mai 23 2010

Entenda por que o Brasil foi ao Irã

Categoria: BRIC,Fascismo,Internacional,Israel,Oriente MédioSenhor_do_Servo @ 20:37

Do Fatos Novos, Novas Ideias:

Para entender a  “crise” do Irã. O Brasil defende a sua própria indústria nuclear

A questão iraniana já está dominada pela emoção. É preciso, então, deputar o raciocínio para  que   a razão volte a preponderar. Para isso, vamos, inicialmente,  separar os dois aspectos que envolvem a mesma questão: a-  a espetacular  jogada da diplomacia brasileira que  com o Acordo de Teerã, assinado domingo, colocou em cheque e na defensiva toda a estrutura logística norte-americana de perpetuação de seu poder hegemônico global: b- os interesses estratégicos permanentes do Brasil (soberania nacional) que estão sob ameaça, tanto quanto os do Irã, no que diz respeito ao  direito de desenvolver, com autonomia, seus programas nucleares para fins pacíficos.

No item a que chamaremos de “jogo diplomático” e onde tem preponderado o estardalhaço, a diplomacia brasileira desnudou a farsa montada pelo Departamento de Estado norte-americano que visava constranger o governo iraniano a abrir mão de seu programa nuclear  fosse pacífico ou não, fosse militar ou não: o acordo assinado em Teerã por Lula, Ahmadinejad e  Recep Erdogan, o primeiro ministro turco, é  absolutamente igual ao proposto em outubro do ano passado pelas potencias ocidentais e que o Irã não assinou porque não confia nelas, na palavra delas.

Por que agora este acordo é considerado insuficiente?  Porque quando o propuseram, há  oito meses, os Estados Unidos sabiam que  Ahmadnejad não  o assinaria o que abriria caminho para as sanções econômicas, algo que já estava previamente decidido. Agora que o Irã o assinou, ele  não vale mais. É a velha historia do lobo dizendo  ao cordeiro,” se não foste tu que  turvaste minha água então foi teu pai e se  não foi teu pai foi teu avô.

Qual o motivo (pretexto) usando para invalidar  algo que eles mesmo  sugeriram e que agora é considerado  insuficiente? “Não se pode confiar na palavra dos aiatolás”, é a resposta. Mas surge a  questão: pode-se  confiar na palavra do Departamento de Estado? Onde estão as armas químicas denunciadas  para justificar  a invasão do Iraque?

Passemos ao ítem b :

Há dois anos, as principais potencias ocidentais vêm tentado alterar (para ampliar) as normas  e exigências do Tratado  de Não Proliferação Nuclear (TNP), através da assinatura de um protocolo adicional que daria à Agência  Internacional de Energia  Atômica (AIEA) subordinada à ONU, mas controlada  pelos Estados Unidos, uma capacidade muito maior de inspeção  (e espionagem) dos programas nucleares de países emergentes.

No caso do Brasil que está a um passo de  obter tecnologia própria  para  efetivar o ciclo completo do enriquecimento do urânio, esse protocolo adicional fere de forma irreparável a  soberania nacional, criando um dependência eterna de  fontes  externas de tecnologia num setor (o atômico) que será, neste  século, vital para a produção de energia limpa e para o uso médico, especialmente no combate ao câncer.

Logo, ao defender o direto do Irã e de qualquer outro pais  de acesso à tecnologias nucleares, o Brasil defende essencialmente os seus interesses estratégicos e comerciais. Isto, pela boa razão de que possuímos mais de cinqüenta por cento das reservas  naturais de urânio do Planeta e estamos em vias de ingressa no seleto grupo de apenas seis países que controlam o  processo integral de enriquecimento do  desse minério.

Não é exagero dizer que por detrás do estardalhaço diplomático  envolvendo o Irã, o que há , na verdade, é uma guerra  comercial de grandes proporções cujo enredo é conhecido: uma  minoria detentora  de algo que a  diferencia  tecnologicamente  procura, por razões exclusivas de lucro, manter este status privilegiado.

José Serra e o Globo já mostraram suas posições a favor dos interesses  estratégicos norte-americanos. Lula e os nacionalistas brasileiros, a começar pelo ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro  Guimarães (o primeiro a denunciar  a jogada comercial das grandes potências), defendem os interesses permanentes do Brasil. Escolha você o seu lado.

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mai 20 2010

O novo mundo chegou!

Categoria: Internacional,Oriente MédioSenhor_do_Servo @ 06:46

De Ralf Rickli do Portal Luís Nassif

Luis Nassif escreveu hoje: “A ofensiva do Itamaraty, no episódio do Irã, é um divisor de água na ordem mundial do pós-guerra.” Não é balela. Dá pra ver que ele conhece e entende a história contemporânea. Falta ainda fazer relação com o desafio ativo chamado PNAC (Plan for a New American Century), mas isso fica pra mais adiante. É preciso parar pra olhar como o mundo hoje não é o mesmo de há três dias, e ainda não entende bem como: os jornais dos EUA foram unânimes em ironizar o acordo Brasil-Turquia-Irã, mas seus leitores praticamente unânimes em criticar Hillary e o jornal e apoiar o nosso acordo! (Ver p.ex. em inglês: aqui ). Deixo vocês com um novo e impressionante artigo do The Guardian que acabo de traduzir (reparem nas últimas frases!); depois conversamos mais!

O acordo nuclear do Irã e a nova primeira divisão de potências globais

Brasil e Turquia estão determinados a ir atrás de diplomacia e acordo – mesmo que isso signifique enfurecer Washington

Simon Tisdall -The Guardian – Original em aqui

Quarta-feira 19 de maio de 2010, 16:59 BST
Tradução: Ralf Rickli, 19.10.2010, 21:39 BST

A furiosa contenda entre a administração Obama e os líderes do Brasil e da Turquia sobre a melhor forma de lidar com as ambições nucleares do Irã, na sequência da controversa negociação de troca de urânio desta semana em Teerã, reflete um desacordo mais fundamental e crescente sobre como o mundo deve ser regido no século 21.

Quanto ao Irã, como em outras questões que considera fundamentais para a sua segurança e interesses nacionais, Washington espera que as coisas saiam do jeito que quer – e está acostumada a conseguir. Está sempre pronta a impor a sua vontade quando necessário. Foi isso que a Secretária de Estado, Hillary Clinton, tentou fazer esta semana colocando na linha no chicote o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Brasil e Turquia, dois membros com liderança em uma nova primeira divisão de potências mundiais emergentes, têm uma abordagem bem diferente. Eles dão ênfase à persuasão e ao acordo. No caso do Irã, em vez de ultimatos, prazos e sanções, eles preferem o diálogo – o que é facilitado pelo fato de que nenhum desses países se sente ameaçado por Teerã.

Lula da Silva, o popular presidente do Brasil, tipifica essa perspectiva. No início deste ano ele advertiu Hillary Clinton com franqueza de que “não seria prudente acuar o Irã num canto”. De modo mais geral, Lula tem lutado pela causa dos países emergentes, desafiou os pressupostos do mundo rico na Cúpula Climática de Copenhaguen, e os EUA quanto a Cuba e a Hugo Chávez.

Lula fala por um mundo que se formou à imagem do Ocidente, mas está rejeitando cada vez mais a sua tutela e suas ideias. A China e a Índia são os membros mais avançados desse grupo, mas a prioridade mais urgente de seus líderes é desenvolver a potência econômica dos seus países. No mais das vezes Pequim evita conflitos abertos com os estadunidenses e seus aliados da Europa Ocidental. Virá o tempo em que isso vai mudar – mas ainda não é agora.

Reagindo com irritação à sugestão implícita de Hillary Clinton, de que o Brasil teria de alguma forma sido “enrolado” pelos astuciosos iranianos para se envolver na questão do urânio, Maria Luiza Ribeiro Viotti, a embaixadora do Brasil na ONU, disse que o Brasil não cooperará com discussões no Conselho de Segurança convocadas pelos EUA, sobre uma nova resolução [contra o Irã]. E sem unanimidade no Conselho, novas sanções têm ainda menos chance de serem honradas ou efetivamente implementadas do que já é o caso agora.

O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, também advertiu Washington de que deveria pensar de novo sobre a questão. “Nós temos uma chance de alcançar uma solução pacífica, negociada, [com o Irã]. Aqueles que descartam essa possibilidade, ou que pensam que são sanções ou outras medidas o que nos aproximará, terão que assumir a responsabilidade por isso.” A robustez dessa linguagem é uma expressão eloqüente da mudança na dinâmica de poder entre a antiga superpotência e seus novos rivais.

Recep Tayyip Erdogan, primeiro-ministro da Turquia, e, como Lula, o líder de uma potência regional emergente, tem um interesse mais direto no que acontece no Irã. Os dois países têm uma fronteira comum e uma crença comum de que o Oriente Médio tem visto interferência demais de potências estrangeiras. Ancara não quer um Irã com armas nucleares mais do que quer um Israel com armas nucleares. Na verdade, busca esvaziar a região de todas as armas de destruição em massa.

Mas Erdogan está cada vez mais resistente ao modo de agir dos EUA, seja fechar os olhos à depredação de Gaza por Israel, dar aulas à Turquia sobre a história da Armênia, ou manter padrões duplos quanto a armas nucleares. Como a maioria dos turcos, Erdogan se opôs à invasão do Iraque. Ele conduziu uma aproximação com a Síria, outro bicho-de-sete-cabeças para os estadunidenses. E esta semana sugeriu que Washington estava se comportando com arrogância ao fazer pouco do acordo com o Irã.

“Este é o momento de discutir se nós acreditamos na supremacia da lei ou a lei dos supremos e superiores”, disse ele. “Enquanto os EUA ainda têm armas nucleares, de onde eles tiram a credibilidade para pedir a outros países que não tenham?” No entanto, apesar de sua óbvia irritação, Erdogan deu resposta às críticas de Clinton de que o cronograma para a troca de urânio era “sem forma”: disse que se espera que o Irã cumpra a sua parte do acordo no prazo de um mês, ou então “ficará por sua própria conta”.

Ahmet Davutoglu, Ministro das Relações Exteriores da Turquia, deixou clara a oposição de Ancara a novas sanções – e que não estava preocupado com deixar os americanos irritados. “Nós não queremos novas sanções em nossa região porque isso afeta a nossa economia, afeta as nossas políticas de energia, afeta as nossas relações com a nossa vizinhança”, disse ele. E sem a cooperação turca, haverá dificuldade para que quaisquer novas medidas tenham impacto.

