ago 11 2010

Monsanto: a multinacional da morte, fome, da doença e da guerra

Categoria: Ciência,Economia,Fascismo,Política,SaúdeSenhor_do_Servo @ 16:15
Da Redação da Revista Fórum:

As recentes decisões assumidas pela Comissão Europeia para facilitar o cultivo e utilização de organismos geneticamente modificados (OGM) ou transgénicos, apesar dos riscos para a saúde pública e o ambiente, foram acompanhadas por declarações a favor da capacidade de decisão dos governos dos Estados-Membros. No entanto, há que habilitar os cidadãos com informação que lhes permita ir mais fundo no conhecimento sobre o assunto. Na altura, a eurodeputada Marisa Matias, do grupo da Esquerda Unitária (GUE/NGL) perguntou “qual a urgência de tais decisões?” tomadas pela Comissão quando há legislação em preparação e prestes a sair. Uma das respostas pode ser encontrada numa simples palavra: “Monsanto”.

Monsanto é a multinacional que controla mais de 90 por cento das sementes transgénicas que se vendem em todo o mundo. Quem relata melhor a história é a investigadora Marie-Monique Robin no seu livro “O mundo segundo Monsanto: da dioxina aos OGM, uma multinacional que lhes deseja o melhor”.

As sondagens na Europa reflectem uma opinião radicalmente contrária aos alimentos transgénicos. Em Espanha, em 2006, os inquiridos numa sondagem escolheram os “transgénicos” como ameaça alimentar mais inquietante em comparação com mais 12 hipóteses, entre as quais as “vacas loucas”, salomonelas e gripe das aves. Na Alemanha, 95 por cento dos consumidores rejeitam os OGM; mesmo nos Estados Unidos, no Estado de Nova Iorque, 39 por cento dos consumidores são contrários e 33 por cento aceitam os OGM.

Que se passou então, perante tantas rejeições, desde que 1994 foi autorizado nos Estados Unidos o cultivo das primeiras sementes transgénicas, ponto de partida para uma situação caracterizada hoje por mais de 125 milhões de hectares semeados em todo o mundo com diferentes sementes de organismos geneticamente modificados?
Uma explicação importante é: Monsanto.

A empresa Monsanto nasceu em Saint Louis, Missouri, em 1901, dedicada à produção de sacarina para a Coca-Cola. Em 1935 comprou a Swan Chemical Co., que já fabricava os PCB, policlorobifenóis. Esta substância sintética tinha diversos usos como refrigerante e lubrificante, mas representava também um grave risco para a saúde pública que a empresa conhecia “mas de fez de conta que nada acontecia até à sua proibição definitiva, em 1977”, testemunha Marie-Monique Robin. A prova deste conhecimento está na grande quantidade de documentos procedentes de arquivos da Monsanto, obrigada a divulgá-los num processo judicial.

Monsanto monopolizou a produção de PCB em todo o mundo. Contaminou assim vastas áreas do planeta, uma vez que se trata de uma substância muito resistente na natureza.
Monsanto surge depois no fabrico de dioxinas, “a molécula mais perigosa jamais inventada pelo homem”, segundo Marie-Monique Robin. A dioxina é um produto derivado do fabrico de herbicidas, incrementado durante a Segunda Guerra Mundial. A multinacional montou uma fábrica específica em 1948 e trabalhou estreitamente com o Pentágono para desenvolver a utilização da dioxina como arma química. O perigo deste produto tornou-se publicamente evidente em 1976, com o acidente em Itália que ficou conhecido como “a catástrofe de Seveso”.

Monsanto obtivera entretanto contrato para produzir o “agente laranja” (uma dioxina) para utilização pelo exército norte-americano na guerra do Vietname com o objectivo de destruir colheitas e matar as populações à fome.
De 1962 a 1971 os militares norte-americanos despejaram 80 mil milhões de litros de desfolhantes sobre 3,3 milhões de hectares de selva e terra agrícolas. Mais de três mil localidades foram contaminadas com a utilização de quantidades equivalentes a 400 quilos de dioxina pura – a dissolução de 80 gramas de dioxina numa rede de água potável poderia eliminar uma cidade de oito milhões de habitantes.

Dos herbicidas, Monsanto passou aos organismos geneticamente modificados (OGM) e descobriu a “árvore das patacas” na conjugação das duas áreas. Criou as sementes transgénicas e tornou-as imunes ao herbicida que produz, o Roundup, até então um “assassino” sistémico uma vez que matava indiscriminadamente as espécies vegetais. A Monsanto passou a vender – e a impor nos contratos – não apenas as sementes transgénicas mas também o Roundup para as proteger. Além disso, é vedada aos compradores a utilização de um produto genérico do Roundup.

