mai 31 2009

O que eles farão?

Categoria: Internacional,Mídia,Política,Senhor do ServoSenhor_do_Servo @ 18:16

A UNESCO noticiou recentemente que:O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido nesta quarta-feira, 13, para receber o Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny 2008, da UNESCO. A cerimônia de premiação está marcada para julho.

Ao anunciar a decisão, o integrante do júri do prêmio e ex-presidente de Portugal Mario Soares declarou: “Decidimos conceder o Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny a Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República do Brasil, por suas ações em busca da paz, do diálogo, da democracia, da justiça social e da igualdade de direitos, assim como por sua valiosa contribuição para a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos das minorias”.

Criado em 1989, o prêmio homenageia anualmente pessoas, organizações e instituições que tenham contribuído significativamente para a promoção, a pesquisa, a preservação e a manutenção da paz em conformidade com a Carta das Nações Unidas e a Constituição da UNESCO. Além de Mário Soares, também integram o júri personalidades como o ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger, presidente do grupo, e o Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel.

Entre os nomes já homenageados pelo prêmio estão Nelson Mandela, Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Yasser Arafat, rei Juan Carlos da Espanha, o presidente senegalês Abdoulaye Wade e os ex-presidentes dos EUA Jimmy Carter e da Finlândia Martti Ahtisaari. Muitos dos premiados pela UNESCO receberam, posteriormente, o Nobel da Paz.

Vou fazer duas perguntas: a primeira é o que aconteceria se o FHC tivesse ganho este prêmio? Simples: haveria o maior rebu, como de fato houve, embora surpreendentemente o mesmo não se tenha repetido quando o Lula ganhou o mesmo prêmio.

A segunda é mais complicada: o que a mídia fará QUANDO nosso presidente ganhar o Nobel da Paz? Aí não poderão esconder o fato, como fizeram por ocasião da premiação da Unesco. Então o que farão? Já até sei: tentarão desqualificar o Prêmio, como se não fosse o da Paz, justamente o que o próprio Alfred Nobel considerava mais importante. Aguardem para ver: eu ainda linkarei este post para comentar a ação da mídia brasileira, quando o Lula for laureado…

E por falar em premonição, o meu dia dos namorados será um inferno e inferno serão as três semanas seguintes. Aí julho  chegará e será outro mês de inferno, até que agosto chegue, mas aí será outro inferno… Cadê céu na minha vida?

Tags: , , ,


mai 31 2009

Rohypnol nelas, Serra!

Categoria: Cultura,Educação,Mídia,Poesia,Política,Senhor do ServoSenhor_do_Servo @ 09:06

Quer ler a tal poesia que o governo do estado de São Paulo (José Serra, PSDB) está indicando para as crianças da TERCEIRA SÉRIE?  Ela está aqui embaixo, pode ir dar uma conferida. Aproveite também e clique aqui, para ler uma análise isenta e bem feita do caso.

Mas a análise que melhor analisa  o conjunto da obra do malfadado José Pedágio, o infeliz que que a mídia golpista quer, a todo custo, ver presidente do Brasil, é a do Paulo Henrique Amorim, aqui. Todavia, leia o poema, repleto de ironia e julgue você mesmo (mesma) se é aadequado para uma criança de 9 anos.

Em resumo, é como me disse uma amiga de outros carnavais (Jackie, te adoro, enjoo) “São Paulo evoluiu do Estupre mas não mate do Maluf para o Não ame, estupre , do Serra“.  Pois é…

Manual de auto-ajuda para supervilões

Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica.
É melhor não deixar testemunhas.

Não vá se entusiasmar e matar sua mãe.
Até mesmo supervilões precisam ter mães.

Se recuse a mamar no peito. Isso amolece qualquer um.

Não tenha pai. Um supervilão nunca tem pai.

Afogue repetidas vezes seu patinho de borracha na banheira,
assim sua técnica evoluirá.
Não se preocupe. Patos abundam por aí.

Escolha bem seu nome. Maurício, por exemplo.

Ou Malcolm.

Evite desde o início os bem intencionados. Eles são super-chatos.

Deixe os idiotas uivarem. Eles sempre uivam, mesmo quando não
podem mais abrir a boca.

Odeie. Assim, por esporte.
E torça por time nenhum.

Aprenda a cantar samba, rap e jogar dama. Pode ser muito útil na cadeia.
Principalmente brincar de dama.

Ginga e lábia, com ardor. Estômago em lugar de coração,
pedra no rim em vez de alma.

Tome drogas. É sempre aconselhável ver o panorama do alto.

Fale cuspindo. Super-heróis odeiam isso.

Pactos existem para serem quebrados. Mesmo que sejam com o diabo.

Nunca ame ninguém. Estupre.

Execre o amável. Zele pelo abominável.

Seja um pouco efeminado.
Isto sempre funciona com estilistas.

Joca Reiners Terron

Chafurdando na lama da educação tucana, descobre-se facilmente que o tal livro que contém a poesia foi publicado pela editora Ática, que por sua vez pertence a Editora Abril, a qual publica a Veja e a Nova Escola, revista da qual foram feitas não mil, mas 220 mil assinaturas não solicitadas para os professores da rede pública do estado de São Paulo. Por que não a Carta Capital na escola? E por que o livro com a tal poesia? Ele não foi lido por ninguém? Bastou pertencer a Editora Abril para ser comprado?

Outra pergunta que não quer calar é por que a Educação paulista é tão ruim? Vejam vocês que segundo  Michel Arbache (conforme matéria publicada aqui, no Portal do Luís Nassif, aqui)a escola estadual paulista mais bem posicionada no ranking do Enem está numa longínqua 2.596ª posição“.

Se você acha que alunos que se formam analfabetos, educação de péssima qualidade, professores “substitutos” sem direito algum, greves em universidades públicas, livros com dois Paraguais, ou sem Equador e Bolívia, ou com pornografia, incitação ao crime e apologia ao PCC  são tudo o que o Serra fez para a educação paulista, recomendo que você leia o Blog do Chicão. Lá ele se deida a explicar melhor como anda o descalabro…

Ah, mais uma. Os defensores da tucanada incompetente, diante da impossibilidade de defenser o indefensável, já arrumaram uma estratégia: tudo isso que vem acontecendo seria, na verdade, culpa d euma suposta conspiração petista. Para desfazer, já de cara, as mentiras dessa gente (?!?) é só clicar no currícuulo da “educadora” responsável por esta brincadeira, Iara Prado, aqui, e descobrir que ela vem voando junto com os tucanos desde Franco Montoro. Então o problema não é a sabotagem não, meus caros, é a incompetência, o descuido e o desmanzelo mesmo.

Ah, e você quer ver a folha corrid, ops, o currículo, do secretário da Educação do Serra?  Clique aqui! Já se o seu objetivo for ter uma idéia da promiscuidade entre o Serra e a Abril, clique aqui.

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,


mai 30 2009

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?

Categoria: PoesiaSenhor_do_Servo @ 18:20

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso – e se me quebro?
Eu sou tua água – e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.

Rainer Maria Rilke


mai 29 2009

A CPI da Petrobras e o tiro no pé dos tucanos

Categoria: Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 09:42

bessinha09876.jpg

O posto original é do Idelber Avelar, d’O Bicoito Fino e a Massa:

Cena 1. Belo Horizonte, 17 de maio de 2009, churrasco de classe média. Surge o tema Petrobras. As diatribes se repetem com tremenda virulência: E essa roubalheira na Petrobras?, e esse cabide de empregos da Petrobras?, e por que a gasolina não é mais barata? Um dos presentes aproveita uma brecha e lança a pergunta: pessoal, qual era o valor de mercado da Petrobras em 2002 e qual é o valor dela hoje? Silêncio sepulcral. Não tinham sequer um número para chutar. Sentindo que havia encaixado um jab, o visitante incômodo lança mais uma pergunta: pessoal, como se chama mesmo o presidente da Petrobras? Outro silêncio desconfortável de uns 20 segundos. Com duas simples perguntas, desnudava-se a ignorância da República Morumbi-Leblon-Belvedere, eterna repetidora dos factoides Globo-Veja. O visitante incômodo decide não tripudiar e deixa que o silêncio faça seu trabalho.

