudiada por la comunidad internacional y voltear esta página de la historia.

Para revisar los documentos originales, ver la página del National Security Archive AQUI


jan 24 2009

A Tradição Espanhola III

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 10:29

fuzilamento

Da ASEH:

A professora da UPV Arantza Urkaregi (Bilbau), Eli Zubiaga (Algorta), Iker Rodrigo (Erromo) e Imanol Nieto (Sestao) foram detidos na Bizkaia, segundo confirmou o Movimento Pró-Amnistia.

Em Araba, os detidos são a representante da plataforma D3M Amparo Lasheras, em Gasteiz, e Iñaki Olalde, em Agurain, de acordo com o Movimento Pró-Amnistia. A agência EFE divulgou a informação de que o representante independentista das Juntas de Araba Aitor Bezares também tinha sido preso, mas tal viria a ser depois desmentido pelo Movimento Pró-Amnistia.

Hodei Egaña e Agurtzane Solaberrieta foram presos em Gipuzkoa, concretamente em Donostia e Usurbil, ainda de acordo com a mesma fonte.

Inspeções
A Polícia espanhola procedeu a numerosas inspecções nas casas de militantes e representantes independentistas. Na Bizkaia, foram à casa do histórico militante abertzale Tasio Erkizia, e também à de Joxerra Etxebarria.

A Polícia inspeccionou ainda a sede de Herria Aurrera na capital bascainha, onde esteve presente o juiz do tribunal de excepção espanhol Baltasar Garzón, que ordenou a operação. Em Nafarroa, a Polícia revistou as casas da vereadora independentista em Iruñea Mariné Pueyo e do também edil em Huarte Santi Kiroga.

Em Araba, inspeccionaram as casas de Fernando Antia, em Gasteiz. Antia é o promotor da plataforma D3M no herrialde. Ainda na capital alavesa, entraram na sede da plataforma Gasteiz Izan, no bairro de Judimendi.

Em Gipuzkoa, a Polícia permaneceu durante cinco horas na casa da vereadora abertzale Miren Legorburu, em Hondarribia, de onde levou computadores.

A “nova direcção do Batasuna”

O Ministério espanhol do Interior emitiu um comunicado em que afirma que os detidos fariam parte da nova Mesa Nacional de Batasuna.

Sob regime de incomunicação

Por seu lado, o Movimento Pró-Amnistia fez saber que todos os detidos se encontram sob incomunicação e que serão transferidos para Madrid nas próximas horas. Este organismo afirmou tratar-se de uma operação contra a plataforma D3M, cujo objectivo é impedir que as listas abertzales possam concorrer às próximas eleições autonómicas, a 1 de Março, nos 3 herrialdes da CAV: Gipuzkoa, Bizkaia e Araba.

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Vejam isto: ficou fácil demais para o Estado Espanhol_ o mesmo que perpetrou o maior genocídio da história contra as populações nativas da América, que apoiou as fogueiras da inquisição até 1.800, que  executou García Lorca e milhares de outras pessoas, que apoiou os nazistas_ : basta alegar que uma pessoa é a favor da independência de Euskal Herria (País Basco e Navarra) que o Baltazar Garzón manda prender. Mais: basta rotular qualquer um de “terrorista” que as vozes que poderiam defender a pessoa calam-se. Que tempos são estes?!? E mais: em minha opinião é direito dos euskarras terem seu próprio Estado, inclusive por conta do histórico comum aos povos que jazeram sob domínio espanhol…


jan 24 2009

Como incendiar o mundo muçulmano

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 08:59

Olmert e a política do sangue por votos!

Olmert e a política do sangue por votos!

Gabriel Kolko, 21/1/2009, Counterpunch pelo Viomundo:

Gabriel Kolko é o mais renomado historiador contemporâneo especialista em história das guerras contemporâneas. É autor dos clássicos Century of War: Politics, Conflicts and Society Since 1914, Another Century of War? e The Age of War: the US Confronts the World . É autor também da melhor história da Guerra do Vietnã, Anatomy of a War: Vietnam, the US and the Modern istorical Experience. Seu livro mais recente é After Socialism.

Como a história falará da guerra contra os palestinos em Gaza? Outro holocausto, dessa vez perpetrado pelos filhos das vítimas do anterior? Um golpe eleitoral, montado por ambiciosos políticos israelenses, para ganhar votos nas eleições do dia 10/2 próximo? Um teste para os novos modelos de armamento fabricados pelos EUA? Ou como uma tentativa de encurralar o novo governo Obama, numa posição anti-Iran? Ou como tentativa para estabelecer a “credibilidade” [aspas no original] do exército de Israel, depois da vergonhosa derrota na guerra contra o Hizbóllah no Líbano em 2006? Tudo isso provavelmente. E muito mais.

Mas uma coisa é certa. Israel matou pelo menos 100 palestinos para cada uma das baixas noticiadas, desproporção tão imensa, que causou horror em quase todo o mundo e criou nova causa que já mobilizou um número praticamente incalculável de pessoas – provavelmente, uma oposição tão forte quanto a que se uniu contra a guerra do Vietnã. Israel autoconverteu-se em nação pária – exceto do ponto de vista dos EUA e de um pequeno grupo de outros países. O mais terrível de tudo: Israel incendiou o mundo muçulmano.

Como Bruce Riedel, um “falcão” que foi alto funcionário da CIA por quase 30 anos e é hoje um dos muitos conselheiros do presidente Obama, escreveu há pouco tempo: “o conflito Israel-Palestina é a principal questão que alimenta a al-Quaeda”, e “os muçulmanos tem convicção muito funda quanto ao que, para eles, foi erro: a criação de Israel; essa convicção contamina todos os aspectos do que eles pensam e fazem e é o argumento-chave para convencer a ummah da correção da luta da al-Quaeda.” Isso, antes de Gaza. Grande parte do mundo hoje odeia Israel e demorará anos, antes de que as atrocidades praticadas em Gaza sejam esquecidas ou, pelo menos, razoavelmente apagadas. Os extremistas muçulmanos tornar-se-ão muito mais fortes.

