jul 03 2010

Brasil e Irã: os nossos motivos

Categoria: BRIC,Defesa,Oriente MédioSenhor_do_Servo @ 19:28
Por Tomás Rosa Bueno no seu próprio

Apesar do que não se cansam de repetir os adeptos da diplomacia descalça, não há nada sequer remotamente parecido a antiamericanismo na posição brasileira sobre o Irã: os nossos motivos, ao contrário dos do trio de intrometidos (EUA, França, Reino Unido), são claros e transparentes, declarados abertamente diversas vezes.

Somos a favor do desenvolvimento pacífico da energia nuclear. Não acreditamos que haja provas de que o Irã tenha um programa nuclear militar secreto. Defendendo o Irã, estamos defendendo o nosso próprio direito a dominar o ciclo completo da fabricação de combustível nuclear, estamos defendendo o nosso direito a desenvolver a nossa própria tecnologia de enriquecimento, estamos defendendo o nosso direito a construirmos nós mesmos os reatores que vão mover os nossos submarinos nucleares que vão defender a nossa soberania. Nem mais, nem menos. Queremos para o Irã apenas o que queremos para nós mesmo.

Não há nenhuma prova de que o Irã esteja tentando fazer armas nucleares, segundo  a Agência Internacional de Energia Atômica, único organismo internacional que tem autoridade para falar do assunto e é relativamente isento, porque dirigido por um conselho de 32 países, difícil de manipular e pressionar.. Não é preciso acreditar no que eu digo, basta ler os relatórios da AIEA, aqui, na página da AIEA sobre o Irã; e o mais recente, aqui, em espanhol.

O que a AIEA faz para deixar felizes o trio de intrometidos e os sócios menores deles, a China e a Rússia, é afirmar, depois de dizer com todas as letras que o programa nuclear iraniano é inteiramente monitorado e vigiado e que não há nenhum indício de “desvio de propósitos”, que não é possível afirmar que não haja um programa secreto. Ora, a mesmíssima coisa pode ser dita sobre o Brasil, sobre a Coreia do Sul, sobre Taiwan, até sobre a Argentina. O Irã é signatário do TNP e, segundo afirmou a AIEA repetidas vezes, cumpre estritamente todas as salvaguardas estabelecidas por esse órgão da ONU.

A AIEA, porém, marotamente, queixa-se de que o Irã se nega a cumprir resoluções do Conselho de Segurança que são ilegais, posto que é um direito do Irã ter um programa de enriquecimento de urânio, e ninguém, nem o Conselho de Segurança, tem o poder legal de impedir que o Irã desenvolva tecnologia nuclear dentro dos limites estabelecidos pelo TNP sem haver provas cabais de que esses limites estejam sendo excedidos. Queixa-se de que o Irã não adere aos Protocolos Adicionais, que são de adesão voluntária – o Brasil, por exemplo, não aderiu e denuncia os PAs como atentatórios à soberania nacional (e o primeiro que se recusou a assiná-los foi o FHC, antes que os diplomatas descalços comecem a ladainha do antiamericansmo, pelos mesmos motivos que o Lula). E pretende que o Irã permita que os inspetores da ONU visitem os locais onde as centrífugas são projetadas e fabricadas, o que não só não é obrigação nem do Irã nem de nenhum outro signatário do TNP como é uma exigência absurda: um país sob ameaça de um ataque militar por duas potências nucleares (uma das quais acaba de reformar as suas posturas nucleares para incluir a possibilidade de um ataque nuclear contra um país não nuclear — uma óbvia violação dos princípios do TNP) não pode revelar os locais onde é fabricado o equipamento que lhe permitirá reconstruir o que for bombardeado, ou esses locais serão os primeiros alvos.

O Irã garante aos inspetores da ONU mais acesso que o Brasil, por exemplo, que, alegando razões de segredo industrial, não permite que eles nem vejam o que acontece dentro das nossas centrífugas: podem ver o que entra por uma ponta elas e o que sai pela outra, mas não o que acontece entre uma ponta e outra; o Brasil, a Coreia do Sul e Taiwan tampouco revelam os locais de produção das centrífugas; e não sei sobre os outros, mas o Brasil, em plena conformidade com as salvaguardas negociadas com a AIEA pelo governo brasileiro por ocasião da nossa adesão ao TNP, em 1997, não permite nenhum acesso ao programa de desenvolvimento dos reatores que serão usados em submarinos, alegando segredo militar – nós temos um programa nuclear militar, o Irã, não.

O governo iraniano chegou inclusive a assinar voluntariamente os termos invasivos dos Protocolos Adicionais do TNP em 2003, permitindo acesso irrestrito e não anunciado de inspetores da ONU a qualquer lugar do país em que pudesse haver, na opinião deles, qualquer coisa relacionada ao desenvolvimento de armas atômicas; mas retirou-se deles quase dois anos depois, ao verificar que escancarar tudo e submeter-se a ter inspetores escarafunchando por toda parte não adiantava nada para diminuir as suspeitas do “Ocidente” – porque, é claro, essas “suspeitas” são e sempre foram infundadas, e por isto resistem a qualquer prova contrária.

Portanto, se apesar de todas as garantias e tentativas de negociação do Irã desde a morte do Khomeini, apesar de o Irã não ter capacidade tecnológica para enriquecer urânio aos níveis necessários para fazer armas atômicas, apesar de o Irã não dominar a tecnologia de reprocessamento e de produção de plutônio, apesar de o programa nuclear iraniano estar sujeito à estrita vigilância da AIEA na forma de inspeções in loco e em câmeras instaladas em todos os locais ligados à produção de UBE a 3,5% e a 20%, apesar de o Irã ter adiado o início do enriquecimento a 20% para que a AIEA pudesse inspecionar as centrífugas e instalar câmeras de vigilância, apesar de todo o material físsil iraniano estar plenamente contabilizado e rastreado, apesar de o Irã,  para facilitar as negociações, ter em diversas ocasiões aceitado suspender as atividades de enriquecimento a que tem direito, apesar de o Irã ter acertado com o Brasil e a Turquia uma acordo de  exportação da maior parte do seu UBE segundo os exatos termos propostos pelo Grupo de Viena e estar cumprindo a sua parte mesmo tendo sido sujeito a novas sanções, mesmo assim continua sendo oficialmente acusado de ser “pouco transparente” e de ter um programa militar secreto, e extra-oficialmente de estar à beira de fazer uma bomba atômica (ler aqui como se faz para mentir sobre o Irã sem parecer). E, aos poucos, o que era extrapolação da imprensa mais raivosa vai-se transformando na base da próxima rodada de mentiras oficiais.

