jul 04 2010

Mais um passo rumo a autonomia nuclear plena

Categoria: Ciência,DefesaSenhor_do_Servo @ 10:21

Do Estadão pelo Luís Nassif

Experimentos no Centro Aramar, da Marinha, devem durar 150 dias; produção regular começa no primeiro trimestre de 2011

Roberto Godoy – O Estado de S.Paulo

Há movimento no abrigo do programa nuclear brasileiro. A etapa estratégica da construção da Usina de Gás de Urânio, a Usexa, no Centro Aramar, foi concluída e já entrou em testes. Houve pequena antecipação no prazo previsto. Assim, a montagem da unidade de produção e manuseio do gás ficará pronta em outubro.

Os ensaios ainda “a frio” – ou seja, sem elemento radioativo – devem durar cerca de 150 dias. A produção regular, fixada em 40 toneladas por ano, começa no primeiro trimestre de 2011.

Há mais, na área de quase 852 hectares, a 130 km de São Paulo, no município de Iperó. Ali funciona regularmente há poucos meses uma cascata das mais novas ultracentrífugas, as avançadas máquinas que enriquecem o urânio, dando a ele capacidade energética.

O conjunto está em desenvolvimento. Cada unidade, feita de finos metais e seguindo sofisticados conceitos de repulsão magnética – que mantém partes móveis sem atrito – é 30% mais eficiente que a geração anterior, a 1/M2, incorporada pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB) faz seis meses. As 1/M2 por sua vez, têm rendimento 15% superior ao lote anterior.

Ao longo desse ano a INB vai comissionar um grupo das ultracentrífugas ainda mais modernas. “Quase simultaneamente será montado o quarto conjunto, também destinado à área de produção da Fábrica de Combustível de Resende, no Rio”, diz o comandante André Ferreira Marques, do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, onde coordena a área de propulsão nuclear. A meta da INB é dispor de 10 cascatas de enriquecimento até 2014.

Inspeção. As máquinas são usadas para aumentar a proporção de isótopos U235 (“ricos” em energia), separando, em meio ao gás, o U-238 (mais “pobre”). O Brasil enriquece o urânio a 4% para a pesquisa de combustíveis e a 20% em pequenas quantidades para uso científico. O índice adequado à fabricação de armas é superior a 93%. Os resultados obtidos pela Marinha são submetidos à inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica, a AIEA. A organização mantém câmeras lacradas nas instalações de Iperó e realiza o monitoramento dia e noite. Periodicamente são feitas verificações técnicas no local, guardado por fuzileiros navais que atuam debaixo de rígidas regras de segurança.

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mai 16 2010

Sem voto, a direita pensa em golpe

Categoria: Fascismo,José Serra,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 09:55

Eduardo Guimarães, do Cidadania.Com

Instado por um leitor, fui ler post do deputado Brizola Neto em seu blog em que, com todo o conhecimento de causa de um parlamentar, vê risco de a oposição tucano-pefelê e essa quadrilha de bandidos que controla veículos de comunicação de história golpista como o jornal O Estado de São Paulo, buscarem alternativa não eleitoral para eleger José Serra.

É por falta de voto que a direita brasileira começa a flertar com o golpismo, como sempre foi neste país. E a Justiça Eleitoral, de acordo com o deputado pedetista e com a matéria do jornal paulista, estaria disposta a embarcar na mais nova aventura golpista da famigerada direita brasileira.

Caso seja verdade o que diz a matéria desse jornal calhorda, é muito grave a mera cogitação de impedir Dilma de disputar a eleição.

Que tem havido excessos nas pré-campanhas eleitorais de todos os candidatos, de todos os partidos e em todos os níveis em relação à lei esdrúxula que, a poucos meses da eleição, obriga a classe política a fingir que não haverá eleição, disso não resta a menor dúvida. Contudo, o fato de o PT estar cochilando ao não bater às portas da Justiça para reclamar que o PSDB faz exatamente a mesma coisa, não quer dizer que só a campanha de Dilma está em campo.

O Estadão prega a inelegibilidade de Dilma por conta dos programas eleitorais na tevê e no rádio de que ela participou recentemente. Isso porque, nas urnas, essa direita meliante que infesta o Brasil sabe que não vencerá a eleição.

A direita perdeu sua mais eficaz arma de fraude eleitoral com a representação do Movimento dos Sem Mídia, ou seja, a fraude em pesquisas, arma que tentaria induzir o eleitorado a votar em um José Serra falsamente colocado na dianteira. Então começa a se desesperar e a cogitar saídas golpistas, como sempre fez.

Pois aqui vai um aviso ao Estadão, à Globo, à Folha, à Veja e aos políticos que controlam esses veículos: NÃO TENTEM!!

A menos que os militares estejam dispostos a dar novo golpe de Estado, isolando o Brasil da comunidade internacional e destruindo todas as magníficas conquistas logradas pelo país depois da catástrofe tucana de oito anos no governo federal, os movimentos sociais, os sindicatos e, sobretudo, os cidadãos comuns de todas as partes do país sairão às ruas em defesa da democracia.