Os israelenses estão sendo acusados – e com muitas razões – por crimes de guerra. Muitos dos acusados são filhos de famílias que sofreram nas mãos dos nazistas há mais de 60 anos e vivem hoje de repetir que o Holocausto foi a única tragédia que jamais houve – como se o número de mortos não-judeus, no mundo, depois de 1945 não existisse.

A ONU e grupos de Direitos Humanos já exigem que Israel seja julgada por crimes de guerra, pelo número oficial de 1.300 mortos em Gaza, assassinados por descomunal poder de fogo e com munição, como as bombas de fósforo, proibida e ilegal. Israel já avisou seus principais oficiais para que se preparem para defenderem-se contra a acusação de prática de crime de guerra. O Procurador Geral de Israel, General Menahem Mazuz, disse que o governo já espera “uma onda de processos internacionais.”

Daqui em diante, Israel terá de viver com as consequências geopolíticas do que fez, na Região.

É provável que Israel tenha destruído, talvez de modo irreparável, qualquer possibilidade de estabelecer relações tranquilas com seus vizinhos árabes mais próximos e outras nações muçulmanas – o Catar e a Mauritania já suspenderam relações diplomáticas com Israel –, menos porque as camadas governantes dessas nações desejem castigar Israel, mas porque as massas de eleitores, ou, em geral, das populações, exigem que Israel seja punida; e esse desejo popular implica grave risco para a estabilidade dos regimes na Região.

Talvez ainda mais importante: os EUA sempre apoiaram lealmente Israel durante décadas, com um dilúvio de armas moderníssimas e com total proteção diplomática; mas os EUA enfrentam hoje enormíssima crise econômica e precisam do dinheiro árabe (para não falar do petróleo), como jamais antes precisaram. A estabilidade da aliança crucial de EUA e Israel está mais pressionada hoje, do que jamais, no passado.

Desde o início, um culto machista – chamado “autodefesa” – foi traço sempre encontrado no sionismo; apesar da opinião de alguns idealistas, como A. D. Gordon, a tendência dominante em Israel sempre acolheu sem protesto as respostas violentas contra os árabes circunjacentes. Os militares sempre foram glorificados por isso, inclusive esquerdistas de fachada, como David Ben Gurion. De tal modo, que Israel converteu-se numa Esparta regional, armada com armamento moderníssimo e bombas atômicas, o que lhe assegurou um monopólio virtual sobre uma vasta região. Esse monopólio também será inevitavelmente desafiado.

Uri Avnery, importante ativista dos movimentos pela paz, escreveu, há poucos dias, que “centenas de milhões de árabes que cercam Israel nessa parte do mundo verão os combatentes do Hamás como heróis da nação árabe e, além disso, também verão seus próprios governos nacionais em plena nudez, como são: criminosos, venais, corruptos e traiçoeiros. (…) Nos próximos anos, todos verão com clareza a absoluta loucura que foi a guerra de Gaza.” (“O comandante-em-chefe enlouqueceu”, 17/1/2009, Viomundo Tevê, aqui.

Estamos vivendo outra grande tragédia, e as tragédias são insumo básico na história do mundo, há séculos. Dessa vez, as vítimas de ontem e seus filhos são os carrascos de hoje.


jan 22 2009

Sobre árabes, preconceito e esperança.

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 13:35

Márcia Costa é, igualmente, leitora do blogue e escreveu em resposta ao artigo do Amílcar Costa, logo abaixo.

O artigo do Amilcar acima demosntra as guerras que aontecem desde sempre entre as várias tribos mulçulmanas que ocuparam (e ocupam) por séculos a terra que é reivindicada pelo movimento sionista desde 1948. Esquece o Amilcar que ingleses, franceses, alemães e outros países europeus menos votados se encarregaram de incutir novos conceitos, culturas e ódios entre esses povos que lá viviam.

Esqueci de incluir a África que sofre até hoje com as consequências do bárbaro colonialismo. Antes eles tinham seus próprios motivos culturais para lutarem entre si. Qualquer estudioso de história poderá fazer um tratado sobre esta questão. O fato é que há invasão, há colonislismo por parte de Israel sobre as terras Palestinas e nada; preste bem atenção: NADA justifica a morte de uma unica criança sequer. Esse discurso de desqualificação das culturas árabes é bem típico das pessoas que não desejam a criação de mais um Estado Democrático no Oriente Médio.

Sou brasileiríssima. Carioca com 37 anos de praia, meu. Temos a nossa guerra também. Só no primeiro semenstre de 2008 cerca de 4000 poessoas foram assassinadas no RJ. E daí? Pelo seu argumento isso também faz nossa sociedade genocida. Vivemos em um mundo onde interesses econômicos e projetos egoísticos de poder dominam.

Hoje não se pensa no mundo que se quer deixar para os que virão após nós. Cada um pensa em si mesmo e no quanto pode amealhar de recursos financeiros, materias e ambientais como se o planeta inteiro fosse um extensão do ego de cada um. É contra essa corrente que muitos lutam. Desejamos um mundo para todos serem felizes com o que lhes seja necessário. Nem mais nem menos. Utopia? Pode chamar do que quiser. Eu chamo de esperança.


jan 22 2009

Um genocídio doméstico

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 13:29
Gaza sob ataque israelense

Gaza sob ataque israelense

De Amílcar de Castro, leitor do Blogue:

Vocês Haviam me pedido um artigo sobre a questão Israel – Hamás. O autor é Ben Dror Yemini, correspondente do jornal Ma’ariv. Se houver um mínimo de equanimidade, gostaria de vê-lo publicado.
Obrigado pela atenção.