Ou seja, é evidente que a possibilidade de o Irã estar tentando fazer armas nucleares não passa de uma desculpa, sustentada por mentiras, com motivos inconfessáveis.

Logo, se foi possível mentir descaradamente sobre as “armas de destruição em massa” do Saddam Hussein e depois devastar o Iraque, se é possível mentir despudoradamente sobre o programa nuclear militar do Irã e ameaçar os iranianos com um ataque militar, o que é que garante que a mesma coisa não vai acontecer conosco amanhã? Hoje somos amigos e aliados dos Estados Unidos, e até acabamos de assinar um acordo de cooperação militar com eles; mas quem pode dizer em que estado estarão as nossas relações dentro de dois, dez, vinte anos? Se os EUA, a França e o Reino Unido têm hoje motivos para quererem atacar o Irã, que não se sabe muito bem quais são, quem seria capaz de jurar que não vão encontrar uma penca de motivos semelhantes para querer atacar o Brasil, ou impedir que desenvolvamos esta ou aquela tecnologia, se isto lhes for conveniente?

Se permitirmos que o Irã seja ilegalmente impedido de desenvolver o programa nuclear pacífico a que tem direito, o TNP será letra morta, e poderemos ser submetidos ao mesmo tratamento no futuro. O ataque ilegal contra os direitos do Irã e a preparação de mais uma intervenção militar ilegal contra um país soberano sob pretextos evidentemente falsos precisa ser detido agora, enquanto ainda é possível. O Brasil tem o dever de defender os direitos dos iranianos hoje, sob pena de pôr em risco os nossos próprios direitos no futuro. A nossa condição de potência com influência global a que nos leva o estágio de desenvolvimento em que nos encontramos e a própria continuidade desse desenvolvimento dependem do apoio irrestrito ao direito do povo iraniano de desenvolver um programa nuclear pacífico, sem interferências, ameaças e agressões.

A Rússia e a China têm lá os seus motivos, alguns até compreensíveis mas quase todos venais e nenhum relativo ao programa nuclear, para apoiarem a tentativa de empurrar o Irã contra a parede. Os EUA, a Grã-Bretanha e a França têm uma longuíssima folha corrida de intromissão nos assuntos dos países do Oriente Médio, e não é surpresa nenhuma que queiram agora atacar mais um da lista de países da região que invadiram desde o século XVIII – todos, com exceção do Irã e da Turquia moderna, pós-império otomano.  E os outros sete países, entre os quais dois – Bósnia-Herzegovina e Uganda, cujos PIBs equivalem ao orçamento do Bolsa-Família e um – o Togo – com um PIB menor que o orçamento de educação do estado da Bahia, cederam ao formidável poder de pressão e chantagem, dos Estados Unidos e das ex-potências coloniais que mais miséria causaram no Oriente Médio ao longo dos últimos dois séculos.  O poder de pressão do trio intrometido foi ensaiado até contra nós e quase teve êxito contra a Turquia às vésperas do acordo BIT – que só saiu por insistência do presidente brasileiro.

Os países que não foram submetidos a essas pressões, a Indonésia, a Índia, os países da Ásia Central, o Paquistão, a Africa do Sul e a maioria dos países africanos que se manifestaram sobre o assunto, Portugal, Noruega (ambos parte da UE, oficialmente pró-sanções), toda a América do Sul com exceção da Colômbia e do Chile, toda a América Central com exceção do Panamá, os 57 países da Organização da Conferência Islâmica e os 116 países do Movimento Não Alinhado, Egito à frente, declararam-se contra a imposição de novas sanções. E todos os países do mundo, inclusive a França e com exceção dos poucos que ficaram quietos a respeito, dos EUA, do Canadá, da Austrália e do Reino Unido, aclamaram o acordo BIT.

O Brasil tem agora a obrigação de estar à altura da confiança e da solidariedade de que foi objeto por parte da comunidade internacional real e ser fiel aos princípios afirmados nas negociações que levaram ao acordo, defendendo por todos os meios o caminho da negociação e do diálogo na solução  do impasse iraniano.

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jun 03 2010

Israel faz piada de Lula e do Brasil na TV

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no Blog do Atheneu

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mai 29 2010

Sobre a Doutrina Serra

Categoria: América Latina,Fascismo,Internacional,José Serra,Mídia,Política,SpamsSenhor_do_Servo @ 12:25

Do Blog da Cidadania

Na história recente, um governante de um grande país fez acusações sem provas a outro país e, com base nelas, tomou medidas que posteriormente se mostraram desastrosas.  Esse tipo de conduta de um chefe de Estado pode afundar uma nação, como se verá a seguir.

O governante em questão foi George Walker Bush, que acusou o Iraque de possuir “armas de destruição em massa” e, com base no que não podia provar, declarou guerra ao país, invadiu-o, assassinou centenas de milhares de inocentes e, de quebra, ainda afundou a economia americana e fez os Estados Unidos perderem o respeito do mundo.

Disse bem Dilma Rousseff, sobre a acusação que seu adversário José Serra fez ao governo Evo Morales de que este permitiria o tráfico de “cocaína” para o Brasil: “Estadista não faz acusação sem provas a outro país”.

Após Serra posar todo orgulhoso para fotos ao lado do “exterminador do futuro”, o dublê de ator e atual governador republicano da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, pode-se ter uma idéia do tipo de relações internacionais que seriam construídas por um eventual governo tucano.

Mas que não se pense que os recentes ataques de Serra ao Mercosul, à Bolívia, à Venezuela e ao Irã são produto de suas convicções. Na verdade, o tucano busca agradar aos países ricos, sobretudo aos Estados Unidos, que, como se sabe, estão amplamente incomodados com o protagonismo brasileiro na cena internacional.

Ao fazer esse agrado às potências do norte – chamar Evo Morales de traficante soa como música à poderosa direita americana –, o candidato tucano calcula que terá o apoio delas para se eleger presidente. Mas resta saber quantos votos os governos do mundo rico têm por aqui…

Não, Serra não é louco, não. Ele sabe que ser o candidato do Primeiro Mundo pode lhe abrir financiamentos ilimitados de campanha, via laranjas dos estrangeiros aqui no Brasil, e que pode produzir um noticiário internacional francamente favorável à sua candidatura, gerando pressão nos agentes econômicos internos.