Querem multar, suprimir programas institucionais só de um dos lados na tevê e no rádio apesar de que o outro lado faz a mesma coisa? Enquanto o PT continuar dormindo no ponto, podem fazer, pois, apesar de o outro lado fazer a mesma coisa, estarão dentro da lei. Mas, no tapetão, vocês, canalhas reacionários e golpistas, não elegerão Serra.

Estou absolutamente certo de que não falo só por mim. O povo brasileiro não aceitará nada menos do que uma disputa legítima entre Serra, Dilma, Marina e quem mais se candidatar. Se tentarem impedir essa disputa por conta de o candidato da elite apodrecida não ter votos fora de São Paulo, abrirão as portas do inferno. Podem acreditar.

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abr 04 2010

Estadão culpa os neurônios dos eleitores pela subida de Dilma

Categoria: Apoiamos,José Serra,PolíticaSenhor_do_Servo @ 10:02
Aquilo que vem estorvando o Serra, segundo o Estadão

Aquilo que vem estorvando o Serra, segundo o Estadão

por Charles Carmo, em O Recôncavo pelo Viomundo

O PIG a cada dia se supera.

Dilma Rousseff há muito tempo vem subindo nas pesquisas e José Serra despencando. Às vésperas da despedida de Serra no governo paulista, misteriosamente, segundo o Datafolha, o candidato tucano “subiu” 4 pontos e Dilma caiu um ponto, o que supostamente daria ao ex-governador uma “vantagem” de 9 pontos percentuais. Registre-se que o Vox Populi apontou o inverso: Serra estagnado e Dilma Rousseff subindo três pontos, ou seja, um empate técnico.

Até mesmo o Clóvis Rossi, da Folha de São Paulo, ficou perplexo. A pergunta que todo mundo se fazia é o que teria operado este milagre. O que Serra fez para ganhar os 4 pontos? O mistério continua.

Aí, às vésperas da divulgação da pesquisa do Vox Populi, a Folha de São Paulo, dona do Datafolha, resolver, também misteriosamente, “estranhar” o fato de o Vox Populi  ter incluído em seu questionário duas perguntas: se o entrevistado conhece ou não os nomes apresentados e se o eleitor saberia dizer quais cargos cada um dos quatro principais presidenciáveis ocupou.

Você imagina como estas duas perguntas podem fazer Dilma Rousseff ganhar três pontos percentuais? Eu também não. Aliás, nem eu, nem a Folha de São Paulo, que lançou a futrica sem explicar o curioso fenômeno.

Eis que descubro, lendo o Estadão, que o José Roberto de Toledo, tem uma suspeita do motivo que fez Dilma empatar com Serra: a culpa é da “rede neural”. Como? Ele também não sabe, mas afirma que existem “especulações de que a menção e repetição dos nomes dos candidatos, mais o esforço do entrevistado para lembrar-se dos cargos já ocupados pelos presidenciáveis, poderiam, juntos, acionar alguma rede neural que associa o nome de Dilma Rousseff ao governo federal e, por consequência, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inflando sua intenção de voto estimulada”.

Ou seja: segundo os neurocientistas do Estadão, Dilma Rousseff subiu na pesquisa Vox Populi por conta da rede neural.

Não sou um estudioso do cérebro, mas, para mim, uma coisa pode explicar o crescimento de Serra na pesquisa do Datafolha: a população tem raiva dos professores paulistas e adora vê-los apanhando da polícia. É o sadismo pedagógico.

Deve ser uma reação da rede neural àquela nota baixa que o eleitor tirou na prova de biologia.

Arrisco também outra hipótese: a Band virou petista e Boris Casoy deixou de caçar comunistas, como afirmou a revista O Cruzeiro, para aliar-se à Lula e aos demais vermelhos. A Band virou lulista! A única dúvida que tenho é se o Sarney canta a Internacional Socialista no chuveiro.

Para o Estadão, a culpa pelo crescimento de Dilma é dos neurônios dos eleitores.

Enfim, um consenso.

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mar 20 2010

Veja mentiu, repórter inventou e…?

Categoria: Fascismo,José Serra,MídiaSenhor_do_Servo @ 11:39

Do Luís Nassif:

O jogo ficou assim:

1. Veja informou que o Vaccari foi denunciado pelo doleiro (que ela chama de consultor financeiro) em um sistema de delação premiada. Mencionou relatório sigiloso do depoimento, que estaria no inquérito do “mensalão”. Só disse isso, não apresentou os documentos. O leitor fica dependendo, então, da palavra do repórter. Pouco antes, noticiou que o promotor Blat pediria a quebra do sigilo de Vaccari, devido à suspeita de que tivesse havido desvios para financiamento de campanha. Também sem apresentar documentos. Duas denúncias, portanto, baseadas exclusivamente em declarações: do repórter e do procurador. O PT desmentiu, Vaccari desmentiu. Até aí, morreu Neves. É a palavra de um lado contra a do outro.

2. Aí vem o juiz – que recebeu o pedido de quebra do sigilo de Vaccari – e espinafra o promotor. Acusa-o de promover eventos puramente políticos, já que não havia nada que fundamentasse seu pedido de quebra do sigilo de Vaccari. Ou seja, a palavra do promotor foi para vinagre.

