out 13 2009

Obama chama a Fox para conversar…

Categoria: Internacional,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 19:00

Michael Scherer, da Time pelo Viomundo

Não houve um momento determinado, quando a equipe de comunicação da Casa Branca decidiu que os grandes órgãos da mídia não estavam dando conta do recado, nem faziam jornalismo. De fato, houve vários momentos.

Para o secretário de Imprensa, Robert Gibbs, o dia da virada aconteceu no início de setembro, quando o New York Times publicou, como matéria de primeira página, o “crescimento nas pesquisas, de pais e mães preocupados com o conteúdo do discurso de Obama para crianças e adolescentes” – antes mesmo de o jornal (e os ‘pais e mães’!) conhecerem o teor benigno do discurso. “Chega um momento que… Chega! Páre aí! Mas… que negócio é esse?” – disse Gibbs. “Essa coisa está transformada em circo de três picadeiros!”

Para o diretor de comunicações da Câmara de Deputados, Dan Pfeiffer, foram os ataques mais hiperbólicos, esse ano, contra o plano de Obama para a reforma da assistência à saúde, sempre noticiados como se houvesse alguma “controvérsia”, que acionaram um alarme em sua cabeça. “Quando se debate se se trata ou não de assassinar velhinhas e criancinhas doentes” – diz ele –. “não se aplicam as regras normais do jornalismo: é preciso ser a favor de não assassinar ninguém. É preciso ter lado e a opinião do ‘outro lado’ absolutamente não interessa.”

Para a chefe de Pfeiffer, Anita Dunn, o momento do “aha!” aconteceu quando o Washington Post publicou uma segunda coluna assinada pelo mesmo político Republicano, ‘denunciando’ que haveria “32 czares” indicados por Obama e já trabalhando na administração pública. Nove deles foram nomes aprovados pelo Senado, quer dizer, em nenhum caso seriam ‘czares’. “O que de fato me surpreendeu e ainda surpreende até hoje, é que o Washington Post nunca questionou essa opinião de seu colunista. É inacreditável… mas aconteceu.”

Todas as críticas, diárias, repetidas, as justas e também as injustas, e as delirantes, todas, estão pesando sobre a Casa Branca, objeto de ataques incansáveis. Então, a Casa Branca pensou em uma nova estratégia: em vez de facilitar a vida dos jornalistas, oferecendo-lhes fatos que os jornais e jornalistas usam em seguida como se fossem ‘prova’ do que escreveriam contra Obama mesmo sem qualquer verificação ou sem qualquer prova, a Casa Branca decidiu entrar no jogo e criticar mordazmente o jornalismo de futricas, os políticos e os veículos que vivem de publicar bobagens, ou mentiras, ou invenções completamente nascidas das cabeças dos ‘jornalistas’, como, por exemplo, a ideia de que o plano de Obama para reforma da assistência à saúde dos norte-americanos incluiria “clínicas sexuais” a serem implantadas nas escolas. Obama, descansado e relaxado depois dos feriados em Martha’s Vineyard, riu da ideia dos ‘jornalistas’ e disse aos auxiliares que “Ok. Vamos chamar os caras p’ra conversar lá fora.”

A estratégia de não fazer prisioneiros surpreendeu alguns ‘jornalistas’, considerando a cobertura amplamente favorável ao candidato Obama e considerando, também, a tendência do presidente de trabalhar em temperaturas retóricas menos exaltadas que o padrão de Washington e de não dar atenção às hipérboles partidarizadas. Nada disso. O Blog da Casa Branca, agora, não perde vez para falar mal dos críticos do governo. Um dos postados mais recentes levava o título de “A rede Fox mente” e sugeria que a rede estaria militando contra os interesses dos EUA, ao ridicularizar os esforços de Obama para que Chicago fosse escolhida para as Olimpíadas 2016.

Nenhum funcionário da Casa Branca ofereceu ‘fatos’ explicativos ou pediu desculpas. “A melhor analogia é o beisebol” – disse Gibbs. “O único modo de arrancar os caras de uma base, é mandar uma bola rápida. Aí, eles se mexem.”

A generala dessa guerra é Anita Dunn, 51, veterana estrategista de campanhas eleitorais, que chegou em maio à Casa Branca. Dunn é um dos grandes nomes das campanhas dos Democratas desde o final dos anos 80 e, nesses meses, foi ela quem montou a nova estratégia de respostas rápidas. Na Casa Branca, converteu-se em leitora aplicada de todos os jornais mais conservadores e crítica ferocíssima da rede Fox News, comandando o movimento para impedir que funcionários do governo (inclusive Obama) deem entrevistas ou façam declarações àquela rede.

Trata-se de opinião partidarizada, travestida de noticiário e de jornalismo” – diz Dunn. “Eles ainda estão com bons números de audiência, mas estamos nos movimentando e não vamos perder essa.”

O diretor de jornalismo da Fox, Michael Clemente, reagiu; disse que as críticas pela Casa Branca misturam os jornalistas da rede e colunistas não-jornalistas, como Glenn Beck [âncora de um dos programas de debates da Fox. Para saber quem é, ver O Público, de Portugal, aqui. Para Clemente, Beck seria como “um colunista não-jornalista, dos que escrevem nos jornais”.”

Dunn — mãe de um adolescente de 13 anos, que planejou o cronograma do novo emprego na Casa Branca, de modo a poder passar mais tempo com o filho – é uma raridade feminina, no círculo mais íntimo de auxiliares de Obama, só de rapazes. Mas o impacto que ela teve na Casa Branca é indiscutível. Desde sua chegada, a operação das comunicações foi reformulada, firmemente re-focada, com forte ênfase no planejamento de um novo ciclo de noticiário e estrito controle sobre os contatos entre sua equipe e os jornalistas dos grandes jornais. Nas reuniões internas diárias da equipe, é ela quem decide quem ‘ouvirá resposta rápida’, quando e como; é ela também quem decide onde, quando, como e para quem é caso de justificativas, admitir erros ou pedir desculpas.

É mulher de instintos ferozes, que rapidamente vêm à tona. “Aqui na Casa Branca, (…) temos de ser mais agressivos, em vez de sempre dar explicações, bater em retirada ou só nos defender” – diz ela. A imprensa vive de falar. Não há silêncio, na imprensa. Por isso, a imprensa sempre pode usar qualquer mínima coisa e converter em notícia, mesmo que, para isso, os fatos sejam distorcidos. Não precisamos aceitar isso. Por quê?”

Em outras palavras: depois de oito meses de governo Obama, acabaram-se os dias de harmonia ‘suprapartidária’ ou ‘despolitizada’, e ilusão de que a imprensa naturalmente ofereceria “dois lados” das notícias. Agora somos “NÓS” contra “ELES”. E o governo Obama está jogando para ganhar.

Leia aqui como a Casa Branca está partindo para dentro da Fox News

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ago 29 2009

As Bases Militares dos EUA na América Latina

Categoria: Cultura,Internacional,Vera L. SilvaVera L. Silva @ 17:59

- POST GRANDE MAS IMPORTANTE DEVIDO AO PESO DA PEDRA HÁ TANTO TEMPO  CANTADA

EUA Invadem o Brasil

Resumo das intervenções dos presidentes na Cúpula Extraordinária da Unasul, realizada em Bariloche, Argentina,  para discutir as  bases  militares dos EUA   na Colômbia, em 28 de  Agosto de 2009