Aliás, o caso pode ser esse qualquer maneira. No furor se está deixando de ver que, graças à rígida oposição da Rússia e da China, as novas sanções propostas serão bastante fracas mesmo se forem aprovadas como aparecem no esboço. Não será nada do “pacote paralizante” prometido por Hillary Clinton: consiste em grande parte de medidas voluntárias ou não condicionantes, e não terá afetará as vendas de petróleo e gás do Iran, sua principal fonte de renda.

Complementarmente, são esperadas medidas mais duras da parte da União Europeia mais à frente, e países como os EUA e o Reino Unido podem tomar medidas adicionais unilaterais. Assim, é provável que aquilo que os EUA gostariam de apresentar como a frente unida da comunidade internacional contra o Irã termine se reduzindo a uma coalizão estreita de interessados, envolvendo apenas Washington e alguns estados da Europa Ocidental.

O simbolicamente significativo experimento desta semana, de Brasil e Turquia fazerem as coisas de modo diferente, e as divisões que foram expostas pela contenda que se seguiu, sugere que a já frágil arquitetura tradicional de segurança internacional, mantida e policiada por uns poucos países auto-nomeados, não pode mais se manter por muito tempo. O poder está indo embora do Ocidente. Dá quase para senti-lo escapando.

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mai 17 2010

Enquanto 200 milhões se rejubilam…

Categoria: Fascismo,Israel,Mídia,SpamsSenhor_do_Servo @ 16:24

"Multidão" que conseguiram reunir contra o Irã

Os gatos pingados são tão poucos que dá para colocar os nomes na legenda...

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abr 03 2010

Israel diz: Me segurem!

Categoria: Fascismo,Internacional,Israel,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 21:27
Israel ameaçando o Irã

Israel ameaçando o Irã

por Uri Avnery, Gush Shalom (Bloco da Paz), Israel, pelo Viomundo

“Me segurem!” é história que todos conhecem da infância. Os meninos, quando se desentendiam com meninos maiores, sempre fingiam que tentavam conter-se para não atacar o grandão, e gritavam para a rodinha em volta: “Me segurem! Me segurem… Ou eu mato esse cara!”

Israel vive hoje situação semelhante. Israel está fingindo que atacará o Irã a qualquer momento e grita para o planeta: “Me segurem ou…” E o mundo, de fato, tem segurado Israel.

É arriscado profetizar nesses assuntos, sobretudo porque se tem de lidar com gente nem sempre inteligente e nem sempre, digamos mentalmente sã. Mesmo assim, arrisco: não há qualquer possibilidade, de nenhum tipo e por seja qual for o cálculo, de Israel mandar seus aviões atacarem o Irã.

Não vou entrar em assuntos militares. Mas… será que a Força Aérea de Israel é capaz de executar tal operação? As circunstâncias de hoje são semelhantes às de há 28 anos, quando Israel conseguiu destruir o reator iraquiano? Será que Israel conseguirá destruir o esforço nuclear iraniano, cujas instalações são dispersas num vasto território e enterradas fundo no subsolo?

Interessa-me focar outro aspecto: será que o ataque ao Irã é politicamente viável? E levará a que consequências?

Em primeiro lugar, uma regra de base, na realidade israelense: o Estado de Israel não pode iniciar nenhuma operação militar de larga escala sem que os norte-americanos concordem.

Israel depende dos EUA em praticamente todos os campos e esferas, mas em nenhum campo ou esfera depende mais do que nos campos e esferas e assuntos bélicos e militares.

Todos os aviões necessários para a missão são fornecidos pelos EUA. O funcionamento e a operação dos aviões dependem de os EUA fornecerem peças de reposição. E seria absolutamente indispensável usar os aviões-tanques dos EUA para reabastecimento.

O mesmo se pode dizer de praticamente todas as armas e materiais de guerra do exército de Israel, além do dinheiro indispensável para comprá-los: tudo vem dos EUA.

Em 1956, Israel entrou em guerra sem o consentimento dos EUA. Ben-Gurion imaginou que bastaria acertar-se com o Reino Unido e a França. Errou imensamente. Cem horas depois de anunciar que “O Terceiro Reino de Israel” estava nascendo, anunciou com voz alquebrada que se retiraria de todos os territórios que acabava de ‘conquistar’. O presidente Dwight Eisenhower e seu colega soviético obrigaram Ben-Gurion a recuar, e foi o fim daquela aventura.

Desde então, Israel nunca mais iniciou guerra alguma sem, antes, obter autorização de Washington. Na véspera da Guerra dos Seis Dias, Israel enviou emissário especial aos EUA, para não haver qualquer dúvida quanto à autorização dos norte-americanos. O emissário recebeu luz verde dos norte-americanos e o ataque foi iniciado.

Às vésperas da Primeira Guerra do Líbano, Ariel Sharon, ministro da Defesa, correu a Washington para pedir autorização para atacar. Encontrou-se com o secretário de Estado Alexander Haig, que concordou com o ataque, mas exigiu que Israel só atacasse se fosse claramente provocado. Alguns dias depois, por coincidência, houve um atentado contra a vida do embaixador de Israel em Londres. E a guerra começou.

Os ataques do exército de Israel ao Hizbollah (“Segunda Guerra do Líbano”, como é chamada) e ao Hamás (a operação “Chumbo Derretido”) só foram possíveis porque foram operações incluídas na campanha dos EUA contra o “Islã Radical”. À primeira vista, o mesmo argumento aplicar-se-ia a um ataque ao Irã, mas… Não. Não. Não, porque um ataque de Israel ao Irã seria desastre militar, econômico e político para os EUA.

Dado que os iranianos também sabem muito bem que Israel não pode atacar sem que os EUA autorizem, os iranianos estão também jogando o seu jogo e reagirão de acordo com as circunstâncias.

Já escrevi aqui, que basta um rápido exame do mapa, para ver qual seria a reação imediata, se o Irã fosse atacado. O pequeno Estreito de Hormuz, à entrada do Golfo Persa (ou Árabe), pelo qual passa quantidade imensa do petróleo do mundo, seria fechado em questão de minutos. O resultado abalaria a economia mundial, dos EUA e Europa à China e Japão. Os preços chegariam às alturas. Países que hoje, a duras penas, começam a recuperar-se da última crise econômica mundial, afundariam na miséria, no desemprego, nos tumultos de rua e na bancarrota.

O Estreito só poderia ser reaberto por ataque por terra. Os EUA simplesmente não têm soldados para desperdiçar nesse tipo de operação – ainda que a opinião pública norte-americana aceitasse outra guerra, e guerra muito mais difícil do que no Iraque ou no Afeganistão, o que é improvável. Duvido até que os EUA se dispusessem a ajudar Israel a defender-se do inevitável contra-ataque por mísseis iranianos.

Qualquer ataque israelense a país islâmico central uniria o mundo islâmico, inclusive todo o mundo árabe. Os EUA passaram os últimos anos labutando muito para formar uma coalizão de países árabes “moderados” (quer dizer, de países árabes governados por ditadores sustentados pelos EUA), contra os Estados ditos “radicais”. Todo esse trabalho iria imediatamente pelo ralo. Nenhum líder árabe conseguiria manter-se neutro, se as massas fossem para as ruas exigindo ação.

Tudo isso é perfeitamente evidente para qualquer pessoa bem informada, e é super evidente para os líderes civis e militares norte-americanos. Secretários, generais e almirantes já foram enviados a Israel para explicar tudo isso aos líderes de Israel, em língua de jardim de infância: Não! No! Nyet!

Assim sendo, por que a opção militar ainda não foi excluída da mesa de discussões? Porque EUA e Israel gostam de tê-la ali, à vista, sobre a mesa.

Os EUA gostam de aparecer como a única força capaz de conter os ferozes Rottweilers israelenses. Assim, todas as demais potências são pressionadas a impor sanções ao Irã. Se alguém não concordar, ali estão os furiosos cães israelenses, sempre a um passo de escapar da coleira. Imaginem o que acontecerá!

E que sanções? Já há algum tempo, não há palavra mais aterrorizante do que essa – “sanções” – no palco das discussões internacionais. Mas se pensarmos um pouco, logo se verá que há mais fumaça que fogo.

Alguns comandantes da Guarda Revolucionária talvez sejam feridos, a economia iraniana talvez sofra algum dano colateral. Mas já ninguém cogita de aplicar “sanções que paralisarão o Irã”, porque não há qualquer chance de Rússia e China concordarem. São dois parceiros do Irã, e “sanções que paralisem o Irã” atingiriam também russos e chineses.

Além disso, a possibilidade de essas sanções interromperem a construção de alguma bomba é mínima; sequer conseguirão retardar o processo. Do ponto de vista dos aiatolás, o esforço nuclear é imperativo de segurança nacional – país sem bomba atômica não tem como defender-se da ameaça norte-americana. Dado que os EUA jamais desistiram de tentar derrubar o regime dos aiatolás, nenhum governo iraniano pensaria diferente. Sobretudo durante o último século, norte-americanos e britânicos jamais agiram de outro modo. As negativas do Irã são perfunctórias. Segundo todos os relatos, até os mais extremistas opositores de Mahmoud Ahmadinejad apóiam o projeto da bomba atômica iraniana e o defenderão se for atacado.

Nesse ponto, a liderança israelense tem razão: nada impedirá o Irã de construir sua bomba, exceto o emprego massivo de força militar. “Sanções” são brincadeiras de criança. O governo dos EUA fala delas em termos tão empolgados, apenas para encobrir a evidência de que nem todo o exército dos EUA pode impedir os iranianos de ter sua bomba.

Quando Netanyahu & Co. criticam a falta de habilidade dos EUA para enfrentar o Irã, os norte-americanos lhe respondem na mesma toada: vocês também não merecem confiança.

De fato, que confiança mereceriam os políticos e militares israelenses? Eles mesmos convenceram a opinião pública em Israel de que o Irã seria questão de vida ou morte para Israel. Que o Irã seria governado por um neo-Hitler, antissemita doente, obcecado negador do Holocausto. Se esse demônio construir uma bomba atômica, não hesitará em lançá-la sobre Telavive e Dimona. Com essa espada sobre as cabeças israelenses, não há tempo a perder, nenhum outro assunto merece atenção – por exemplo, a questão palestina e a ocupação da Palestina.

Assim, quem quer que, hoje, insista em discutir a questão palestina no governo de Netanyahu, é imediatamente interrompido: “Que Palestina? Esqueçam isso! Nosso problema é a bomba atômica iraniana!”