Diz a publicidade de Monsanto que “o glifosfato é menos tóxico para os ratos do que o sal de mesa ingerido em grande quantidade” e tem razão. O glifosfato é, de facto, o princípio activo do Roundap, mas o Roundap é muito mais tóxico na sua fórmula global. O professor Robert Bellé, do Centro Nacional de Investigação Científica francês, concluiu que o Roundap desencadeia a primeira etapa que pode conduzir a situações de cancro 30 a 40 anos mais tarde. “O Roundap é um assassino de embriões e em concentrações mais fracas é um perturbador endócrino para os fetos”, escreveu.

O professor Séralani, que desenvolve investigações para a Comissão Europeia de modo a avaliar os efeitos dos alimentos transgénicos na saúde, é alvo de críticas duras da indústria de agrobiotecnologia por ter sido taxativo quanto aos efeitos do Roundup nas células humanas: “mata-as directamente”.

As provas em que se baseou a homologação do Roundup fizeram-se apenas com o princípio activo, mascarando os efeitos reais do produto. Este é o truque da propaganda de Monsanto.
Em 1993 a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos autorizou Monsanto a comercializar a hormona de crescimento bovino obtida por manipulação genética (rBGH), hormona que se introduz nas vacas para produzirem mais leite. Em Abril de 1998 uma fuga de informação fez deflagrar um escândalo político e científico por detrás desta autorização. Tanto Monsanto como a FDA tinham escondido dados essenciais.

Trabalhos científicos questionaram o uso desta hormona. Consideram-na prejudicial para a saúde das vacas e para a saúde humana. De facto, a hipófise das vacas e dos seres humanos produz uma hormona específica de crescimento mas ambas provocam a produção da mesma substância, a IGF, factor de crescimento insulítico de tipo I. O nível de IGFI é significativamente superior no leite produzido pelas vacas tratadas com rBGH do que no leite natural. O aumento da substância em causa multiplica por quatro o risco de cancro da próstata nos homens e por sete o risco de cancro da mama nas mulheres.

Devido à forte polémica, a hormona está oficialmente proibida na União Europeia desde 1 de Janeiro de 2000, com base no princípio segundo o qual “a biosfera não deve transformar-se num laboratório de alto risco para os seres humanos”.

De facto, segundo numerosos trabalhos científicos, a disseminação de organismos geneticamente modificados pode alterar os mecanismos e os ritmos do desenvolvimento humano.
Monsanto controla mais de 90 por cento da produção de OGM no mundo. É um monopólio Este monopólio ameaça a segurança alimentar sobretudo nos países mais pobres, onde mais de mil e quinhentos milhões de pessoas sobrevivem graças à conservação de sementes.

O movimento Greenpeace afirma que as possibilidades de um mundo livre de transgénicos continuam em aberto: 92 por cento das terras cultivadas no mundo estão livres de OGM. Apenas quatro países concentram 90 por cento da utilização de sementes modificadas: Estados Unidos 53 por cento, Argentina 18 por cento, Brasil 11,5 por cento e Canadá 6,1 por cento. No mercado existem apenas quatro sementes: soja, milho, algodão e colza; na Europa só 0,119 por cento do terreno cultivado é dedicado a OGM, contra quatro por cento, por exemplo, de agricultura ecológica.

“A manipulação genética”, escreve Paco Puche na revista “El Observador, “não tem nada a ver com o que os camponeses fazem há 10 mil anos, isto é, conservar as melhores dádivas das suas colheitas para as semear no ano seguinte; nem com os mecanismos de melhoramento através dos cruzamentos entre plantas seleccionadas dentro da mesma espécie. A manipulação genética salta por cima das barreiras biológicas que separam as espécies, despreza os mecanismos naturais de evolução e intervém nas interacções genéticas até agora inacessíveis ao ser humano”.

O processo de manipulação genética desenvolve-se em duas fases: em primeiro lugar extrai-se o gene da planta que interessa de um doador e incorpora-se numa molécula portadora, que pode ser um vírus; em segundo lugar implanta-se este vector no organismo receptor. Para avaliar o resultado da transformação há que injectar um gene resistente aos antibióticos e banhar as células numa solução antibiótica. As que sobrevivem são as que aceitaram a transferência. Sobre estas realizam-se depois bombardeamentos com “canhões de genes”, o que provoca a colocação do gene de forma aleatória em qualquer parte do genoma.