Álvaro Uribe, presidente da Colômbia
• A Colômbia tem  uma série de acordos com os EUA desde 1952. Em 2000,  aconteceu o  Plano Colômbia,  acordo  que marcou um conjunto  de regras multilaterais para o controle do tráfico ilícito de substâncias entorpecentes. • A Colômbia tem feito esforços na assinatura de acordos com a Argentina e  com o Brasil  para eliminar o flagelo das drogas e desejamos  poder  avançar acordos com todos os países, especialmente com os vizinhos onde se apresentam  maiores  dificuldades. Nos memorandos de entendimento com o Equador, a Nicarágua e  a Venezuela, um acordo em 1998  foi deixado de ser  aplicado por decisão do governo em 2001, e ainda com a República do Equador, que em teoria estaria em vigência,   mas   não é  aplicado  atualmente. • Este  acordo com os Estados Unidos tem alguns elementos muito importantes, como a responsabilidade pelo combate ao terrorismo e as drogas, em uma área em que o tema transcende as declarações discursivas. • A Colômbia, que tem sofrido este flagelo,  em todos os fóruns recebe  declarações de solidariedade e de simpatia, mas raramente uma  cooperação prática. • A ajuda  que nos dá os Estados Unidos tem sido  prática, eficaz.  Esta eficiência estamos dispostos a examinar  com vocês  e será  parte da explicação de uma  co-responsabilidade que não pode ser uma regra  no texto das declarações de diplomacia e que não tem força e nem aplicação prática no dia-a-dia da luta contra o terrorismo.
• A zona desmilitarizada que demos as FARC ,  a utilizaram  para raptar, para cultivos ilícitos e  para avançar em  sua intenção de estabelecer um império terrorista. • Este acordo com os Estados Unidos mantém o princípio da liberdade soberana. Não há renúncia colombiana à   soberania. Ela é  regida pelo princípio da integridade territorial dos Estados e é uma questão importante  o acesso aos Estados Unidos para ajudar a Colômbia na luta contra o narco-terrorismo. É um acesso  sem renúncia  da Colômbia  à soberania de nenhum milímetro de seu território. • Muitas gerações de colombianos não têm vivido  um único dia em paz.  Estes grupos promovem massacres.  Estamos falando de uma ameaça que tem derramado o sangue da  sociedade colombiana, não de um tema leviano de  soberania, mas do direito fundamental da sociedade colombiana de  superar esta ameaça que tanto  sangue tem  produzido. • Enquanto a Europa, os EUA e o  Canadá,  ao  reconhecer estas realidades,  declararam  esses grupos como terroristas, nós continuamos preocupados que a América Latina não fez isso. Só  se tem avançado em denominar  alguns fatos,  não o todo. • Este acordo com  os EUA  tem sido importante para  apoiar a justiça na Colômbia, que é independente do executivo e autônoma… temos recuperado  o monopólio da justiça de Estado e o monopólio das instituições do Estado para combater todos os criminosos. • Preocupa-nos que não há severidade ao tratar  esses grupos como terroristas,  que se lhes aceite conotações  políticas, que de vez em quando surjam  disparates de reconhecimento da beligerância. Eles têm esconderijos, mas não controle territorial.  O que eles fizeram foi desalojar,  com a  intimidação, a justiça do Estado. Cremos que devemos  buscar, através de canais diplomáticos, que  eles não continuem.  Nos  preocupa que em  alguns discursos se tenha  esses grupos como aliados políticos. Estamos preocupados que esses grupos encontrem armas em  outros países. Nos  preocupa   que estes grupos possam esconder-se  em territórios  fora de Colômbia,  venham  cometer crimes na  Colômbia e  voltem a se esconder por lá.

Cristina Fernandez, presidente da Argentina
• Temos que  estabelecer uma doutrina comum para avaliar e lidar com situações estressantes como a representada pelo acordo militar entre os Estados Unidos e Colômbia.  Temos de trabalhar para o regime comum, sem doutrinas do unilateralismo que venham a perturbar a paz na região.

Rafael Correa, presidente do Equador
• Existem conflitos na região, mas deve ser transformado de forma  democrática, em paz. É a primeira vez que na América Latina trata de bases não  regionais no continente e isso mostra que a Unasul também serve para analisar esta classe de problemas.

Tabaré Vázquez, presidente do Uruguai
• O Uruguai não defende a intervenção de outros estados. Em nosso território não existe mais bases militares  estrangeiras  ou em qualquer país da nossa América do Sul. • Por isso, rejeitamos a instalação de bases estrangeiras nas Ilhas Falkland e nós não gritamos,  mas tentamos  agir de forma eficaz. O  Uruguai se recusou a permitir reabastecer aviões britânicos  para abastecer aviões quando do ataque a  Ilhas Malvinas. • O Uruguai vai agir para não reconhecer o atual embaixador em Honduras. .

Hugo Chávez Frías, presidente da Venezuela
• A estratégia global de dominação EUA é a razão pela qual estas bases estão sendo instaladas na Colômbia. • Trago  um documento que eu acredito que poderá  ajudar a ter mais claro este  panorama, o chamado Livro Branco do Comando Aéreo  dos EUA (Global En Route Strategy), que até recentemente estava disponível no site da Universidade da Força Aérea  estadunidense (www.au.af.mil). Este documento  menciona a base colombiana de Palanquero como um  dos  objetivos  para a mobilização de tropas. • Palanquero é um local de segurança. De lá, quase metade do continente pode ser coberta  por um avião de transporte militar pesado,  C-17, e deve ser suficiente para a estratégia de mobilidade aérea no continente sul-americano. •Aprovo a proposta de  Lula  de  que a Cúpula  deveria ter sido realizada na presença do estadunidense  Barack Obama. Obama seria importante para nos  esclarecer essas coisas. Seria interessante, também, conhecer o documento do acordo EUA-Colômbia. • Na Venezuela não há bases militares chinesas  ou russas  ou presença militar destes  países, apesar de comprarmos armas deles. • Menos mal que Lula encontrou bastante  petróleo e segue conseguindo petróleo, assim  não estaremos só nós  na mira do petróleo  que o  império precisa   para manter-se. • Eles sabem que aqui estamos a falar de mobilidade para a guerra. Em Honduras, o presidente Manuel Zelaya foi seqüestrado em um avião a ponta de fuzis e  esse avião pousou,  antes de ir para a Costa Rica,  em uma base militar dos Estados Unidos, perto de Tegucigalpa. • Não há nenhuma dúvida de que o “acordo” entre os EUA e a Colômbia faz parte da estratégia militar global dos Estados Unidos  mais do que a  luta  contra o tráfico de drogas. Para a Venezuela, as bases são motivo de grande   preocupação.• A Venezuela não irá fornecer peças de reposição para os nossos aviões. . Bloqueiam  qualquer compra nossa em qualquer parte do mundo. Eles têm um bloqueio para impedir-nos que tenhamos  sequer  um aviãozinho, um radar. Por isso fomos à   Moscou e a  Pequim, mas não há   bases militares russas  ou chinesas na Venezuela. A URSS desapareceu há  bastante  tempo, porém o império dos EUA, lamentavelmente, não desaparece. • Este documento poderá  nos ajudar a entender um pouco a  um nível mais estratégico. • Eu queria adicionar e atrevo-me a propor que  a Unasul, que tem formado o Conselho de Defesa, reveja  todo esse material e considere  as bases dos EUA na Colômbia.

Rafael Correa, presidente do Equador
• No  documento apresentado pelo presidente Chávez, os EUA   nos trata como seiu quintal. • Há duas propostas: que se analise este documento e que peçamos  uma reunião com o presidente Obama. Gostaria de propor que o  Conselho de Defesa da Unasul nos  apresente um informe das  consequências deste documento para a região. Segundo, que  peçamos  uma reunião com o presidente Obama.

Evo Morales, presidente da Bolívia
• Durante  a colônia os povos indígenas  eram  submetidos e humilhados pelas políticas estrangeiras. Nós somos vítimas  da  presença militar  dos EUA no meu país como um pretexto do combate ao narcotráfico. • A História da América do Sul tem sido cheia de intervenções políticas e militares dos Estados Unidos. Intervenções com muitos mecanismos. Quando os governos   lutam pela  segurança e soberania, há golpes militares. Quando tem  governo submisso a   império estadunidense, há  cooperação. Essa é a história da América do Sul …  • Primeiro, eles usaram a doutrina “do anticomunismo” para perseguir  os líderes sindicais que lutam por  reivindicações… Depois vieram as doutrinas anti-subversiva, anti-narcotráfico…  Éramos narcotraficantes  quando  não podiam identificar os   movimentos sociais com doutrinas comunistas. Desde 11 de Setembro de 2001, somos  terroristas. •  A História  na América Latina se repete e é, no fundo, a História  da  dominação imperialista  dos EUA  sobre os nossos povos, no interesse dos  recursos naturais e outros interesses mais.  • Na minha presidência, como nós não queríamos conspiração política, tiramos  o embaixador dos EUA.  Permitir que venham militares estrangeiros para o nosso país é desqualificar nossas Forças Armadas e a nossa Polícia Nacional. • Quando queremos  comprar equipamentos de combate ao tráfico de drogas, os Estados Unidos não querem  que compremos; tem-se que  pedir a eles  permissão. Se  querem  apoiar os nossos esforços nesse sentido, porque se opor à aquisição de tecnologias para combater o tráfico de drogas …?  • Os  Estados Unidos  tentam criar desconfiança nos  presidentes latino-americanos, pois estamos promovendo a  unidade. • O presidente Obama declarou  que ele não ordenou a instalação de bases norte-americanas  na Colômbia, porque a  Constituição da Colômbia só permite o trânsito de tropas estrangeiras pela  República e não a presença delas… mas se ninguém quer uma base militar, porque não podemos assinar um documento consensual  pela unidade e soberania dos nossos povos, que diga  que presidentes sul-americanos não aceitam  bases militares dos Estados Unidos ou de qualquer outro país? •Se trata de  buscar  a paz e quando há  a presença de tropas estrangeiras em um país sul-americano,  dificilmente  nós  podemos pensar que haverá paz. • Não há razão para se duvidar de uma declaração de Presidentes para recusar  bases militares em  nossos países. Quando superarmos  esta questão, vai  haver confiança para continuarmos  a construção de unidade na América do Sul. Nós não podemos ser um instrumento de divisão na América do Sul. • Os impérios nunca quiseram a unidade da América do Sul. O império norte-americano nunca vai querer a unidade na América do Sul. Eu  quero que assumamos a nossa responsabilidade para que nunca  mais  se levantem  impérios sobre  o nosso povo. • Eu quero sair desta reunião com este documento assinado declarando que não haverá nenhuma base militar estrangeira na América do Sul. • Tenho o mandato do povo da Bolívia  para dizer o seguinte: eu rejeito a instalação de bases militares estrangeiras na América do Sul