Questão palestina para os israelenses

Questão palestina para os israelenses

Até agora, Obama e sua equipe têm conseguido inverter a argumentação de Netanyahu: se há alguma ameaça existencial contra Israel, dizem eles, basta raciocinar. Se a questão das construções ameaça a própria existência de Israel, é simples: entreguem as colônias da Cisjordânia… E salvem a existência de Israel. Aceitem a proposta da Liga Árabe, façam a paz com os palestinos, e o mais rapidamente possível. Esse movimento de Israel fará melhorar a posição dos EUA no Iraque e no Afeganistão e liberará nossos soldados. O Irã ficará com um motivo a menos para fazer guerra contra Israel! As massas no mundo árabe terão um motivo a menos para apoiar o Irã!

E os EUA concluem: Se um novo quarteirão exclusivo para judeus em Jerusalém Leste é mais importante para Israel do que a bomba iraniana… A bomba iraniana, evidentemente, é realmente muito menos preocupante, para Israel, do que Netanyahu vive dizendo! Cá entre nós, modestamente, eu também acho: a bomba iraniana, de fato, não é problema.

Há dois dias, a jornalista correspondente do Channel 2, muito popular em Israel, telefonou-me e perguntou, com voz chocada: “É verdade que você deu uma entrevista a uma agência iraniana de notícias?!”

“É verdade”, respondi. A agência mandou-me algumas perguntas por e-mail, sobre a situação política; e respondi por e-mail. “Por que você respondeu?!” – ela perguntou-acusou. “E por que não responderia?!”, disse eu. E a conversa acabou ali.

De fato, por que não? Sim, Ahmadinejad é líder repulsivo. Espero que os iranianos livrem-se dele e deve-se esperar que aconteça logo. Mas as relações entre Israel e o Irã não dependem de Ahmadinejad, seja quem for.

Israel e Irã sempre foram nações amigas, do tempo de Ciro ao tempo de Khomeini (a quem Israel forneceu armas, na guerra contra o Iraque).

Na Israel de hoje, o Irã está sendo apresentado como caricatura; como país primitivo, louco, sem outra coisa na cabeça além da obsessão de destruir o Estado sionista. Mas basta ler alguns bons livros sobre o Irã (recomendaria “Understanding Iran”, William Roe Polk, Harper: EUA, 2009 [1]), para conhecer um dos países civilizados mais antigos do mundo, onde nasceram vários grandes impérios e que tem impressionante contribuição para a cultura humana, uma tradição antiga e honrada. Para muitos especialistas, a religião dos judeus foi profundamente influenciada pelos ensinamentos éticos de Zoroastro (Zaratustra).

Sejam quais forem os desmandos de Ahmadinejad, os clérigos islâmicos, que governam realmente o país, têm implantado e mantido políticas cautelosas e sóbrias, e jamais atacaram qualquer outra nação. Têm interesses, é claro, mas Israel não é assunto que interesse ao Irã. A ideia de que os iranianos sacrificariam o próprio país e seus cidadãos, para destruir Israel é, no mínimo, ridícula.

A simples verdade é que não há meios de impedir que os iranianos alcancem sua bomba atômica. Melhor, portanto, pensar com seriedade sobre o mundo com a bomba iraniana: não se alterará o ‘equilíbrio nuclear’ no campo do terrorismo, como o que sempre houve entre Índia e Paquistão; mas o Irã será elevado à categoria de potência regional; e será indispensável iniciar diálogo racional e sóbrio que inclua o Irã.

A principal conclusão, contudo, é a seguinte: é preciso fazer a paz entre Israel e os palestinos, porque assim de esvaziará o argumento iraniano, de que precisa da bomba para proteger-se contra os israelenses, algozes dos palestinos.

Este artigo será publicado, em inglês, na página do Jornal Gush Shalom – Uri Avnery’s Column

Nota de tradução[1]: Há interessante “Carta aberta ao presidente Obama”, de outubro de 2009, do mesmo autor e sobre o mesmo assunto, em aqui (traduzida)

Tradução: Caia Fittipaldi

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mar 13 2010

“Ahmadinejad não é Hitler”

Categoria: Apoiamos,Internacional,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 12:32

Do Estadão pelo Luís Nassif Online

Presidente critica tanto ”demonização” do Irã quanto a negação do Holocausto e a ameaça à existência de Israel

Denise Chrispim Marin

ÍCONE – Com camiseta do ”Che”, palestino junta pedras para atirar em policiais israelenses em Jerusalém

Cinco dias antes de desembarcar em Israel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o regime dos aiatolás não podem ser comparados a Adolf Hitler e ao nazismo. Mas Ahmadinejad também não pode pregar a eliminação de Israel e negar o Holocausto. A receita para o diálogo foi publicada na edição de ontem do jornal israelense Haaretz.

Na entrevista, Lula defendeu ainda a inclusão de novos mediadores para a solução do conflito entre israelenses e palestinos, com acesso irrestrito a todas as outras partes envolvidas na questão, como Síria e Irã.

A entrevista foi concedida no dia 9 a três meios de comunicação: os jornais Haaretz e The Maker e a Agência de Notícias Brasil-Árabe. Intitulada “O Profeta do Diálogo”, a reportagem do Haaretz adotou um tom elogioso. Diz que Lula é o “mais popular chefe de Estado da história do país” e o apresenta como um político que atrai “consenso universal” no Brasil.

“Qualquer um que compare Ahmadinejad e o Irã atual a Hitler e ao nazismo está fazendo o mesmo tipo de radicalismo que o Irã é acusado de fazer. Qualquer um que siga essa linha não está contribuindo, no final das contas, com o processo de paz que nós queremos criar para o futuro”, afirmou. “Não se pode fazer política com ódio e ressentimento”, completou Lula.

O presidente foi cauteloso ao abordar as acusações frequentes de Ahmadinejad contra Israel. Lula relatou que, em novembro, quando recebeu o iraniano em Brasília, o aconselhou a parar com as declarações de que Israel tem de ser eliminado do mapa e o Holocausto dos judeus pelo regime nazista não existiu.

“Eu falei com o presidente do Irã e deixei claro que ele não pode sair falando que quer liquidar Israel, assim como não pode negar o Holocausto, que é um legado para toda a humanidade”, contou Lula.

A reportagem reitera que Lula visitará Israel, territórios palestinos e Jordânia, entre segunda e quinta-feira, e dentro de dois meses viajará para Teerã. Ao ser questionado sobre o roteiro, Lula disse estar convencido de que há uma relação direta entre o avanço no processo de paz e seu plano de visitar o Irã.

“POSIÇÃO DE PRINCÍPIOS”

Essa argumentação reforça a posição de Lula como mediador extraoficial na região. “O conflito no Oriente Médio não é bilateral e não pertence apenas a Israel e aos palestinos. Há outros interesses no Oriente Médio, que devem estar representados”, afirmou. “O Irã é parte disso tudo e, portanto, precisamos falar com eles.”

Ainda segundo o Haaretz, Lula defendeu a entrada de novos atores no processo de paz. Oportunamente, também se apresentou como um líder com desenvoltura para conversar com os chefes de Estado dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e com os envolvidos diretamente nos conflitos do Oriente Médio.

O principal objetivo do giro de Lula não seria necessariamente relançar o processo de paz, afirma Reginaldo Nasser, da PUC-SP. “Ao visitar Tel-Aviv e Ramallah, Lula busca credibilidade internacional e destacar que o Brasil ocupa agora um novo patamar no cenário internacional”, afirmou Nasser ao Estado.

Nesse sentido, Lula não levará a israelenses e palestinos um plano concreto de ação para retomar o diálogo, mas “uma posição de princípios”, completa o professor de relações internacionais da Unesp Tullo Vigevani. “O Brasil quer ajudar e não busca uma posição absolutamente central no processo.”

COLABOROU ROBERTO SIMON

Original no Estadão

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dez 04 2009

Mas por MIM o Lula fala, Miriam Leitão

Categoria: Internacional,Israel,Política,Vera L. SilvaVera L. Silva @ 18:24

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No MiriamLeitão.com, da Globo, li agora   matéria intitulada “Ele  não fala por mim”, se referindo ao Presidente Lula e sua posição diante do programa nuclear  iraniano.

Cá estou eu,  abarrotada de serviço até ao pescoço,  mas não consigo me conter. Tenho que responder. E responder  parágrafo por parágrafo, ou, como dizemos aqui em Goiás,  “vou dar  uma sapituca”.

E ela escreve, textualmente:

Ele não fala por mim

O presidente Lula defendeu ontem, de novo, o programa nuclear iraniano. A defesa do Irã é tão gratuita que causa espanto. Por que defender o indefensável? Ele disse que os Estados Unidos e a Rússia não têm autoridade para criticar o Irã. Não foram apenas esses dois países que condenaram o programa iraniano. O mundo o condenou porque ele não tem nenhuma cara de ser pacífico.
” O mundo o condenou porque ele não tem nenhuma cara de ser pacífico” Espantoso!  É esse o seu  critério de julgamento?  A “cara” de Ahmadinejad ?!  Quer  dizer que todos os últimos governantes dos EUA  tinham “cara”  boa  e por isso você foi   nadar naquelas  águas? Você, por exemplo, tem “cara” de ser uma mulher inteligente  mas ao dizer tamanha asneira, fica claro que sua “cara” engana. E agora, Míriam?

Parte do raciocínio faz sentido, parte não faz. Quando defende o desarmamento nuclear de todos, Lula representa a maioria do povo brasileiro, a quem nunca interessou o desenvolvimento de armas nucleares. Mas não faz sentido é a defesa, extemporânea e gratuita, de um governo que se isola da comunidade internacional, que escondeu parte das suas instalações nucleares, que mentiu para a Agência  Internacional de Energia Atômica (AIEA) e que admite que está enriquecendo urânio além do percentual necessário para produzir energia.
* Tic… o Lula representa não apenas  a maioria, mas TODO o  povo  brasileiro, o tempo todo. Diga  pois là  aos gringos  que  à  nós  realmente  “nunca interessou o desenvolvimento de armas nucleares”. O Lula já disse.

O que o Brasil ganha defendendo um país que na semana passada foi condenado na Agência Internacional de Energia Atômica? China e Rússia votaram contra o aliado. O Brasil se absteve. Nada pior do que a abstenção num caso que merece uma posição clara.
* O  Lula já defendeu sua posição, moça. Não entendeu ainda?! Percebo que você  é quem não está respeitando a posição do Presidente.