Cena 2. Belo Horizonte, 15 de maio de 2009. Algumas horas antes da aprovação da CPI da Petrobras, o humilde zelador de um prédio ajuda um professor universitário expatriado a recarregar a bateria de seu Escort, parado há meses. Conversa vai, conversa vem, o zelador dispara: Professor, esses caras aí que estão implicando com a Petrobras não são os mesmos que queriam vender ela uns tempos atrás? Confirmando, ao ouvir essa pergunta, que o poder de manipulação da mídia brasileira é cada vez menor, o dono do Escort retruca: Sim, seu Damasceno, são os mesmos filhos da puta que queriam vendê-la.

Em janeiro de 2003, na transição de FHC para Lula, o valor de mercado da Petrobras era 15 bilhões de dólares. José Eduardo Dutra assumiu então a presidência, deixando a empresa em junho de 2005 com um valor de mercado de 54 bilhões. Em 2006, já sob a presidência de Sergio Gabrielli, o valor da Petrobras era 70 bilhões. Em novembro de 2007, a Petrobras valia 222 bilhões de dólares.

Em 2006, o Brasil alcançou a autossuficiência em petróleo e a Petrobras bateu o recorde latinoamericano de lucros. Em 2007, realiza-se no Brasil a maior descoberta petrolífera do planeta nos últimos 30 anos. Em 2008, a Petrobras já era a terceira mais lucrativa da América. Em 07 de maio de 2009, 8 dias antes dos tucanos aprovarem sua CPI, a Petrobras havia saltado do octogésimo-terceiro para o quarto lugar entre as empresas mais respeitadas do mundo. tucano_brax.jpg

Os tucanos não conseguiram privatizar a Petrobras, mas conseguiram quebrar o monopólio estatal, com a famigerada lei 9.478/97. Os que têm idade suficiente para se lembrar de 1995 recordarão a intensa campanha de difamação de que a estatal foi vítima, incluindo-se, claro, a indefectível “reportagem” da Veja, com 10 páginas de calúnias que não respeitaram sequer o direito de resposta, mesmo como matéria paga. Em 1999, FHC substituiu seis diretores da Petrobras no Conselho de Administração por seis conselheiros do setor privado, em mais uma tentativa de preparar o terreno para a privatização. Além de quebrar o monopólio estatal, a gestão tucana vendeu 36% das ações da Petrobras na Bolsa de Nova York por menos de 10% do seu valor real. Fixou a participação da União na produção de petróleo entre 10% e 40%, enquanto os países exportadores têm a média de 84% de participação. As informações contidas neste parágrafo estão disponíveis na leitura que o Biscoito mais enfaticamente recomenda sobre o assunto, a entrevista do presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira, concedida em janeiro, na qual ele já previa o rumo dessa campanha entreguista.

Não gosto de fazer previsões em política, mas acho que o PSDB acaba de dar o maior tiro no pé da sua curta história. A Petrobras ocupa, no imaginário do povo brasileiro, um lugar incomparável ao de qualquer outra estatal, mesmo o Banco do Brasil. Temos orgulho dela. Fizemos, faz muito pouco tempo — 50 anos, em história, não é nada –, uma campanha gigantesca para defender nosso petróleo. O PSDB, de olho nas eleições – e o papel de um partido político é ficar de olho nas eleições, não há nada de errado nisso –, acaba de criar as condições para ser definitivamente associado ao entreguismo. Nessa marcha, a expressão social democracia na sigla tucana soará tão irônica como o novo nome escolhido pelas oligarquias pefelês para sua agremiação. A pergunta do Seu Damasceno, feita enquanto ele me ajudava com a bateria do carro, me encheu de esperanças e energias. A política vale a pena. É o nosso patrimônio que está em jogo.
PS 1: Um blogueiro que muito admiro, Alon Feuerwerker, sugere, em seu mais recente post, que CPIs são instrumentos de luta política, que pouco têm a ver com motivos reais. Corretíssimo. Alon também sugere que, estivessem invertidos os papeis, o PT assinaria o requerimento de CPI. Talvez. Mas o fato inconteste é que há um conjunto de forças políticas que trabalharam e trabalham pela privatização do patrimônio público. E há um outro conjunto que, com todos os problemas, têm mantido e ampliado esse patrimônio. Confio que essa importantíssima diferença não passará despercebida à sagaz inteligência de Alon, que assina um blog cujo lema é um ponto de vista democrático, nacional e de esquerda.

PS 2: O blogueiro Eduardo Guimarães, do Movimento dos Sem Mídia, está articulando um protesto em frente à sede do PSDB em São Paulo. Esse protesto terá a colaboração e o apoio d’ O Biscoito Fino e a Massa.

PS 3: As charges vêm, respectivamente, daqui e daqui.


mai 29 2009

Uma campanha burra e alienada

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 06:12

De Idelber Avelar, d’O Biscoito Fino e a Massa

Acho que não uso a palavra “alienação” desde minha época de militância trotskista. Mas não há outro termo para definir essa irresponsável campanha disseminada na internet por Daniela Thomas e Marcelo Tas. É a alienação e o conformismo em sua típica versão Morumbi-Leblon: quero mudar tudo o que está aí, desde que eu não tenha que me dar ao trabalho de procurar informação ou tirar as pantufas. “Não reeleja ninguém” significa: Tire todos os 513 deputados de lá e coloque outros 513 que exercerão seus mandatos sem serem incomodados. Assim você poderá passar mais quatro anos vociferando indignação vazia e repetindo a cantilena de que todos os políticos são corruptos, enquanto fura mais uma filinha, sonega mais um imposto e joga mais uma embalagem de Doritos pela janela do seu Toyota Camry.

Fiz uma busca no Google. Há 6.650 ocorrências da sandice. A única coisa coerente que encontrei foi o texto de Marcelo Soares, Saiba por que a campanha “Não reeleja ninguém” é de uma burrice atroz. O resto é bateção de lata sem qualquer raciocínio que vá além do quero acabar com todos esses políticos que estão aí.

Um jornalista esportivo adere à campanha. Logo depois, demonstra ter mais de dois neurônios lançando a pergunta: se não reelegermos ninguém, vamos eleger quem? Não consegue encontrar uma resposta para a pergunta que ele próprio formulou, mas mesmo assim mantém o selinho da campanha. É o retrato da pobreza política da nossa classe média.

Um profissional da área de Direito adere à campanha. Tampouco demonstra convicção, mas afirma que isso compensaria a decisão do STF que permitiu a candidatura de políticos com “ficha-suja”. O que se está chamando “ficha-suja” aqui não é a existência de sentenças condenatórias transitadas em julgado. É a existência de um processo em trâmite. Era só o que nos faltava: proibir a candidatura de quem está sendo processado. Se você quisesse eliminar a candidatura de alguém, bastaria inventar um motivo e processar o sujeito. Até que você perdesse o processo, a candidatura estaria impugnada. Como é possível que um profissional do Direito seja incapaz de fazer esse raciocínio?

Como afirmei no Twitter, a campanha “Não reeleja ninguém” é típica de quem não se lembra em quem votou. Minha Deputada Federal, Jô Moraes (PC do B), não está revolucionando a Câmara, mas está honrando seu mandato. Recebo semanalmente um informativo detalhado. Ela trabalha agora na emenda à Constituição 438/01, que expropria terras onde houver trabalho escravo. O escritório político de Jô em Belo Horizonte fica ali no Santo Agostinho, na Rua Araguari, 1685/05. Está em funcionamento permanente. Nunca deixo de ser atendido pela sua assessora de imprensa, Graça Gomes. Qual desses indignados sabe o que anda fazendo o seu Deputado? Qual desses indignados lembra-se sequer em quem votou?