Alan García, presidente do Peru 

 • Acho que é uma boa oportunidade de colocar as cartas na mesa e dizer  do que se trata  este acordo com  os Estados Unidos, de que bases ou apoio  estamos  falando; que presença é  essa? • O que alarma é que, enquanto nós queremos construir  um pólo de referência mundial, podemos nos ver como  parte de uma estratégia de outros blocos militares fora da nossa  região. Isto é o que  alarma  os presidentes e os nossos povos. • No caso em que os presidentes dos países sul-americanos evitem analisar as crises diplomática regional, a partir dessa perspectiva estamos traindo  a essência da América do Sul para colocar a região em um conflito internacional. E isso é motivo para alarme. • Se se trata de   os Estados Unidos colocar  aviões invisíveis e  radares  esféricos  na Colômbia, estou tentado a assinar um documento rejeitando as bases. Se se trata de um acordo  limitado  à área colombiana,  não me parece uma ameaça. • O meu país tem acordos de cooperação com os Estados Unidos no combate ao tráfico de drogas há anos. Mas nunca pensei que poderia vir bombardeiros  invisíveis  ou radares esféricos  para o nosso território. • Eu sugiro que a  Unasul  estabeleça  um mecanismo de verificação de que ninguém pode recusar-se a ver o que mais temos, e veja em que consiste que essas bases ou ajuda que  motivaram esta reunião. • É vergonhoso que  presidentes que se dizem  defensores do povo,  comprem  38 bilhões de dólares em armas. Isso é mais do que suficiente para resolver a vida de milhões de famílias em todo o continente.

Rafael Correa, presidente do Equador
• Este tipo de problemas que estamos  discutindo sobre a  presença de bases militares norte-americanas, sempre existiram, apenas não eram  discutidos. • Sugiro  que  exista a  capacidade de Conselho de Defesa para verificar o uso destas  bases em nossos países. Quem nada deve, nada teme. • Não  só verificar as bases que vão  ser utilizados por  tropas  dos EUA na Colômbia, mas que se verifique qualquer base militar na América do Sul

Alan García, presidente do Peru
• Agora, o grande mercado de drogas está constituído na   Ásia e  Europa e também no nosso continente. Os Estados Unidos é uma parte do tráfego e, talvez, já não é o mais importante. Por que não fazermos um conjunto de ações  concretas para combater este flagelo?  Por que não constítuimos os capacetes verdes na  América Latina?

Rafael Correa, presidente de Equador
• Revisarmos  as leis anti-drogas impostas pelos Estados Unidos no início dos anos 90 e para todos os países é exatamente o mesmo.

Cristina Fernández, presidente  de Argentina
• Os dispositivos sobre as bases de Palanquero têm mais a ver com a guerra convencional que com a luta contra o narco-tráfego.

Michelle Bachelet, presidente  do Chile
• Precisamos ser capazes de tomar uma posição sobre a agenda de segurança dos nossos povos. • Quero reafirmar o nosso acordo com os princípios da  Unasul com  respeito à soberania e inviolabilidade dos estados e com a autodeterminação dos povos. • Em Quito, concordamos em construir o Conselho Sul Americano Contra o Narco-tráfego,  manifestando a nossa clara intenção de reforçar o nosso processo de integração.

Fernando Lugo, presidente do Paraguai
• Têm nos  despojado de valores morais e materiais  e não podemos desperdiçar este momento de construir  estados e povos verdadeiramente independente e abertos para a integração. • Se as bases militares na Colômbia não constituem perigo, parabéns, mas se constituem  perigo,  a Unasul tem que  se  pronunciar. 

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil  •

Nós  respeitamos  a soberania de cada país. Mas  queremos nos resguardar,  e é importante que  exista um tratado com  garantias legais  ou  um fórum internacional para isto. • Defendemos a existência de instrumentos que nos assegurem que a presença  militar dos EUA na Colômbia é algo específico para o território colombiano. • A discussão deve ser ampliada, não só para analisar o papel destas tropas na Colômbia, mas o papel dos Estados Unidos  na  América Latina.  • Sugiro  que a  necessidade de ter tropas estadunidenses para combater o narcotráfico e o  terrorismo possam  ser objetos de   revisão. • O que diria a Uribe, com o devido respeito, é que se as bases  estão lá desde 1952 e ainda não  resolveram  o problema,   então devemos repensar o que mais podemos fazer juntos.

Rafael Correa, presidente do Equador
• Os  vizinhos não acolhem grupos   terroristas para atacar a Colômbia,  é exatamente o oposto. Grupos como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) operam em território equatoriano. Tivemos que enviar 1.500 homens  além dos 10.000 que temos em Esmeralda. • Nós não limitamos com a Colômbia, mas com as FARC. De um lado está o  Equador com os cultivos ilícitos e do outro lado está o mar verde do cultivo de drogas. O problema é a Colômbia. São  20%  das forças equatorianas na fronteira com a Colômbia. Por isso o Equador está livre das drogas. A  Colômbia tem apenas 3.000 soldados na fronteira, que é  1%  por cento das suas forças. • O milionário Plano Colômbia, que se  iniciou há  mais de dez anos,  tem sido um fracasso e só reduziu  10.000 hectares da produção de droga reduziu no país. • Em um relatório de 2005,  o senado estadunidense, no qual se  integrava  Barack Obama,  concluiu que havia uma falta de evidências claras na luta contra o tráfico de drogas pela mão do Plano Colômbia. • Foi demonstrado que esta luta  militarista é um fracasso.  • O governo colombiano tem seus próprios meios militares suficientes para combater o tráfico de drogas e a Colômbia não será capaz de controlar os norte-americanos. • Se o acordo prevê  imunidade para os soldados dos EUA, insisto em conhecer  o documento inteiro, porque  esse  acordo transpassa a soberania de um povo . • Quanto à escalada armamentista  na região, de acordo com nossas informações, parte  das armas usadas por grupos rebeldes que operam na Colômbia vem do Peru e não podemos esquecer que os soldados estadunidenses foram presos por fornecer armas para os paramilitares. Analisemos  de onde vem o tráfico de armas.

Runaldo Ronald Venetiaan, presidente do Suriname
• A delegação do Suriname  apoia a unidade sul-americana.  • A Colômbia tem a liberdade para conseguir apoio na luta contra o tráfico de drogas, mas  o Suriname se dá conta  que é   parte do direito de soberania existir um direito  regional que deve ser protegido. • Apoiamos a preocupação com a legalidade da decisão da Colômbia. • Apoiamos que se crie instrumentos que analisem  esta questão.