Após sete anos de improvisos catastróficos em viagens internacionais, o presidente Lula ainda não entendeu que ele, quando está representando o Brasil, não fala por si, mas pela nação inteira. Portanto, tem que expressar o sentimento coletivo e não seus impulsos. Não há qualquer clamor no Brasil de defesa do Irã, muito menos do governo Ahmadinejad. Pelo contrário. A esdrúxula negativa de fatos históricos como o holocausto torna o governante iraniano definitivamente divorciado do pensamento da maioria dos brasileiros. Quando as urnas iranianas exalavam ainda o mau cheiro das fraudes, o Brasil foi o primeiro país a dizer que a eleição dele foi legítima. Até o Conselho de Guardiões do Irã admitiu que houve em cinquenta cidades do país mais votos que eleitores. A repressão ao movimento popular que pedia eleições limpas matou cidadãos nas ruas, como a jovem Neda. Naquele momento de indignação em todo o mundo com o governo Ahmadinejad, o Brasil se apressou a dar o aval a eleições fraudulentas.
* Ora, ora… “sete anos de improvisos catastróficos”? Engraçado… nestes sete anos,   quando incontáveis vezes  ouvi você dizer  o contrário na telinha global, estava acaso sendo obrigada  à isso pelos seus patrões? Eles apertavam o sininho Plim-Plim e lá ia você, contrariada, elogiar  o Presidente? Acaso em todas as vezes engolia seus próprios impulsos? Isso é mal. Talvez devesse procurar outro emprego.
*  O que tem  o presidente iraniano, Ahmadinejad, a ver com  o Holocausto?! Porque lhe imputa esta pena?!  E  porque você, tão correta e ética, senão os outros, não divulgou  pelo menos AQUI , um  dia após a visita do Presidente  iraniano ao Brasil,  o reultado da “estrondosa” manifestação do povo brasileiro nas  10 capitais do país  contra a visita do Dr. Ahmadinejad, conforme divulgaram que aconteria, antes da sua visita?  Se o tivesse feito, ou  os outros, o mundo teria tido conhecimento do que pensa exatamente o povo brasileiro sobre  o Irã, Gaza, Palestina.. e  Israel. Sim, porque você,   neste texto,  evita usar a  plavra  Israel, preferindo citar  a palavra “Holocauto”. Patética essa sua tentativa de  manipular a mente do eleitor  através da   palavra. Sim, porque se você escreve  “Israel”,  automaticamente, na mente  de qualquer leitor, surge as  imagens do holocausto praticado pelos judeus em Gaza, na Palestina,  no Oriente Médio… surge a imagem de massacres, de muro, de mortos, de guerra, de armas nucleares…   mas se você fala “Holocausto”…
* Eu gostaria de saber a  SUA  posição diante das eleições em Honduras semana passada. Porque não defende  a posição do Presidente Lula de  se recusar a aceitar as eleições cocorridas ali, essas sim, ilegítimas e fraudulentas, resultantes de um golpe militar que vai exalar mau-cheiro em nossos narizes  latinos – inclusive  no seu?! A repressão em Honduras feriu, destruiu e matou, moça.

Com Honduras, ocorreu o oposto: o governo brasileiro condenou as eleições antes mesmo que elas tivessem acontecido. E já avisou que não reconheceria o novo governo.                                                                                                                                                                                                                                                                                                 *O que te dói é o  Presidente Lula não comer no prato yanque? Quase sempre em posições opostas, os dois.

No caso de Honduras e no caso do Irã, o que a política externa perde é o tom. Ser a favor do desarmamento nuclear o Brasil sempre foi. Mas sempre foi também contra a proliferação nuclear. E o Irã neste momento significa, na opinião das maiores autoridades no assunto reunidos na AIEA, o risco de proliferação nuclear. O mais estranho da declaração de Lula é que ela veio depois de ter sido divulgado um comunicado conjunto com a chanceler alemã Angela Merkel, admoestando o Irã a “responder positivamente” e “cooperar inteiramente” com a AIEA e a ONU. Isso sim é o correto e tira o Irã do isolamento.
* Traduza esta frase para mim: “Ser a favor do desarmamento nuclear o Brasil sempre foi. Mas sempre foi também contra a proliferação nuclear”. Compreendi que ela quer dizer que o Irã não pode, o Brasil não pode, a Venezuela não pode, Cuba não pode… mas os que têm armas nucleares devem conserva-las  para se defenderem de nós,  os que não as possuímos?!

No caso de Honduras, a posição defendida pelo presidente Lula, seu secretário de Relações Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tem a mesma dubiedade. No princípio, foi no tom exato, depois, desafinou. Numa região devastada por golpes de Estado, o Brasil condenou o golpe e a deportação de Manuel Zelaya, no que fez bem. A posição brasileira começou a sair do tom quando deixou de ser a defesa dos princípios democráticos para ser uma militância zelaysta.
* Hum.. você ataca o Presidente e cita   seu secretário e seu  ministro; ataca o  Irã e cita Honduras…  Essa conduta é velha no jornalismo. Quase infantil.  Uma hora a posição tomada é do Lula,  outra hora é brasileira.  Que TOM exato voce aconselha o  Presidente a tocar? Ou  você  prefere mesmo é ve-lo dançar  sob  o “tom”  da IEA,  da ONU,   dos EUA…   Lula, ao defender  o Presidente Zelaya, defendeu   aos que ele representava – o povo de Honduras. Isso vale para Ahmadinejad e  o povo iraniano.  Só  na sua cabeça um Presidente eleito não representa o povo que o elegeu!

O Brasil condenou uma eleição, a priori, e avalizou outra, quando a população ainda estava na rua indignada com as fraudes.
* Que tipo e que número  de  população estava nas ruas do Irã? A maioria dela? Você tem certeza? E  por quem ela era apoiada? Quem patrocinou cada um desses movimentosAnti-Ahmadinejad no Irã?

No mensalão do DEM em Brasília, o presidente Lula só encontrou a palavra “deplorável” no segundo dia. No primeiro, disse: “as imagens não falam por si”. O presidente da República não pode préjulgar. Mas não condenar antecipadamente não é o mesmo que absolver. Tudo fala por si no escândalo de Brasília: as imagens, os diálogos gravados, as conversas telefônicas, as desculpas improvisadas e mutantes e a hesitação do Democratas. “Aquela despesa mensal com político sua hoje está em quanto?”, disse o governador de Brasília, José Roberto Arruda. Muita coisa está fora da ordem nessa frase além do pronome possessivo.
* “o presidente Lula só encontrou a palavra “deplorável” no segundo dia. No primeiro, disse: “as imagens não falam por si”.  Não.  No primeiro  dia a  “grande” imprensa, a mesma,  sempre ela,  manipulou e divulgou o que ele disse: “as imagens não falam por si”. É que o presidente Lula deve acreditar na Justiça brasileira, como bom cidadão que  é, e deixar à ela o que a  ela compete,  ao invés de julgar pela “cara” das imagens que viu. Primeiro, o julgamento, depois a condenação.  É assim que é, para  o  Presidente Lula e para a  maioria de nós, brasileiros.  Deplorável,   sua colocação.

O presidente Lula poderia não ter se manifestado. Seria melhor. Mas sua forma de lidar com a imprensa é autoritária como nos governos militares. Naquela época os generais não davam entrevistas coletivas. Eles falavam quando eram abordados em viagens internacionais. Ao seguir esse modelo, Lula acaba se aborrecendo quando perguntado por essa “coisinha”. Preferia que perguntassem sobre grandes questões internacionais. Mas, no dia seguinte, brindou seus interlocutores com a defesa dispensável do programa nuclear iraniano. No Brasil, nunca se viu um movimento de opinião pública a favor do programa nuclear iraniano. Isso não é uma questão por aqui. O que incomoda, machuca, confunde o país neste momento são estas “coisinhas” deploráveis. Lula quando fala certas coisas deveria esclarecer que fala por si.
* “O presidente Lula poderia não ter se manifestado. Seria melhor”.  Melhor  para quem?
* “sua forma de lidar com a imprensa é autoritária como nos governos militares”. Ora, seus patrões não têm do que reclamar dos governos militares, então porque você reclama? Acaso vejo aí um começo de rebelião?! Que  “coisinha”  te  importuna agora neste país que vai muito bem  obrigada? Não seria o país estar muito bem obrigada…. seria?! Acaso, como  o Obama, você está “decepcionada” ?
* “a defesa dispensável do programa nuclear iraniano” Indispensável para quem? Á quem não interessa o programa nuclear iraniano,  Dona Míriam?
* “O que incomoda, machuca, confunde o país neste momento são estas “coisinhas” deploráveis” Engraçado. O que realmente não incomoda,   nem  machuca e nem confunde mais  o povo do país   são as notícias publicadas  pelos canais de  comunicação onde pessoas como você atuam. Sinceramente, você, hoje em dia,  apenas consegue, mometaneamente, ser irritante.

E  meta na sua  cabeça: Você só  escreve  por você. Mas mesmo assim eu te li e, de lambuja, vou  postar sua matéria no meu blog e noutros onde colaboro -  e agradeça, moça. Dias virão que nem  isso.

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nov 24 2009

Ahmadinejad: “A era dos armamentos nucleares acabou; começa a do pensamento”

Categoria: Apoiamos,InternacionalVera L. Silva @ 20:44

Para Ahmadinejad, época do armamento nuclear acabou e começa a era do pensamento.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que a era dos armamentos nucleares acabou. Segundo ele, se tais armamentos fossem úteis, estariam sendo usados pelos americanos, israelense e russos. “Começou a era da humanidade, do pensamento: o poder dos povos é o pensamento, e não os armamentos nucleares”, disse Ahmadinejad, em entrevista à TV Brasil e à Agência Brasil na suíte presidencial de um hotel de Brasília, antes de deixar o país.

Ele informou que o Irã vai continuar suas pesquisas sobre enriquecimento de urânio e que pretende comprar o combustível pronto de outros países para uso na indústria de remédios, em um gesto de boa vontade. Disse também que espera do Brasil uma cooperação, na área nuclear, naquilo que seja semelhante, sem que isso signifique alterações de visão sobre os objetivos de cada país. “Certamente a democracia no Brasil e no Irã é mais avançada quando comparada com o resto [do mundo”, afirmou Ahmadinejad.

Para ele, o Brasil é uma espécie de modelo de democracia. "Nos lugares em que o dinheiro define a participação [no governo], onde está o lugar do povo?”, indagou, referindo-se ao processo eleitoral nos Estados Unidos. Ele defendeu, porém, a restrição existente no sistema iraniano, em que apenas algumas religiões, ditas “divinas”, podem participar da política. Veja a seguir a integra da entrevista, que será exibida hoje, às 21h, no programa Repórter Brasil, da TV Brasil: Empresa Brasil de Comunicação

(EBC): Presidente Mahmoud Ahmadinejad, no seu longo encontro reservado com o presidente Lula, o que foi tratado? Mahmoud Ahmadinejad: Em nome de Deus, o clemente, o misericordioso, eu apresento as minhas saudações ao povo brasileiro: um povo culto, um povo simpático, um povo muito amável. É muito natural que, quando dois grandes países conversam, essa conversa seja longa. Nós fizemos uma revisão sobre nossas relações bilaterais e os campos livres em que podemos buscar novos entendimentos. Fizemos uma avaliação sobre a conjuntura mundial e também nos perguntamos sobre os esforços que podemos fazer para a paz mundial. Concordamos que tanto a minha visita como a do presidente Lula ao Irã, em 2010, poderá fortalecer as nossas relações bilaterais.