O mundo árabe está submetido ao genocídio. Isto é verdade. Apenas que ele é auto infligido e Israel não tem nada a ver com isso.
Fato 1: desde o estabelecimento do Estado de Israel um impiedoso genocídio está sendo perpetrado contra muçulmanos e árabes. Fato 2: O conflito no Oriente Médio, entre Israel e os árabes, como um todo e contra os palestinos, em particular é visto hoje como o conflito central do mundo. Fato 3: de acordo com levantamentos levados a cabo na União Européia, Israel detem o 1º lugar como “ameaça à paz mundial”. Na Holanda, por exemplo, 74% da população acredita nisso. Não é o Irã, não é a Coréia do Norte. É Israel. Fazendo a conexão entre estes levantamentos, cria-se uma das maiores fraudes dos tempos modernos: ele é visto como o país responsável por cada calamidade, infortúnio e opressão. É um perigo para a paz mundial, não apenas para o mundo árabe ou islâmico.

O dedo está habilmente apontado. Contudo é difícil culpar Israel pelo genocídio no Sudão ou pela guerra civil na Argélia. Como isto foi engendrado? Milhares de publicações, artigos, livros, periódicos e websites são dedicados a um só propósito: configurar Israel como um estado que incessantemente comete crimes de guerra. Em Jacarta e Cartum queimam bandeiras de Israel e, em Londres, em Oslo e em Zurique, artigos de ódio são publicados defendendo a destruição de Israel.

Qualquer consulta em sites de busca da web pelas palavras ‘genocídio’ contra ‘muçulmanos’, ‘árabes’ ou ‘palestinos’, no contexto de ‘sionistas’ ou ‘Israel’ nos dará resultados intermináveis. Mesmo filtrando todo o lixo, restam milhões de publicações escritas com uma seriedade mortal.
Essa abundância traz resultados. Atua como uma lavagem cerebral. É a posição aceita e não apenas uma opinião marginal. Há apenas cinco anos testemunhou-se um show anti-Israel na Conferência de Durban. Há apenas dois anos um acadêmico israelense culpou Israel por “genocídio simbólico” contra o povo palestino. Muito barulho por nada. Existem milhares de publicações culpando Israel de genocídio, e não exatamente simbólico.

Sob o guarda-chuva acadêmico ou jornalístico, o Israel de hoje é comparado à execrável Alemanha de ontem. Como resultado brotam os que pedem para acabar com o ‘projeto sionista’. Em palavras mais simples: por Israel ser o país que comete tantos crimes de guerra e está comprometido com uma limpeza étnica e com um genocídio, ele não tem o direito de existir. Esta, por exemplo é a essência de um artigo do autor norueguês Jostein Gaarder (o autor de O Mundo de Sofia), que, entre outras coisas, escreveu: ”nós chamamos assassinos de crianças pelo seu nome”. A conclusão é de que Israel não tem o direito de existir.

Como atua a fraude?
A tragédia é que nos países árabes e muçulmanos está acontecendo um massacre. Um genocídio protegido pelo silêncio do mundo.. Um genocídio cuja fraude talvez não encontre paralelo na história da humanidade. Um genocídio que não tem conexão com Israel, com o sionismo ou com os judeus. Essencialmente um genocídio de árabes e muçulmanos, executado por árabes e muçulmanos.
Isto não é questão de opinião ou ponto de vista. Este é o resultado de exame factual, tão preciso quanto possível sobre o número de vítimas das várias guerras e conflitos que ocorreram, desde o estabelecimento do Estado de Israel, até hoje, quando o massacre continua. Trata-se mesmo de morte em escala massiva. Um verdadeiro massacre. Trata-se da liquidação de povoações e populações inteiras. E o mundo permanece silencioso. Os muçulmanos estão realmente abandonados. Eles são mortos e o mundo cala. E se ele se dá ao incômodo de abrir a boca, ele não acusa os perpetradores desses crime contra a humanidade. Ele acusa Israel.
A grande fraude que encobre os fatos reais persiste e mesmo cresce por uma única razão: a mídia e a academia no Ocidente participa dela. Em incontáveis publicações, livros, jornais e sites, Israel é descrito como um estado que comete ‘crimes de guerra’ e ‘assassinatos sistemáticos’. Às vezes por modismo, ás vezes equivocadamente, às vezes como resultado de hipocrisia e duplicidade de padrões. Às vezes trata-se do velho/novo antissemitismo de esquerda e de direita, aberto ou encoberto. A maioria dos clássico libelos de sangue foram contestados não muito tempo após seu advento. O moderno libelo de sangue contra o Estado de israel, continua crescendo. Muitos israelenses e judeus são os acessório para nutri-lo.

O conflito árabe-israelense
A colonização sionista daquela terra, iniciada ao final do séc. XIX, realmente criou um conflito entre judeus e árabes. O total dos mortos em vários confrontos até o estabelecimento do Estado, não ultrapassou a alguns pouco milhares entre judeus e árabes. A maioria dos árabes mortos naqueles anos, o foram em confrontos entre os próprios árabes, como, por exemplo: nos anos do grande levante árabe de 1936-1939. Foi um sinal do que viria a seguir. Muitos outros foram mortos como resultado do rigor e controle britânico. Israel nunca fez algo comparável.
A guerra de independência, ou Guerra de 48 deixou entre 5.000 e 15.000 mortos entre palestinos e cidadãos de outros países árabes. Naquela guerra, assim como em outras, houve realmente atrocidades. Os agressores declararam sua meta com todas as letras e, se tivessem vencido, um extermínio em massa de judeus, seria esperável. Do lado de Israel também houve atos bárbaros, mas esses remanesceram às “margens da margem”. Menos, muito menos do que em qualquer guerra nos tempos modernos. De longe, bem menos do que em nossos dias está sendo praticado diariamente, principalmente por muçulmanos, contra muçulmanos no Sudão e no Iraque.