Que tal, indignados, lançar a campanha “Não reeleja nenhum membro da bancada ruralista“? Que tal “Não reeleja donos de concessões de rádio e televisão“? Que tal, Daniela Thomas, uma campanha “Não reeleja membros da bancada evangélica“, esse grupo em guerra permanente contra a saúde das mulheres? Ah, isso dá muito trabalho, né? Tem que pesquisar, ir atrás, essas coisas. É mais fácil vociferar contra tudo o que está aí.

A campanha “Não reeleja ninguém” ganhou bastante ímpeto com o colapso do gabeirismo. Despolitizado até a medula, o gabeirismo só tinha o discurso da “ética” — entre aspas e em minúscula, claro, porque não há nada ali que tenha muito que ver com esse ramo da Filosofia. Com a história das passagens aéreas, o que mais se encontra nas caixas de comentários do “Não reeleja ninguém” é gabeirista desiludido. Não lhes ocorre pensar que o problema não é Gabeira, nem Zé Dirceu, nem Delúbio, e sim um modelo de compreensão da política que a reduz completamente à cantilena moralizante.

Sim, é evidente que há muita coisa que se moralizar no Congresso. Discutir qual é a reforma política que nos possibilitaria ter partidos fortes e representativos, reduzindo assim o fisiologismo e as negociatas, são outros quinhentos. Para essa discussão, não contemos com as Danielas Thomas e Marcelos Tas. Eles não estão interessados nisso. Essa discussão dá muito trabalho e nela ninguém pode posar de vestal da pureza.

P. S. Meu:

EU SEMPRE USO POSTS NA ÍNTEGRA OU PRÓXIMO DISSO, PARA NÃO DESCONTEXTUALIZAR PALAVRAS QUE NÃO SÃO MINHAS.

E IDELBER, NÃO JUSTIFICA MAIS EXPLICA: EU POSTEI BEM CEDINHO, ANTES DE IR TRABNALHAR E SÓ AGORA PUDE CITÁ-LO. MAS OS LINKS INDIRETOS REMETIAM TODOS AAO SEU BLOGUE, MAS MESMO ASSIM ME DESCULPE. É QUE MEU BLOGUE É MAIS UM ESPAÇO PARA MEUS ALUINOS SE INFORMAREM DO QUE QUALQUER OUTRA COISA E ELES PODEM SER RESISTENTES QUANTO A LINKS…


mai 28 2009

A teocracia iraniana

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 18:19

Wálter Fanganiello Maierovitch No Irã, o guindaste passou também a ser usado nos enforcamentos. E o corpo do condenado permanece durante horas pendurado nas alturas. Uma exibição pública de origem medieval, voltada para difundir o medo. Entre os 192 Estados membros da ONU, o Irã é o segundo que mais promove a execução da pena capital. A China está em primeiro lugar, detém o recorde de 5 mil mortes, apenas em 2006.

Por ocasião da Assembleia-Geral das Nações Unidas de 18 de dezembro de 2007, o Irã refutou a resolução da moratória sobre a pena capital. Ficou ao lado de outros 54 Estados membros, a incluir Israel e EUA, onde 38 estados federados adotam tal pena.

A moratória acabou aceita por 104 países e 29, entre os presentes, abstiveram-se de votar. Hoje, 59 países mantêm a pena capital, e 25 executam rotineiramente essa forma de “homicídio legal”. No planeta, 2008 fechou o ano com 2.390 execuções de condenados.

A situação iraniana agrava-se pelo fato de a maioridade estar estabelecida em 9 anos de idade para as mulheres e em 15 anos para os homens. Portanto, uma criança do sexo feminino de 9 anos pode ser enforcada. Também poderá casar-se, daí a ocorrência, na visão ocidental, dos chamados matrimônios sob coação. E são muitos no Irã.

Não surpreendeu ter o Irã aderido à Convenção da ONU sobre Direitos da Infância. É que a redação dada ao artigo 49 da supracitada convenção não mudava as suas regras. Segundo o artigo 49, veda-se a aplicação de pena de morte para quem cometeu crime quando menor de idade. Ora, nada mudou, pois na aplicação da sharia xiita, não são executados menores de idade.

Até o fechamento desta coluna, 150 iranianos com menos de 18 anos aguardavam no corredor da morte a chamada dos carrascos incumbidos da preparação dos enforcamentos. Em 2008, o Irã enforcou oito menores de 18 anos. Quando da guerra contra o Iraque de Saddam Hussein, 80 jovens condenados à morte puderam trocar a pena pelo combate, no papel de “bucha de canhão”.

Por outro lado, os presídios iranianos encontram-se abarrotados, e os presos em condições desumanas. A Amnesty International alertou que “entre os reclusos estão acusados por crimes de opinião, políticos, homossexualismo e adultério”. Pior, o mesmo juiz que investiga é, como regra, aquele que julga. E não precisa julgar conforme as provas.

A jornalista Zahra Kazemi, com dupla nacionalidade (iraniana e canadense), ficou incomunicável durante cinco anos no temido cárcere de Evin, reservado a presos políticos e localizado na periferia de Teerã. Em 2003, comunicou-se ter sido encontrada morta na cela. No mesmo cárcere, está a jornalista Roxana Saberi, de 32 anos, e a ativista de direitos humanos Esha Momeni, de 28. Ambas possuem dupla cidadania (iraniana e norte-americana) e se encontram condenadas por espionagem, em processos “armados” para exploração política.

Há pouco mais de três meses, Roxana fora presa em flagrante com uma garrafa de vinho comprada de contrabandista. Para a sua surpresa, a acusação mudou para espionagem, pois a sua licença de jornalista não havia sido renovada pelo Ministério da Cultura e a Guarda do Islamismo; e ela atuava como freelancer.

Roxana, de mãe japonesa e pai iraniano, fugiu, em 1979, para os EUA, em face da Revolução Islâmica. Já foi miss Dakota do Norte (1998) e esteve em greve de fome. Ressabiado, o pai fala em profunda depressão. Em Paris, a organização Repórteres Sem Fronteira promove manifestações em favor de Roxana.

As jovens são permanentemente vigiadas pela polícia de proteção aos bons costumes, da qual provém Ahmadinejad. São presas por participar de festas clandestinas, ingerir bebida alcoólica, escutar música americana e “namoros expansivos”. Na reincidência, os pais são responsabilizados.

Em 1º de maio, apesar das pressões internacionais, realizou-se o enforcamento da pintora Delara Darabi, de 23 anos. A acusação era de ter matado a prima, de 58. Na ocasião, Delara tinha 17 anos. Em 2005, confirmou-se a condenação, apesar de sua negativa e de a perícia oficial haver demonstrado que os golpes fatais, dados com punhal, haviam sido desferidos por pessoa destra. E ela era canhota.

Delara conseguira um adiamento em 20 de abril. Isto porque pegaria mal para Ahmadinejad participar da Conferência sobre Racismo da ONU com as mãos tingidas de sangue. Tão logo voltou, deu-se o enforcamento, sem comunicação oficial ao advogado e à família.

Como se percebe, sem tocar nas questões sobre Holocausto, aniquilamento de Israel e armas atômicas, o presidente Lula, no que tange ao seu grande prestígio internacional, teve sorte com o adiamento da visita de Ahmadinejad ao Brasil. Agora, resta torcer pela eleição, em junho, de Mir-Hossein Mousavi, um moderado reformista.


mai 27 2009

O apoio a Israel alimenta o terrorismo

Categoria: Cultura,Internacional,Israel,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 17:49

De  Ray McGovern, Counterpunch -, plo Viomundo.   Ray McGovern é oficial da reserva do exército dos EUA e foi analista da CIA por mais de 30 anos. Trabalha hoje no Steering Group of Veteran Intelligence Professionals for Sanity. Recebe e-mails em rrmcgovern@aol.com

Se se ouvir nos próximos dias que o ex-vice-presidente Dick Cheney demitiu o assessor que escreveu aquele discurso ou, talvez, que deserdou as filhas Lynne e Liz – saibam todos desde já por quê. Lá, perdida no discurso sórdido que Cheney fez no American Enterprise Institute na 5ª-feira, apareceu a inadvertida verdade sobre o urubu israelense que sobrevoa a moribunda política dos EUA para o Oriente Médio.