Álvaro Uribe, presidente da Colômbia
• Para nós é importante que o processo da UNASUL não se desvincule  da OEA nem vá contra ela. • Chávez, este documento que leu é público, não é uma descoberta. O que averiguamos  é que não é  um documento adotado pelos EUA, e sim  uma proposta de um  bloco acadêmico. • A Venezuela também tem jogos de guerra onde  não aparece o  nome da Colômbia, mas pelos  mapas se  infere. Não posso esconder essa preocupação. Em várias ocasiões  o presidente Chávez tem declarado  que os aviões  Sukoy  em poucos minutos estará na Colômbia. Estes documentos e as ameaças verbais eu poderia colocar em questão, mas nunca fizemos uma ameaça verbal. • A Constituição da Colômbia não  permite que o governo autorize o trânsito de tropas ou de  aviões sem permissão. • O alcance do acordo que a Colômbia fez com os Estados Unidos não pode levar  a Colômbia a  inserir o trânsito de tropas ou de  navios de guerra …  • Com relação a  Carmona,  não se pode comparar um procedimento jurídico  que  outorga um asilo com o pedido de ajudar a  capturar um  criminoso como Ivan Marquez, o  Timoshenko  que está  na Venezuela. • O presidente Morales, eu compreendo  que  para ele a proibição de bases dos EUA  necessariamente  teria que entender-se hoje como a  aprovação do tratado da  Colômbia  com  Estados Unidos. Por mais que digamos  que não são bases, e  podemos demonstrar  que não são bases norte-americanas,  seguiriam dizendo que  sim, são bases norte-americanas. • Eu não acho que nós devemos chamar Obama  para prestar contas, está no sistema inter-americano, na OEA, nas Nações Unidas. Uma coisa é ter um bom diálogo com os EUA e outra coisa é  chamar  o presidente Obama para prestar contas.  O  máximo autorizado de  presença de militares norte-americanos  na Colômbia não ultrapassa  800 pessoas. •A medida que avance o diálogo  podemos  tomar medidas para combater o narcotráfico. Os radares estão restritos a esta luta, não para uso estratégico.  • O acordo  com os EUA  está fechado mas não temos nenhuma objeção que o  Conselho analise esta questão. Mas  nós pedimos que se olhe  todos os acordos militares na região e as denúncias contra o tráfico de armas. • O que a  Colômbia comprou não se destina a guerras entre nações, mas um problema interno do narco-tráfco e do narco-terrorismo.

Cristina Fernandez, presidente da Argentina
• Acho que   devemos  ler o acordo sobre as bases militares,  as condições específicas e concretas. Não estamos falando de conceitos religiosos ou filosóficos sobre essas  bases, estamos  falando de  verificar  aviões, armas, quer para uma luta de guerrilha ou para o  combate ao tráfico de drogas. • Nós colocamos a doutrina da Unasul sobre o estabelecimento do  assentamento de tropas que não sejam de países da região, não apenas as bases dos EUA.  • Se em um país vizinho  forem instaladas bases, eu, pelo menos,  me sentirei  insegura. Temos de conciliar o  desejo do presidente da Colômbia de desenvolver seu projeto em cooperação com os EUA,  mas  temos de assegurar que este acordo não afetará a segurança e a institucionalização dos países vizinhos.

Hugo Chávez Frías, Presidente da Venezuela
•Não vou cair em provocações nem responder a montanha de mentiras. • O cardeal de Honduras  disse  que  haviam dado um golpe,  mas “salvamos a Honduras de Chávez “.  Ele criou um fantasma, porque Chávez… Chávez vai metendo as mãos em todas as partes.  • O Conselheiro de  Israel disse que já existem cédulas do  Hezbollah na Venezuela. Se existe veio para confirmar o imaginário, para confirmar uma agressão contra a Venezuela,  e   planos existem sim, de invadir a Venezuela e  de assassinar o Presidente da Venezuela. • Capturamos quase 200 paramilitares colombianos em  Caracas, prontos para atacar o Palácio do Governo. Me digam o  que quiser, eu ignoro, e não me afeta, já me curei. O que eu quero é que o meu país  seja  livre e que possamos unir-nos.  • Pedimos ao governo da Colômbia que apresente  o documento oficial do acordo com os Estados Unidos. Existem  versões  onde se falam da tecnologia que virá para  essas bases. • Tenho um documento aqui, que foi publicado, não é uma descoberta minha, apareceu no Diário em Tempo, na  Colômbia.. Vinte  pontos estão contidos no acordo. • No dia do golpe de Estado,   helicópteros  dos EUA aterrizaram em Maiquetía, na Venezuela.  Os EUA passou por cima das Nações Unidas  e  atacaram o Iraque. Quem vai acreditar neste  império? • Até que isto seja esclarecido,  devemos rejeitar  a pretensão  dos Estados Unidos de  instalar bases militares na Colômbia. • Da Venezuela, em nome do povo venezuelano, pedimos que o governo da Colômbia   reveja  essa decisão, pois afeta a todos nós. Se as bases estão instaladas, nem o presidente da Colômbia, nem  aquele que vem depois, irá garantir a paz. As sementes da guerra vão estar  semeadas. • Estamos de acordo para ativar o Conselho de Defesa da Unasul. Não tenho nenhum problema para mostrar aqui e diante do  mundo o que fazemos com a China, a Rússia ou o Iran, temos acordos de cooperação. Eu confirmo a vontade do  governo e do  povo da Venezuela de continuar a apoiar a integração da nossa  UNASUL

Evo Morales, Presidente da Bolívia
• Antes da Unasul havia poucos conflitos na América do Sul. Quando surgia  um governo apoiado pelo povo, recebia-se  um golpe de Estado. Eles querem atacar o “Eixo do Mal” agora,  a partir da  Colômbia. • Não haverá  integração até que  acabemos com as   bases militares dos EUA  na Colômbia. • Se não houver acordo para assinar um documento onde  rechaçamos as  bases militares, consultemos nossos  povos e que eles decidam se querem ou não bases norte-americanas no nosso continente. • Uribe reiterou que não há bases militares na Colômbia. Que haja  confiança e que o Conselho  investigue  se há bases ou se não há bases.  Constatado então que não se  permitiram bases militares dos EUA   no continente,  o  problema estará  resolvido.

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jan 15 2009

A Rosa de Gaza

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 08:29

Uraniano Mota, do Direto da Redação

Recife (PE) – Um poema de Vinícius ordena, suplica que “Pensem nas crianças mudas telepáticas. Pensem nas meninas cegas inexatas. Pensem nas mulheres rotas alteradas. Pensem nas feridas como rosas cálidas…”.

É esse poema, A Rosa de Hiroxima, é essa talha em versos que ordena, que resiste e insiste em nossa memória, quando vemos a foto de Somaeah Hassan, de 6 anos, abatida na faixa de Gaza. Essa flor fuzilada, entre gazes, olhinhos semicerrados, é a própria Rosa da Palestina. Contenhamos a velocidade da mão, refreemos a velocidade da escrita, represemos o fluxo da leitura. Pedimos uma pausa no caleidoscópio, nas luzes fugazes, frívolas, vulgares do incessante ir e vir do noticiário de todos os dias. Somaeah Hassan está morta. Calma, buldogues, fechem suas bocas, canos quentes de balas, suspendam a digitação, noticiaristas, segurem por um instante a divulgação do mais quente e recente escândalo. Porque o escândalo já está feito: Somaeah Hassan está morta. Na foto, seus olhinhos se negam a compreender o horror das balas que a levantaram do chão de refugiados de Rafah. Negaram-se é maneira de dizer. São incapazes, nos seus 6 anos. Mais tempo houvesse, mais vida, outra vida tivesse, Somaeah compreenderia e se negaria a compreender o horror maior do seu povo cercado como cães raivosos. E a raiva, em cães, se abate. Mas a raiva, em gente feita cão, não se abate – apenas cresce, quando a crianças como Hassan abatem.

Refreemos a mão. É difícil. Mas tentemos.

Era bom, assim pede a paz que nosso peito deseja, era bom um lugar-comum que nos ajudasse, que nos socorresse. Dizer, por exemplo, que assim é a guerra, cruel como todas as outras, que nela não existem santos e demônios, que a guerra nos transforma a todos em anjos das trevas. Dito isto, seria melhor dizer que o terror feito pelo Estado de Israel apenas é uma resposta ao terror sofrido antes por sua gente. Dito isto, podemos afinal dizer que o mal e o mau têm que ser destruídos, para que só então a paz volte.

Mas, ao chegarmos a este passo, perguntamos: mas de que mal e maus vocês falam, caras-pálidas? Pois será que ninguém ainda notou que a nossa cara tem a cara e o sangue da gente palestina? Que eles, os palestinos, são a nossa própria cara? Será que ninguém ainda percebeu que o desespero dos povos palestinos é o nosso próprio desespero em outras terras e em outras circunstâncias? Aquele mesmo desespero que acomete a gente em situações-limite? Ainda que os Estados Unidos mandem fazer a volta ao mundo uma negra para consumo externo, ela apenas nos aparece como um novo Al Jolson, com a cara tisnada. Os interesses de que ela fala não são os nossos. Servem à mesma rosa atômica que se fez cair em Hiroxima e Nagasáqui.

Então voltemos, mais serenos. Mas, desgraça, descobrimos: serenos, não temos mais mãos. Temos somente uma grande letargia. Então quebremos o torpor, voltemos ao princípio.