Outro acontecimento importante foi a Guerra do Sinai, em 56. Cerca de 1.500 egípcios foram mortos, 1.000 desses nas mãos de israelenses e cerca de 650 pelas forças francesas e britânicas. Depois veio a Guerra dos Seis Dias, em 67. As mais altas estimativas, falam em 21.000 árabes mortos nas três frentes – Egito, Síria e Jordânia. A Guerra do Iom Kipur , em 73, resultou em 8.500 árabes mortos, desta vez em duas frentes – Egito e Síria.
Naquele tempo ocorreram ’pequenas’ guerras: a I Guerra do Líbano, que no seu estágio inicial era principalmente contra a OLP, e não contra o Líbano. Esta foi uma guerra dentro da guerra. Eram os anos da sangrenta guerra civil no Líbano, uma guerra que discutiremos adiante, e em que cerca de 1.000 libaneses foram mortos.
Milhares de palestinos foram mortos durante a ocupação dos territórios, que começou ao fim da Guerra dos Seis Dias. A maioria, durante as duas Intifadas. A iniciada em 1987, resultou em 1.800 mortes palestinas e a dos anos 2000 , com um número de 3.700 palestinos mortos. Entre estas houve mais ações militares causando mortes adicionais: centenas. Não centenas de milhares, certamente não milhões.

O total alcança cerca de 60 mil árabes mortos no contexto do conflito árabe-israelense. E entre eles somente alguns milhares eram palestinos, contudo é por eles e somente por eles, que Israel é alvo da ira mundial.
Cada morte árabe ou muçulmana é digna de lamento e é aceitável criticar Israel. Mas a crítica obsessiva e demonista enfatiza um fato muito mais assombroso: o silêncio do mundo, ou pelo menos, um silêncio relativo, em face do extermínio de milhões de muçulmanos por outros muçulmanos e por regimes árabes.

O custo de sangue dos muçulmanos
Deste ponto em diante precisamos perguntar quantos árabes e muçulmanos foram mortos nestes e naqueles mesmos anos em outros países, por exemplo, na Rússia ou na França, e quantos árabes -muçulmanos ou não – foram mortos pelos próprios árabes e muçulmanos. A informação aqui reunida é baseada em vários institutos de pesquisa, corpos acadêmicos, organizações internacionais (como a Anistia e outros organismos de direitos humanos), a ONU e agentes governamentais.
Em muitos casos, as diferentes organizações apresentam números diferentes e contraditórios que alcançam a casa de centenas de milhares e, às vezes, até mesmo de milhões. Provavelmente nós nunca conheceremos os números precisos. Mas mesmo os menores números aceitos, que são a base para os quadros aqui mostrados, apresentam uma imagem subversora e terrível. Acrescento que o tempo é muito exíguo para a computação dos confrontos sangrentos que ainda não foram incluídos neste levantamento, embora estes confrontos pareçam cobrar um tributo mais alto em vidas humanas que todo o conflito árabe-israelense.

Argélia – Poucos anos depois do estabelecimento do Estado de Israel, iniciou-se uma outra guerra de independência. Era a vez da Argélia contra a França, entre os anos de 1954 e 1962. O número de vítimas no lado muçulmano é controverso. De acordo com fontes oficiais, ultrapassou o milhão. Há instituições no Oeste que tendem a aceitar esta cifra. Fontes francesas no passado reclamaram de que os mortos eram apenas 250.000, com um adicional de 100.000l muçulmanos colaboradores dos franceses. Mas estas estimativas são vistas como tendenciosas e baixas. Hoje, está acima de questão de que os franceses mataram por volta de 600.000 muçulmanos. E estes são os franceses que não param de pregar sermões a Israel, este Israel que em toda a história de seu conflito com os árabes, não chegou a alcançar 1/10 daquele número, mesmo sob avaliações as mais rigorosas.
O massacre na Argélia continua. Nas eleições de 1991, a Frente Islâmica de Libertação foi vencedora. O resultado das eleições foram cancelados pelo exército. Desde então uma guerra civil entre o governo central, respaldado pelo exército e movimentos islâmicos, vem assolando o país. De acordo com várias estimativas, cerca de 100.000 vítimas, a maioria das quais, civis inocentes, formam essa trágica contabilidade. Na maioria dos casos ocorreram massacres terríveis de povoações inteiras, onde a carnificina não poupou crianças, mulheres e velhos. Um massacre em nome do Islã.
Sumário da Argélia: de 500.000 à 1 milhão de mortos na guerra de independência; 100.000 mortos na guerra civil dos anos 90.

Sudão: a pior série de crimes – Um país esfacelado por campanhas de destruição, quase todas entre árabes muçulmanos do norte, que tem o controle do país, e o sul, habitado por negros. Lá, duas guerras civis e um massacre está ocorrendo, patrocinado pelo governo no distrito de Darfur. A 1ª guerra civil, abarcou os anos de 1955 à 1972. Estimativas moderadas falam em 500.000 vítimas. Em 1983, o que houve, não foi uma guerra civil, mas um massacre sistemático definido apropriadamente como genocídio. Os objetivos eram islamização, arabização e deportações em massa, que, ocasionalmente, tornavam-se carnificina também, dado o interesse pelo controle sobre gigantescos campos de petróleo. Estamos falando de algo em torno de 1.900 milhão (um milhão e novecentas mil vítimas).
A divisão entre muçulmanos e outras vítimas não está clara. O grande distrito de Noba, habitado por muitos muçulmanos negros foi bem servido com sua porção de horrores. O fato de serem muçulmanos, não lhes garantia nenhum privilégio. Desde a ascensão ao poder do Islã radical, sob a liderança do Dr. Hassan Thorabi, a situação se agravou. Esta provavelmente é a pior série de crimes contra a humanidade desde a II G. M. Falamos de limpeza étnica, deportações, assassinatos em massa, tráfico de escravos, coação forçada às leis do Islã, tirar crianças de seus pais, e muito mais. Ao que se conhece, não existem milhões de publicações sobre o direito ao retono de sudaneses e não há petições de intelectuais negando o direito do Sudão existir.
Os anos recentes contaram tudo sobre Darfur. Novamente muçulmanos (árabes) estão matando muçulmanos (negros) e animistas, e os números não são claros. Estimativas moderadas falam em 200.000 vítimas e as mais altas em 600.000, ninguém sabe com certeza. E a matança continua.
Resumo do Sudão: de 2.6 a 3 milhões de vítimas.