Assisti ao discurso, mas não percebera o detalhe. Até que li linha a linha a versão escrita, antes de dar uma entrevista por rádio, na 5ª à noite. É um tropeço dos brabos, embora eu aposte que os suspeitos de sempre da Mídia do Servilismo Corporativo (MSC) não falarão sobre o tropeço, porque chamar a atenção sobre o tropeço de Cheney chama a atenção sobre as relações íntimas entre EUA e Israel. Quis que meu neto de dez anos aprendesse uma boa palavra para descrever os argumentos do ex-vice-presidente.

Então, ensinei-lhe a palavra “mal-intencionado”. Hoje estudaremos a palavra “superficial”, que parece ser o adjetivo correto para descrever ambos, Cheney e o presidente Barack Obama, quando falam da “ameaça terrorista” – ameaça que sempre encontra via rápida até o cérebro dos norte-americanos e gera medo, assim como aconteceu com a “ameaça comunista”, há apenas algumas poucas décadas. Para polir suas credenciais anti-terroristas, Obama tem repetido que fará o que for preciso para proteger os EUA; e avisou que a al-Qaeda está “ativamente planejando outro ataque contra nós.”

O que continua a faltar na retórica dos dois, Obama e Cheney, é qualquer discussão aproveitável sobre a real capacidade da al-Qaeda para perpetrar, nas palavras de Cheney, “um 11/9 com armas nucleares” ou outra coisa suficientemente assustadora a ponto de convencer os norte-americanos a trocarem suas liberdades por qualquer duvidosa promessa de duvidosa segurança. Também importante – e também faltante – é exame sério dos motivos que podem estar ativando o que Cheney chamou de “o mesmo bando de assassinos e matadores em massa [que] ainda estão nos EUA.”

Há muitos motivos pelos quais a al-Qaeda e outros movimentos terroristas desejam atacar os EUA, mas essa questão jamais é bem – ou honestamente – analisada; e nunca, com certeza, pela Mídia do Servilismo Corporativo (MSC) ou por homens como Cheney e Obama. Por que nos odeiam tanto? O motivo que Cheney referiu praticamente repete o velho mote de Bush Filho, de “os terroristas odeiam nossas liberdades”. Cheney disse que os terroristas odeiam “tudo que faz dos EUA uma força a favor do bem do mundo – a favor da liberdade, dos direitos humanos, da resolução racional, pacífica, dos conflitos”.

É estranho conjunto de qualidades a ser lembradas por Cheney, se se sabe que Cheney sempre se dedicou a violar direitos constitucionais, torturar prisioneiros e distribuir mentiras pela mídia para justificar a invasão do Iraque. Mas houve mais. E foi bem aí que Cheney escorregou. Não perceberam? Dessa vez, Cheney não soube limitar-se às explicações de praxe para o ódio dos terroristas contra os EUA: “Jamais lhes faltaram motivos para [os terroristas] odiarem os EUA. Acreditamos na liberdade de expressão e religião, acreditamos na igualdade de direitos entre homens e mulheres, apoiamos Israel. – Por isso nos odeiam.” “Apoiamos Israel”. Aí, sim. Nisso, Cheney acertou (no que deixou escapar).

A entrevista que dei na 5ª foi-me solicitada por rádio da Mídia do Servilismo Corporativo (MSC); e decidi que faria um super-esforço para ser “justo e equilibrado”. Então, observei que se deve lembrar a favor de Cheney que ele – sabendo, ou sem preceber – realmente falara de um dos motivos determinantes, mas raramente enunciado, pelos quais “eles nos odeiam tanto”: é que “apoiamos Israel”. Imediatamente saltaram sobre mim, figurativamente, não só os demais entrevistados que representavam “o outro lado”, mas também o moderador – nada isento nem equilibrado. Meus interlocutores tinham ares de quem não aprecia fatos.

Mas mesmo assim achei que seria meu dever tentar meter alguns fatos naquela entrevista. 11/9 e Khalid Sheikh Mohammed… e 11/9 No discurso da 5ª-feira, Cheney repetiu cerca de 30 vezes a data “11/9″ – por razões que, agora, já são evidentes para todos. Ao se referir especificamente à tortura por afogamento, Cheney disse que torturar daquele modo Khalid Sheikh Mohammed, “o cérebro criminoso por trás do 11/9″ (…), foi um modo de vingar a decapitação de Daniel Pearl.” (Aqui, me parece, há bom exemplo de “discurso mal-intencionado”. Porque a única coisa que Khalid Sheikh Mohammed NÃO confessou, depois de passar por 183 sessões de tortura por afogamento, foi sua responsabilidade pelo aquecimento global.)

Mas, dado que viera à tona o nome de Khalid Sheikh Mohammed, perguntei aos meus interlocutores se entendiam por que a referência a Khalid Sheikh Mohammed comprovaria que ele fosse “o cérebro por trás do 11/9″. Parece que nenhum deles leu o “Relatório da Comissão 11/9″ até a página 147. Então, li para eles o que a Comissão 11/9 escreveu à página 147 de seu relatório, informação-chave: “Segundo depoimento do próprio Khalid Sheikh Mohammed, o que sentia em relação aos EUA nada tinha a ver com as experiências do tempo de estudante, mas, sim, era consequência de ele discordar violentamente da política exterior dos EUA que sempre favoreceu Israel.”

Vocês sabem. Khalid Sheikh Mohammed estudou na universidade A & T na Carolina do Norte, em Greensboro. Pelo que se vê aí, a primeira hipótese que ocorreu aos que escreveram o Relatório do 11/9 foi que ele teria passado a odiar os EUA por causa de experiências do tempo de estudante. Não. Nada disso.

Além disso, há também a nota de rodapé (p. 488 do “Relatório da Comissão 11/9″), que revela que KSM não é o único terrorista cujos atos de terrorismo foram motivado pela política exterior dos EUA de favorecimento a Israel: “Sobre a motivação de KSM para atacar os EUA, ver Relatório da Inteligência, interrogatório de KSM, 5/9/2003 (as respostas de KSM são muito semelhantes ao depoimento de Yousef que, em janeiro de 1998, fez declarações longas e polêmicas contra a política externa dos EUA).”

“Yousef” é Ramzi Yousef, sobrinho de KSM. O Relatório da Comissão 11/9 já registrara (p.147) que “a notoriedade instantânea que Yousef obteve, como planejador do ataque ao WTC em 1993, inspirou KSM a envolver-se no planejamento de ataques contra os EUA.” Na sessão de “Recomendações”, ao final do Relatório da Comissão do 11/9, lê-se: “As escolhas políticas dos EUA têm consequências. Certas ou erradas, é fato indiscutível que a política dos EUA em relação ao conflito Israel-Palestina e as ações dos EUA no Iraque são temas dominantes da discussão popular em todo o mundo árabe e no mundo muçulmano. (…) Nem Israel nem o novo Iraque obterão condições de maior segurança, se o terrorismo islâmico se fortalecer” (pp. 376-377).

Parece que, na opinião dos que me entrevistavam e dos demais entrevistados, essas lições do Relatório soaram “impróprias”, como informação a ser distribuída por rádio. Todos protestaram. Quando os brados de protestos amainaram, pude oferecer outros fatos. E contei a eles sobre o que disse, sobre o mesmo tema, uma prestigiosa comissão de especialistas nomeados pelo Pentágono, há quatro anos.