“A rosa hereditária, a rosa radioativa, estúpida e inválida. A rosa com cirrose, a anti-rosa atômica” sofreu uma tradução no campo de refugiados da faixa de Gaza. Ela se fez uma rosa fuzilada, a Rosa da Palestina, no corpinho frágil de Somaeah Hassan. Essa menina nos fere como uma filhinha morta. Ela, em árabe, em dialeto, em outra língua, nos fala e a compreendemos como compreendemos e amamos uma própria filha que o nosso sêmen esculpiu. Mais: como um serzinho esculpido por nós por um nosso irmão. Mais: irmão com um sentido de irmão mais fundo que o genético. Mais: com um sentido de irmão mais fundo que o racial. Mais: com um sentido de irmão mais fundo que o nacional. Mais, finalmente: com um sentido de irmão que é o próprio sentido de humanidade. Hassan é a nossa própria humanidade abatida. Ela se abre em outras rosas que se despedaçam em Jerusalém. Rosas que em vez de pétalas jogam carnes, fígado, coração e intestinos.

Já secamos as lágrimas. Não nos perguntem portanto por que vomitamos. Nós não queríamos ter essas Rosas da Palestina.

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jan 14 2009

As verdades por trás das mentiras

Categoria: Apoiamos,Ceticismo,CulturaSenhor_do_Servo @ 14:42

Counterpunch, através do Viomundo:

Norman Finkelstein é autor de cinco livros, entre os quais Image and Reality of the Israel-Palestine Conflict, Beyond Chutzpah and The Holocaust Industry, traduzidos para mais de 40 idiomas. Esse artigo está publicado também em sua página internet, em www.NormanFinkelstein.com

O registros existem e são muito claros. Qualquer pessoa encontra na internet, na página do governo de Israel e, também, na página do ministério de Negócios Exteriores de Israel. Israel desrespeitou o cessar-fogo, invadiu Gaza e matou seis ou sete (há controvérsia quanto ao número de assassinados, não quanto ao crime de assassinato) militantes palestinenses, dia 4/11. Depois, o Hamás respondeu ou, como se lê nas páginas do governo de Israel “o Hamás retaliou contra Israel e lançou mísseis.”

Quanto aos motivos, os documentos oficiais também são claros. O jornal Haaretz já informou que Barak, ministro da Defesa de Israel, começou a planejar o massacre de Gaza muito antes, até, de haver acordo de cessar-fogo. De fato, conforme o Haaretz de ontem, a chacina de Gaza começou a ser planejada em março.

Quanto às principais razões do massacre, acho, há duas. Número um: restaurar o que Israel chama de “capacidade de contenção do exército” e que, em linguagem de leigo, significa a capacidade de Israel para semear pânico e morte em toda a região e submetê-la mediante a pressão das armas, da chantagem, do medo. Depois de ter sido derrotado no Líbano em julho de 2006, o exército de Israel entendeu que seria importante comunicar ao mundo que Israel ainda é capaz de assassinar, matar, mutilar e aterrorizar quem se atreva a desafiar seu poder pressuposto absoluto, acima de qualquer lei.

A segunda razão pela qual Israel atacou Gaza é culpa do Hamás: o Hamás começou a dar sinais muito claros de que deseja construir um novo acordo diplomático a respeito das fronteiras demarcadas desde junho de 1967 e jamais respeitadas por Israel.

Em outras palavras, o Hamás sinalizou que está interessado em fazer respeitar exatamente os mesmos termos e conceitos que toda a comunidade internacional respeita e que, em vez de resolver os problemas a canhão e com campanhas de mentiras por jornais e televisão, estaria interessado em construir um acordo diplomático.

Aconteceu aí o que Israel poderia designar como “uma ameaçadora ofensiva de paz chefiada pelos palestinenses”. Imediatamente, para destroçar a ofensiva de paz, o governo e o exército de Israel desencadearam campanha furiosa para destroçar o Hamás.

A revista Vanity Fair publicou, em abril de 2008, em artigo assinado por David Rose, baseado, por sua vez em documentos internos dos EUA, que os EUA estavam em contato estreito com a Autoridade Palestinense e o governo de Israel, organizando um golpe para derrubar o governo eleito do Hamás, e que o Hamás conseguira abortar o golpe. Isso não é objeto de discussão: esse fato é estabelecido, documentado e há provas.

A questão passou a ser, então, impedir o Hamás de governar, e ninguém governa sob bloqueio absoluto, bloqueio que desmantelou toda a atividade econômica em Gaza. Ah! Vale lembrar: o bloqueio começou antes de o Hamás chegar ao poder (eleito!). O bloqueio nada tem ou jamais teve a ver com o Hamás. Quanto ao bloqueio, os EUA despacharam gente para lá, James Wolfensohn especificamente, para tentar pôr fim ao bloqueio, depois de Israel ter invadido Gaza.

O xis da questão é que Israel não quer que Gaza progrida, sequer quer que viva, e Israel não quer ver nenhum conflito encaminhado por vias diplomáticas, que tanto os líderes do Hamás em Damasco, quanto os líderes do Hamás em Gaza têm repetidas vezes declarado que buscam, sempre com vistas a resolver o conflito relacionado às fronteiras demarcadas em 1967, fronteiras que Israel jamais respeitou. Tudo, até aí, são fatos registrados e comprovados. Não há qualquer ambigüidade: tudo é bem claro.

Todos os anos, a Assembleia da ONU vota uma resolução intitulada “Solução pacífica para a questão da Palestina”. E todos os anos o resultado é o mesmo: o mundo inteiro de um lado; Israel, EUA, alguns atóis dos mares do sul e a Austrália, no lado oposto. Ano passado, o resultado da votação foi 164 a 7. Todos os anos, desde 1989 (em 1989, o resultado foi 151 a 3), é sempre a mesma coisa: o mundo a favor de uma solução pacífica para a questão da Palestina; e EUA, Israel e a ilha-Estado de Dominica, contra.

A Liga Árabe, todos os 22 Estados-membros da Liga Árabe, são favoráveis a uma chamada “Solução dos Dois Estados”, com as fronteiras determinadas em junho de 1967. A Autoridade Palestinense é favorável à mesma “Solução dos Dois Estados” e às mesmas fronteiras determinadas em junho de 1967. E o Hamás também é favorável à mesma “Solução dos Dois Estados” e às mesmas fronteiras demarcadas em junho de 1967. O problema é Israel, patrocinado pelos EUA. Esse é o problema.

Bem… Há provas de que o Hamás desejava manter o cessar-fogo; exigiu, como única condição, que Israel levantasse o bloqueio de Gaza. Muito antes de começarem os rojões do Hamás, os palestinenses já enfrentavam terrível crise humanitária, por causa do bloqueio. A ex-Alta Comissária para Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson, descreveu o cenário que testemunhou em Gaza como “destruição de uma civilização”. Isso, durante o cessar-fogo.

O que se vê nos fatos? Os fatos mostram que nos últimos mais de vinte e tantos anos, toda a comunidade internacional procura um modo de resolver o conflito das fronteiras de 1967, com solução justa para a questão dos refugiados. Será que 164 Estados-membros da ONU estão sempre errados, e certos e pacificistas seriam só EUA, Israel, Nauru, Palau, Micronésia, as ilhas Marshall e a Austrália? Quem é pacifista? Quem trabalha contra a paz?

Há registros e documentos que comprovam que, em todas as questões cruciais discutidas em Camp David; depois, nos parâmetros de Clinton; depois, em Taba, em cada ponto discutido, os palestinenses sempre fizeram concessões. Israel jamais concedeu qualquer coisa. Nada. Os palestinenses repetidas vezes manifestaram decisão de superar a questão das fronteiras de 1967 em estrito respeito à lei internacional.

A lei também é claríssima. Em julho de 2004, a Corte Internacional de Justiça, órgão máximo da ONU para questões de direito internacional, declarou que Israel não tem direito de ocupar nem um metro quadrado da Cisjordânia nem um metro quadrado de Gaza. Israel tampouco tem qualquer direito sobre Jerusalém. O setor Leste de Jerusalém, os bairros árabes, nos termos da decisão da mais alta corte de justiça do planeta, são território da Palestina ocupado ilegalmente por Israel. Também nos termos de decisão da mais alta corte de justiça do planeta, nos termos da lei internacional, todas as colônias de judeus que há na Cisjordânia são ilegais.

O ponto mais importante de tudo isso é que, em todas as ocasiões em que se discutiram essas questões, os palestinenses sempre aceitaram fazer concessões. Fizeram todas as concessões. Israel jamais fez qualquer concessão.

O que tem de acontecer é bem claro. Número um, EUA e Israel têm de se aproximar do consenso da comunidade internacional e têm de respeitar a lei internacional. Não me parece que trivializar a lei internacional seja pequeno crime ou pequeno problema. Se Israel contraria o que dispõe a lei internacional, Israel tem de ser acusada, processada e julgada em tribunais competentes, como qualquer outro Estado, no mundo.