Afeganistão: Aí ocorre um encadeamento ininterrupto de assassinatos em massa – domésticos e externos. A invasão da URSS, iniciada em 24.12.79 e finalizada em 2.02.89, deixou cerca de 1 milhão de mortos. Outra estimativa fala em 1.5 milhão de mortes civis e 90.000 de soldados.
Depois da retirada das forças soviéticas, o Afeganistão passou por uma série de guerras civis e enfrentamentos entre os apoiadores dos soviéticos, os Mojahidin e o Talibã. Cada grupo levava a cabo a doutrina de extermínio em massa de seu oponente. A soma das mortes nessa guerra civil após a invasão das forças de coalizão lideradas pelos EEUU em 2001 é de cerca de 1 milhão de mortos.
Há muitos que acusam, e corretamente, a carnificina ocorrida, como resultado da ofensiva para derrotar o regime Talibã e erradicar a Al- Qaida. Bem, a invasão do Afeganistão causou um número relativamente limitado de mortes, menos de 10.000. Se não tivesse ocorrido, teríamos visto a continuação de um genocídio auto-infligido, com uma média de 100.000 mortes por ano.
Resumo do Afeganistão: de 1 à 1.5 milhão de mortes, como resultado da invasão soviética e cerca de 1 milhão na guerra civil.

Somália: uma guerra civil sem fim.
Desde 1977, este estado muçulmano do leste da África está imerso em uma guerra civil ininterrupta. O número de vítimas é estimado em cerca de 550.000. São muçulmanos matando principalmente muçulmanos. As tentativas da ONU em intervir para a manutenção da paz, acabaram em fracasso, como ocorreu mais tarde com as forças americanas.
A maioria das vítimas não morreu nos campos de batalha, mas como resultado de inanição deliberada e massacres de civis em bombardeios dirigidos à população civil (bombardeios em massa de distritos oponentes, como o bombardeamento de Somalilând, que causou a morte de 50.000).
Resumo da Somália: 400.000 à 550.000 mortes.

Bangladesh: um dos três maiores genocídios.
Este país aspirou a independência do Paquistão. O Paquistão reagiu com uma invasão militar que causou uma destruição em massa. Não era uma guerra. Era um massacre. Entre 1 à 2 milhões de pessoas foram sistematicamente eliminadas em 1971. Alguns pesquisadores definem os eventos como um dos três maiores genocídios da história, depois do Holocausto e de Ruanda.
Uma comissão de inquérito designada pelo governo de Bangladesh, estimou em 1.247 milhões de mortes como resultado dos assassinato sistemático de civis pelas forças armadas do Paquistão.. Há também inúmeros relatos de esquadrões da morte, cujos soldados muçulmanos eram enviados para execuções em massa de lavradores muçulmanos.
O governo do Paquistão só interrompeu aquela matança após a intervenção da Índia, que sofreu com ondas de milhões de refugiados chegando de Bangladesh. Pelo menos 150.000 foram mortos em atos de retaliação após o recuo do exército paquistanês.
Resumo de Bangladesh: entre 1,4 à 2 milhões de mortes.

Indonésia: o massacre iniciado com a rebelião comunista.
O maior estado muçulmano do mundo compete com Bangladesh pelo título duvidoso de ‘ o maior massacre no mundo depois do Holocausto’. A matança começou com o levante comunista em 1965. Existem diferentes indicadores da mortalidade neste caso também. A estimativa melhor aceita fala de 400.000 mil indonésios mortos entre 1965 e 1966, embora avaliações mais rigorosas apontem que o número é mais alto.
O massacre foi perpetrado pelo exército conduzido por Hag’i Mohammed Soharto, que deteve o poder no país por 32 anos. Um pesquisador daqueles anos mostra que a pessoa encarregada de suprimir a rebelião, o general Srv Adei, admitiu : “ Nós matamos 2, não 1 milhão e fizemos um bom trabalho.” Por este depoimento, poderíamos ultrapassar as estimativas mais baixas, que são as mais aceitas.
Em 1975, após o fim do controle português, o Timor Leste anunciou sua independência. Em pouco tempo foi invadido pela Indonésia que controlou a área até 1999. Durante aqueles anos, entre 100.000 e 200.000 pessoas foram mortas, paralelamente à completa destruição de sua infra-estrutura.
Resumo da Indonésia: 400.000 mortos, com um adicional de 200.000 no Timor Leste.

Iraque: a destruição de Saddam Hussein
A maior parte das duas últimas décadas os ‘feitos’ foram de Saddam Hussein. Este é outro caso de um regime que causou a morte de milhões. Morte incessante. O ponto alto, foi na guerra Irã – Iraque, sobre o conflito sobre o rio Shat El Arab, na convergência do Tigre com o Eufrates. Foi um conflito que conduziu a nada mais do que destruição em larga escala e mortes massivas. As estimativas giram em torno de 450.000 e 650.000 iraquianos e entre 450.000 e 970.000 iranianos. Judeus, israelenses e sionistas, tanto quanto se sabe, não estavam por perto.
Ondas de expurgos, alguns deles politicamente motivados (a oposição), alguns étnicos (a minoria curda) e alguns motivados por religião (a minoria sunita no controle, contra a maioria shiíta), ressoaramcom um assustador número de vítimas. As estimativas variam de 1 milhão, segundo fontes locais, a ¼ de milhão, de acordo com o Human Rights Watch. Outros organismos marcam uma estimativa em torno de 1/2 milhão.
Nos anos de 1991 e 1992 houve um levante xiita no Iraque. As estimativas são contraditórias sobre o número de vítimas: entre 40.000 e 200.000. Acrescentando número de iraquianos que foram trucidados, há entre 200.000 e 300.000 mil curdos mortos num genocídio que continuou através dos anos 80 e dos anos 90.
Acima de 1 milhão de iraquianos morreram por doenças devido à falta de medicamentos – resultado das sanções impostas após a Guerra do Golfo. Hoje fica claro que estas foram a continuação do genocídio cometido por Saddam contra seu próprio povo. Ele poderia ter obtido remédios, tinha recursos suficientes para comprar comida e construir hospitais para todas as crianças do Iraque, mas Saddam preferiu construir palácios e distribuir franquias para muitos ocidentais e estados árabes. Estes fatos foram expostos pelo projeto corrupto da ONU ‘Petróleo por Alimentos’.
Os iraquianos continuam sofrendo. A guerra civil os assola – mesmo que alguns prefiram não usar este nome para o massacre mútuo entre sunitas e xiítas – ele está custando dezenas de milhares de vidas. Calcula-se que um número estimado de 100.000 pessoas tem sido mortas desde que as forças de coalizão tomaram o controle do Iraque.
Resumo do Iraque: 1,54 à 2 milhões de vítimas.
Resumo do Irã: 450.000 à 970.000 vítimas.