Ainda assim, em situação análoga a esta que o tucano tenta criar, ele perdeu as eleições de 2002 para Lula mesmo com o megaespeculador internacional George Soros dizendo a famosa frase “Serra ou o caos”, dando a entender que o mundo rico afundaria o Brasil se Lula ganhasse a eleição.

Tenho reportado cenas do script encenado em 2002 e em 2006 que estão sendo reprisadas em 2010, tais como fraude em pesquisas, processos do PSDB contra o instituto Sensus, a velha história de que Serra seria “mais preparado” do que o adversário etc. O tucano tentar se vender ao mundo rico como seu candidato a lhe entregar o Brasil, é só mais uma.

Ao fim do processo eleitoral deste ano, porém, tenho a mais absoluta certeza de que não teremos uma nova doutrina Bush versão Terceiro Mundo convulsionando a América Latina, com Serra comprando brigas com nossos vizinhos e entregando nossa economia aos ianques.

A doutrina Serra, que o próprio encena para as potências sedentas de saquearem o Brasil, é um filme velho e sem audiência. O Brasil está mais maduro, esperto e bem satisfeito com o rumo que tomou há oito anos. Não cairá mais nas vigarices renitentes do PSDB.

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mai 29 2010

Mais da “diplomacia” do PSDB

Olhos do Sertão

Queridos, o texto abaixo provoca em nós mais reflexões sobre os motivos que levaram mídia e Serra a critcarem a política externa brasileira. Ontem estava almoçando em uma escola de tempo integral com três alunos do primeiro ano do ensino médio.
E eu perguntei o que eles achavam do governo Lula. Um disse que o governo Lula era  bom para “os de fora” e  deixava de atender o próprio país. E fui  ouvindo-os.
E naquela conversa fiz duas perguntas: O Brasil, através de seu governo não poder ser solidário com outros países? E o governo atual não tem melhorado a vida das pessoas mais humildes deste país? Eles ficaram calados e depois disseram que sim. Vejam meus queridos que de certa forma, o pensamento “Vira-latas” da mídia ainda pode afetar mentes em processo de construção.
Vamos, então, ao texto Política externa e opinião pública. em  Carta Capital.
Quem, nas últimas semanas, leu os principais jornais deve ter ficado com a impressão de que a nossa política de relações exteriores será um problema para Dilma Rousseff
Por Marcos Coimbra

Dentre os muitos descompassos que existem entre os sentimentos da maioria da população e o que dizem a oposição e a grande imprensa, um dos maiores acontece na avaliação da política externa do atual governo. Onde alguns só veem equívocos, ela enxerga, quase sempre, sucessos.

Quem, nas últimas semanas, leu os principais jornais deve ter ficado com a impressão de que a nossa política de relações exteriores será um problema para Dilma Rousseff. Como ela conseguirá defendê-la, se pouco ou nada se salva no que o governo faz?
Irresponsável, inconsequente, atrapalhada, é assim que pintam sua condução. Para quem tem a missão de propor a continuidade, seria um fardo e tanto para carregar.

Há tempos que a política externa é um dos alvos preferidos da oposição. Já na eleição de 2006, os estrategistas da campanha de Geraldo Alckmin viram uma oportunidade para enfraquecer a vantagem de Lula nas pesquisas no episódio da nacionalização das reservas bolivianas de petróleo e gás natural, feita pelo recém-empossado governo de Evo Morales. Não funcionou, e gorou a tentativa de transformar o assunto em tema eleitoral.

Ao longo do segundo mandato, foi subindo o tom das críticas, seja contra a política latino-americana do Itamaraty, seja em relação a outras questões, de comerciais e tarifárias a disputas por posição em organismos multilaterais. A compreensão e, às vezes, a simpatia do governo para com os bolivarianos do continente chegou a provocar, pelo que se ouviu no período, tremores de raiva em muita gente.

Em um importante jornal carioca, lemos, faz pouco tempo, uma pergunta que exemplifica esses sentimentos. Escrevendo sobre o que terá mais peso na decisão dos eleitores em outubro, o colunista se indagava se seria a satisfação das pessoas com o presidente e a constatação de que sua vida melhorou, ou “a percepção de parte do eleitorado de que uma política externa radicalizada à esquerda tem reflexos inevitáveis na maneira de conduzir a política interna”.

Essa “radicalização à esquerda” terá se acentuado depois das gestões brasileiras para resolver a crise nuclear iraniana. Nelas, não só a preferência do governo Lula pelos “radicais” se manifestaria, mas ficariam evidentes os traços que a oposição identifica como mais característicos de nossa política externa, nos quais se inclui a falta de compreensão do papel internacional do Brasil e de sua diplomacia.

Ao ouvir os especialistas convidados pelas grandes redes de televisão (a maioria ex-ministros de Fernando Henrique Cardoso), os espectadores poderiam se perguntar como um governo tão canhestro é tão respeitado pelo resto do mundo. Enquanto o coro dessas críticas só aumenta aqui dentro, o de elogios sobe a cada dia lá fora. Vindos de gregos e troianos.

Em vez de perceber qualquer problema na “esquerdização” da política externa, a opinião pública vê a atuação do governo e, especialmente, de Lula nas relações internacionais como um de seus maiores trunfos. Nenhum presidente recebeu, antes dele, tanto destaque nesse campo.

Nas pesquisas qualitativas feitas atualmente, o que se encontra é uma sensação de orgulho do cidadão comum pelo que avalia ser um crescente reconhecimento internacional do Brasil, seu governo e sua economia. Predomina a visão de Lula como um presidente que busca e consegue acordos com outros países, favoráveis aos interesses nacionais. Simplesmente não se ouvem ecos do que a grande imprensa publica. Conciliação, bom senso, entendimento, afirmação nacional, é com palavras como essas que as pessoas caracterizam a política externa.

Ela é (mais um) exemplo da surpresa positiva que a população teve com Lula e com o PT no governo. Muita gente temia pelo desempenho internacional de uma liderança como Lula, que poderia não estar à altura do que o País necessitava. Velhos preconceitos cercavam de expectativas cautelosas o que ele seria. Pelo que as pessoas sentem hoje, no entanto, nenhuma se confirmou.

Assim, Dilma Rousseff não terá dificuldades com esse tema na campanha. Ele nunca foi central nas nossas disputas presidenciais, mas vai subir de importância agora e nos próximos anos. Se desejar, Dilma pode promovê-lo desde já, e tem tudo a ganhar com isso.