3. Depois, vem a procuradora de São Paulo – que colheu os depoimentos do “consultor financeiro” Lúcio Funaro- e garante que o nome de Vaccaro sequer foi mencionado. Desmontou a palavra do repórter.

4. A revista volta ao tema esta semana, espinafra a defesa do PT, critica os que falam de “mídia golpista” mas sobre os desmentidos oficiais à matéria… nada. Fala sobre “evidências” da cobrança de propinas – essas “evidências” já haviam sido desmontadas pelo juiz e pela procuradora, em informações que se espalharam por toda a Internet e por todas as redações do país durante a semana. Pessoal, não dá para ignorar que toda a imprensa leu os desmentidos. Não dá para varrer para baixo do tapete. O jovem repórter Diego Escosteguy está sob suspeita de ter inventado uma matéria. Ele não pode simplesmente responder indignando-se com a não resposta do PT. Seu papel, agora, é mostrar as provas de que a matéria da semana passada não foi inventada, inclusive para não prejudicar uma carreira promissora.

Da Veja

O PT continua dando de ombros…

…e repete o mesmo erro visto no mensalão: ignora as evidências de que seu tesoureiro cobrava propina e decide mantê-lo no cargo

Na noite da última terça-feira, o lobista e deputado cassado José Dirceu, acusado pela Procuradoria-Geral da República de comandar a “organização criminosa” do mensalão, réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção ativa e formação de quadrilha, celebrou seus 64 anos numa alegre festa em Brasília. Dirceu, o perseguido, aproveitou a tertúlia para anunciar sua enigmática convicção de que será absolvido no STF – e propôs um brinde especial ao novo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, apontado como um dos operadores do mensalão petista e, também, como responsável por desfalques milionários na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, a Bancoop. “Vamos defender nossos amigos dessas denúncias infundadas”, arengou o petista, observado de perto pelo presidente do Senado, José Sarney, e pelo senador Renan Calheiros, ambos do PMDB, políticos retos que, como Dirceu, conhecem bem esse tipo de “denúncia infundada”. Até o outrora discreto chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, foi às falas: “Não vamos aceitar linchamento sem provas”. O partido, portanto, está disposto a manter no cargo João Vaccari, o coletor de propina do mensalão junto aos fundos de pensão.

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mar 14 2010

Zé Alagão se lança candidato…

Categoria: José Serra,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 20:48

Zé Alagão se lança candidato na primeira página do Estadão da província de São Paulo pelo PHA

Nada mais natural.

Ele é candidato de São Paulo e de mais ninguém.

E das forças que sustentam o Estadão (*).

A campanha começa bem: com um cacófato.

O homem do gerúndio – “São Paulo trabalhando por você” – agora se lança com a ajuda da cacofonia: ”Estado ativo”.

Não é o forte dele: expressar-se.

O que será o “Estado ativo” ?

Deve ser uma oposição ao Estado “passivo”.

“Passivo”, então, deve ser o Estado do Farol de Alexandria.

Lembre-se que desse Estado “passivo”, Zé Alagão foi o Grande Planejador, o ministro do Planejamento que passou o tempo a tramar a queda do Pedro Malan.

Ou ele não se lembra do que disse o Farol ?

Que ele, Zé Alagão foi o mais feroz defensor da venda da vale do Rio Doce a preço de banana ?

O “Estado ativo” deve ser a forma inteligente – clique aqui para ver como a mediocridade de Serra se expôs à televisão portuguesa – de o Zé Alagão jogar o Farol ao mar.

Ele, o “ativo”; o Farol, “passivo”.

Vamos aceitar os termos da dialética.

Quem vendeu a água da Sabesp ?

Quem pedagiou (ou seja, privatizou) as estradas, ruelas e pinguelas de São Paulo ?

Quem vendeu a catraca do metrô ?

Quem vendeu o Nossa Caixa ?

Quem ligou ao Naji Nahas – segundo os registros da Operação Satiagraha – para ele, Nahas e o “brilhante” Daniel Dantas venderem a Cesp ?

Quem ?

Foi o “passivo” ou o “ativo” ?

Mas, como diria o Dr Tancredo sobre outro paulista candidato a presidente, o Paulo Maluf: o Maluf é bom porque perde.

O Zé Pedágio é bom porque perde.

E continua a ser aquele velho economicista de guerra, que pensa que o Brasil congelou em 2002, à espera dele.

E que ainda se debate com as questões da Economia.

Logo ele, que não tem um diploma de Economia que sirva no Brasil, embora se tenha registrado na Justiça Eleitoral como “engenheiro” e “economista” e não seja um nem outro.

Pena que o Zé Alagão não se tenha lançado candidato com a bandeira da moralidade.

Clique aqui para ler “A pedidos – Maierovitch: Serra não deixou a Justiça apurar se ele é ladrão”.

Talvez porque aí não se sinta tão seguro.

Que bom.

Ele vai se enredar no debate da Economia.