Líbano, a Guerra civil libanesa – Levada a efeito de 1975 à 1990. Israel envolveu-se em alguns de seus estágios na I Guerra do Líbano, em 1982. Não há discordâncias de que considerável parte das vítimas foram mortas nos dois primeiros anos.
As maiores taxas falam sobre 130.000 mortos, a maioria dos quais foram libaneses mortos por outros libaneses por motivos religiosos e étnicos, e em conexão com o envolvimento da Síria. A Síria transferiu seu apoio por entre os vários partidos no conflito. As mais altas estimativas apontam para algo em torno de 18.000 mortes devidas às ações de Israel, a maior parte dessas sendo de combatentes.
Resumo do Líbano: 130.000 mortos.

Iemen: na guerra civil, de 1962 até 1970, com envolvimento egípcio e saudita, de 100.000 a 150.000 iemenitas foram mortos e mais de 1.000 egípcios e 1.000 sauditas.
Totais do Iêmen: de 100.000 a 150.000 mortes.

Chechênia: a Rússia recusou os reclamos da República da Chechênia por independência, o que conduziu à primeira guerra da Chechênia, de 1994 até 1996. Custou vidas entre 50.000 e 200.000 chechenos. A Rússia empenhou-se muito em negociações, mas falhou clamorosamente. Isto não ajudou os chechenos, porque embora eles ganhassem autonomia, sua república ficou em ruínas.
Total da Chechênia: entre 80.000 e 300.000 mortes.

Pequenos confrontos
Da Jordânia a Zanzibar: somando-se às guerras e massacres, houve pequenos confrontos que custaram a vida de milhares e dezenas de milhares de muçulmanos e de árabes mortos por muçulmanos e árabes. Estas confrontações nem foram levadas em conta nos quadros aqui apresentados, porque, relativamente falando, os números são pequenos, embora sejam de longe maiores que os números de vítimas dos conflitos árabe- israelense. Aqui, alguns deles:
Jordânia: de 1970 até 1971 os tumultos do Setembro Negro tiveram lugar no Reino Hashemita da Jordânia. O Rei Hussein estava farto do uso que os palestinos faziam do país e de sua ameaça de tomar-lhe o controle. A confrontação, principalmente um massacre levado a efeito nos campos de refugiados, levou milhares de vidas. De acordo com estimativas fornecidas pelos próprios palestinos, foram entre 10.000 e 25.000 mortes. De acordo com outras fontes, uns poucos milhares.
Chad: metade da população do Chad é muçulmana. Em várias guerras civis, cerca de 30.000 civis foram mortos.
Kosovo: na principal área muçulmana da Iugoslávia, cerca de 10.000 foram mortos na guerra entre 1998 e 2000.
Tajikistão: a guerra civil de 1992 à 1996 deixou 50.000 mortos.
Síria: a sistemática perseguição de Hafez Assad contra a Irmandade Muçulmana terminou com o massacre da cidade de Hana, em 1982, custando a vida de 20.000 pessoas.
Irã: milhares foram mortos no início da revolução de Khomeini. O número exato é desconhecido, mas há algo entre milhares e dezenas de milhares. Os curdos também sofreram nas mãos do Irã e cerca de 10.000 deles ali foram mortos.
Turquia: cerca de 20.000 curdos foram mortos, no conflito que lá acontece.
Zanzibar: nos idos de 1960 foi concedida às ilhas a independência, mas apenas por pouco tempo. Primeiramente os árabes estiveram no poder, mas um grupo de negros constituído na sua maioria por muçulmanos massacrou o grupo árabe, também muçulmano, em 1964. A estimativa é de que entre 5.000 e 17.000 foram mortos.

Assim mesmo este não é o fim da lista. Houve mais conflitos com um número de vítimas desconhecido nas repúblicas da antiga União Soviética, com populações de maioria islâmica (como a guerra entre o Azerbaidjão e a Armênia sobre Nagurno Karabch), e um controverso número de muçulmanos que foram mortos em populações mistas da África, como a Nigéria, Mauritânia ou Uganda (nos anos do reinado de Idi Amin Dada que começou em 1971, cerca de 300.000 ugandenses foram mortos. Amin definia a si mesmo como muçulmano, mas em contraste com o Sudão, é difícil dizer que o pano de fundo da matança tenha sido muçulmano, e certamente não foi árabe).

“ Destruir a entidade sionista”
A tudo acima, pode-se acrescentar estes dados: a maioria dos árabes mortos no quadro do conflito árabe-israelense, o foram como resultado de guerras instigadas pelos árabes pela recusa de reconhecer a decisão da ONU com respeito ao estabelecimento do Estado de Israel, ou a sua negativa de reconhecer o direito dos judeus de se auto-definirem em um país.
O número de israelenses mortos pela agressão árabe esteve relativamente longe dos números de árabes mortos. Na guerra de independência, por exemplo, mais de 6.000 israelenses de uma população total de 600.000 foram mortos. Isto significa 1% da população. Em comparação, as mortes árabes na guerra contra Israel vieram através de sete países. Cujas populações já ascendiam à casa das dezenas de milhões. Israel não sonhava, não pensava e não queria destruir nenhum estado árabe. Mas a meta ostensiva dos exércitos atacantes era “liquidar a entidade judia”.