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mai 21 2010

Hillary Clinton, a dominatrix ianque

Categoria: EUA Japão Europa,Fascismo,PolíticaSenhor_do_Servo @ 17:05

22/5/2010, Pepe Escobar, Blog The Roving Eye [Olhar Distraído], Asia Times Online

Pelo sempre ótimo e cada vez melhor, Viomundo.

Vamos combinar: Hillary Clinton é Dominatrix, dessas que já não se fazem como antigamente.

Primeiro, a secretária de Estado dos EUA disse que a mediação de Brasil e Turquia para conseguir que o Irã aceitasse combustível nuclear em troca de seu urânio estaria condenada ao fracasso. Depois, o Departamento de Estado dos EUA disse que seria “a última chance” de algum acordo sem sanções. E finalmente, menos de 24 horas depois do sucesso das negociações em Teerã, Hillary, chicote em punho, põe de joelhos todo o Conselho de Segurança da ONU e proclama ao mundo, em triunfo, que tinha em mãos um rascunho de resolução preventivamente aprovado, para uma quarta rodada de sanções contra o Irã. Definiu o movimento a favor de sanções como “resposta aos esforços empreendidos em Teerã nos últimos dias”. Mas… Calma lá!

Imediatamente depois do trabalho genuíno e bem-sucedido de mediação em discussão tão sensível, levado a cabo por duas potências emergentes – e mediadores sérios, que contam com a confiança universal – nesse nosso mundo multipolar, Brasil e Turquia… Washington e seus dois aliados da União Europeia no Conselho de Segurança, França e Grã-Bretanha, só pensam em torpedear o acordo? É o que os EUA chamam de “diplomacia” global?

Não surpreende que Brasil e Turquia, aliados chave dos EUA, ambos membros não-permanentes do Conselho de Segurança e ambos poderes regionais emergentes, tenham respondido com fogo pelas ventas, indignados com a reprimenda absolutamente descabida. O Brasil, primeiro, disse que sequer discutiria sanções contra o Irã, na ONU. Depois, Brasil e Turquia enviaram carta à ONU, requerendo formalmente que sejam incluídos nas negociações do grupo “Irã 6” sobre as sanções, “para evitar que se adotem medidas que dificultem qualquer solução pacífica”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil – que dissera pessoalmente à Clinton, no início do ano, que “não é prudente empurrar o Irã contra a parede” – também criticou o Conselho de Segurança, que lhe parece decidido a impedir qualquer tipo de negociação.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia Ahmet Davutoglu alertou que novo pacote de sanções só faria “estragar a atmosfera”.

E o primeiro-ministro da Turquia Recep Tayyip Erdogan disse que o movimento comprometia seriamente a credibilidade do Conselho de Segurança – e não deixou de lembrar, em tom ácido, o absurdo de haver cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, todos sentados sobre suas bombas atômicas, empenhados em desmantelar o programa nuclear legal e orientado para finalidades médicas e civis de um país em desenvolvimento.

Quanto à “credibilidade dos EUA”, está na lona. Não só na comparação com a credibilidade do Brasil de Lula e da Turquia de Erdogan, mas em todo o mundo em desenvolvimento – que é a verdadeira, a real, a única “comunidade internacional” de carne e osso e sangue que acompanha, interessada, esse sempre o mesmo golpismo incansável.

Frenesi de chicotadas contra o enriquecimento [do urânio]

Ao longo dos últimos meses, Clinton, a Dominatrix, acusou incansavelmente o Irã de ter rejeitado acordo semelhante, de troca de urânio baixo-enriquecido por combustível, proposto pelos EUA em outubro passado. Mais um movimento do script usual de Washington – um manual da eterna má-fé, insistindo que as sanções “nada têm a ver” com o enriquecimento do urânio, quando o mesmo enriquecimento, há apenas poucas semanas, era apresentado como o xis da questão e razão-chave para mais sanções.

E é ainda pior que isso. Como Gareth Porter revelou (“Washington queima pontes”, 21/5/2010, Asia Times Online e traduzido, em português, no Blog Viomundo, em http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ira-diz-que-washington-queima-pontes.html), Washington só propusera alguma troca de urânio por combustível em outubro último, porque, desde o início, planejava forçar o Irã a suspender completamente seu programa de enriquecimento de urânio (programa perfeitamente legal e legítimo, ao qual o Irã tem direito, como signatário do Tratado de Não-proliferação Nuclear, NPT). Mas essa intenção dos EUA jamais fora anunciada publicamente: tudo foi apresentado como se o problema fossem as bombas atômicas que não há e das quais o Irã não cogita.

Seja como for, o Irã continuará a produzir urânio enriquecido a 20% (direito do Irã, nos termos do Acordo de Não-proliferação), e começará a construir uma nova usina de enriquecimento, das dimensões da usina de Natanz. É parte do projeto de construir outras 10 usinas, anunciado ano passado pelo presidente Mahmud Ahmadinejad. Além disso, a usina nuclear construída pelos russos em Bushehr já está em fase final de testes e será inaugurada no próximo verão. São fatos irreversíveis, a “realidade em campo”.

Saeed Jalili, secretário do Conselho Superior de Segurança Nacional do Irã e principal negociador iraniano de facto nas questões nucleares, deve encontrar-se em breve com a chefe da política exterior da União Europeia Catherine Ashton na Turquia. Ashton, negociadora designada pela “comunidade internacional” seria representante da opinião pública global, nos termos de um press release distribuído pela British Petroleum sobre o vazamento de petróleo no Golfo do México. Isso, porque a União Europeia prepara-se para editar suas próprias sanções contra o Irã. Vale o mesmo para o Congresso dos EUA; como o senador Chris Dodd, Democrata de Connecticut, confirmou essa semana. Portanto, além das sanções do Conselho de Segurança, o Irã também terá de enfrentar sanções extra, declaradas pela coalizão de direita, dos poodles europeus decadentes, liderada pelos EUA.

China e Rússia, vêm de Sun Tzu

Antigo clássico general chinês, mestre estrategista, filósofo e autor de A Arte da Guerra, disse Sun Tzu: “Deixe que o inimigo erre. Não corrija erros do inimigo.” A China e a Rússia, também mestres estrategistas, aplicam aos EUA, em grande estilo, essa lição bem aprendida.