Nos termos que o Farol impôs: “a questão do Estado” foi o tema do último artigo (inútil) do Farol no PiG (**).

Incapaz de formular uma ideia original, Serra vai atrás dele.

Atrás do Farol, inclusive para o anonimato.

Mino Carta prevê que, em outubro, Serra pedirá ao Belluzzo dois empregos: de professor na Facamp e no Palmeiras.

Paulo Henrique Amorim

(*) O Estadão fez uma bela reforma gráfica. A forma está ótima. O conteúdo é aquele lixo de sempre. Não presta para uma banca de jornal na Corrientes, em Buenos Aires. Mas, demonstra que a Folha da província de São Paulo não vai longe. Como dizia o “Seu Frias”, uma ponte de São Paulo, São Paulo não comporta dois jornais grandes …

(**)Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

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mar 14 2010

O caminho dos corvos

Categoria: Apoiamos,Fascismo,Internet,José Serra,MídiaSenhor_do_Servo @ 13:49

O Professor Hariovaldo de Almeida Prado, o impagável omni ego da direita anencéfala paulista, demonstrou de maneira perfeitamente clara e precisa, o modo como a junção imprensa golpista+políticos lacerdistas querem entregar o Brasil aos antigos donos, os descendentes de escribas de origem judaica e de senhores de escravos, amigos dos dos Estados Unidos.

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mar 14 2010

É Guerra!

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 11:02

Do Escrevinhador, de Rodrigo Viana

Mauro Carrara escreve sobre uma operação que, claramente, já está em curso.

Passado o Carnaval, os setores ligados aos tucanos – na grande mídia – se desesperaram. A sequência de notícias ruins para eles, desde o fim do ano passado, é impressionante:

enchentes em São Paulo, Arruda preso, o DEM desmoralizado, o PSDB  sem discurso diante da recuperação da economia. Para completar: Serra caiu e Dilma subiu nas pesquisas.

A oposição ao governo Lula bateu os tambores no convescote organizado pelo Instituto Millenium. Ao perceber que os partidos de oposição caminhavam para a anomia, os donos da mídia asumiram o controle da oposição. E as manchetes, capas e títulos distorcidos se avolumam.

É guerra. É a tempestade no deserto – como explica Mauro no texto abaixo..

Pesquisa IBOPE saiu a campo (coincidência, em se tratando do IBOPE?) na última semana, em meio à tempestade de manchetes anti-governistas. Resultado deve ser divulgado nos próximos dias, pela CNI.

Toda a esperança dos tucanos da mídia é que Serra tenha conseguido estancar a sangria dos votos. Aparentemente, não conseguiu. Há informações de que Dilma já aparece (numericamente) à frente de Serra, apesar de a situação (ainda) caracterizar empate técnico: leia sobre isso no Vermelho – Aqui, é só clicar

Nos próximos meses, entraremos num ritmo frenético, parecido com o de 2005 – quando setores da mídia tentaram derubar Lula. Agora, sabem que não podem derrubá-lo. Mas bastaria a eles arranhar a imagem do PT, e vender a idéia de de que “Lula a gente tolerou, mas Dilma – a terrorista – não vai chegar lá”.

Ninguém pode ser ingênuo. Essa campanha está articulada a interesses internacionais. Não do núcleo do governo de Obama, mas de setores da extrema-direita dos EUA que seguem alojados na máquina de governo em Wasgington, e que assumiram a tarefa de barrar a “subversão” na América Latina. Essa gente da mídia no Brasil é articulada com o que há de mais reacionário nos EUA.

A guerra será violenta – como diz o Mauro Carrara, abaixo. Fiquem com o texto dele…

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Operação “Tempestade no Cerrado”: o que fazer? – por Mauro Carrara

(O PT é um partido sem mídia… O PSDB é uma mídia com partido).

“Tempestade no Cerrado”: é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.

A expressão é inspirada na operação “Tempestade no Deserto”, realizada em fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo.

Liderada pelo general norte-americano Norman Schwarzkopf, a ação militar destruiu parcela significativa das forças iraquianas. Estima-se que 70 mil pessoas morreram em decorrência da ofensiva.

A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.

A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.

As conversas tensas nos “aquários” do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.

1)    Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.

2)     Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.

3)     Ressuscitar o caso “Mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.

4)     Elevar o tom de voz nos editoriais.

5)     Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “censura”.

6)     Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.

7)     Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.

8)     Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.

Quem está por trás

Parte da estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral.

É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado.

A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo “cientista político” Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.

Almeida escreveu Por que Lula? e A cabeça do brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.

O conteúdo

As manchetes dos últimos dias, revelam a carga dos explosivos lançados sobre o território da esquerda.

Acusam Lula, por exemplo, de inaugurar uma obra inacabada e “vetada” pelo TCU.

Produzem alarde sobre a retração do PIB brasileiro em 2009.

Criam deturpações numéricas.

A Folha de S. Paulo, por exemplo, num espetacular malabarismo de ideias, tenta passar a impressão de que o projeto “Minha Casa, Minha Vida” está fadado ao fracasso.

Durante horas, seu portal na Internet afirmou que somente 0,6% das moradias previstas na meta tinham sido concluídas.