Obviamente, nos anos recentes, as vítimas palestinas receberam a esmagadora atenção da mídia e da academia. Nos fatos de Gaza, eles cobrem apenas um pequeno percentual da totalidade da soma das vítimas. A totalidade de palestinos mortos por Israel nos territórios alcança vários milhares, 1.378 na primeira Intifada e 3.700 desde o início da segunda Intifada.
Isto é menos, por exemplo, do que as vítimas muçulmanas massacradas pelo anterior presidente da Síria , Hafez Asssad em Hama, em 1982. Isto é menos do que o rei Hussein massacrou em 1971. Isto é menos do que o número dos que foram mortos em um único massacre dos bósnios muçulmanos pelos sérvios em 1991, em Srebenica, um massacre que deixou 8.000 mortos.
Cada pessoa morta é algo deplorável, mas não há maior calúnia do que chamar as ações de Israel de ’genocídio’. E mesmo assim, o tópico ‘Israel’ e ‘genocídio’ no site de busca Google, conduz a 13.600 milhões de referências. Ao digitar ‘Sudão’ e ‘genocídio’ você obterá menos de 9 milhões de resultados. Estes números, se assim estiver disposto, sâo a essência da grande fraude.

Nada iluminista, tampouco brutal
Um outro fato: desde a II G.M., o conflito Israel – palestinos é o conflito nacional com o mais baixo número de vítimas, mas que ganhou o maior número de publicações hostis a Israel na mídia e na academia.
Pelo menos meio milhão de argelinos morreram durante a ocupação francesa. Um milhão de afegãos morreu durante a ocupação soviética. Milhões de muçulmanos e árabes foram mortos e trucidados nas mãos dos próprios muçulmanos. Mas o mundo inteiro parece estar a par de Mohamed al-Dura (cuja morte foi lamentável, mas sobre a qual permanecem dúvidas se realmente foi morto por fogo israelense).
É possível e aceitável criticar Israel. Mas a crítica excessiva, obsessiva e, ás vezes, antissemita, serve também como acobertamento e, em alguns casos, como aprovação do genocídio de milhões de outros.
Ocupação não é humanismo e não pode ser iluminista. Mas se tentarmos criar alguma escala de ‘ocupação brutal’, Israel ficará por último. E Isto não se trata de opinião.
E o que poderia ter acontecido aos palestinos, se em vez da ocupação israelense, estivessem sob ocupação iraquiana? Ou sudanesa? Ou mesmo francesa ou soviética? É altamente provável que teriam sido vítimas de genocídio, na pior das hipóteses, e de assassinatos em massa, expurgos e deportações na melhor delas.
Mas por felizmente para eles, se assim se pode falar, estão sob a ocupação de Israel, e eu repito, mesmo se não exista algo como ‘ocupação iluminista’ e mesmo que seja aceitável e possível criticar Israel, não existe e nunca existiu uma ocupação com tão poucas perdas de vida (certamente há outros danos não manifestados nos números de mortes, como o problema dos refugiados, que serão discutidos posteriormente).

Na tela ética da televisão
Então, por que a impressão do mundo é a oposta? Como acontece de não haver conexão entre fatos e números e a tão demoníaca imagem de Israel no mundo?
Há muitas respostas. Uma delas é que a ética ocidental tornou-se a ética das câmaras de televisão. Se um terrorista palestino ou um homem do Hizbolah tenta disparar um foguete no meio de uma vizinhança civil e Israel retalia, causando a morte de duas crianças, haverá um sem fim de manchetes e artigos pelo mundo dizendo que “Israel mata crianças”. Mas se aldeias inteiras são destruídas no Sudão ou cidades inteiras são arrasadas na Síria, não haverá câmeras de televisão na área.
Assim, de acordo com a moral televisiva, José Saramago e Harold Pinter assinam petições protestando contra o ‘genocídio’ e ‘crimes de guerra’ perpetrados por Israel. Eles também nunca leram a Convenção de Genebra. Provavelmente não sabem que, exceto por pouquíssimas exceções, os atos de Israel contra alvos militares que colateralmente atingem civis, são permitidos pela Convenção de Genebra (protocolo 1, parágrafo 52.2). E, pelo fato dessas pessoas estarem tão submersas na moralidade da televisão, elas não assinarão nenhuma petição em protesto pelo genocídio de muçulmanos contra muçulmanos. O assassinato pelo assassinato. A eles é permitido isto.
A ética da televisão é uma tragédia para os próprios árabes e muçulmanos. Israel paga caro por causas dela, mas os árabes e muçulmanos são as suas reais vítimas. E a continuar a moralidade das telas e monitores, os árabes e muçulmanos continuarão a pagar o preço.

Epílogo
Há os que reclamam que os estados árabes e muçulmanos estão imunes à critica porque não são democráticos, mas Israel é mais merecedor de críticas por ter pretensões democráticas. Clamores como estes constituem em orientalismo no que tem de pior. A suposição encoberta é a de que os árabes e muçulmanos são as crianças atrasadas do mundo. A eles é permitido. Isto não só é orientalismo. Isto é racismo.
Os árabes e muçulmanos não são crianças, e não são retardados. Muitos árabes e muçulmanos sabem disto e escrevem a respeito. Eles sabem que somente o fim desta auto-ilusão e uma tomada de responsabilidade, conduzirá a mudanças. Eles sabem que enquanto o Ocidente os tratar como desiguais e irresponsáveis, estará promovendo não só uma atitude racista, mas também, e principalmente, a continuação dos assassinatos em massa.

O genocídio que Israel não está cometendo, o que é completamente injurioso, esconde o verdadeiro genocídio, o silencioso genocídio que os árabes e muçulmanos estão realizando, principalmente contra eles mesmos. A calúnia tem que parar para que se possa prestar atenção na realidade. É do interesse dos árabes e muçulmanos. Israel paga em imagem, o que eles pagam em sangue. Se alguma moralidade restou ao mundo, esta teria que ser em benefício de quem, seja ele quem for, tiver um pingo dela em si mesmo. E, se tal acontecer, será uma novidade pequena para Israel e grande, a maior das notícias para árabes e muçulmanos.


jan 21 2009

Aviso Importante: Não alimente o PIG, seja a mídia

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 19:00

Do Blog do Mello:

Seja em suas páginas de papel ou na internet, todo dia a mídia corporativa, a tal “grande imprensa”, os jornalões e vejas da vida lhe pedem alguma coisa: querem que você envie uma foto de um acontecimento que presenciou, que dê sua opinião em enquetes, que escreva, que denuncie. Ou seja, que os ajude na pauta ou na cobertura das notícias. Tudo isso de graça.