As dez páginas do rascunho de sanções da ONU de que ontem tanto se falou, já foram reduzidos a tirinhas inócuas de papel por China e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança. Qualquer manifestação em linguagem mais belicosa, que ainda se ouça contra aquele rascunho, no Conselho de Segurança, virá dos membros não permanentes Brasil, Turquia e Líbano. (Qualquer sanção terá de ser aprovada por unanimidade; sem isso, as sanções de Clinton nascem mortas.) Não há meio pelo qual Washington consiga forçar todos os membros do Conselho de Segurança a aprovar nova rodada de sanções, sobretudo agora que não há como negar que o Irã está cooperando.

No pé em que estão as coisas, as sanções hoje rascunhadas impedem as importações de armas convencionais pelo Irã; cortam todas as importações relacionadas a mísseis balísticos; congelam bens e valores de membros-chave do Corpo de Guardas Revolucionários Islâmicos; e autorizam inspeção em portos e em águas internacionais. A maioria dessas sanções implicam adesão voluntária – i.e., os países não são obrigados a implementar o que determinem as sanções do Conselho de Segurança – e terão efeito zero no comércio global do Irã, de petróleo e gás.

Pequim e Moscou de modo algum lambem o chicote de Clinton. Imediatamente depois do bombástico anúncio em que ela falou do ‘rascunho’ de documento de sanções, o embaixador chinês na ONU, Li Badong, disse que o rascunho de Resolução “não fechava as portas à diplomacia” e, mais uma vez, reforçou a importância “do diálogo, da diplomacia e das negociações.”

E o ministro das Relações Exteriores da Rússia Sergei Lavrov telefonou imediatamente a Clinton, insistindo na necessidade de melhor análise para o acordo de troca de urânio baixo-enriquecido por combustível, mediado por Brasil e Turquia. Lavrov repetiu que a Rússia absolutamente não considera oportunas quaisquer novas sanções unilaterais de EUA e União Europeia contra o Irã. O Chanceler russo disse que sanções unilaterais incluem medidas “de alcance extraterritorial, além do que permitem os acordos vigentes na comunidade internacional e contrariando princípios da lei internacional consubstanciada na Carta da ONU”.

E assim chegamos a uma situação em que um acordo real e válido, aprovado pelo Irã, sobre troca de seu urânio por combustível para seu reator está em estudos na Agência Internacional de Energia Atômica… ao mesmo tempo em que já está em curso um ataque contra o Irã, mediante sanções, na ONU. Em quem, afinal, a verdadeira “comunidade internacional” acreditará? Erdogan não poderia ter dito com mais clareza: “É tempo de decidir se acreditamos na supremacia da lei ou na lei dos fortes e supremos…”

De fato, o que todo o mundo em desenvolvimento está vendo é o passado – EUA, França, Grã-Bretanha, Alemanha – combatendo contra o avanço do futuro – China, Índia, Brasil, Turquia, Indonésia. A arquitetura da segurança global – policiada por uma camarilha de guardiões autonomeados e assustados – entrou em coma. O ocidente ‘atlanticista’ está naufragando feito Titanic.

Queremos guerra, e é pra já!

Só o poderoso lobby pró-guerra infinita nos EUA continua a considerar “um fiasco” o primeiro passo em direção a um acordo nuclear com o Irã. Inclui-se aí os cada dia mais desacreditados e pró-guerra-do-Iraque New York Times (a mediação Brasil-Turquia estaria “complicando a discussão das sanções”) e Washington Post (o Irã estaria “criando ilusões de avanço nas negociações nucleares”).

Para esse lobby pró-guerra, o acordo mediado por Brasil e Turquia seria “uma ameaça”, porque se opõe diretamente à decisão de atacar imediatamente o Irã (ataque a ser iniciado por Israel, e que os EUA seguiriam) e a promover lá uma “troca de regime” – sonho-desejo sempre acalentado por Washington.

Em recente discurso no Conselho de Relações Estrangeiras o luminar Dr. Zbigniew [Brzezinski] “vamos conquistar a Eurásia” alertou contra “gravíssimo perigo” de “um despertar político global” e de as elites globais se desentenderem”. Para o ex-conselheiro presidencial para assuntos de segurança nacional dos EUA, “pela primeira vez na história humana, toda a humanidade está politicamente desperta. É realidade totalmente nova, praticamente jamais aconteceu, em toda a história humana.” E quem, diabos, essas estrelas novas recém acordadas, como Brasil e Turquia, pensam que são, para atrever-se a perturbar ‘nosso’ governo do mundo?

Enquanto isso, norte-americanos sempre subinformados continuam a perguntar-se “Por que nos odeiam tanto?” Porque, dentre outras razões, visceralmente unilateral sempre, Washington nunca pensa duas vezes antes de meter-se a tentar erguer o chicote até para os seus melhores amigos.

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mai 20 2010

O novo mundo chegou!

Categoria: Internacional,Oriente MédioSenhor_do_Servo @ 06:46

De Ralf Rickli do Portal Luís Nassif

Luis Nassif escreveu hoje: “A ofensiva do Itamaraty, no episódio do Irã, é um divisor de água na ordem mundial do pós-guerra.” Não é balela. Dá pra ver que ele conhece e entende a história contemporânea. Falta ainda fazer relação com o desafio ativo chamado PNAC (Plan for a New American Century), mas isso fica pra mais adiante. É preciso parar pra olhar como o mundo hoje não é o mesmo de há três dias, e ainda não entende bem como: os jornais dos EUA foram unânimes em ironizar o acordo Brasil-Turquia-Irã, mas seus leitores praticamente unânimes em criticar Hillary e o jornal e apoiar o nosso acordo! (Ver p.ex. em inglês: aqui ). Deixo vocês com um novo e impressionante artigo do The Guardian que acabo de traduzir (reparem nas últimas frases!); depois conversamos mais!

O acordo nuclear do Irã e a nova primeira divisão de potências globais

Brasil e Turquia estão determinados a ir atrás de diplomacia e acordo – mesmo que isso signifique enfurecer Washington

Simon Tisdall -The Guardian – Original em aqui

Quarta-feira 19 de maio de 2010, 16:59 BST
Tradução: Ralf Rickli, 19.10.2010, 21:39 BST

A furiosa contenda entre a administração Obama e os líderes do Brasil e da Turquia sobre a melhor forma de lidar com as ambições nucleares do Irã, na sequência da controversa negociação de troca de urânio desta semana em Teerã, reflete um desacordo mais fundamental e crescente sobre como o mundo deve ser regido no século 21.