O jornal embaralha as informações para forjar a ideia de que havia alguma data definida para a entrega dos imóveis.

Na verdade, estipulou-se um número de moradias a serem financiadas, mas não um prazo para conclusão das obras. Vale lembrar que o governo é apenas parceiro num sistema tocado pela iniciativa privada.

A mesma Folha utilizou seu portal para afirmar que o preço dos alimentos tinha dobrado em um ano, ou seja, calculou uma inflação de 100% em 12 meses.

A leitura da matéria, porém, mostra algo totalmente diferente. Dobrou foi a taxa de inflação nos dois períodos pinçados pelo repórter, de 1,02% para 2,10%.

Além dos deturpadores de números, a Folha recorre aos colunistas do apocalipse e aos ratos da pena.

É o caso do repórter Kennedy Alencar. Esse, por incrível que pareça, chegou a fazer parte da assessoria de imprensa de Lula, nos anos 90.

Hoje, se utiliza da relação com petistas ingênuos e ex-petistas para obter informações privilegiadas. Obviamente, o material  é sempre moldado e amplificado de forma a constituir uma nova denúncia.

É o caso da “bomba” requentada neste março. Segundo Alencar, Lula vai “admitir” (em tom de confissão, logicamente) que foi avisado por Roberto Jefferson da existência do Mensalão.

Crimes anônimos na Internet

Todo o trabalho midiático diário é ecoado pelos hoaxes distribuídos no território virtual pelos exércitos contratados pelos dois partidos conservadores.

Três deles merecem destaque…

1)     O “Bolsa Bandido”. Refere-se a uma lei aprovada na Constituição de 1988 e regulamentada pela última vez durante o governo de FHC. Esses fatos são, evidentemente, omitidos. O auxílio aos familiares de apenados é atribuído a Lula. Para completar, distorce-se a regra para a concessão do benefício.

2)     Dilma “terrorista”. Segundo esse hoax, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: “Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas”.

3)   O filho encrenqueiro. De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil.

O que fazer

Sabe-se da incapacidade dos comunicadores oficiais. Como vivem cercados de outros governistas, jamais sentem a ameaça. Pensam com o umbigo.

Raramente respondem à injúria, à difamação e à calúnia. Quando o fazem, são lentos, pouco enfáticos e frequentemente confusos.

Por conta dessa realidade, faz-se necessário que cada mente honesta e articulada ofereça sua contribuição à defesa da democracia e da verdade.

São cinco as tarefas imediatas…

1)     Cada cidadão deve estabelecer uma rede com um mínimo de 50 contatos e, por meio deles, distribuir as versões limpas dos fatos. Nesse grupo, não adianda incluir outros engajados. É preciso que essas mensagens sejam enviadas à Tia Gertrudes, ao dentista, ao dono da padaria, à cabeleireira, ao amigo peladeiro de fim de semana. Não o entupa de informação. Envie apenas o básico, de vez em quando, contextualizando os fatos.

2)     Escreva diariamente nos espaços midiáticos públicos. É o caso das áreas de comentários da Folha, do Estadão, de O Globo e de Veja. Faça isso diariamente. Não precisa escrever muito. Seja claro, destaque o essencial da calúnia e da distorção. Proceda da mesma maneira nas comunidades virtuais, como Facebook e Orkut. Mas não adianta postar somente nas comunidades de política. Faça isso, sem alarde e fanatismo, nas comunidades de artes, comportamento, futebol, etc. Tome cuidado para não desagradar os outros participantes com seu proselitismo. Seja elegante e sutil.

3)     Converse com as pessoas sobre a deturpação midiática. No ponto de ônibus, na padaria, na banca de jornal. Parta sempre de uma concordância com o interlocutor, validando suas queixas e motivos, para em seguida apresentar a outra versão dos fatos.

4)     Em caso de matérias com graves deturpações, escreva diretamente para a redação do veículo, especialmente para o ombudsman e ouvidores. Repasse aos amigos sua bronca.

5)     Se você escreve, um pouquinho que seja, crie um blog. É mais fácil do que você pensa. Cole lá as informações limpas colhidas em bons sites, como aqueles de Azenha, PHAGrupo Beatrice, entre outros. Mesmo que pouca gente o leia, vai fazer volume nas indicações dos motores de busca, como o Google. Monte agora o seu.

A guerra começou. Não seja um desertor.

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Gostaria de acrescentar excelentes blogues aos supracitados: Cidadania.Com, Escrivinhador, Agência Carta Maior, a revista Carta Capital, Luís Nassif Online, Blog do Saraiva, Blog do Miro, e muitos outros, que iremos colocando aqui oportunamente...

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mar 13 2010

“Ahmadinejad não é Hitler”

Categoria: Apoiamos,Internacional,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 12:32

Do Estadão pelo Luís Nassif Online

Presidente critica tanto ”demonização” do Irã quanto a negação do Holocausto e a ameaça à existência de Israel

Denise Chrispim Marin

ÍCONE – Com camiseta do ”Che”, palestino junta pedras para atirar em policiais israelenses em Jerusalém

Cinco dias antes de desembarcar em Israel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o regime dos aiatolás não podem ser comparados a Adolf Hitler e ao nazismo. Mas Ahmadinejad também não pode pregar a eliminação de Israel e negar o Holocausto. A receita para o diálogo foi publicada na edição de ontem do jornal israelense Haaretz.