EBC: O que ficou decidido sobre a atuação dos dois países nos conflitos do Oriente Médio?

Ahmadinejad: As causas dos conflitos do Oriente Médio constituem uma das questões mais complexas do mundo. Temos que identificar as raízes e assim tratá-las. Vamos continuar nossas conversas com o presidente Lula nesse sentido. E espero que, baseados na Justiça, possamos chegar a uma solução, porque o presidente Lula deseja Justiça e nós, também. Pode ser que nossas informações sejam diferentes e até nossas atitudes e nossos comportamentos. Se intercambiamos nossas opiniões e ideias, pode ser que isso coincida e criaremos uma opinião. Estou muito “esperançado” e espero que Deus ajude nisso.

EBC: Com o conjunto dos acordos assinados hoje o que vai representar em termos de balança comercial entre Brasil e Irã?

Ahmadinejad: O Produto Interno Bruto (PIB) iraniano é da ordem de US$ 800 bilhões (paridade de poder de compra), isso num momento em que os preços no país estão muito baixos em termos internacionais. É muito natural que as relações entre os dois países sejam feitas em torno do desenvolvimento econômico – nós temos potencialidades e também necessidades. E Brasil, o mesmo. Podemos trabalhar em um sistema de complementaridade na atividade produtiva e comercial para que os dois países se desenvolvam economicamente com mais aceleração.

EBC: O presidente Lula conseguiu mudar a sua visão sobre a questão nuclear?

Ahmadinejad: Será que ele queria fazer isso? ABr: Havia uma expectativa de que o Brasil e o Irã poderiam estabelecer um caminho comum na questão nuclear? Ahmadinejad: O caminho comum não significa alteração das visões. Nós estamos caminhando por um caminho e isso quer dizer que também estamos fazendo cooperações naquilo que é semelhante entre os dois países.

EBC: O Irã assinou o tratado de não proliferação, e existe inclusive uma lei rigorosa religiosa que proíbe armas nucleares. Por que o resto do mundo tem dificuldade de acreditar no Irã?

Ahmadinejad: Não é o mundo, são alguns países que tem hostilidade conosco, eles querem monopolizar a energia nuclear. Até são contra o desenvolvimento do Brasil e também são contra o desenvolvimento do Irã. Inspecionaram atividades [nucleares] iranianas e foi divulgado pela Agência Internacional de Energia Nuclear que não houve desvio no programa nuclear iraniano.

EBC: De onde vêm os fundamentos das críticas?

Ahmadinejad: Aqueles que estão contra o Irã não são pessoas que estão contra os armamentos nucleares; porque eles têm. Se alguém está contra um ato ilegal, inaceitável, em primeiro lugar, não tem que fazer isso. Como eles estão praticando isso e querem que outros não pratiquem? Nós pensamos que a era dos armamentos nucleares já chegou ao fim. Se esses armamentos nucleares fossem úteis, teriam ajudado a União Soviética e também o governo norte-americano a vencer no Afeganistão e no Iraque. O regime ocupacionista de Israel também poderia ganhar algo em Gaza. Sabemos que isso não ajuda. Tanto pelos regulamentos como pelos pensamentos sobre o uso desses armamentos. Pela religião, é proibido, e no pensamento lógico isso também não funciona. Nós achamos que aqueles que estão à procura de armamentos nucleares são pessoas politicamente atrasadas. A era dos armamentos já acabou. Começou a era da humanidade, do pensamento: o poder dos povos é o pensamento e não os armamentos nucleares.

EBC: O Irã vai continuar sua experiência com enriquecimento de urânio ou vai comprar no exterior o urânio enriquecido de que precisa?

Ahmadinejad: Continuamos o enriquecimentos de urânio para combustível em nossas usinas. O que nós queremos comprar é combustível para um reator que ajuda na produção de medicamentos. Nós propomos isso para que se desenvolva a cooperação em nível internacional. E deixamos uma oportunidade para que aqueles que estavam contra o Irã possam estabelecer uma cooperação com o programa nuclear iraniano.

EBC: Há uma minoria judia no Irã que relata ser muito bem tratada, acolhida, respeitada pelos iranianos, mas há outras minorias que enfrentam certas dificuldades, como, por exemplo, 18 líderes Baha’is presos recentemente e outras pequenas minorias que reclamam por direitos humanos. O Irã, que sofreu com o autoritarismo de outros países, pode se permitir condições autoritárias para parte de sua população?

Ahmadinejad: Pela Constituição iraniana, todas as religiões divinas são livres para praticar suas tradições, como judeus, cristãos, muçulmanos. Essas religiões podem praticar seus costumes e cultos e ter representação no governo e no Parlamento. A nossa Constituição não considera Baha’is como religião. Não é uma religião, é um grupo político e, por isso, não é reconhecido pela Constituição. No Irã, na convivência pessoal, eles (Baha’is) estão livres, mas não podem estar presentes na governança do país ou ter um centro para seus cultos. Isso é lei.

EBC: Essa resposta provocou uma dúvida: O que é democracia para o senhor?

Ahmadinejad: Hoje democracia tem mais de 50 aspectos diferentes. Um conceito e uma definição, por exemplo, é o governo do povo para o povo. E os meios para atingir isso são diferentes, mas só sabemos que o grau de democracia no Irã é muito alto. Cerca de 70% das pessoas participaram das eleições, isso mostra alta participação e alta liberdade, podemos dizer. É que no Irã não existe obrigatoriedade de voto nas eleições. Isso acontece em plena liberdade. Os candidatos também estão livres para expressar suas ideias, uma liberdade plena, em todas as instituições do Irã.

EBC: E qual é o melhor exemplo?

Ahmadinejad: Nós achamos que a democracia que terá sucesso é a que for baseada em aspectos bons. A democracia que está sustentada no domínio do poder e da riqueza, essa não é democracia. Basta olhar para Estados Unidos – são dois partidos que participam. Será que toda a população americana se divide entre esses dois partidos? E eles estão obrigados a votar nesses dois grupos, não têm outra opção. Porque tanto a mídia quanto a riqueza estão nas mãos desses grupos, se aparece um independente, certamente não vai ganhar, porque o sistema eleitoral lá é muito custoso. Quem pode ganhar é o que gasta muito, milhares… E o resto da população? Qual é a sua posição? E na Europa também é o mesmo. Só dois partidos que normalmente ganham mais votos. Certamente a democracia aqui no Brasil e no Irã é mais avançada quando comparada com o resto do mundo.

EBC: O senhor acha que democracia do Brasil pode servir de modelo?

Ahmadinejad: Acho. Acho que existe liberdade no Brasil, existem muitos partido,s e o poder não está dividido em grupos específicos. Nos Estados Unidos, o poder durante os últimos 100 anos está dividido entre dois partidos apenas. Como isso pode acontecer? Isso quer dizer que a democracia lá é muito limitada, mas, no Irã, até as pessoas independentes, sem filiação partidária, podem participar das eleições. O dinheiro não é definição para participação. Mas nos lugares em que o dinheiro define a participação, onde está o lugar do povo? Desejamos que chegue um dia em que possamos aplicar a vontade dos povos. Desejo mais uma vez prosperidade e desenvolvimento para a nação brasileira e para todas as nações.

José Bortot e Lincon Macario – Repórteres da Agência Brasil e da TV Brasil

do  Blog do Atheneu

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nov 24 2009

Tudo que você sabe sobre o Irã é um Mito

Categoria: Israel,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 18:05

Do blog do Virgílio Freire

O Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad,

O Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, começa hoje visita oficial ao nosso país.

Forme sua própria opinião, sem ser manipulado pela mídia e pelos sionistas. O artigo abaixo faz uma lúcida análise das idéias e dos discursos do líder Iraniano.

Lembre que o Irã nunca atacou, e que não ameaça atacar outros países. Israel é que tem um discurso belicista e ameaçador.

Existem alguns termos que as pessoas nos países islâmicos e ocidentais nunca deveriam dizer uns aos outros, porque confundem e inflamam mais do que esclarecem. Os mais óbvios seriam “jihad”, “Cruzada” e “Grande Satã”. Todos eles são usadas de maneira um tanto inócua pelas pessoas que as dizem, mas significam algo completamente diferente – e muito mais inflamatório – para ouvidos estrangeiros.

Gostaria de propor um acréscimo na lista de palavras que nunca devem ser usadas – a palavra “mito”. Especificamente quando é usada no contexto em que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o líder da Irmandade Egípcia, Mohammed Mehdi Akef, a têm mencionado nos últimos meses, ou seja, falam do “mito do Holocausto” (Egyptian Islamists deny Holocaust; BBC News, 23 Dec 2005).


Eles sabem o que querem dizer ao usar esta expressão, e eu também sei, mas por outro lado, se eles acham que a maioria das pessoas aqui no Ocidente irá ouvi-los e responder com algo mais profundo do que “Negadores do Holocausto!” então são profundamente ignorantes a respeito de como é central o Holocausto nas percepções dos Estados Unidos sobre o Oriente Médio, como é superficial o discurso público nos Estados Unidos sobre as relações com o mundo muçulmano, e o quanto esse discurso é moldado por aqueles que estão desejando um “Choque De Civilizações” e que atualmente estão empenhados em encontrar uma justificativa para fazer uma mudança de regime no Irã.

Todo mundo sabe o que é um mito, certo? É apenas um conto de fadas; uma improvável história inventada onde aparecem heróis de toga do passado longínquo. Assim, quando Ahmadinejad e Akef falam do “Mito do Holocausto” estão simplesmente – como a matéria da BBC sugere no link acima – estão dizendo que o Holocausto nunca aconteceu realmente, e podem ser tachados de Negadores do Holocausto. Só que um “mito” não é isso. (E eu devo estar ficando velho, porque realmente lembro da época em que qualquer repórter da BBC saberia o significado da palavra, e faria um esforço para transmitir seu significado com precisão).

Permitam-me dizer-lhes o que um “mito” realmente é.