Quanto ao Irã, como em outras questões que considera fundamentais para a sua segurança e interesses nacionais, Washington espera que as coisas saiam do jeito que quer – e está acostumada a conseguir. Está sempre pronta a impor a sua vontade quando necessário. Foi isso que a Secretária de Estado, Hillary Clinton, tentou fazer esta semana colocando na linha no chicote o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Brasil e Turquia, dois membros com liderança em uma nova primeira divisão de potências mundiais emergentes, têm uma abordagem bem diferente. Eles dão ênfase à persuasão e ao acordo. No caso do Irã, em vez de ultimatos, prazos e sanções, eles preferem o diálogo – o que é facilitado pelo fato de que nenhum desses países se sente ameaçado por Teerã.

Lula da Silva, o popular presidente do Brasil, tipifica essa perspectiva. No início deste ano ele advertiu Hillary Clinton com franqueza de que “não seria prudente acuar o Irã num canto”. De modo mais geral, Lula tem lutado pela causa dos países emergentes, desafiou os pressupostos do mundo rico na Cúpula Climática de Copenhaguen, e os EUA quanto a Cuba e a Hugo Chávez.

Lula fala por um mundo que se formou à imagem do Ocidente, mas está rejeitando cada vez mais a sua tutela e suas ideias. A China e a Índia são os membros mais avançados desse grupo, mas a prioridade mais urgente de seus líderes é desenvolver a potência econômica dos seus países. No mais das vezes Pequim evita conflitos abertos com os estadunidenses e seus aliados da Europa Ocidental. Virá o tempo em que isso vai mudar – mas ainda não é agora.

Reagindo com irritação à sugestão implícita de Hillary Clinton, de que o Brasil teria de alguma forma sido “enrolado” pelos astuciosos iranianos para se envolver na questão do urânio, Maria Luiza Ribeiro Viotti, a embaixadora do Brasil na ONU, disse que o Brasil não cooperará com discussões no Conselho de Segurança convocadas pelos EUA, sobre uma nova resolução [contra o Irã]. E sem unanimidade no Conselho, novas sanções têm ainda menos chance de serem honradas ou efetivamente implementadas do que já é o caso agora.

O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, também advertiu Washington de que deveria pensar de novo sobre a questão. “Nós temos uma chance de alcançar uma solução pacífica, negociada, [com o Irã]. Aqueles que descartam essa possibilidade, ou que pensam que são sanções ou outras medidas o que nos aproximará, terão que assumir a responsabilidade por isso.” A robustez dessa linguagem é uma expressão eloqüente da mudança na dinâmica de poder entre a antiga superpotência e seus novos rivais.

Recep Tayyip Erdogan, primeiro-ministro da Turquia, e, como Lula, o líder de uma potência regional emergente, tem um interesse mais direto no que acontece no Irã. Os dois países têm uma fronteira comum e uma crença comum de que o Oriente Médio tem visto interferência demais de potências estrangeiras. Ancara não quer um Irã com armas nucleares mais do que quer um Israel com armas nucleares. Na verdade, busca esvaziar a região de todas as armas de destruição em massa.

Mas Erdogan está cada vez mais resistente ao modo de agir dos EUA, seja fechar os olhos à depredação de Gaza por Israel, dar aulas à Turquia sobre a história da Armênia, ou manter padrões duplos quanto a armas nucleares. Como a maioria dos turcos, Erdogan se opôs à invasão do Iraque. Ele conduziu uma aproximação com a Síria, outro bicho-de-sete-cabeças para os estadunidenses. E esta semana sugeriu que Washington estava se comportando com arrogância ao fazer pouco do acordo com o Irã.

“Este é o momento de discutir se nós acreditamos na supremacia da lei ou a lei dos supremos e superiores”, disse ele. “Enquanto os EUA ainda têm armas nucleares, de onde eles tiram a credibilidade para pedir a outros países que não tenham?” No entanto, apesar de sua óbvia irritação, Erdogan deu resposta às críticas de Clinton de que o cronograma para a troca de urânio era “sem forma”: disse que se espera que o Irã cumpra a sua parte do acordo no prazo de um mês, ou então “ficará por sua própria conta”.

Ahmet Davutoglu, Ministro das Relações Exteriores da Turquia, deixou clara a oposição de Ancara a novas sanções – e que não estava preocupado com deixar os americanos irritados. “Nós não queremos novas sanções em nossa região porque isso afeta a nossa economia, afeta as nossas políticas de energia, afeta as nossas relações com a nossa vizinhança”, disse ele. E sem a cooperação turca, haverá dificuldade para que quaisquer novas medidas tenham impacto.

Aliás, o caso pode ser esse qualquer maneira. No furor se está deixando de ver que, graças à rígida oposição da Rússia e da China, as novas sanções propostas serão bastante fracas mesmo se forem aprovadas como aparecem no esboço. Não será nada do “pacote paralizante” prometido por Hillary Clinton: consiste em grande parte de medidas voluntárias ou não condicionantes, e não terá afetará as vendas de petróleo e gás do Iran, sua principal fonte de renda.

Complementarmente, são esperadas medidas mais duras da parte da União Europeia mais à frente, e países como os EUA e o Reino Unido podem tomar medidas adicionais unilaterais. Assim, é provável que aquilo que os EUA gostariam de apresentar como a frente unida da comunidade internacional contra o Irã termine se reduzindo a uma coalizão estreita de interessados, envolvendo apenas Washington e alguns estados da Europa Ocidental.

O simbolicamente significativo experimento desta semana, de Brasil e Turquia fazerem as coisas de modo diferente, e as divisões que foram expostas pela contenda que se seguiu, sugere que a já frágil arquitetura tradicional de segurança internacional, mantida e policiada por uns poucos países auto-nomeados, não pode mais se manter por muito tempo. O poder está indo embora do Ocidente. Dá quase para senti-lo escapando.

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mai 18 2010

Sobre mídia, estadunidenses e tucanos

Categoria: Apoiamos,Defesa,Fascismo,Israel,José Serra,Mídia,Oriente Médio,PolíticaSenhor_do_Servo @ 18:15

O Brasil deles é com "Z"

Por O Observador, do Luís Nassif

Olá Nassif,

sugiro este bom artigo da Deutsche Welle (atente às falas do ex-ministro “descalço no aeroporto americano” do FHC, Luiz Felipe Lampreia):

Do Deutsche Welle

Desqualificar atuação do Brasil é opção que resta a EUA, diz especialista”

A foto rodou os principais jornais do mundo e parecia ilustrar um fim de campanha eleitoral. Lula e Mahmud Ahmadinejad de mãos dadas e braços estendidos, num gesto que simboliza a vitória – depois de uma disputa contra oponentes.