Relatório da Comissão de Ciências da Defesa Estão preparados para novidades que não são novidades, mas das quais praticamente ninguém ouviu falar? Têm a ver com estudo não-secreto, publicado, não por algum think-tank “liberal”, mas por uma comissão de especialistas designados pelo Pentágono, a “Comissão de Ciências da Defesa”, que começou a trabalhar dois meses depois de concluído o Relatório da Comissão 11/9.

Esse relatório desmente frontalmente o que Cheney e o presidente Bush diziam sobre “por que nos odeiam” e põe o elefante no meio da sala, por assim dizer: “Os muçulmanos não ‘odeiam nossa liberdade’; eles odeiam nossas políticas. A ampla maioria deles expõe abertamente o que vêem como favorecimento a Israel, contra os direitos dos palestinos, e o apoio que já tem muitos anos, e tem aumentado, ao que os muçulmanos coletivamente vêem como governos tirânicos, sobretudo no caso do Egito, Arábia Saudita, Jordânia, Paquistão e os Estados do Golfo. Assim, quando a diplomacia dos EUA fala em levar a democracia a sociedades islâmicas, esse discurso sempre soa como hipocrisia e mentira para autopromoção.

Vocês jamais ouviram falar desse relatório? Talvez porque ainda não houve tempo para divulgá-lo. O relatório final da Comissão de Ciências da Defesa foi entregue ao secretário Donald Rumsfeld dia 23/9/2004, poucas semanas antes das eleições presidenciais. “Semanas antes das eleições presidenciais” é exatamente o momento em que candidatos à presidência e todo o establishment nos EUA tornam-se hiper-alérgicos a discussões que permitam ver o quanto o apoio dos EUA às políticas de Israel e contra os palestinos contribui para motivar (e facilita o recrutamento de) terroristas anti-EUA. Informação escondida, depois soterrada Curvada ante os que mais mentem, a Mídia do Servilismo Corporativo (MSC) escondeu o resultado do trabalho da Comissão das Ciências da Defesa, até depois das eleições. Dia 24/11/2004, o New York Times, sim, publicou matéria sobre aquele relatório – mas depois de o relatório ter passado por interessantíssima cirurgia.

Thom Shanker do Times citou o parágrafo que começa com “Os muçulmanos não ‘odeiam nossa liberdade’” (veja acima). Mas algum editor deliberadamente cortou o restante da frase, sobre as objeções que os muçulmanos realmente têm; i.e., “o que vêem como favorecimento a Israel”, “contra os direitos dos palestinos” e contra o apoio que os EUA dá a regimes tirânicos. O Times incluiu a sentença seguinte, que vinha depois do trecho apagado. Em outras palavras, não se tratou apenas de encurtar o parágrafo. Tratou-se de remoção cirúrgica de parte do argumento.

O mesmo tipo de edição cirúrgica foi praticada também pelo Times, no final de outubro de 2004, em vídeo em que fala Osama bin Laden. Quase seis parágrafos chegaram à primeira página. Mas o Times exilou para a página 9, parágrafos 23 a 25, tudo o que bin Laden disse no início de sua fala; seus pressupostos, portanto. Lá, informação soterrada no final da página 9, lê-se que bin Laden disse que a semente da ideia para o ataque de 11/9 começou a germinar depois “que constatamos a opressão e a tirania da coalizão EUA-Israel contra nosso povo na Palestina e no Líbano.” Examinando o Times e o Washington Post da Mídia do Servilismo Corporativo (MSC) na 6ª-feira cedo, nem me surpreendi ao ver que não publicaram toda a fala de Cheney. Porque, sim, Cheney afinal disse, afinal, que a política dos EUA de apoio a Israel é uma das “verdadeiras fontes do ressentimento” que fabrica terroristas.

Tags: , , , , , ,


mai 26 2009

A Venezuela, as elites e o Mercosul

Categoria: Apoiamos,Internacional,PolíticaSenhor_do_Servo @ 13:18

Salvador, 25 de maio de 2009, da Embaixada da Venezuela no Brasil:  A Federação de Câmaras de comércio e Indústria a Venezuela- Brasil (Camvenez-Brasil) espera com certeza que o ingresso da Venezuela ao Mercado Comum do Sul (Mercosul) fará-se efetiva “cedo ou tarde”, não só pelos benefícios econômicos e sociais que o fato implicaria, mas sim pelo avanço do processo integracionista que se gesta na América Latina e porque o retardo respondeu a interesses políticos por parte dos setores de direita na região.

O presidente do Camvenez-Brasil, José Francisco Marcondes, afirmou o anterior durante uma entrevista que concedeu a meios de comunicação venezuelanos, a propósito do encontro que nesta quarta-feira 26 sustentarão em Salvador de Baía os presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e do Brasil, Inácio Lula Da Silva, como parte das reuniões trimestres que os dois protagonizam, desde 2007, para avaliar o avanço dos acordos assinados e concretizar outros novos.

Marcondes disse que, o retardo da entrada da Venezuela no Mercosul não vai além das diferenças políticas no seio das instâncias legislativas do Paraguai e Brasil. No caso deste último país, a proposta de ingresso se encontra agora em mãos do Senado, composto por 81 integrantes que militan em partidos de esquerda, centro direita e ultradireita.

Dita proposta será submetida a uma terceira e última audiência pública a primeira semana de junho, por parte da Comissão de Relações Exteriores do Senado (composta por 19 senadores titulares e 19 suplentes), para ir logo à plenária, onde finalmente se espera que o órgão legislativo se pronuncie.

Antes de que o Senado recebesse o projeto, a finais de 2008, o retardo esteve de parte da Cãmara, cujo semi-círculo consta de 517 deputados, igualmente enfrentados em términos políticos. Citada-a instância deixou acontecer quase ano e meio, logo depois do qual entregou o documento ao Senado para sua aprovação.

Os fatores políticos de direita no Brasil não argumentam razões de corte econômico ou social para atuar como o têm feito frente ao tema, limitando-se a expor “questionamentos” a respeito da democracia na Venezuela, onde, por certo, registraram-se 14 processos eleitorais nos últimos 10 anos, ou sobre o respeito aos direitos humanos, embora sem apresentar ainda nenhuma prova avalizada por organismos internacionais competentes.

Por parte da cidadania, a soteropolitana (gentilicio dos habitantes de Salvador) Lília Morais, advogada de profissão, deu sua opinião após ser consultada sobre o tema.

“Acredito que a entrada da Venezuela no Mercosul convém a todos. Inclusive penso que é admirável o fato de que o presidente Chávez lute por isso, porque se se avalia a situação do ponto de vista econômico, Brasil tem muito que ganhar, e isso demonstra que o interesse de Chávez é o da integração regional”, disse a cidadã.

De acordo com cifras da Camvenez-Brasil, o intercâmbio comercial entre a Venezuela e Brasil ao fechamento do ano passado superou os cinco mil e milhões de dólares, com um superávit a favor do Brasil.

Este desbalanço, indicou José Francisco Marcondes, tenta ser superado paulatinamente com a colocação de exportações venezuelanas nos estados do nordeste brasileiro.

Tags: , , , , , , ,


mai 25 2009

Al Naqba também é nossa

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 22:41

Raul Longo, num excepcional texto originalmente publicado no Viomundo

Semana passada telefona um novo amigo, a quem aprendi a admirar pela cordialidade e sabedoria, me convidando para uma reunião de militantes da causa palestina.

Fui. Pelo amigo e pela causa.

Recebido com cordialidade por alguns que já conhecia e muitos que não conhecia, encontrei o Nildão, vizinho e sergipano que ameniza minhas saudades do nordeste.

