jan 14 2009

Sobre o Exército de Israel

Categoria: Apoiamos, Internacional, PolíticaSenhor_do_Servo @ 05:58

Do Viomundo:

HaMoked é uma organização de judeus israelenses que dá assistência humanitária aos palestinenses confinados nos campos de refugiados


“É responsabilidade do Estado de Israel fornecer alimentos, remédios e assistência médica à população de refugiados confinada na Faixa de Gaza”
(da legislação internacional sobre Territórios Ocupados)

11/1/2009 – A família A. vive em Siafa, no noroeste da Faixa de Gaza, região de pequenos agricultores, hoje reduzidos à mais completa miséria, em área isolada e separada do restante da Faixa, perto de onde existiu a colônia de judeus de Dugit.

A família ficou sem qualquer suprimento de comida ou remédios desde o início do massacre de Gaza; desde então nenhum dos serviços regulares de assistência (que há muito tempo já não são regulares) chegou a Siafa.

A família ampliada é formada de 120 pessoas, o mais jovem dos quais tem 5 meses e o mais velho, 80 anos. Desde o início do massacre de Gaza, a área foi completamente cercada pelo exército de Israel. Dia 3/1 uma das casas foi bombardeada. Morreram um menino e um senhor de idade.

Dia 8/1, a ONG HaMoked fez contato com o Escritório da Coordenação Distrital do governo de Israel em Gaza (District Coordination Office (DCO) in Gaza) e exigiu que fosse restabelecido o suprimento de alimentos àquela família. Mais tarde, a família informou a voluntários da ONG HaMoked que o exército entregara lá 120 sanduíches e 6 garrafas de água – para alimentar uma família de 120 pessoas que estavam sem nenhuma espécie de alimento ou água potável há uma semana!

O exército de Israel informou aos voluntários da HaMoked que, com aquela entrega, dava por cumprida qquer responsabilidade que tivesse quanto à sobrevivência daquela família e que não voltaria a entregar nem alimentos, nem água nem remédios naquela região. Além disso, o exército de Israel também “informou” os voluntários da HaMoked sobre um “corredor humanitário” a ser implantado naquele dia, durante as três horas do cessar-fogo “humanitário”, e que, durante esse período de cessar-fogo, a própria família poderia comprar o que lhe faltasse.

Isso é quase inacreditável, para quem conheça as condições em que vive a família A., em região em que não há onde comprar coisa alguma, o que é fato conhecido por todos que sabem que a região é geograficamente isolada e, hoje, cercada.

Mais uma vez, os voluntários da HaMoked exigiram que o exército de Israel cumprisse sua obrigação de lei, e fornecesse alimentos à família A.

Como resposta, o exército de Israel ofereceu duas ‘alternativas”:

Uma – completamente absurda – sugeria que algum parente da família A. comprasse em Gaza o que fosse necessário e “providenciasse o envio” para a região nordeste da Faixa, entregando-os em ponto a ser combinado, a partir do qual o exército “faria chegar as compras” até a família A.

Pela outra sugestão, os voluntários da HaMoked deveriam providenciar toda a necessária ajuda e fazê-la chegar à passagem de Erez, ponto a partir do qual o exército levaria os suprimentos até a área onde vive a família. Um encarregado militar que atendeu os voluntários da HaMoked “garantiu” que, se os suprimentos fossem comprados e entregues ao exército, a família A. os receberia “no prazo possível”.

Apesar da precariedade dessa “garantia”, a HaMoked comprou 5 toneladas de alimentos e remédios, com dinheiro arrecadado entre famílias de judeus, em Israel e em todo o mundo, que há muito tempo mantêm uma rede de assistência aos refugiados que vivem nos campos que há em Israel. Médicos, da ONG “Médicos pelos Direitos Humanos (Israel, PHR-Israel) encarregaram-se de reunir medicamentos e recursos de primeiros socorros.

Depois de todos os alimentos e medicamentos estarem comprados e preparados para serem entregues ao exército que, como acertado, teria de fazê-los chegar à família A., os voluntários da ONG HaMoked foram procurados por representante do exército, encarregado de “des-confirmar” o acordo feito, sob a alegação de que não haveria “condições objetivas” para que os suprimentos e remédios chegassem àquela região e àquela família. Os voluntários protestaram. Só perto da meia-noite do sábado, 10/1, o exército afinal informou que o Centro de Operações para os Territórios afinal autorizara o carregamento dos suprimentos e remédios para posterior entrega à família A.

Finalmente hoje, 11/1/2009, um caminhão carregado de alimentos e remédios pôde deixar Jerusalém, com trajeto previsto pela passagem Zikim, ponto a partir do qual o exército levaria os alimentos e remédios, para descarregá-los em outro ponto de controle militar, localizado a 500 metros de onde mora a família A.

Daquele ponto em diante, a própria família terá de conduzir os suprimentos, até a vila, contando, para isso, com dois carrinhos e dois burros.

“É responsabilidade do Estado de Israel fornecer alimentos, remédios e assistência médica à população de refugiados confinada na Faixa de Gaza” (da legislação internacional sobre Territórios Ocupados)

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