O ser humano é uma criatura complexa que vive em sociedades complexas, e é capaz de ter pensamentos, percepções e sentimentos muito além das simples necessidades físicas da vida diária. Algumas das coisas intangíveis que pensamos sobre nós mesmos são difíceis de articular, de forma que nós os exprimimos contando histórias. E é isso que são os mitos. Os mitos são histórias que grupos de pessoas contam para expressar e justificar suas crenças mais fundamentais sobre si mesmos, suas origens, sua natureza essencial e suas aspirações. Os relatos em si podem ser históricos ou não, mas isso é irrelevante para o mito. Nos EUA, que apesar de toda sua religiosidade é basicamente uma sociedade secular e desmitificada, tendemos a pensar em mitos como contos de fadas, porque a exposição mais comum que temos a eles é através das superproduções Hollywoodianas da década de 1960 como Jasão e os Argonautas. Mas na verdade um mito é um mito porque é uma estória que conta uma verdade subjacente, existencial, sobre o povo que o relata, e a historicidade não tem nada a ver como o que constrói um mito.

Por exemplo, há tribos da Nova Guiné que contam uma história tradicional de como os bebês são concebidos. A história explica que a concepção humana ocorre somente quando um emu atravessa a aldeia dos pais durante a noite, e lança sua sombra sobre a sua cabana – o que pareceu muito divertido para os antropólogos europeus do século 19 que primeiro documentaram a história, e pensaram que significava que os nativos ignorantes nem sabiam de onde vêm os bebês. Mas é claro que os nativos ignorantes sabiam muito bem de onde vêm os bebês: a história na verdade era sobre algo completamente diferente.

Foto: modificada de um original da TIME Inc.

Na mitologia religiosa dessas tribos da Nova Guiné, o emu era um símbolo da divindade, e o relato sobre a sombra do emu é um mito da criação que explica as origens dos seres humanos e expressa que espécie de criaturas somos. Ao dizer que um bebê humano pode ser concebido apenas quando os pais são tocados pela presença do emu (Deus), a história transmite a convicção de que os humanos não são apenas seres físicos. Embora façam parte da ordem da criação, os seres humanos possuem qualidades “superiores” que os distinguem de todas as outras coisas criadas; têm a capacidade de transcender seus instintos e paixões e de serem autoconscientes, espirituais, criativos, dotados de empatia, etc. Portanto, a concepção de um novo ser humano não é apenas um ato físico, mas requer um ato de criação divina. É necessário que a mãe e o pai façam a sua parte, mas isso não ocorre a menos que o emu faça uma aparição também, segundo o mito. Se o povo da Nova Guiné fosse judeu, poderia expressar o mesmo entendimento fundamental sobre si mesmo, contando uma história de como Deus soprou a essência da vida em um punhado de terra para criar o primeiro homem, ou poderia resumir simplesmente dizendo que a humanidade foi feita “à imagem e semelhança de Deus”.

Outro tipo de mito: aqui nos Estados Unidos temos um mito sobre a história do Mayflower. Bem poucos de nós podem alegar que nossas famílias, literalmente, chegaram no Mayflower. Alguns de nós descendem de pessoas que já estavam aqui quando os primeiros europeus chegaram. Boa parte do nosso povo veio para cá em navios negreiros; grande número imigrou em navios a vapor no início do século 20; e alguns chegaram mais recentemente graças à Boeing. Mas como americanos, partilhamos uma narrativa comum que diz que nós, coletivamente, chegamos aqui no Mayflower. E fazemos isso porque vemos na história do Mayflower uma representação de forma histórica daquilo que cremos que é nosso país. Usamos o evento histórico e fazemos dele um relato que descreve o que nós, como americanos, acreditamos essencialmente que somos: um povo pioneiro, a cidade no topo da colina, uma comunidade de fé em busca de liberdade religiosa, um povo livre que foge da tirania e estabelece a democracia, etc. etc.

Este é um tipo de mito diferente da estória do emu: um é um mito nacionalista, baseado em um evento histórico, o outro é um mito religioso, baseado em um não-acontecimento histórico (ou seja, não existe um emu de carne e osso envolvido na concepção humana). Mas ambos são mitos, porque são histórias usadas para dizer uma verdade existencial, subjacente, sobre as pessoas que os narram, e chamá-los de mitos não é de forma alguma um juízo sobre a veracidade histórica dos eventos narrados.

Então, o que querem dizer Ahmadinejad e Akef quando se referem ao “Mito do Holocausto”:

Falando a milhares de pessoas na cidade de Zahedan, no sudeste do país, Mahmoud Ahmadinejad, disse: “Atualmente, eles criaram um mito em nome do Holocausto e o consideram acima de Deus, da religião e dos profetas”. — Holocaust a myth, says Iran president

O líder da Irmandade Muçulmana, a principal força da oposição no Parlamento do Egito, fez coro com o presidente do Irã ao descrever o Holocausto como um mito. “A democracia ocidental tem atacado todos que não compartilham a visão dos filhos de Sião, quando o mito do Holocausto está em causa,” Mohamed Akef, disse em um comunicado na quinta-feira. Brotherhood chief: Holocaust a myth

“Alguns governos ocidentais, em particular os EUA, aprovam o sacrilégio contra o profeta Maomé (A Paz Esteja Com Ele), enquanto a negação do “Mito do Holocausto”, com base no qual os sionistas têm exercido pressão sobre outros países nos últimos 60 anos e matado palestinos inocentes, é considerado um crime,”, acrescentou o presidente. – President: Real holocaust to be sought in Palestine, Iraq

Eles não estão dizendo que o Holocausto não ocorreu: estão sugerindo algo mais complexo. A última citação em especial, sugere que Ahmadinejad está usando a palavra “mito” em seu sentido técnico correto. Lembre-se: os mitos são histórias que grupos de pessoas narram para expressar e justificar suas crenças mais fundamentais sobre si mesmos, suas origens, sua natureza essencial, etc. Ahmadinejad está dizendo que o Sionismo conta a história do Holocausto exatamente desta forma, ou seja, como um veículo para explicar e justificar o que os Sionistas acreditam sobre si mesmos. Quando ele “nega” o “mito” do Holocausto, ele não está negando o Holocausto, não está sequer discutindo o Holocausto como um acontecimento histórico. Ele está negando a validade do uso que está sendo feito da história do Holocausto. Ele está dizendo que em vez de ser uma história que expressa uma verdade subjacente, “o Mito do Holocausto” expressa uma “verdade” que simplesmente não é verdade, e que a negação desse mito é tão importante no Ocidente porque não se deve questionar se a afirmação subjacente é realmente verdade.

Então o que é exatamente o “Mito do Holocausto” que Akef e Ahmadinejad rejeitam? Vocês lembram de Wissam Tayem, o palestino que foi forçado por soldados israelenses a tocar seu violino para eles em um posto de controle nos Territórios Ocupados?

A reação à experiência de Wissam Tayem naquele posto de guarda resume sucintamente o que Ahmadinejad quer dizer com “o mito do Holocausto”. Como Chris McGreal salientou na época, a visão de um palestino sendo forçado a tocar violino para seus ocupantes causou muita celeuma em Israel. Mas o principal motivo que fez israelenses (especificamente judeus israelenses) se sentirem desconfortáveis não foi porque tivessem reconhecido que é errado tratar um ser humano da forma com que Wissam Tayem foi tratado. Pelo contrário, eles se sentiram desconfortáveis porque isso ameaça a imagem que eles tem de si próprios, e do país que criaram. Em outras palavras, isso subverte o mito que os Israelenses têm sobre si próprios.

De todas as revelações que abalaram o exército israelense na semana passada, talvez nenhuma tenha perturbado o público tanto como as imagens de vídeo de soldados forçando um palestino a tocar violino…

Depois que o incidente foi filmado por mulheres judias ativistas da paz, provocou repulsa entre Israelenses que normalmente não se incomodam com o tratamento dado aos Árabes. O comentarista de direita da Radio do Exercito Uri Orbach achou o incidente uma chocante reminiscência de músicos judeus obrigados a tocar música de fundo para assassinatos em massa. “E como fica Majdanek?” perguntou ele, referindo-se ao campo de extermínio nazista.

Os críticos não estavam traçando um paralelo entre um bloqueio israelense e um campo de concentração nazista. Sua preocupação era que o sofrimento dos judeus tinha sido diminuído pela humilhação do Senhor Tayem.

Yoram Kaniuk, autor de um livro sobre um violinista judeu forçado a tocar para um comandante de campo de concentração, escreveu no jornal Yedioth Ahronoth que os soldados responsáveis deveriam ser levados a julgamento “não por abusar de árabes, mas por desonrar o Holocausto”. “De todas as coisas terríveis feitas nos postos de controle, esta história nega a própria possibilidade da existência de Israel como um Estado judeu. Se [os militares] não levarem estes soldados a julgamento não teremos o direito moral de nos referirmos a nós mesmos como um estado que surgiu do Holocausto”, escreveu ele. “Se permitirmos que soldados judeus obriguem um violinista árabe a tocar em um bloqueio, rindo dele, conseguimos chegar ao ponto mais baixo moral possível. Toda a nossa existência nesta região árabe foi justificada, e ainda se justifica, pelo nosso sofrimento, por violinistas judeus nos campos. [Grifo meu]

Israel shocked by image of soldiers forcing violinist to play at roadblock; The Guardian, 29 Nov 2004.

A última linha acima resume com precisão o que Ahmadinejad e Akef querem dizer quando afirmam que o sionismo criou um “Mito do Holocausto”. Eles querem dizer que o sionismo conta a história do Holocausto com o objetivo de justificar tudo que fez na Palestina e a seus habitantes. A verdade subjacente que o mito quer transmitir é que o sofrimento dos judeus na Europa, justifica a criação de um Estado judeu em uma terra cuja população era: 1. Não judaica, mas majoritariamente muçulmana e cristã e 2. Não responsável pelo anti-semitismo europeu ou pelo Holocausto. Ahmadinejad e Akef estão dizendo que esse mito é falso; que ele não é uma explicação de uma verdade subjacente, mas uma apropriação do Holocausto a fim de promover uma agenda política. Quando eles negam o “Mito do Holocausto”, eles não estão questionando se os eventos históricos do Holocausto realmente aconteceram, estão negando que o sionismo tenha o direito de fazer o que faz com os palestinos por causa do que o nazismo e seus colaboradores fizeram a judeus europeus. Em suma, “o Mito do Holocausto”, diz que a Shoah justifica Nakba, e Ahmadinejad e Akef estão dizendo, “Não, não justifica”.