Na entrevista, Lula defendeu ainda a inclusão de novos mediadores para a solução do conflito entre israelenses e palestinos, com acesso irrestrito a todas as outras partes envolvidas na questão, como Síria e Irã.

A entrevista foi concedida no dia 9 a três meios de comunicação: os jornais Haaretz e The Maker e a Agência de Notícias Brasil-Árabe. Intitulada “O Profeta do Diálogo”, a reportagem do Haaretz adotou um tom elogioso. Diz que Lula é o “mais popular chefe de Estado da história do país” e o apresenta como um político que atrai “consenso universal” no Brasil.

“Qualquer um que compare Ahmadinejad e o Irã atual a Hitler e ao nazismo está fazendo o mesmo tipo de radicalismo que o Irã é acusado de fazer. Qualquer um que siga essa linha não está contribuindo, no final das contas, com o processo de paz que nós queremos criar para o futuro”, afirmou. “Não se pode fazer política com ódio e ressentimento”, completou Lula.

O presidente foi cauteloso ao abordar as acusações frequentes de Ahmadinejad contra Israel. Lula relatou que, em novembro, quando recebeu o iraniano em Brasília, o aconselhou a parar com as declarações de que Israel tem de ser eliminado do mapa e o Holocausto dos judeus pelo regime nazista não existiu.

“Eu falei com o presidente do Irã e deixei claro que ele não pode sair falando que quer liquidar Israel, assim como não pode negar o Holocausto, que é um legado para toda a humanidade”, contou Lula.

A reportagem reitera que Lula visitará Israel, territórios palestinos e Jordânia, entre segunda e quinta-feira, e dentro de dois meses viajará para Teerã. Ao ser questionado sobre o roteiro, Lula disse estar convencido de que há uma relação direta entre o avanço no processo de paz e seu plano de visitar o Irã.

“POSIÇÃO DE PRINCÍPIOS”

Essa argumentação reforça a posição de Lula como mediador extraoficial na região. “O conflito no Oriente Médio não é bilateral e não pertence apenas a Israel e aos palestinos. Há outros interesses no Oriente Médio, que devem estar representados”, afirmou. “O Irã é parte disso tudo e, portanto, precisamos falar com eles.”

Ainda segundo o Haaretz, Lula defendeu a entrada de novos atores no processo de paz. Oportunamente, também se apresentou como um líder com desenvoltura para conversar com os chefes de Estado dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e com os envolvidos diretamente nos conflitos do Oriente Médio.

O principal objetivo do giro de Lula não seria necessariamente relançar o processo de paz, afirma Reginaldo Nasser, da PUC-SP. “Ao visitar Tel-Aviv e Ramallah, Lula busca credibilidade internacional e destacar que o Brasil ocupa agora um novo patamar no cenário internacional”, afirmou Nasser ao Estado.

Nesse sentido, Lula não levará a israelenses e palestinos um plano concreto de ação para retomar o diálogo, mas “uma posição de princípios”, completa o professor de relações internacionais da Unesp Tullo Vigevani. “O Brasil quer ajudar e não busca uma posição absolutamente central no processo.”

COLABOROU ROBERTO SIMON

Original no Estadão

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mar 07 2010

A “democracia” do Instituto Millenium

Categoria: Fascismo,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 08:53

Não é bom subestimar os pitbulls da imprensa brasileira. A direita não costuma se unir apenas para tomar chá com torradas. Só não articulam um golpe por sua legitimidade social ser reduzida.

por Gilberto Maringoni, em Carta Maior, via Guerrilheiro do entardecer, dica de Marcos D. pelo Viomundo

Vale a pena refletir mais um pouco sobre os significados e conseqüências do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, realizado pelo Instituto Millenium em São Paulo, na segunda-feira, 1º. de março.

A grande questão é: por que os barões da mídia resolveram convocar um evento público para discutir suas idéias? Ta bom, vamos combinar. A R$ 500 por cabeça não é bem um evento público. Mas era aberto a quem se dispusesse a pagar.

No subsolo do luxuoso hotel Golden Tulip estavam o que se poderia chamar de agregados da Casa Grande dos monopólios da informação, como intelectuais de programa e jornalistas de vida fácil. Todos expuseram suas vísceras, em um strip-tease político e moral inigualável. Um espetáculo digno de nota. Nauseabundo, mas revelador.

Uma observação preliminar: os donos, os patrões, os proprietários enfim, tiveram um comportamento discreto e comedido ao microfone. Não xingaram e não partiram para a baixaria. Quem desempenhou esse papel foram os seus funcionários.

Nisso seguem de perto um ensinamento de Nelson Rockfeller (1908-1979), relatado em suas memórias. Quando resolveu disputar as eleições para governador de Nova York, em 1958, falou de seus planos à mãe, Abby Aldrich Rockefeller. Na lata, ela lhe perguntou: “Meu filho, isso não é coisa para nossos empregados”?