O governo brasileiro comemorou o acordo com o Irã, em que a república islâmica concorda em enviar 1,2 tonelada de urânio pouco enriquecido para a Turquia em troca de 120 quilos de combustível nuclear. Mas a reação internacional foi pior do que o esperado. Um dia depois do aceno iraniano, os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (18/05) que irão apresentar sanções contra o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Entre as demais reações que se seguiram, Ban Ki Moon, secretário-geral da ONU, disse que o acordo pode ser positivo. A China também seguiu esse tom – desde que Ahmadinejad cumpra os termos assinados.

“Imagem do Brasil pode ficar arranhada”

Para quem acompanhou por vários anos as relações brasileiras mundo afora, as chances de o Irã honrar o compromisso, no entanto, são pequenas. É o que acredita Luiz Felipe Lampreia, ex-ministro de Relações Exteriores durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1991 e 2005.

“Certamente, se der errado, a imagem do Brasil ficará arranhada. O Brasil não tinha nenhuma razão clara, própria, para se envolver nessa questão e, tendo se envolvido, coloca em jogo a sua credibilidade e seu prestígio internacional”, analisa Lampreia.

O insucesso é mais provável porque o governo iraniano tem se mostrado pouco confiável e pouco interessado em mudar o rumo de sua política que, acredita o ex-ministro, “é o rumo que segue visivelmente no sentido de adquirir uma arma nuclear”.

Já para Rafael Duarte Villa, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, o evento não deixou dúvidas: “O Brasil saiu muito fortalecido. Talvez fosse o que faltava para o Brasil mostrar que tem possibilidade de ter uma posição de primeira ordem na política internacional”.

Diplomacia versus sanções

Se antes havia um consenso entre a comunidade internacional a favor de sanções caso Ahmadinejad não concordasse em exportar urânio pouco enriquecido para a Turquia–, agora o panorama é de indefinição.

“O efeito do acordo tem uma posição bastante enfraquecedora da posição americana. Alguns membros muito poderosos, como a China, já anunciaram hoje (18/05) que também reconhecem o pacto”, pontua Rafael Duarte Villa.

Clinton quer sanções

E o posicionamento dos Estados Unidos de que apresentarão, mesmo assim, as sanções para serem votadas, é muito ruim para a imagem daquele país, salienta Villa. “Isso acaba mostrando que podem existir outras intenções por trás, além do acordo em si. Porque toda essa intransigência, essa desconfiança, mostra que esses países – não só os Estados Unidos, mas também os europeus – querem sanções contra o Irã a qualquer preço.”

Poder e malícia

“Ingenuidade” foi um adjetivo atribuído por alguns políticos europeus e americanos aos brasileiros que encabeçaram as negociações com o Irã. “Não acredito nisso. Os envolvidos no processo são pessoas muito experientes, vividas, como o ministro Celso Amorim. O que pode ter é, digamos, vontade de ter êxito, de se chegar a um resultado positivo”, defende Luiz Felipe Lampreia.

Apesar de todo o destaque que a política externa brasileira ganhou ultimamente devido à aproximação com o Irã, o ex-ministro não acredita que a ONU possa, com isso, conceder uma vaga permanente no Conselho de Segurança. “Muito pelo contrário. Acho que, normalmente, o Brasil fica prejudicado por esse envolvimento todo porque é um envolvimento forçado, não é natural.”

Lógico, ou não, Rafael Villa faz outra leitura desse envolvimento brasileiro. “Esse evento mostrou uma coisa muito importante: os EUA e os países europeus estão perdendo espaço para emergentes, como Brasil, Índia, China. Se eles já mostraram sucesso diversas vezes no aspecto comercial, agora eles mostram que conseguem utilizar sua diplomacia cooperativa para também influenciar decisões em assuntos extremamente difíceis, como armamento nuclear.”

Villa acredita que, para a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, não resta outra opção a não ser desqualificar a atuação do Brasil como uma atuação ingênua. “É preciso compreender que há algo mais profundo em curso, que há a emergência de novos países nesse tipo de assunto, como a crise iraniana. E isso será cada vez mais comum.”

Autora: Nádia Pontes

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mai 18 2010

Somos soberanos, livres e independentes!

O pariotismo tucano

Corvos, urubus, tucanos, todos torcendo contra uma negociação pacífica do conflito em torno do Irã, porque é Lula quem conduziu essas negociações, o que fortaleceria ainda mais sua imagem. Enquanto que um eventual fracasso, mesmo que levasse a um novo conflito bélico de proporções, contanto que pudesse ser explorado internamente em termos eleitorais, favoreceria a oposição, nos seus mesquinhos e desesperados cálculos eleitorais.

Não importa o destino do Oriente Médio, do mundo, contanto que Serra possa ter alguma esperança de se eleger. Eleger um candidato que disse que o Mercosul é uma “farsa”, que o Brasil fez “uma trapalhada” em Honduras, que o ingresso da Venezuela no Mercosul era “uma insensatez”, que “não convidaria o primeiro ministro do Irã para vir ao Brasil, nem iria ao Irã”.

Dane-se a paz no mundo, contanto que a candidata de Lula não siga sua curva ascendente, que a faz superar a seu candidato na pesquisa do Vox Populi. Dane-se a paz no Oriente Médio, contanto que se possa consignar alguma “gafe” de Lula na viagem ao Irã. Dane-se o mundo, contanto que os interesses da direita brasileira sejam preservados.

Essa visão estreita, provinciana, se choca abertamente com a importância do acordo conseguido e com suas repercussões internacionais. Ainda mais porque contradiz o ceticismo do governo norteamericano – Hillary mencionou o tamanho da montanha que Lula teria que escalar para conseguir o acordo e dos porta-vozes da militarização dos conflitos em escala mundial. Onde outros fracassaram ou apostaram que nem valia a pena buscar negociações, o Brasil triunfou.

O Brasil soube buscar aliados – Rússia, China, Turquia, França – para abrir um espaço de negociação política, que se revelou possível e correto. A posição brasileira de que os EUA – e outras potências – possuindo imensos arsenais nucleares, não tinham moral para buscar acordos que limitem a disseminação de armamento nuclear, abre caminho para outras iniciativas de paz.