O presidente Obama tem de considerar o que pensa o povo dos EUA. Tem de ser capaz de dizer, com todas as letras, onde está o principal obstáculo para que se chegue a uma solução para a questão da Palestina. O obstáculo não são os palestinenses. O obstáculo é Israel, sempre apoiada pelo governo dos EUA, que, ambos, desrespeitam a lei internacional e contrariam o voto de toda a comunidade internacional.

Hoje, o principal desafio que todos os norte-americanos temos de superar é conseguir ver a verdade, por trás das mentiras.

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jan 14 2009

0729 – Boicote aos produtos de Israel

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 12:32

Do Blog do Altamiro:

Durante a longa e heróica resistência ao apartheid, os lutadores anti-racistas da África do Sul contaram com uma inestimável solidariedade internacionalista. Além dos crescentes e massivos protestos de rua, um movimento mundial de boicote às multinacionais daquele país, que sempre lucraram com o segregacionismo, contribuiu decisivamente para isolar os racistas. Agora, diante da barbárie promovida por Israel na Faixa de Gaza, um apelo internacionalista semelhante ganha corpo. A idéia é não comprar produtos fabricados pelos sionistas, que hoje escondem o “made in Israel” para driblar a repulsa mundial, mas tem o código de barras iniciado com o número 0729.

Este movimento de solidariedade, que adquiriu velocidade pela rede da internet nos últimos dias, teve início nos meios universitários da Europa e dos EUA. Uma das promotoras deste boicote é Olícia Zemor, uma judia indignada com as políticas genocidas de Israel – o que confirma que o movimento não tem qualquer marca anti-semita e nem é contra o povo israelense, mas sim contra a política terrorista e expansionista do Estado e das classes dominantes daquele país. Segundo ela explicou, em Paris, “o boicote se tornará ainda mais abrangente e eficaz quando os consumidores memorizarem o código de identificação internacional dos produtos israelenses, o 0729”.

Produção em “terras roubadas”

“Os europeus, em particular, precisam saber que muitos dos produtos israelenses, beneficiando-se das tarifas preferenciais da UE, são fabricados nos territórios palestinos ilegalmente ocupados pelos colonos judeus, incluindo áreas ‘anexadas’ há pouco – e nisso é utilizada a água que Israel usurpa também, para não dizer rouba, dos palestinos”, advertiu a corajosa judia. Outro ativista da jornada de boicote, o escritor Maurice Rajsfus, de 74 anos, explicou os motivos da sua adesão:

“Há muitos cidadãos judeus, como eu, que não vivem no passado, com esta vontade de transferir o ódio para os outros, de fazer os palestinos pagarem pelos crimes nazistas. O melhor modo de não se esquecer do holocausto consiste em evitar que outros homens, mulheres e crianças sejam reprimidas, sob indiferença geral”. No âmbito universitário, o movimento já reúne 120 docentes europeus e estadunidenses, vários de origem judaica, que defendem a suspensão do intercambio com suas homólogas israelenses. No meio artístico, ele gerou o cancelamento de temporadas na Europa de companhias de dança e música israelense, enquanto congêneres européias decidiram não participar do próximo Festival de Israel. Também ocorrem protestos em ginásios de esporte.

Comércio já sente os efeitos

Segundo a imprensa européia, o boicote, deflagrado no meio universitário, já obteve o apoio de comerciantes e industriais e preocupa os empresários israelenses. Até agora, porém, nenhum país ocidental se declarou favorável ao movimento. Em abril passado, diante do bloqueio sionista à economia palestina, o Parlamento Europeu até discutiu sanções contra Israel, mas a proposta foi rejeitada pela Comissão Executiva da União Européia. Apesar disto, as exportações israelenses para o velho continente já caíram cerca de 20%, atingindo especialmente o comércio de armas.

Alguns fornecedores europeus também têm se recusado a vender várias peças de reposição para geladeiras e máquinas de lavar, “sob o pretexto que elas poderão servir à fabricação de mísseis”. Sob pressão, a Alemanha decidiu retardar o fornecimento de motores e caixas de câmbio para os tanques e carros de combate Merkava, utilizados pelo exército israelense. Já industriais gregos e holandeses suspenderam a venda de detergentes de cozinha, argumentando que tais produtos são “potencialmente armas químicas”. Empresários de origem palestina têm jogado papel decisivo na campanha, superando a passividade na defesa dos seus irmãos de Gaza e da Cisjordânia.

O papel ativo do sindicalismo

Além disso, o que é bastante sintomático sobre o papel que o proletariado pode jogar, estivadores noruegueses impediram recentemente a entrada no porto do Oslo de um cargueiro transportando mercadorias israelenses. Pouco depois, alguns dos principais sindicatos da Escócia, Dinamarca e Noruega conclamaram os trabalhadores a não comprar nos supermercados os produtos “made in Israel”, principalmente o das suas poderosas multinacionais. O movimento do boicote já tem sido divulgado nos protestos de rua na Europa organizados, entre outros, pelas centrais sindicais.

O Brasil, que infelizmente ainda não tem uma cultura de solidariedade internacionalista, bem que poderia aderir ao movimento mundial das redes pelo boicote aos produtos sionistas. As primeiras manifestações contra o genocídio em Gaza, embora tímidas, já pipocam pelo país, a partir do ato em São Paulo, que reuniu 600 pessoas e teve o apoio das entidades e igrejas árabes, dos partidos de esquerda (PCdoB, PT, PSOL, PSTU e PCB) e dos movimentos sociais. Outras manifestações contra o terrorismo de Israel já estão agendadas para esta semana. Seria uma ótima oportunidade para divulgar o número 0729, da campanha mundial de boicote aos produtos sionistas.

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jan 14 2009

Agnato e acéfalo…

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 12:23

Do Blog do Altamiro, através do Viomundo:

O jornal israelense Haaretz informou agora há pouco que o governo da Bolívia decidiu romper relações diplomáticas com Israel por conta do ataque a Gaza.

Aproveito para reproduzir artigo escrito pelo Altamiro Borges sobre a atuação do ex-chanceler de Fernando Henrique Cardoso:

Lampreia, o “ridículo” ex-chanceler de FHC

O diplomata de carreira Luiz Felipe Lampreia, ex-ministro das Relações Exteriores do governo FHC de 1995 a 2001, deixou de lado qualquer diplomacia – se é que algum dia teve – para atacar duramente o atual ministro Celso Amorim. O motivo da bronca, que deve ter agradado o regime sionista de Israel, foi a viagem do representante do presidente Lula ao Oriente Médio na tentativa de contribuir para um cessar-fogo na Faixa de Gaza. No seu blog, não por acaso postado no site do jornal O Globo, o ativo tucano destilou veneno. Com diz o ditado, a inveja é uma… desgraça!

“No seu afã de protagonismo, o ministro Amorim iniciou um périplo no Oriente Médio que beira o ridículo”, esbravejou Lampreia. Como sua mentalidade servil às potenciais imperialistas, ele avalia que o Brasil não tem nenhum papel a jogar no tabuleiro internacional. Para ele, Amorim “deve estar incomodando os líderes políticos da região com seus pedidos de audiência quando eles têm outras prioridades. Ele nada pode acrescentar aos esforços de paz que a França e o Egito desenvolvem. Deve ser vista com suspeita pelos líderes israelenses pelas posições que assumir. Seguramente não é considerado pelos americanos como um fator relevante na questão. Enfim, as peripécias do ministro são uma inutilidade que só pode trazer desgaste à diplomacia brasileira”.

Um notório entreguista

De Jerusalém, onde se encontrou com representantes do governo israelense, após se reunir com o presidente sírio Bashar Assad, Amorim deu o troco de forma diplomática. Sem citar nomes, ele classificou as críticas como sintoma da baixa autoestima de alguns brasileiros. “No futebol, nós superamos essa síndrome. Na política e no comércio internacional, ainda não”. Para ele, o Brasil deve ter um papel protagonista no cenário mundial. “Não tenho ilusões de que estamos aqui para resolver um problema que ninguém resolveu. Mas fazemos parte de um conjunto de esforços da comunidade internacional. A comunidade internacional não pode ser só EUA e União Européia”.

Uma postura bem diferente da adotada por Lampreia quando exerceu a mesmo cargo no governo entreguista de FHC. Na época, o ex-chanceler foi um dos mais ativos defensores da política de “alinhamento automático” com os EUA. Com inúmeros atos, ele tentou pavimentar “o caminho” para viabilizar o tratado neocolonial imposto pelo imperialismo, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Também propôs a concessão da base militar de Alcântara, no Maranhão, para os EUA. Quem quiser conhecer melhor este triste período da diplomacia brasileira basta ler o livro “As relações perigosas Brasil/Estados Unidos”, de Luiz Alberto Moniz Bandeira.