Usufrui da conversa de pessoas de diversas idades e observei a beleza de suas mulheres, muito naturalmente trajadas e participativas. Apenas duas tinham a cabeça envolta por panos a protegê-las do frio daquela noite de final de outono. Uma delas num lenço cinza pastel e sem estampa, e outra com os desenhos de losangos em fundo  vermelho. Realçava-lhes a profundidade do olhar.

O amigo do convite explicou que o nome daquele lenço dos losangos é hata. Quando brancos, um sinal de paz; os rubros indicam guerra. Ninguém mais, homem ou mulher, o exibia, e imaginei naquela moça bonita uma guerrilheira de Gaza, ou vinda da Cisjordânia, apesar de seu perfeito português sem nenhum sotaque.

Tomamos chá, serviu-se esfirras. Depois fomos convidados a entrar numa sala com umas quantas cadeiras de platéia e outras tantas postadas à frente, onde evidentemente sentariam aqueles que discorreriam os temas da reunião. A bela guerrilheira da hata vermelha assumiu a palavra explicando a palavra título do evento: Al Nakba quer dizer A Catástrofe. Assim se denomina aquele dia em que se completavam os 61 anos de invasão da Palestina.

Expressou sensibilidade pelo sofrimento das crianças e mulheres de Gaza e Cisjordânia, mas suas palavras não me pareceram tão aguerridas. Talvez por usar um português tão nosso, imaginei. Como se lesse meus pensamentos, contou ser brasileira e descendente de italianos, ainda que envolvida com a causa palestina por senso de humanidade.

Daí chamou para compor a mesa ao Nildão, o Nildomar Freire, na qualidade de Presidente do Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino. Um senhor, Abdel, que não consegui depreender o sobrenome, mas é da Associação Palestina de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Fauzi El Machine, ex-embaixador da Palestina no México. Walid Altamimi, recém chegado dos campos de refugiados do Iraque. E, entre outros brasileiros, para meu espanto, chamou a mim, anunciando-me como poeta.

Cometo meus versos, é verdade, mas os sei modestos e sem maiores pretensões, além do que, isso de ser indicado como poeta em meio a povos arábicos, é coisa de muita responsabilidade. Eles são os pais da arte. A Europa ainda estava nas redondilhas quando os mouros trouxeram para a Península Ibérica suas odes, seus épicos e narrativas de longo fôlego, dando origem às grandes obras literárias que envaidecem todos os povos e culturas. Não é a toa que a gesta Mio Cid, de autoria desconhecida, surgiu em Espanha. Também anônima e espanhola é a primeira novela picaresca, precursora do realismo literário: Lazarillo de Tormes.

Ainda há pouco um clérigo espanhol e arabista renomado descobre que a Divina Comédia, a principal e mais antiga obra prima da literatura ocidental depois da Ilíada e Odisséia de Homero, nada mais fora do que uma adaptação ao toscano (uma aproximação do latim ao italiano atual) de antiga composição árabe. O que, entendem os estudiosos, em nada diminui o gênio do mestre florentino, pois como bem sabem os tradutores, poesia não se traduz, se as reescreve. Para se traduzir um poeta há de ser tão poeta quanto aquele que concebeu os versos originais.

De toda forma, que poeta era eu ali, para atender ao cochicho da guerrilheira pedindo minha participação com o dizer de algum poema próprio ou de outrem, que se acomodasse ao tema daquela noite?

Enquanto ouvia meu simpático vizinho, naquele vozeirão nordestino, transmitindo brasileiras homenagens à resistência do povo palestino, tentava catar memórias de João Cabral de Melo Neto. Mas na cabeça as estrofes se misturavam às de Manoel Bandeira e Gregório de Matos Guerra, pois há muito já se foi o tempo que conseguia reproduzir, sem tropeço, todo O Século ou o Navio Negreiro do Castro Alves.

Depois falou o senhor Abdel. Não seria correto interpretar mansuetude em seu tom, mas havia uma indignação contida, e não o ódio tão propalado como tônica dos corações palestinos. Enquanto isso eu tentava recompor os versos de Brecht, exortando reação contra os usurpadores e dominadores, buscando lembranças das coxias e dos ensaios de amigos que interpretaram as obras do dramaturgo alemão.

Falaram outros, palestinos e brasileiros, e os olhos da italiana travestida de guerrilheira anti-sionista, ali me cobrando pela memória que não vinha. Tão identificada é, que assumiu aquela expressividade árabe no olhar para exigir-me uma poesia de minha autoria. Imaginem! De minhas só decorei uma do único livro publicado no gênero: A Cabeça de Pinochet. E ainda assim por não ter mais do que três ou quatro versos para concluir que se o tirano lera Neruda, o fizera tão mal como nenhum analfabeto o faria. Mas como justificar, com isso, o Al Nakba?

Então falou Walid, o refugiado, em árabe. Enquanto um patrício o traduzia, o som daquelas palavras, que se iniciavam no fundo da garganta para depois estalar no palato, me sussurrou os rubaiyat  de Omar Khayyam. Mas como recordar a tradução adaptada em versos alexandrinos por si tão complexos, ainda que insuficientes para transmitir a refinada estrutura algébrica do matemático persa que influenciou Descartes?

Além disso, embora o tradutor reduzisse a dor do falar, no brilho daqueles olhos se refletia tantos horrores que, mesmo me fosse possível reproduzir os versos, impossível, ali, a celebração do astrônomo Khayyam a brindar, em galáxias e nebulosas das noites árabes, a beleza das silhuetas das mulheres.

Entre brasileiros e palestinos, não recordo a exata seqüência dos que se pronunciaram, pois do Omar Khayyam pulava para Vinícius de Moraes, numa relação lógica às influências daquele clássico ao nosso “poetinha” moderno. Mas claro que também Vinícius não se coadunaria ao momento.

Outra que falou foi Gina Couto, uruguaia e secretária do MST, vinda ao evento do Vale do Itajaí, onde diretores do INCRA e Sem Terras foram rendidos à mão armada pelo governador Luís Henrique da Silveira, através da Polícia Militar que impediu a posse de área desapropriada pelo desmatamento ilegal promovido pelos ex-proprietários.

Enquanto o ENTRA aguarda o apoio da Polícia Federal para enfrentar a reação armada do governador e dos jagunços dos madeireiros, Gina contou que os Sem Terras e sem seus mantimentos, agasalhos e colchões confiscados pela PM junto com as ferramentas de trabalho, estão acampados às margens de rodovias com suas mulheres e crianças, sob temperaturas que nas noites variam de 5 a 3 graus, no município de Taió.

O relato confundiu-se à dor da tristeza úmida nos olhos do Walid, mas o sotaque daquela mulher que deixou seu país para lutar com nossa gente pelos territórios ocupados por invasores e especuladores do ganho fácil e irresponsável, me trouxe à lembrança seu conterrâneo Mário Benedetti e nem poderia imaginar que iríamos perdê-lo dois dias depois.

Lembro que, por fim, falou o diplomata Fauzi, me impressionando com uma extensa relação de intelectuais, cientistas, oficiais militares de alta patente, todos judeus, mas anti-sionistas. Nominou um a um e reproduziu as palavras desses israelenses, reprovando a covardia e violência sionista contra o povo palestino.

Lamentei não mais lembrar o Kaddish de Allen Ginsberg, norte-americano de origem judaica, que bem poderia servir de incentivo a todos judeus para exorcizarem os fantasmas que os sionistas lhes impregnam na alma, alimentando-os da paranóia que tanto infelicitou a mãe de Ginsberg e a infância do próprio poeta.

Impressionou-me muito o profundo e sincero agradecimento do ex-embaixador à solidariedade desses tantos judeus que apóiam a causa da criação de um estado palestino. Também agradeceu, de forma muito comovente, a solidariedade mundial e, especificamente, a brasileira. Nem por isso deixou de ser duro contra grupos árabes que se vendem aos interesses sionistas ou a eles se associam na exploração e comércio do petróleo da região, através da espoliação de seus povos, particularmente do genocídio de palestinos.