Em Israel e na Palestina, Lula deixou claro que os EUA não são o bom negociador para a paz na região, tanto porque são parte integrante do conflito, ao definir a Israel como seu aliado estratégico, como porque fracassou ao longo do tempo, sem que se tenha obtido a concretização do acordo da ONU de garantir a existência de um Estado palestino nas mesmas condições do Estado israelense.

Faltava que a candidatura de Lula fosse lançada ao Prêmio Nobel da Paz, para que uma imensa grita se estendesse por aqui, para que esse merecido reconhecimento internacional não projetasse de vez o Brasil como um novo sujeito em negociações de paz, projetando-nos como país que contribui efetivamente para sairmos de um mundo unipolar, sob hegemonia imperial de uma única super potência e para a criação de um mundo multipolar.

Devemos sentir-nos orgulhosos da diplomacia brasileira e da política internacional do Brasil, da atuação de Lula e de Celso Amorim.
Devemos lutar ainda mais para consolidar essas diretrizes da política exterior brasileira e contribuir para que ela não apenas prossiga, mas se estenda e ajude ainda mais a construir um mundo em que os conflitos não sejam mais objeto de intervenções militares, mas de negociações políticas, pacíficas, que respeitem o direito de todos, especialmente dos que, até aqui, foram oprimidos pelas potências que concentram os maiores arsenais do mundo e pretendem perpetuar seu domínio sobre uma ordem mundial injusta.

Por Emir Sader às 04:03, na Carta Maior

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mai 06 2010

Falta muito pouco para o Brasilônio

Categoria: Ciência,DefesaSenhor_do_Servo @ 17:34

Da Agência Brasil

Brasil inicia testes com metal capaz de armazenar urânio dentro de reatores nucleares

Vitor Abdala, Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Brasil deu hoje (5) mais um passo para dominar o ciclo completo de preparação do combustível nuclear. A Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), o Instituto Militar de Engenharia (IME) e as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) iniciaram testes para a produção de tubos de zircônio, utilizados para armazenar urânio dentro dos reatores nucleares.

Segundo o coordenador do laboratório responsável pelos testes, Luiz Henrique de Almeida, a partir destes ensaios com ligas de zircônio, será possível desenvolver uma tecnologia para que, no futuro, a indústria nacional seja capaz de produzir, em escala industrial, os tubos usados no armazenamento do urânio durante o processo de geração de energia nuclear.

“O zircônio é o único material, que a gente conhece, que pode resistir ao esforço mecânico, à temperatura e à radiação dentro do reator. Dentro do reator, em função da radiação, ele sofre mudança de propriedade, então ele tem que ser preparado para evoluir junto com a sua utilização, de forma que ele possa trabalhar com segurança e sem vazamento”, explicou Almeida.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, acredita que, com a tecnologia de armazenamento de urânio e a operação da fábrica brasileira de enriquecimento de urânio, nos próximos anos, o Brasil poderá tornar-se autossuficiente na produção de combustível nuclear e, com isso, ser independente dos demais países.

“Se formos depender dos países desenvolvidos, realmente nós não vamos conseguir ter um programa [nuclear] bem-sucedido. É de todo interesse de muitos desses países que nós não sejamos independentes nessa área”, disse o ministro, que acredita que o Brasil dominará o ciclo completo do combustível nuclear dentro de quatro a cinco anos.

Atualmente, o Brasil importa os tubos de armazenamento de urânio de outros países. O país tem grandes reservas do mineral, mas ainda precisa enviá-lo para o exterior para ser enriquecido, isto é, para ser capaz de funcionar como combustível dentro do reator nuclear. Uma fábrica de enriquecimento de urânio, com capacidade de transformar o produto em combustível nuclear, está sendo montada em Resende, no sul fluminense, e deve ficar pronta nos próximos anos.

O laboratório da Coppe também vai realizar testes com ligas de titânio, usadas em setores como o de petróleo, aeroespacial e biomédico.

Edição: Lana Cristina

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abr 29 2010

Brasil e Namíbia cooperam

Categoria: DefesaSenhor_do_Servo @ 23:16

Do Plano Brasil

Novos Fuzileiros prestam juramento à Bandeira da Namíbia
Um esforço conjunto, de caráter pioneiro e desafiador, levou as Marinhas do Brasil e da Namíbia a realizarem o Primeiro Curso de Formação de Soldados Fuzileiros Navais Namibianos. A cerimônia de formatura foi presidida pelo Chefe das Forças de Defesa (Chief of Defense Force) Major General Peter Nambundunga, acompanhado pelo Comandante da Marinha da Namíbia (Real Admiral Navy Comander) Peter Vilho, no dia 19 de fevereiro de 2010, na Namíbia. Autoridades militares e civis prestigiaram o evento, além de parentes dos recrutas e instrutores do Corpo de Alunos.
Desfile de instrutores brasileiros
Conduzido por Fuzileiros Navais dos dois países, o treinamento começou no dia 5 de outubro do ano passado. Após 1 semana de adaptação e mais 17 semanas curriculares, o curso foi encerrado em 5 de fevereiro. Dos 168 recrutas Fuzileiros Navais participantes, 164 se formaram, tendo havido 1 desistência, 2 reprovações e 1 trancamento de matrícula por motivo de saúde.
O objetivo geral do curso foi preparar recrutas para exercer as funções peculiares aos soldados Fuzileiros Navais. Após a cerimônia de formatura, os agora Soldados Fuzileiros Navais deverão assumir suas funções no Marine Corps Battalion, núcleo do futuro Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais da Namíbia.
Chefe das Forças de Defesa da Namíbia, Maj Gen Peter Nambundunga, cumprimenta representante da Marinha do Brasil
A cerimônia foi coordenada pelo Grupo de Apoio Técnico de Fuzileiros Navais (GATFN) e se desenvolveu de forma similar à do Centro de Instrução Almirante Milcíades Portela Alves (CIAMPA), no Rio de Janeiro. O Comandante das Forças de Defesa e o Comandante da Marinha daquele país ressaltaram, em seus pronunciamentos, o irrestrito apoio da Marinha Brasileira, como também o sucesso na formação de soldados fuzileiros navais altamente qualificados. Comprovou-se assim, a intensa cooperação entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República da Namíbia.

Fonte:Marinha do Brasil

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