Um direitista militante

Luiz Felipe Lampreia tenta se travestir de diplomata, mas é um direitista militante e um tucano de carteirinha. Para conhecer suas opiniões, basta passar os olhos no seu blog no site da Globo. No atual genocídio em Gaza, ele adota a mesma posição da carniceira Condoleezza Rice e dos sionistas, vendendo a imagem de Israel como vítima e dos palestinos como terroristas. Ataca o Hamas, que “prossegue em seu tom belicoso, anunciando que seguirá na luta. Para os radicais palestinos, o hasteamento de sua bandeira verde no último prédio de pé em Gaza representaria uma grande vitória política”. Ele até defende o cessar-fogo, mas sob os escombros de Gaza.

Já no que se refere à América Latina, um dos principais alvos de suas críticas a atual política do governo Lula, Lampreia explicita que não tem nada de diplomata. Prega maior endurecimento nas relações com os “parceiros truculentos”, atacando o presidente Rafael Correa, do Equador; agride Hugo Chávez – chamando-o de coronel e não de presidente –, criticando “os seus gastos ineficientes” e defendendo “uma mudança radical em sua política econômica”. O ódio ao líder bolivariano é tanto que ele condenou a aprovação da Câmara Federal do ingresso da Venezuela no Mercosul. “Esperemos que o Senado mantenha sua oposição a esta decisão desastrosa”.

Serviçal dos EUA e de Uribe

O ex-chanceler de FHC também adora desqualificar Cuba. “A revolução cubana fez 50 anos e os oligarcas de Havana celebraram muito. Mas o povo está cada vez mais miserável”, atacou num de seus últimos textos. Em outra, rancoroso, disse que foi destratado numa viagem à ilha. “Cuba é glorificada por alguns ingênuos (e outros não tanto). Mas continua sendo, desde os tempos do paredón, uma ditadura feroz, com um partido único, um chatíssimo jornal único, muitos presos políticos e o cerceamento das liberdades”, escreveu num linguajar típico dos agentes da CIA.

Para Lampreia, o governo Lula erra ao investir no avanço das relações políticas e econômicas no continente. Por isso, ele atacou de maneira hidrófoba a Cúpula da America Latina, realizada em dezembro na Bahia. “Os resultados foram nulos”, esbravejou. A razão, segundo o defensor do “alinhamento automático” com os EUA, foi “a retórica antiamericana extravagante dos Chávez e Morales da vida, no momento em que vai assumir o presidente Barack Obama, de quem muito se espera universalmente… Com radicais ideológicos não há muito espaço para a racionalidade”.

Ao mesmo tempo em que ataca Venezuela, Cuba, Bolívia e Equador – e, com inveja, o ministro Celso Amorim –, o ex-chanceler de FHC prioriza as suas “ligações” com os EUA e o presidente narcoterrorista Álvaro Uribe. Há poucos dias, o ministro de Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, anunciou que Felipe Lampreia fará parte de uma missão especial encarregada de melhorar a imagem desde país – conhecido como o recordista mundial em assassinados de sindicalistas, pelos escândalos de corrupção nos altos escalões de governo e pela existência de milícias paramilitares envolvidas no trafico de cocaína. Belas companhias a de Lampreia!

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jan 14 2009

De Assassino para Refém

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 07:20

Do Biscoito Fino e a Massa:

Visionário, Gilles Deleuze previu muito em 1978

No dia 07 de abril de 1978, no Le Monde, o filósofo Gilles Deleuze profeticamente escrevia:

Como os palestinos poderiam ser “parceiros legítimos” em conversações de paz, se não têm país? Mas como teriam país, se seu país lhes foi roubado? Os palestinos jamais tiveram escolha, além da rendição incondicional. Só lhes ofereceram a morte.
[...]
Desde 1969, Israel bombardeia sem descanso o sul do Líbano. Israel já disse, claramente, que a recente invasão do Líbano não foi ato de retaliação pelo ataque terrorista em Telavive (11 terroristas contra 30 mil soldados); de fato, a invasão do Líbano é o ponto culminante de um plano, mais uma, numa sequência de operações a serem iniciadas como e quanto Israel decida iniciá-las. Para uma “solução final” para a questão palestina, Israel conta com a cumplicidade quase irrestrita de outros Estados (com diferentes nuances e diferentes restrições).

Um povo sem terra e sem Estado, como o palestino, é como uma espécie de leme, que dá a direção em que andará a paz de todos que se envolvam em suas questões. Se tivessem recebido auxílio econômico e militar, ainda assim teria sido em vão. Os palestinos sabem o que dizem, quando dizem que estão sós.
[...]
Essa população do sul do Líbano, em exílio perpétuo, indo e vindo sob ataque militar dos israelenses, não vê diferença alguma entre os ataques de Israel e atos de terrorismo. Os últimos ataques tiraram 200 mil pessoas de suas casas. Agora, esses refugiados vagam pelas estradas.

O Estado de Israel está usando, no sul do Líbano, o método que já se provou tão eficaz na Galileia e em outros lugares, em 1948: Israel está “palestinizando” o sul do Líbano.
A maioria dos militantes palestinos nasceram dessa população de refugiados. E Israel pensa que derrotará esses militantes criando mais refugiados e, portanto, com certeza, criando mais terroristas.
[...]
O conflito Israel-Palestina é um modelo que determinará como o ocidente enfrentará, doravante, os problemas do terrorismo, também na Europa.

A cooperação internacional entre vários Estados e a organização planetária dos procedimentos da polícia e dos bandidos necessariamente levará a um tipo de classificação que cada vez mais incluirá pessoas que serão consideradas “terroristas”. Aconteceu já na Guerra Civil espanhola, quando a Espanha serviu como laboratório experimental para um futuro ainda mais terrível que o passado do qual nascera.

Israel inteira está envolvida num experimento. Inventaram um modelo de repressão que, devidamente adaptado, será usado em vários países.

Há marcada continuidade nas políticas de Israel. Israel crê que as resoluções da ONU, que condenam Israel verbalmente, são autorizações para invadir. Israel converteu a resolução que o mandava sair dos territórios ocupados em direito de construir colônias!
[...]
Esse conflito é uma estranha espécie de chantagem, da qual o mundo jamais escapará, a menos que todos lutemos para que os palestinos sejam reconhecidos pelo que são: “parceiros genuínos” para conversações de paz. De fato, estão em guerra. Numa guerra que não escolheram.

Sublinhamos: São palavras publicadas numa época em que Atlético-MG e São Paulo tinham o mesmo número de títulos do Campeonato Brasileiro: abril de 1978. Ou, dito em outras palavras, 23 anos, 5 meses e 4 dias antes dos atentados terroristas da Al Qaeda nos EUA, que nos levam a outra etapa deste inferno — também prevista, aliás, por Deleuze. Em 1978, a ocupação ilegal dos territórios palestinos completava sua primeira década. Hoje, já são mais de quatro: a mais longa ocupação colonial da era moderna. Deleuze foi um dos primeiros, no Ocidente, a alertar. A íntegra do texto está publicada no Amálgama, em tradução de Caia Fittipaldi. Há uma versão em inglês aqui.

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jan 14 2009

Sobre o Exército de Israel

Categoria: Apoiamos,Internacional,PolíticaSenhor_do_Servo @ 05:58

Do Viomundo:

HaMoked é uma organização de judeus israelenses que dá assistência humanitária aos palestinenses confinados nos campos de refugiados


“É responsabilidade do Estado de Israel fornecer alimentos, remédios e assistência médica à população de refugiados confinada na Faixa de Gaza”
(da legislação internacional sobre Territórios Ocupados)

11/1/2009 – A família A. vive em Siafa, no noroeste da Faixa de Gaza, região de pequenos agricultores, hoje reduzidos à mais completa miséria, em área isolada e separada do restante da Faixa, perto de onde existiu a colônia de judeus de Dugit.

A família ficou sem qualquer suprimento de comida ou remédios desde o início do massacre de Gaza; desde então nenhum dos serviços regulares de assistência (que há muito tempo já não são regulares) chegou a Siafa.

A família ampliada é formada de 120 pessoas, o mais jovem dos quais tem 5 meses e o mais velho, 80 anos. Desde o início do massacre de Gaza, a área foi completamente cercada pelo exército de Israel. Dia 3/1 uma das casas foi bombardeada. Morreram um menino e um senhor de idade.