Esta não é uma leitura obscura dos comentários de Akef e Ahmadinejad sobre o “mito”: ambos têm deixado claro que seu questionamento do Holocausto não é sobre o genocídio na Europa per se, mas especificamente por que os palestinos devem ser os únicos a pagar por ele. Se você ler o contexto em que Ahmadinejad disse que “eles fizeram um mito do Holocausto”, vai ver que o que ele está discutindo não é se o Holocausto ocorreu, mas sim “porque a nação palestina deve pagar pelos crimes que os europeus cometeram” (o que – Se você refletir a respeito – de certa forma aceita implicitamente que esses crimes realmente ocorreram):

“Se os europeus estão dizendo a verdade em sua alegação de que mataram seis milhões de judeus no Holocausto durante a II Guerra Mundial – e parece que eles têm razão ao afirmar isso, já que insistem e prendem os que se opõem a essa versão, porque a nação palestina deve pagar pelo crime [?]…

Enfatizando que “os mesmos países europeus impuseram o regime sionista ilegalmente estabelecido na nação oprimida da Palestina”, disse ele, “Se você cometeu os crimes deve dar um pedaço de sua terra, em algum lugar na Europa ou na América e no Canadá ou Alasca para eles criarem seu próprio estado lá. Então a nação iraniana não terá objeções, não fará comícios no Dia de Qods e apoiará a sua decisão.”

Da mesma forma, Muhammad Akef explicitamente negou que seus comentários tivessem qualquer intenção de negar o Holocausto:

O líder da Irmandade Muçulmana do Egito disse que quando chamou o Holocausto de mito, esta semana, não quis dizer que nunca aconteceu, mas queria destacar a atitude do Ocidente em relação à democracia …

Em uma mensagem na quinta-feira, Akif disse: “a democracia ocidental tem atacado todos que não compartilham a visão dos filhos de Sião em tudo que se refere ao mito do Holocausto.”… Mas no sábado, disse seu gabinete: “Alguns orgãos da midia deram a suas declarações um sentido que ele [Akif] não tinha a intenção [e leram seus comentários] como uma negação de que o Holocausto dos judeus pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial tenha ocorrido. O fato é que ele não negou que isso aconteceu.”

E o vice-líder de Akef, Dr. Mohamed El-Sayed Habib, deixou claro qual o “mito do Holocausto que Akef estava rejeitando:

Quanto às declarações em que ele descreve o Holocausto como um mito, não houve intenção de negar o evento, mas apenas uma rejeição dos exageros apresentados pelos judeus. Isso não significa que não somos contra o Holocausto. No entanto, esse evento não deveria ter levado à perda dos direitos do povo palestino, à ocupação de suas terras e a violação e agressão de seus lugares sagrados e santos.

Então, porque nos preocuparmos com o que é um mito, e o que estrangeiros barbudos do outro lado do mundo têm a dizer a respeito?Normalmente, isso poderia ser apenas uma interessante discussão acadêmica, mas neste momento é importante que nos esforcemos para entender o que Ahmadinejad realmente diz, pois o governo Iraniano está sendo alvo de uma campanha de desinformação com o objetivo de motivar a opinião pública para uma mudança de regime naquele país.Quando ouvimos uma acusação inflamada sendo repetida pela grande imprensa sobre o Irã e seu presidente – como por exemplo “Ahmadinejad nega o Holocausto!” – deveríamos lembrar o triste papel desempenhado pela nossa midia noticiosa na preparação para a guerra de 2003, e nos perguntarmos se cada nova revelação é realmente fato, ou “notícias” fabricadas com o objetivo de mobilizar a opinião pública para uma nova guerra.

As mesmas pessoas que nos levaram ao fracasso espetacular que é a guerra do Iraque, agora gostariam de tentar a sorte no Irã. Paul Wolfowitz explicou em maio de 2003 que, na ausência de um perigo claro e real por parte de Saddam Hussein, a administração Bush havia procurado uma justificativa para invadir o Iraque e decidido pelas ADM (Armas de Destruição em Massa) como um motivo que todos poderiam concordar. Desta vez, os EUA precisam de uma nova desculpa para invadir um país que claramente não vai nos invadir, e não é realmente muito difícil perceber que a desculpa vai centrar-se em grande parte, na pessoa de Mahmoud Ahmadinejad. Basta olhar para o volume de histórias sobre ele com que a nossa mídia notíciosa tem nos alimentado nos últimos seis meses.

1.Ele nega o Holocausto!Isso é que querem que entendamos nos relatos sobre suas declarações a respeito do “Mito do Holocausto” que discuti acima.

2.Ele quer varrer Israel do mapa!Isso é o que nos disse nossa midia, nas reportagens histéricas sobre o discurso de Ahmadinejad durante a conferencia “O Mundo Sem o Sionismo” em Teerã a 26 de Outubro de 2005. No entanto, quando corretamente traduzido, o que ele realmente disse não foi que Israel deve ser varrido do mapa, mas que “o regime de ocupação sobre Jerusalém deve desaparecer da página do tempo”, o que não é uma ameaça de guerra nem de aniquilação, mas uma expressão de esperança em uma mudança de regime. Ahmadinejad não é um sionista. Ele não acredita que a terra de uma maioria muçulmana na Palestina deva ser transformada pela força em um Estado judeu, e seu discurso é uma expressão de confiança em que o domínio do Estado sionista sobre Jerusalém terminará um dia de forma irremediável, tal como outros poderosos regimes (ele cita os exemplos do Xá do Irã, dos Comunistas na União Soviética e a ditadura de Sadam no Iraque) todos acabaram um dia. Se você olhar para o Oriente Médio através de uma perspectiva sionista, pode não gostar de ouvir isso, mas não dá a ninguém o direito de fingir que ele está ameaçando lançar bombas nucleares em Tel Aviv ou atirar os judeus ao mar, como a linguagem “varrido do mapa” poderia sugerir.

3.Ele é um psicopata”, que” fala como Hitler

4.Judeus iranianos estão sendo forçados a usar estrelas amarelas! Lembram daquela história, publicada inicialmente pelo National Post do Canadá e, posteriormente, reproduzida no jornal New York Post, sobre a lei aprovada no Parlamento iraniano, segundo o qual “os judeus seriam obrigados a usar fitas de tecido amarelo – como a Estrela de Davi que os judeus foram obrigados a usar na Alemanha nazista”? (O National Post já removeu este artigo do seu Web site, mas imagens da história original podem ser vistas no site Lenin’s Tomb e eu fiz o upload do texto do artigo original aqui).

Basta olhar para as fotos do National Post usadas para ilustrar essa história, para mostrar ao público até onde leis como esta estão levando o Irã.

Ocorre que não há tal lei iraniana.

Esta história foi totalmente forjada (a farsa foi posteriormente reconhecida pelo National Post) preparada por um jornalista iraniano monarquista expatriado chamado Amir Taheri, que por coincidência vem a ser um membro da Benador Associates, uma firma de relações públicas que tem entre seus clientes um grande número de líderes neoconservadores, incluindo a American Enterprise Institute (AEI) e seus associados Richard Perle, David Frum, Michael Ledeen, Michael Rubin, e Joshua Muravchik.
Importantes arquitetos de uma guerra com o Iraque, os clientes da Benador, que também incluem o ex-chefe da Agência Central de Inteligência James Woolsey e o ex-ministro israelense Natan Sharansky, têm pressionado o governo Bush a adotar uma postura mais dura com o Irã.
Os jornais que até agora publicaram a história são igualmente identificados com uma linha dura contra Teerã. O National Post, que foi comprada pela CanWest Global Communications de Conrad Black, um colaborador próximo de Perle, é controlada por David e Leonard Asper, que acusaram a Canadian Broadcasting Corporation de ser anti-Israel, segundo Marsha Cohen, da Universidade Internacional da Flórida , que tem acompanhado de perto a história das estrelas amarelas.

Do mesmo modo, o jornal Sun tem assumido posições alinhadas com o partido direitista Likud de Israel em assuntos do Oriente Médio, enquanto Murdoch é dono do Weekly Standard e da Fox News, fortemente pró-Israel, além do New York Post …(fonte)

Está percebendo um tema repetitivo? Está recebendo a mensagem de que Mahmoud Ahmadinejad é o novo Hitler, e o Irã é o quarto Reich, e eles estão a poucos dias de nos pulverizar com bombas nucleares e se nós não os atacarmos com todo nosso arsenal a fim de obter uma mudança de regime e instalarmos um regime pró-Estados Unidos que reconheça Israel e venda seu petróleo e gás para nós em lugar de vender para os chineses então teremos um punhado de Neville J’aime Berlin e VAMOS TODOS MORRER!!! …?

Porque a intenção é que você absorva essa mensagem.Esse é o novo meme, incutir medo a tal ponto que você apóie uma guerra que caso contrário não apoiaria. Mais uma vez, os nossos medos estão sendo manipulados por pessoas que querem uma guerra, mas não têm uma justificativa para iniciá-la. Da última vez, conquistaram a opinião pública com histórias assustadoras sobre as inexistentes armas nucleares do Iraque e as ligações fictícias de Saddam com a Al Qaeda; desta vez, é o inexistente programa nuclear do Irã e a espúria equivalência entre Ahmadinejad e Hitler.

E é por isso que esclarecer o significado do “Mito do Holocausto” de Ahmadinejad não é apenas um exercício acadêmico obscuro. Sabendo que uma ofensiva de propaganda está em andamento para demonizar o presidente do Irã como o novo Hitler, a fim de que possamos justificar um ataque ao seu país, temos de pensar criticamente toda vez que a nossa mídia faz esses paralelos entre a Alemanha nazista e o atual Irã, e analisar se é uma equivalência legítima ou mais uma manobra manipuladora alarmista para estabelecer as bases para uma nova guerra.

Apesar da calma com que que Richard Perle, Michael Ledeen e outros adotam quando desapaixonadamente discutem a reorganização do Oriente Médio, a guerra não é um jogo de War ou um estudo de caso em um seminário de graduação em Ciências Políticas. A guerra é jovens soldados perdendo membros estraçalhados por bombas de fabricação artesanal, ou famílias inteiras destruídas como “dano colateral” por nossos mísseis.Sabendo que isto é o que realmente está em jogo, devemos pelo menos fazer um esforço para determinar se o epíteto de “Negador do Holocausto!” e outros de cunho hitlerista que estão sendo jogados contra o Irã são baseados em fatos, ou se são apenas o trabalho mais recente dos mesmos manipuladores de informação que – na segurança de suas consultorias em Washington – repetidamente pressionam para a guerra no Oriente Médio, seguros na certeza de não serão seus amigos e parentes que serão alvo dos Artefatos Explosivos de Fabricação Caseira ou das chamadas bombas-inteligentes.