No entanto, eles não lhe oferecem nada de graça. Você tem que comprar o jornal ou a revista nas bancas ou assiná-los. Tem que pagar ao provedor para ter acesso ao conteúdo online. Se não for assim, eles só lhe oferecem notícia velha, como pão dormido, que na internet não serve nem para embrulhar peixe.

Então, por que colaborar com eles de graça, se lhe cobram por tudo? Se você gosta de notícias, seja a mídia. Crie seu blog (é de graça e é facílimo) e espalhe pela internet suas fotos, suas reportagens e opiniões sobre o que lhe motiva.

Não alimente o PIG, porque, além de utilizarem seu trabalho de graça (e com isso desvalorizarem o mercado dos jornalistas – perguntem aos fotógrafos profissionais sobre isso), eles ganham dinheiro com ele duas vezes: quando cobram pelo conteúdo que conseguiram de graça de você e quando revendem o material para outras agências nacionais e internacionais, sem lhe repassar uma migalhinha sequer.

Não acredita? Repare no que está escrito no contrato que o portal do Globo, por exemplo, pede que seja assinado pelo candidato ao que eles chamam de “Eu repórter”. Todos os que enviam fotos, vídeos ou matérias têm que assiná-lo.

Confira aqui (você já vai ter que fornecer um e-mail válido, pra começar) e depois leia a íntegra do “termo de compromisso”, que vou resumir a seguir.

Primeiro, definem o projeto:

“Eu-Repórter” é a seção de jornalismo participativo do site O Globo, através da qual os leitores interessados, após avaliação editorial, seguindo os critérios da Infoglobo, poderão ter textos, fotografias, ilustrações, áudios e vídeos, de sua autoria, e desde que tenham conteúdo noticioso, publicados no site e em veículos de imprensa da Infoglobo e/ou das demais empresas que compõem as chamadas Organizações Globo.

Aí vem a parte do leão (a deles), onde lhe informam o tamanho do direito que você está cedendo a eles, repito, de graça (os grifos são meus).

3. – Cessão de Direitos – Pelo presente termo, o colaborador devidamente identificado e cadastrado no endereço eletrônico www.oglobo.com.br transfere à Infoglobo, a título gratuito e por prazo indeterminado, os direitos sobre as obras artísticas, fotográficas, audiovisuais e literárias que tenha encaminhado para o Projeto “Eu-Repórter”, autorizando a sua utilização e reprodução, total ou parcial, em qualquer mídia ou meio físico, visual ou sonoro, inclusive eletrônico, cabo, fibra ótica, satélite, ondas e quaisquer outros existentes ou que venham a existir [querem ganhar até sobre o que ainda não existe!], e compreendendo, exemplificativamente, as seguintes atividades: publicação, comunicação, reprodução, divulgação (inclusive em seus produtos e campanhas de propaganda e de publicidade), oferta a terceiros (inclusive pela internet), exposição, edição, reedição, emissão, transmissão, retransmissão, comercialização, distribuição, circulação, tradução para qualquer idioma (com ou sem legendas), realização de versões e derivações, restauração, revisão, atualização, adaptação, inclusão em produção audiovisual, radiodifusão sonora e visual, exibição audiovisual e por processo análogo, inclusão em base de dados, armazenamento em computador, microfilmagem e demais formas de armazenamento do gênero.

3.1. O colaborador cede e transfere à Infoglobo, em caráter exclusivo, definitivo, irrevogável, irretratável e sem qualquer ônus, todo e qualquer direito patrimonial de autor relativo ao material encaminhado ao Projeto “Eu-Repórter”, para utilização em território nacional e no exterior, concordando com que a obra cuja titularidade declara deter seja utilizada em associação com outros textos, títulos, documentos, gráficos e demais materiais de propriedade da Infoglobo, sendo possível a alteração do formato de textos, por exemplo, desde que inalterado o conteúdo principal.

3.2. O colaborador concorda e aceita que, em decorrência da cessão de direitos patrimoniais em questão, a Infoglobo transmita a terceiros, do seu grupo econômico ou não, os direitos ora cedidos, por cessão ou concessão, total ou parcialmente, de forma gratuita ou onerosa, mas sempre para as finalidades constantes da cláusula 3 supra.

Agora vem a parte mais incrível do contrato. Repare só:

3.3. A exclusividade de que se investe a Infoglobo será oponível mesmo contra o próprio colaborador, que não poderá reproduzir a obra cedida ao Projeto “Eu-Repórter” por qualquer forma ou a qualquer título, notadamente publicá-las, fornecê-las e comercializá-las a terceiros, a não ser para fins particulares e de caráter não econômico.

Você perde até o direito de publicar aquilo que originalmente era seu, e que deixou de ser, e, portanto, você poderá ter até que pagar para ter acesso a ele.

Queria que advogados esclarecessem: se isso não é roubo, é o quê?

Não vale dizer que não é roubo porque o sujeito concorda com o contrato quando o assina. A maioria das pessoas não o lê, às vezes até por dificuldade de leitura, deficiência de educação escolar, e assina apenas para ter sua foto exibida no jornal ou no portal. Não seria, pelos menos, abuso da boa fé das pessoas?

Portanto, meu caro, use como lema aquele anúncio dos zoos: não alimente os animais, no caso, o PIG. Seja a mídia, ou então colabore com aqueles que distribuirão seu material da mesma forma que o receberam: gratuitamente e com o crédito de sua autoria.


jan 20 2009

Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 18:35

Eduardo Galeano, via  RS Urgente

Este artigo é dedicado a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latinoamericanas que Israel assessorou.

Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los. Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada.

Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina. Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.

Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.

Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente ao País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos? O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror.

As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki. A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro? Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais.

Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.



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