Dia 8/1, a ONG HaMoked fez contato com o Escritório da Coordenação Distrital do governo de Israel em Gaza (District Coordination Office (DCO) in Gaza) e exigiu que fosse restabelecido o suprimento de alimentos àquela família. Mais tarde, a família informou a voluntários da ONG HaMoked que o exército entregara lá 120 sanduíches e 6 garrafas de água – para alimentar uma família de 120 pessoas que estavam sem nenhuma espécie de alimento ou água potável há uma semana!

O exército de Israel informou aos voluntários da HaMoked que, com aquela entrega, dava por cumprida qquer responsabilidade que tivesse quanto à sobrevivência daquela família e que não voltaria a entregar nem alimentos, nem água nem remédios naquela região. Além disso, o exército de Israel também “informou” os voluntários da HaMoked sobre um “corredor humanitário” a ser implantado naquele dia, durante as três horas do cessar-fogo “humanitário”, e que, durante esse período de cessar-fogo, a própria família poderia comprar o que lhe faltasse.

Isso é quase inacreditável, para quem conheça as condições em que vive a família A., em região em que não há onde comprar coisa alguma, o que é fato conhecido por todos que sabem que a região é geograficamente isolada e, hoje, cercada.

Mais uma vez, os voluntários da HaMoked exigiram que o exército de Israel cumprisse sua obrigação de lei, e fornecesse alimentos à família A.

Como resposta, o exército de Israel ofereceu duas ‘alternativas”:

Uma – completamente absurda – sugeria que algum parente da família A. comprasse em Gaza o que fosse necessário e “providenciasse o envio” para a região nordeste da Faixa, entregando-os em ponto a ser combinado, a partir do qual o exército “faria chegar as compras” até a família A.

Pela outra sugestão, os voluntários da HaMoked deveriam providenciar toda a necessária ajuda e fazê-la chegar à passagem de Erez, ponto a partir do qual o exército levaria os suprimentos até a área onde vive a família. Um encarregado militar que atendeu os voluntários da HaMoked “garantiu” que, se os suprimentos fossem comprados e entregues ao exército, a família A. os receberia “no prazo possível”.

Apesar da precariedade dessa “garantia”, a HaMoked comprou 5 toneladas de alimentos e remédios, com dinheiro arrecadado entre famílias de judeus, em Israel e em todo o mundo, que há muito tempo mantêm uma rede de assistência aos refugiados que vivem nos campos que há em Israel. Médicos, da ONG “Médicos pelos Direitos Humanos (Israel, PHR-Israel) encarregaram-se de reunir medicamentos e recursos de primeiros socorros.

Depois de todos os alimentos e medicamentos estarem comprados e preparados para serem entregues ao exército que, como acertado, teria de fazê-los chegar à família A., os voluntários da ONG HaMoked foram procurados por representante do exército, encarregado de “des-confirmar” o acordo feito, sob a alegação de que não haveria “condições objetivas” para que os suprimentos e remédios chegassem àquela região e àquela família. Os voluntários protestaram. Só perto da meia-noite do sábado, 10/1, o exército afinal informou que o Centro de Operações para os Territórios afinal autorizara o carregamento dos suprimentos e remédios para posterior entrega à família A.

Finalmente hoje, 11/1/2009, um caminhão carregado de alimentos e remédios pôde deixar Jerusalém, com trajeto previsto pela passagem Zikim, ponto a partir do qual o exército levaria os alimentos e remédios, para descarregá-los em outro ponto de controle militar, localizado a 500 metros de onde mora a família A.

Daquele ponto em diante, a própria família terá de conduzir os suprimentos, até a vila, contando, para isso, com dois carrinhos e dois burros.

“É responsabilidade do Estado de Israel fornecer alimentos, remédios e assistência médica à população de refugiados confinada na Faixa de Gaza” (da legislação internacional sobre Territórios Ocupados)

PARA SABER MAIS SOBRE O INFERNO QUE TEM SIDO A VIDA EM GAZA, CLIQUE AQUI

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jan 08 2009

Pelo imediato rompimento com Israel!

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 17:41

É possível romper relações com Israel sem declarar apoio ao Hamas ou abandonar a posição neutra em relação ao conflito palestino-israelense. O que não dá mais é para assistir calado ao extermínio de um povo.

“Muitas crianças palestinas estão morrendo e quase nenhuma criança israelense foi morta. Por quê? Porque nós cuidamos das nossas crianças.” (Shimon Peres, presidente de Israel, em 6 de janeiro de 2009)

De acordo com os dados divulgados periodicamente pela ONG internacional Save the Children, foi ultrapassada na terça-feira (6) a marca de 100 crianças palestinas assassinadas desde o início da última onda de agressões perpetrada por Israel. No mesmo dia, ataques aéreos israelenses destruíram três escolas da ONU na Faixa de Gaza, deixando cerca de 30 mortos. Horas antes, uma bomba caiu sobre uma casa onde cerca de 20 jovens recebiam de dois militantes dos Hamas treinamento de primeiros-socorros para ajudarem parte das milhares de vítimas palestinas. Não houve sobrevivente.

Ocorridos num único dia de combate, em meio aos milhares de episódios estarrecedores vividos em Gaza na última semana, esses eventos mereceram o repúdio internacional e fizeram crescer a pressão sobre o governo israelense para um cessar-fogo imediato. Respaldado pelo sólido apoio político e diplomático dos Estados Unidos, no entanto, os falcões-de-guerra israelenses, até o momento em que escrevo estas linhas, admitiram apenas a abertura de um “corredor humanitário” durante três horas por dia para que comida e medicamentos finalmente cheguem aos palestinos.

Face à impotência do Conselho de Segurança da ONU e ao bloqueio das discussões exercido pelos EUA, a tentativa de costura de uma solução que leve ao fim imediato das hostilidades sobrou para a União Européia. Capitaneados pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, os esforços europeus, no entanto, têm encontrado maior eco junto aos países árabes, Egito à frente, do que propriamente junto a Israel, que, como faz nos últimos 60 anos, mantém postura de arrogância e desprezo em relação à via diplomática multilateral.

Os países árabes, por sua vez, também repetem o velho cenário que se divide entre os regimes aliados dos Estados Unidos, liderados pela Arábia Saudita, e os regimes inimigos declarados ou velados de Israel, como Síria e Jordânia, entre outros. A história ensina que, na hora em que Israel resolve atacar com A maiúsculo, nenhum dos dois lados da elite árabe costuma mover uma palha em favor de palestinos, libaneses ou quem quer que seja.

Qual papel deve assumir o Brasil, postulante a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, diante dessa paralisia? O melhor e mais corajoso caminho a ser seguido é o imediato rompimento de relações diplomáticas com o governo assassino de Israel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem diante de si a oportunidade de fazer valer todo o capital político acumulado no cenário internacional ao longo dos últimos seis anos e indicar claramente que a construção de um novo patamar de entendimento entre as nações, desejo manifesto de seu governo, não mais tolerará demonstrações unilaterais e desproporcionais de força militar.

É possível romper relações com Israel sem declarar apoio ao Hamas ou abandonar a posição neutra em relação ao conflito palestino-israelense. O que não dá mais é para assistir calado ao extermínio de um povo. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, como bem demonstrou o governo da Venezuela. No mesmo dia em que foi ultrapassada a marca de 100 crianças palestinas mortas, o presidente Hugo Chávez declarou o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países e expulsou de Caracas o embaixador de Israel. Para justificar seu ato, Chávez afirmou que “Israel está promovendo um holocausto na Faixa de Gaza”.

Seguir o mesmo caminho da Venezuela consolidaria o papel político de liderança entre os países emergente exercido pelo Brasil no cenário diplomático internacional. Significaria também, mesmo que isso traga pouca conseqüência prática e imediata para quem está recebendo bomba na cabeça, um importante gesto de solidariedade do “mundo real” face ao martírio do povo palestino. Lula, se tomar essa atitude corajosa, mais uma vez colocará a política externa de seu governo a serviço da construção de um mundo menos injusto.

A simpatia do presidente brasileiro pela causa palestina não é segredo para ninguém. Em entrevista ao jornal Valor publicada na segunda-feira (5), o assessor especial de Política Externa da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, classificou a ofensiva israelense em Gaza como “terrorismo de Estado”. Em nota assinada por seu presidente, Ricardo Berzoini, o PT também condenou a ofensiva israelense e rechaçou o argumento de “autodefesa” utilizado por Israel. O rompimento temporário com Israel nas atuais circunstâncias seria, portanto, um caminho natural e coerente para o governo Lula.

Maurício Thuswohl é jornalista.

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