Os patrões deixaram o serviço sujo para os serviçais. Estes cumpriram o papel com entusiasmo.

Objetivos do convescote
Os propósitos do Fórum não são claros. Formalmente é a defesa da liberdade de expressão, sob o ponto de vista empresarial. Quem assistiu aos debates não deixou de ficar preocupado. Aos arranques, os pitbulls da grande mídia atacaram toda e qualquer tentativa de se jogar luz no comportamento dos meios de comunicação.

Talvez o maior significado do encontro esteja em sua própria realização. Não é todo dia que os donos da Folha, da Globo e da Abril se juntam, deixando de lado arestas concorrenciais, para pensarem em táticas comuns na cena política nacional.

Um alerta sobre articulações desse tipo foi feita por Cláudio Abramo (1923-1987), em seu livro “A regra do jogo”, publicado em 1988. A certa altura, ele relata uma conversa mantida com Darcy Ribeiro (1922-1997), no início de março de 1964. “Alertei-o de que dias antes, o dr. Julinho [Mesquita, dono de O Estado de S. Paulo] havia visitado Assis Chateubriand [dos Diários Associados], e que aquilo era sinal seguro de que o golpe estava na rua. Porque a burguesia é muito atilada nessas coisas, não tem os preconceitos pueris da esquerda. Na hora H ela se une”.

Pois no Instituto Millenium estavam unidos Roberto Civita [Abril], Otávio Frias Filho [Folha] e Roberto Irineu Marinho [Globo]. Sem mais nem porquê.

Não se pode dizer que a turma resolveu botar o golpe na rua. Mas é sintomática a realização do evento quase no mesmo dia em que a candidatura de Dilma Roussef empatou com a de José Serra, de acordo com o Datafolha. Ou que ele aconteça quando os partidos conservadores – PSDB e DEM – estejam às voltas com crises sérias.

O que isso quer dizer? Quer dizer que as representações institucionais da direita brasileira estão se esfarelando. Seu candidato não sabe se vai ou se não vai. Apesar de o governo Lula garantir altos ganhos ao capital financeiro, deixando intocada a política econômica neoliberal, este não é o governo dos sonhos da plutocracia pátria. Elas não suportam conviver com a ala popular, minoritária na gestão do ex-metalúrgico. Deploram a política externa, a não criminalização dos movimentos sociais e a possibilidade de um governo Dilma acatar indicações das várias conferências temáticas realizadas nos últimos anos, como a de Direitos Humanos e a de Comunicação (Confecom).

Incômodo com a Confecom
Falar nisso, há um nítido incômodo com os resultados da Confecom. A grande mídia não tolera que o tema da democratização das comunicações tenha entrado na agenda nacional.

A reação a tais movimentações sociais tem mudado substancialmente a imprensa brasileira. Para pior, vale sublinhar. Para perceber isso, vale a pena fazer uma brevíssima recuperação histórica.

Nos anos anteriores a 1964, a grande mídia – O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, Folha de S. Paulo e Diários Associados, entre outros – tornou-se propagandista e operadora do golpe militar. Colheu desgaste e sofreu censura, anos depois.

O primeiro órgão a notar que, para viabilizar seus propósitos empresariais, necessitava mudar de comportamento foi a Folha de S. Paulo. Com um jornal sem importância antes até o inícios dos anos 1970 e acusado de auxiliar o aparato repressivo da ditadura, seus proprietários perceberam que para mudar sua inserção no mercado valeria a pena abrir páginas para a oposição democrática.

Apostando na democratização

O projeto editorial de 1984 do jornal (http://www1.folha.uol.com.br/folha/conheca/projetos-1984-3.shtml) dizia o seguinte:

“A Folha é o meio de comunicação menos conservador de toda a grande imprensa brasileira. (…) É com certeza o que encontra maior repercussão entre os jovens. Foi o que primeiro compreendeu as possibilidades da abertura política e o que mais se beneficiou com ela, beneficiando a democratização. É o jornal pelo que a maioria dos intelectuais optou. É o mais discutido nas escolas de comunicação e nos debates sobre a imprensa brasileira”.

Ou seja, percebendo que a democratização lhe granjeava dividendos comerciais, o jornal deu espaço para lideranças, intelectuais e temas identificados com a mudança, em tempos finais da ditadura.

Topo da pirâmide

Vinte e três anos depois, em 11 de novem,bro de 2007, a Folha publicaria uma pesquisa sobre seu público, intitulada “Leitor da Folha está no topo da pirâmide social brasileira” (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1111200715.htm). Logo na abertura, a matéria destaca:

“O leitor da Folha está no topo da pirâmide da população brasileira: 68% têm nível superior (no país, só 11% passaram pela universidade) e 90% pertencem às classes A e B (contra 18% dos brasileiros). A maioria é branca, católica, casada, tem filhos e um bicho de estimação”.

Saem de cena os “os intelectuais”, “os debates sobre imprensa brasileira” e entram os endinheirados. Do ponto de vista empresarial é isso mesmo. Jornal tem de vender e veicular anúncios a quem tem alta capacidade de consumo.