Envolvido pela tragédia de todo o conteúdo ali exposto com tamanha ponderação e sobriedade, que muito mais dignifica o sofrimento daquele povo do que a exaustiva manipulação e exploração do holocausto judaico; não consigo recordar ao certo em que momento a “Anita Garibaldi” das arábias me convocou a falar.

Falar o quê, naquelas alturas? Recitar versos meus ou de quem fosse, nem pensar! Mas mesmo sem rimas ou estrofes, que mais poderia dizer, exprimir, além de um desespero que me engasgava e ao qual todos, ali, pareciam imunes. O que neles era ponderação, em mim era revolta, indignação! O que neles era dor, em mim era ódio!

Tentei falar do Crime Organizado Internacional para explicar porque o Al Nakba, a catástrofe, não é só dos palestinos, mas não consegui demonstrar como estamos, em todo o mundo, em cada país, entre cada povo, submetidos às organizações criminosas. Submetidos pela capilaridade sutil de pequenas organizações, governamentais ou não, sistematicamente centralizadas e comandadas pelos poderes financeiros e econômicos que regem o mundo. São os que determinam quais povos serão extintos à míngua e ao abandono como em África, por bombardeios como no Iraque e no Afeganistão, ou por massacre e humilhação como em Gaza, Cisjordânia e no Taió, do Vale do Itajaí, a mais rica e importante região do estado de Santa Catarina.

São eles que decidem quais massas sociais ou faixas etárias deverão ser inutilizadas ou tornadas inativas pela obesidade dos fast foods, idiotizados pelas drogas, alienados pelo consumismo, como nos Estados Unidos e demais centros das Américas e da Europa.

Difícil demonstrar, assim de repente, como se tem me tornado claro que a partir da 2ª Guerra Mundial se começou a montar uma super estrutura muito maior do que as dos estados nacionais, com poder de manipular os governos destes estados.

Como explicar que, a meu ver, Hitler foi o último verdadeiro ditador, e todos os posteriores, meros tiranetes a serviço de um poder por trás do trono. Depois de Hitler, ou em meio ao caos promovido pela derrocada do ideal da supremacia do estado alemão, alguns detentores de grandes capitais planejaram evoluir a milenar utilização de grupos mercenários que da Antiguidade, se estendeu aos corsários do Império Britânico e ao lumpemproletariado de Bonaparte (analisado no 18 Brumário de Karl Marx); para enfim chegar ao comando do mundo através do capital. Hoje não são os reis e ditadores que contratam os criminosos. Os criminosos é que são os reis e ditadores do sistema político/econômico global, contratando e aliciando ridículos “laranjas” como Bush, Uribe, Berlusconi ou Luís Henrique, para que os povos se acreditem governados.

Seria necessário rastrear a história para identificar, entre aqueles que financiaram o delírio nazista, os nomes dos que se associaram  a corporações bancárias desenvolvidas  ao longo da história européia. Ninguém, dessas corporações, esteve em  algum dos tantos campos de extermínio do nazismo, embora muitos fossem e são judeus que continuam vivendo na Suíça, na Áustria, Itália, Polônia, França, Bélgica, Holanda e outros países ocupados pelas armas nazistas.

Esses não emigraram para Israel, não se expõem a insegurança de um estado em permanente guerra desde sua criação. Assim como judeus mortos e escravizados nos campos e guetos nazistas, em maioria, eram pobres e socialistas.

A primeira manifestação do poder dessas forças acima do poder dos estados e das nações que se recuperavam da 2º Guerra ocorreu em reunião da ONU, onde se criou o Estado de Israel sob a assinatura do brasileiro Osvaldo Aranha. Uma resolução já antes condenada pelos mais atilados observadores e analistas da proposta, muitos dos quais judeus, como Sigmund Freud e Albert Einstein.

Aquele crime praticado contra um povo milenar veio a ser o primeiro de uma série que se comprova pela falta de respostas a milhares de perguntas suscitadas ao longo das últimas seis décadas, por onde se dê atenção aos acontecimentos do mundo. Alguns exemplos aleatórios:

Filho de família tradicional e conservadora, a aproximação de John Fitzgerald Kennedy à Máfia, seria apenas por ser católico?  Ou tentava encontrar na Máfia um exército paralelo a lhe oferecer alguma defesa? Contra quem? Lee Oswald?

Porque as mais proficientes instituições policiais do mundo até hoje não explicaram quem teriam sido os assassinos do presidente de seu país, nem os assassinos de seu suposto e impossivelmente único assassino? Alguma relação com a anunciada indisposição daquele presidente a iniciante Guerra do Vietnam?

Contasse que após o conclave que o elegeu, João Paulo I teria comentado: “Alguém mais forte do que eu e que mereceria o lugar, esteve sentado à minha frente”. Premonição ou coincidência ter sido Karol Wojtyla quem se sentara a frente do escolhido pelo próprio João XXIII, responsável pelo movimento Teologia da Libertação, para sua sucessão. João Paulo I morreu um mês depois.

Coincidência Ratzinger, o secretário de Wojtyla que mais perseguiu a Teologia da Libertação e cassou nosso Leonardo Boff, ser o sucessor de João Paulo II?

Voltando à Máfia, evidentemente dela não se pode pretender fidelidade partidária, mas por qual razão, após a proximidade com o democrata John Kennedy, compareceu em peso a posse do republicano Ronald Reagan? Depois disso foi glamorizada pelo seriado Godfather e ultimamente anda no ostracismo. Será por causa da Operação Mãos Limpas na Itália?

E Berlusconi, que é ridicularizado aos olhos do mundo, flagrado comendo caca de nariz, como  sai e consegue voltar ao poder em tão pouco tempo?

Como que, no estado de Santa Catarina, recentemente afetado por um cataclismo climático que deixou dezenas de mortos e centenas de desabrigados, se aprova uma resolução de desmatamento que reduz para 1/3 a determinação do Código Florestal Federal? Isso apesar de todos os avisos de cientistas e ambientalistas nacionais e internacionais sobre os graves riscos de carência de água potável já para as próximas gerações! E enquanto esse mesmo governo se divulga por comerciais de TV, dizendo-se exemplo de preservacionismo!

Como que no Japão, país tão rígido e eficiente em todos os sentidos, se mantém a Yakuza?

Porque a família Bush, conhecida por financiar Hitler mesmo depois dos Estados Unidos declararem-se em guerra contra o nazismo, se indispôs com o mesmo Sadam Hussein poucos anos antes colocado no governo pelo também republicano Reagan?

Associados à família de Ben Laden, porque a despacha tão as pressas para a Arábia Saudita às vésperas do 11 de Setembro?

Se os Bush financiaram o nazismo e são sócios da família de Ben Laden, porque são tão queridos e apoiados pelos sionistas?

Claro que levantando ali todas essas questões, não colaboraria com a compreensão da extensão do conflito do Oriente Médio, mas acredito que refletir sobre as tantas perguntas sugeridas pelos acontecimentos do mundo, nos dará a exata dimensão das fronteiras do Al Nakba – A Catástrofe.

Quais as fronteiras de uma esfera?

Todos os crimes cometidos contra a humanidade e todas as catástrofes que nos abatem em qualquer parte do mundo, são um único Al Nakba. Uma única catástrofe relacionada a tiranetes manipulados por poderes econômicos regionais que, num processo sistêmico, respondem a uma Organização Criminosa Internacional.

Nada mais foi globalizado pelo liberalismo econômico, além do crime internacional e da catástrofe da humanidade. Ou terá sido apenas o muro de Berlim que impedia a emigração das tantas máfias:coreana, chinesa, albanesa, turca, russa, siciliana, etc.? Foi a queda do muro que possibilitou Carlos Menem? A privataria no Brasil? Os golpes políticos perpetrados por instituições de mero entretenimento e transmissão de informações? A promulgação de leis notavelmente irresponsáveis e imprevidentes, como as dos ruralistas de Santa Catarina?