Após mais de três anos no Iraque, onde mais de 2500 de nossas próprias tropas e milhares de desconhecidos iraquianos foram mortos, os americanos finalmente se tornaram céticos sobre os motivos pelos quais invadimos o Iraque, e estão se perguntando exatamente por que estamos lutando lá. Agora que se trata de uma ameaça de ataque sobre o Irã, talvez desta vez possamos fazer uma análise crítica antes de invadirmos e sentenciarmos à morte dezenas de milhares de seres humanos cujas vidas são tão valiosas em todos os aspectos quanto a nossa. Nas imortais palavras do próprio Presidente (Bush): “Um ditado que o povo do Tennesee diz – sei que é do Texas, provavelmente do Tennessee — que diz, se você me enganar uma vez, vergonha… é uma vergonha para você. Me engane – não conseguem te enganar de novo”.

Links relacionados

Ahmadinejad: Lost in translation; Little Red Email, via Information Clearing House, 5 April 2006.
Does Iran’s President Want Israel Wiped Off The Map – Does He Deny The Holocaust? ; Information Clearing House, 14 April 2006.
Iran; The Early Days of a Better Nation, 1 May 2006.
Latest Hitler: How Lies Becomes News; Lenin’s Tomb, 20 May 2006.
Another Fraud on Iran: No Legislation on Dress of Religious Minorities; Informed Comment, 20 May 2006.
Yellow stars for Iranian Jews? The disinfo campaign; Just World News, 20 May 2006.
Harper says Iran ‘capable’ of introducing Nazi-like clothing labels; The Canadian Press, 21 May 2006.
Taheri-ng It Up; Unqualified Offerings, 22 May 2006.
Iran Target of Apparent Disinformation Ploy; Jim Lobe, 22 May 2006.
Fake But Accurate; Antiwar.com, 24 May 2006.
Too Stupid for Citizenship: Will Americans fall for Bush’s lies again? ; Antiwar.com, 1 June 2006.

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nov 12 2009

Shimon Peres: a cara de Israel

Categoria: Internacional,Israel,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 12:14

Do Amálgama:

por Daniel Lopes – Shimon Peres, presidente de Israel, está no Brasil para uma visita de cinco dias. Na montanha de referências a seu nome que saiu nos sites de jornais nas últimas horas, não notei nenhum tom crítico. Peres já discursou no Senado, já ganhou título de Cidadão Honorário de Brasília, já criticou o Irã e logo vai com seu teatro para Rio e São Paulo. Onde estão os jornalistas e comentaristas brasileiros amigos da paz mundial, que ainda há pouco babavam contra o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, o Demônio, e sua adiada visita ao Brasil? Algo me diz que nos próximos dias o presidente israelense será tratado com tapete vermelho nas páginas de jornais, revistas e nos noticiários da tevê. Prevejo que será como se o príncipe de Mônaco circulasse pelo território nacional. Me permito listar alguns fatos que, suspeito, não serão destaque na mídia pacifista brasileira.

Em um livro de memórias, Shimon Peres admitiu sem muito peso na consciência que Israel desviou dinheiro doado por judeus de todo o mundo, com propósitos humanitários, para o programa nuclear clandestino do país, nos anos 1950-60. Aliás, Peres é conhecido como o homem que intrduziu o armamento nuclear no Oriente Médio, ainda que não tenha sido por isso que levou pra casa o Nobel da paz.

Em maio de 2002, Peres, então ministro do exterior, foi aos EUA fazer lobby pela invasão do Iraque. Em entrevista à CNN, disse que “Saddam Hussein é tão perigoso quanto bin Laden”, e que os Estados Unidos não deveriam esperar sentados até que ele pusesse seu arsenal nuclear para trabalhar. Era mais do que chegada a hora de derrubar o ditador barbudo.* Em setembro do mesmo ano, impaciente com os despreparados inspetores da ONU que não descobriam logo os mais que evidentes planos de Saddam para conquistar o mundo, Peres disse que, de qualquer forma, “A campanha contra Saddam Hussein é necessária. Inspeções e inspetores são bons para pessoas decentes, mas pessoas desonestas facilmente enganam as inspeções e os inspetores.” Em Fevereiro de 2003, irritou-se com a oposição francesa à guerra, e questionou a conveniência do país europeu fazer parte do Conselho de Segurança da ONU como membro permanente.**

No discurso ao senado brasileiro, Shimon Peres criticou a futura visita do presidente iraniano Ahmadinejad. Disse que não tem nada contra o povo iraniano, que suas desavenças são com o atual líder. Será? Em 1993, tão logo Clinton subiu ao poder nos EUA, Peres, então primeiro-ministro, e outros líderes de Israel começaram uma campanha para denegrir o Irã. Temiam que uma aproximação entre Washington e Teerã acabasse por deixar Israel como um parceiro não tão preferencial dos EUA, agora que a Guerra Fria acabara. Então, o que propagar? Que o Irã não passa de um Estado que gesta, exporta e patrocina terroristas, claro. Que o Irã, em suma, “é um perigo mundial”, para usar a frase original que o excelentíssimo presidente soltou no Senado.

Em 1993, o presidente iraniano era Ali Rafsanjani, um moderado, inimigo do radicalismo da “República Islmâmica” e oponente do atual presidente Ahmadinejad, para quem perdeu as eleições em 2005. Não fez diferença para Israel que Rafsanjani fosse presidente em 1993, assim como não fez quando outro moderado, Mohammad Khatami, ocupou o cargo de 1997 a 2005.

Aliás, em 2003, mal Saddam fora defenestrado do poder, Shimon Peres começou a advogar outro ataque, agora contra o Irã – sim, o Irã de Khatami, não o de Ahmadinejad. Enquanto o embaixador israelense em Washington espalhava que a queda de Saddam “não era o bastante”, Peres publicou artigo no Wall Street Journal, em junho, intitulado “We must unite to prevent an Ayatollah Nuke“. Dada a precisão da análise anterior de Peres, sobre o perigo representado por Saddam, esse artigo no WSJ só pode ser mais uma prova de que se trata realmente de um homem determinado a lutar pela paz, sempre e com todas as armas ao alcance.

Por último, tendo que encarar as duras e conhecidas verdades do recente Relatório Goldstone da ONU (sobre o mais recente show de massacre de civis palestinos por Israel, conhecido como Guerra de Gaza), Shimon Peres o classificou de “uma paródia da história” — isto é, da “história” adequada a Peres/Israel.

Mas não espere ler muito sobre isso nas reportagens, editoriais e colunas da imprensa brasileira. Se você quiser ver sangue de verdade, terá que esperar o próximo dia 23, quando Ahmadinejad, a besta em pessoa, pisa em solo brasileiro. Isto é, se as forças da paz não o alcançarem antes.

—–
* Essa e outras informações do post estão no imperdível The Israel lobby and US foreign policy.
** “Peres questions France permanent status on security council” – Ha’aretz, 20 de fevereiro de 2003.

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nov 02 2009

A estrela ou a camiseta?

Categoria: Apoiamos,Israel,Política,Religião,Senhor do ServoSenhor_do_Servo @ 12:11

Vamos começar lendo esta pérola:

Do Notícias da Rua Judaica, um órgão informativo da direita israelense dirigido por Osias Wurman, cônsul do Estado de Israel no Rio de Janeiro e colaborador d’O Globo (precisa dizer mais?)

A VOZ DA COMUNIDADE

Foi importante consultar a comunidade de leitores da Rua Judaica sobre a conveniência do uso de uma Estrela de David amarela, como protesto pela visita de Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil.

Recebemos o expressivo número total de 415 votos dentre as opções perguntadas.
Pelo baixo percentual dos que votaram na opção “indiferente”, 7 votos ou 6,23 % dos votantes, fica provado que os leitores tem determinante opinião  sobre o tema abordado.

Os que acham que a iniciativa não deve ser efetivada somam 29,43%, com 141 votantes.

Os que aprovam o uso da Estrela de David totalizam 64,34% com 267 votantes, superando ao dobro dos que votaram contra.

Fica patente que alguma importante iniciativa, organizada, ordeira e respeitosa, é pedida  pela comunidade aos seus líderes institucionais.

Não podemos esquecer que além da abominável negação do Holocausto, o tirano iraniano prega abertamente a destruição do Estado de Israel, num gesto de ódio, militarismo, fundamentalismo suicida e criminoso.

Esperamos ter contribuído para o esclarecimento do posicionamento de nossos leitores, um importante e representativo extrato de nossa comunidade, e dos amigos de Israel que nos acompanham a cada edição.

A voz da comunidade pede AÇÃO !!!

(Leiam na Tribuna de Leitores, no final desta edição, uma seleção da opinião manifestada por alguns dos votantes)”

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Resumindo: eles, os judeus de direita, usarão uma Estrela de Davi amarela em protesto contra a visita de Ahmadinejad ao Brasil. Decerto para lembrar ao valoroso líder iraniano dos judeus mortos na segunda guerra mundial, pelos nazistas.

Todavia, Ahmadinejad não nega que milhões de judeus tenham sido mortos. O que ele diz é que morreram algo entre 45 e 95 milhões de outros seres humanos, por ocasião daquela guerra. E que perseguidos pelos nazistas não foram apenas os judeus, como também os eslavos, os homossexuais, as Testemunhas de Jeová, os comunistas e por aí vai.  Mas vamos supor que, como parecem querer os direitistas israelenses, apenas a morte dos 6 milhões de judeus mereça ser lembrada e lamentada _afinal as outras dezenas de milhões de mortos não eram de povos escolhidos.

De toda forma, acho mais coerente que os nossos irmãos defensores do Estado de Israel usem a tal Estrela de Davi amarela com esta camiseta aqui:

Eu tenho certeza que combina muito mais com o que o Estado de Israel é hoje, um país armado até os dentes, dono de centenas de bombas atômicos, a quarta mais poderosa força aérea do mundo, com centenas de milhares de soldados, que  tomou as terras de centenas de milhares de pessoas, expulsou milhões e confina outros milhões em territórios exíguos e sem acesso a água, que oprimir um povo com atitudes e leis que fariam corar os africânderes sul-africanos de antanho.

Não acho lícito, nem moralmente defensável que os israelenses, o povo racista, violento e opressor de hoje, use a lembrança de seus ancestrais para protestarem contra uma decisão soberana e feliz do governo brasileiro, de convidar nosso amigo Ahmadine Ahmadinejad, para visitar-nos.  Se os israelenses ou seus defensores querem falar de racismo,que tal lançar algumas luzes sobre os palestinos ou o massacre de Gaza, ocorrido recentemente?

Enfim, meu conselho a estes facistas é que usem então a estrela, mas  sobre a camiseta acima. Vamos ver o quanto a hipocrisia destes bastardos resiste aos fatos.

Post Scriptum: o vermelho da primeira foto é composto basicamente de sangue palestino. O que será que os artífices do protesto contra a vista de Ahmadinejad usarem a cor para dar uma tingida nas estrelas amarelas?  Muito dessa cor, chamemo-la de “vermelho israelense” foi produzida em Gaza, afinal…

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