Mas para atender a essa lógica, movimentações editoriais são feitas. Ao invés de se priorizar um limitado pluralismo anterior, passam-se a criar cadernos e atrações voltados para os novos desígnios do público. E a linha editorial e os colunistas passam a ser cada vez mais conservadores.

A Folha beneficiou-se e soube utilizar em proveito próprio do formidável impulso democrático da sociedade brasileira dos anos 1980. Quase três décadas depois, percebe que a continuidade desse movimento não lhe interessa. E se insurge contra ele, com seus pares empresariais, entrando de cabeça nos fóruns do Instituto Millenium.

Golpe em marcha?

Articulações desse tipo são geralmente danosas à democracia. Sempre que ficam carentes de representações, as classes dominantes (chamemos as “elites” por seu nome real) entram no jogo institucional de forma truculenta e atabalhoada. Buscam impor sua vontade a ferro e fogo, uma vez que as regras do convívio político não lhes interessam mais. Seus impulsos são sempre pela ruptura dessas regras. Pelo golpe.

Foi o que aconteceu na Venezuela, em 2002. Com a falência dos partidos de direita e com a avassaladora legitimidade do governo Hugo Chávez, as oligarquias locais – em associação com a Casa Branca, com a cúpula das forças armadas e com a grande mídia – partiram para a ignorância. E se deram mal.

Não é pouca coisa a afirmação do ex-filósofo Roberto Romano, durante o Fórum do Instituto Millenium: “O aspecto ditatorial do Plano Nacional dos Direitos Humanos passaria em branco, não fosse o descontentamento manifestado pelos militares”. Logo quem o professor de Ética (!) invoca como paladinos da democracia…

A tática golpista vingará por aqui? Pouco provável, pois seus defensores encontram-se isolados. O destempero exibido por alguns palestrantes durante o evento – notadamente Romano, Jabor, Reinaldo Azevedo, Marcelo Madureira, Sidnei Basile, Denis Rosenfield e Demetrio Magnoli – é uma patente demonstração de seu reduzido apoio social.

No entanto, não se pode subestimar essa turma. Como interpretar a delirante intervenção de Arnaldo Jabor, ao dizer que “A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”? Como chegar a tal objetivo se não pela quebra da democracia?

*Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

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fev 20 2010

Pelo fim da liberdade de imprensa

Categoria: Internet,Mídia,Política,Senhor do ServoSenhor_do_Servo @ 18:23

É o que eu já disse: não precisamos de imprensa livre. Precisamos de liberdade de expressão, o que hoje, é muitíssimo diferente.  Ser livre foi importante para a imprensa quando esta se confundia com um tipógrafo e meia dúzia de ajudantes, quando muito. Defendendo ideias e brigando por essas ideias.

Hoje para que a imprensa livre serve? Para mentir? Enganar? Trapacear? Manipular? Representar interesses estrangeiros? Propor golpes? Difamar? Precisamos mesmo disso, na era da internet? Oque esta imprensa defende? Banqueiros como Daniel Dantas e seus esquemas. Políticos como José Serra (Folha, Estadão, Veja) , Yeda Crusius (Grupo RBS), Arruda (coreio Braziliense). Há muito não defendem ideias,  mas esquemas.

Neste século XXI, pode-se, pela primeira vez na história, estender a liberdade de expressão a todos os cidadãos, de maneira direta e realmente livre.  Não precisamos de “imprensa livre!”. O que nossa “imprensa livre” faz com essa liberdade? Caluniam pessoas forjando fichas criminais, como a Folha fez com a Dilma Roussef, como a Veja fez com Ibsen Pinheiro e a Globo e todo mundo com os infelizes donos da Escola Base. Precisaríamos, se nossa “imprensa livre”  não manipulasse informação,  não defendesse golpes de Estado contra a mesma democracia que vem permitindo que mintam à vontade, se  não jogasse sujo contra os brasileiros, se não fedesse.

A antiga liberdade, que ela vá, diretamente, para todos os brasileiros. Eu recuso tutela. Não quero que a “imprensa” fale em meu nome. Quero eu mesmo dizer. Quero que todos os brasileiros, do cidadão no meio da floresta acreana até o que mora no alto de uma favela em São Paulo, digam eles mesmos. Sem tutela, sem falsos intermediários.

Neste sentido, desonerar ao limite o custo de mecanismo de acesso a internet, tanto equipamentos, quanto redes de banda larga e software é que deve ser a bandeira de quem realmente defende a liberdade~de expressão.

Há muito “liberdade de imprensa” não passa de uma palavra bonita usada por quadrilhas travestidas de empresas para defender criminosos, esconder a incompetência de políticos e destruir reputações. A maior parte deles não merece liberdade, merece é cadeia.

Outro que é contra a liberdade de imprensa, mas por razões totalmente diferentes e que nunca recebe críticas por isso, é o governador de São Paulo, o tucano José Chirico Serra, aqui.

Quer saber para que a imprensa usa a sua “liberdade”? Para mentir: veja aqui.

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