Difícil saber se o Crime Organizado Internacional é comandado exclusivamente por loiros de olhos azuis, mas certamente não o será por negros, índios, ou pelos piratas da Somália.

Não são nenhum desses que ameaçam e humilham os Sem Terra de Taió. Os algozes daqueles camponeses são similares, praticamente os mesmos que humilham e trucidam palestinos há 61 anos.

Raul Longo

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,


mai 24 2009

Ainda acredita neles? Leia!

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 12:47

Pelo Eduardo Guimarães, do Cidadania.com

Vocês devem – ou deveriam – estar pela tampa com a imprensa golpista do eixo São Paulo-Rio com essa história que ela não pára de masturbar sobre o “risco à democracia” que estaria contido na intenção supostamente oculta de Lula de fazer aprovar de alguma maneira no Congresso (via PEC) proposta que lhe permita conseguir um terceiro mandato para si.

Apesar das reiteradas negativas do presidente, a imprensa não se satisfaz. Acha que é pouco ele dizer que não disputará terceiro mandato nenhum. Não diz claramente o que ele deveria fazer, mas explica uma vez e outra e mais outra quão danoso seria para a democracia mudar as regras do jogo com este em andamento, ou seja, permitir que um presidente altere a Constituição para poder disputar um novo mandato.

Essa ojeriza da imprensa a mudança constitucional que permita a um governante disputar mandatos consecutivos nas urnas também se manifestou estrepitosamente durante o processo recentemente ocorrido na Venezuela, no qual o presidente Hugo Chávez conseguiu o direito de disputar novas reeleições.

Atado a esta maldita memória que me tortura, porém, sou tomado de acessos de gastrite cada vez que leio ou escuto os empregadinhos das famílias Marinho, Frias, Civita e Mesquita – bem como seus penduricalhos no resto da mídia – vituperarem contra mudança das regras do jogo com ele em andamento. Sofro o diabo com essa conversa fiada.

Sabem por que? É que me lembro do que essa mesma mídia dizia à época em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mudou a Constituição – inclusive por meio de compra de votos de deputados para votarem com o governo – a fim de poder se candidatar à reeleição.

Jornais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, entre outros, defendiam apaixonadamente a possibilidade de FHC recandidatar-se sob a mesma mudança das regras do jogo que agora esses veículos dizem ser “atentado à democracia”. E a justificativa era a vontade popular, que agora esses órgãos de imprensa dizem que não importa e que não mais justifica mudança constitucional.

Em 5 de janeiro de 1996, por exemplo, editorial da Folha intitulado Reeleição Popular” propugnava nesse sentido. Vejam, abaixo, que “gracinha”.

O apoio de três em cada quatro brasileiros à possibilidade da reeleição para o próximo presidente e futuros governadores e prefeitos mostra que a população vê com bons olhos a chance de renovar os mandatos que vem a se mostrar bons governantes. (…)

O argumento de que a reeleição ensejaria o uso eleitoral da máquina administrativa pelo mandatário – o candidato parece engajado. Afinal, esquece ingenuamente que a ‘máquina’ pode ser igualmente utilizada – como lamentavelmente ocorre amiúde – em prol do candidato de situação, mesmo que não seja ele o mandatário.

Uma eventual emenda de reeleição, ademais, evidentemente não muda a lei para manter um governante. Ela apenas permite que ele se recandidate. Entre a candidatura e a renovação do mandato estará sempre o democrático e o inquestionável veredicto das urnas.

Hoje, a mesma Folha de São Paulo não quer nem ouvir falar em projetos de lei sobre a realização de um plebiscito para perguntar ao povo se Lula pode ou não disputar um terceiro mandato, mas quando quem governava era FHC e era ele quem desejava mudar a Constituição para poder disputar um novo mandato, o jornal tinha outra opinião.

Leiam, abaixo, trecho do editorial da Folha de 9 de janeiro de 1997 intitulado, mui adequadamente, como “Casuísmo explícito”. Mas só leiam se tiverem estômago forte.

Esta Folha há muito considera justo o direito de os governantes, inclusive os atuais, disputarem a reeleição. Mas a abrangência da questão, a total ausência de debates esclarecedores e a clara manipulação do tema, visando benefícios meramente eleitorais, tornam cada vez mais indispensáveis que o assunto venha a ser examinado em fóruns amplos e, em seguida, apreciado em plebiscito nacional

Já o jornal carioca O Globo não queria perder muito tempo com o assunto. Em editorial de 26 de janeiro de 1997 intitulado “O preço da demora”, pedia que se aprovasse logo a emenda da reeleição de FHC para não atrapalhar seu magnífico projeto de nação, que dois anos depois quebraria de novo o Brasil e o faria peregrinar pelos organismos multilaterais de pires na mão.

Leiam e chorem.

(…). Para essas mudanças são fundamentais as reformas estruturais em andamento: delas dependem a revisão da ação do Estado, enquanto os mecanismos de mercado se tornam cada vez mais presentes no cotidiano dos brasileiros.

Tudo isso está suspenso, enquanto se debate a emenda da reeleição. Trata-se de uma questão política duplamente importante do ponto de vista econômico. Por um lado, a aprovação do direito de reeleição na prática significa a ampliação do horizonte das reformas; por outro lado, é um problemas que deve ser resolvido com rapidez, para que a classe política, o Executivo e o Congresso voltem a se concentrar na agenda das reformas.

Como vocês vêem, a mídia só engana os desmemoriados, pois o passado dela a condena. Infelizmente, porém, desmemoriados, ao menos no Brasil, costumam ser maioria. E aqueles que, como eu, têm memória, que se danem.

Ontem e hoje

Vocês leram, no primeiro editorial da Folha reproduzido acima, o que o jornal achava ontem de mudar a constituição para que o presidente de turno possa disputar a reeleição. A Folha apoiava, como todo o resto da mídia. Dizia ser direito da população reeleger um governo do qual estava gostando etc. Agora, o discurso mudou, porque mudou a corrente político-ideológica que governa.

Vale a pena ler, abaixo, editorial recente da Folha, do último dia 22, curiosamente intitulado “casuímo sem fim”, que mostra como o jornal muda de opinião sempre de acordo com a própria conveniência, o que mostra como essa gente não tem um pingo de seriedade, sendo apenas um bando de gangsters, de mercenários pagos para defender interesses de grupos políticos e econômicos.

(…) Retomam-se as especulações e as iniciativas em torno de uma terceira candidatura consecutiva para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (…) Mas a confirmação dos índices de popularidade de um presidente, que referendos desse tipo tendem a refletir, em nada se confunde com a prática institucional de qualquer democracia digna desse nome.

Trata-se de assegurar um mínimo de alternância no poder, de respeitar as regras básicas do jogo político e de evitar que ele se torne refém da figura providencial de líderes personalistas. (…)

Se há muito a aprimorar no sistema político brasileiro, certamente o calendário sucessório e o dispositivo da reeleição não fazem parte do que interessa discutir. Que se cogite de mudá-los, conforme a conveniência deste ou daquele político, é um sinal de imaturidade que não condiz com o estado já alcançado pelas instituições do país, mais de 20 anos após a Carta democrática.

Comentário :

Precisamos espalhar este texto. As pessoas precisam saber que, ontem, essa mesma mídia que hoje repudia mudar a Constituição de forma que Lula possa se submeter a escrutínio da vontade popular, defendeu processo idêntico em 1997 porque o beneficiário era FHC, o qual apoiava e apóia.

Ajudem-me a espalhar este post por onde puderem. Imprimam e levem uma cópia com vocês por aí. Quando ouvirem alguém falando que o jornal A ou B está denunciando que Lula quer violar a democracia, blabblablá, etc e tal, tirem o papel do bolso e ponham o burro no seu lugar.


Próxima Página »