Os primeiros êxitos da Monsanto na sua batalha legislativa nos Estados Unidos para aceitação deste processo foram alcançados em 1992, quando foi aprovado um regulamento segundo o qual “os alimentos derivados de variedades vegetais segundo os novos métodos de modificação genética regulam-se no mesmo quadro e segundo a mesma perspectiva adoptada para o cruzamento tradicional de plantas”. Isto é, deixa de haver diferenças legislativas entre as selecções de sementes dentro da mesma espécie e as quebras das barreiras biológicas que separam as espécies.

Aos benefícios desta legislação, Monsanto acrescentou o estabelecimento de um quadro de declaração de patentes sobre todas as sementes geneticamente modificadas, facto que lhe permite controlar o mercado mundial em forma de monopólio.

Em causa estão a saúde pública no mundo, a preservação ambiental e a biodiversidade. Trabalhos científicos sobre estes assuntos permitiram estabelecer um decálogo de malfeitorias dos OGM e do controlo de Monsanto sobre a sua produção e comercialização: riscos para a saúde pública; contaminação genética sem controlo; aumento da contaminação química devido ao maior uso de biocidas; perda permanente da biodiversidade agropecuária e florestal; aumento da insegurança e perda da soberania alimentar; grande concentração de poder em poucas empresas; degradação da democracia através das pressões sobre a classe política e a actuação dos lobbies; aumento da desigualdade Norte-Sul; prejuízos para a agricultura ecológica devido à contaminação.

* De Esquerda.Net

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mai 21 2010

Hillary Clinton, a dominatrix ianque

Categoria: EUA Japão Europa,Fascismo,PolíticaSenhor_do_Servo @ 17:05

22/5/2010, Pepe Escobar, Blog The Roving Eye [Olhar Distraído], Asia Times Online

Pelo sempre ótimo e cada vez melhor, Viomundo.

Vamos combinar: Hillary Clinton é Dominatrix, dessas que já não se fazem como antigamente.

Primeiro, a secretária de Estado dos EUA disse que a mediação de Brasil e Turquia para conseguir que o Irã aceitasse combustível nuclear em troca de seu urânio estaria condenada ao fracasso. Depois, o Departamento de Estado dos EUA disse que seria “a última chance” de algum acordo sem sanções. E finalmente, menos de 24 horas depois do sucesso das negociações em Teerã, Hillary, chicote em punho, põe de joelhos todo o Conselho de Segurança da ONU e proclama ao mundo, em triunfo, que tinha em mãos um rascunho de resolução preventivamente aprovado, para uma quarta rodada de sanções contra o Irã. Definiu o movimento a favor de sanções como “resposta aos esforços empreendidos em Teerã nos últimos dias”. Mas… Calma lá!

Imediatamente depois do trabalho genuíno e bem-sucedido de mediação em discussão tão sensível, levado a cabo por duas potências emergentes – e mediadores sérios, que contam com a confiança universal – nesse nosso mundo multipolar, Brasil e Turquia… Washington e seus dois aliados da União Europeia no Conselho de Segurança, França e Grã-Bretanha, só pensam em torpedear o acordo? É o que os EUA chamam de “diplomacia” global?

Não surpreende que Brasil e Turquia, aliados chave dos EUA, ambos membros não-permanentes do Conselho de Segurança e ambos poderes regionais emergentes, tenham respondido com fogo pelas ventas, indignados com a reprimenda absolutamente descabida. O Brasil, primeiro, disse que sequer discutiria sanções contra o Irã, na ONU. Depois, Brasil e Turquia enviaram carta à ONU, requerendo formalmente que sejam incluídos nas negociações do grupo “Irã 6” sobre as sanções, “para evitar que se adotem medidas que dificultem qualquer solução pacífica”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil – que dissera pessoalmente à Clinton, no início do ano, que “não é prudente empurrar o Irã contra a parede” – também criticou o Conselho de Segurança, que lhe parece decidido a impedir qualquer tipo de negociação.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia Ahmet Davutoglu alertou que novo pacote de sanções só faria “estragar a atmosfera”.

E o primeiro-ministro da Turquia Recep Tayyip Erdogan disse que o movimento comprometia seriamente a credibilidade do Conselho de Segurança – e não deixou de lembrar, em tom ácido, o absurdo de haver cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, todos sentados sobre suas bombas atômicas, empenhados em desmantelar o programa nuclear legal e orientado para finalidades médicas e civis de um país em desenvolvimento.

Quanto à “credibilidade dos EUA”, está na lona. Não só na comparação com a credibilidade do Brasil de Lula e da Turquia de Erdogan, mas em todo o mundo em desenvolvimento – que é a verdadeira, a real, a única “comunidade internacional” de carne e osso e sangue que acompanha, interessada, esse sempre o mesmo golpismo incansável.

Frenesi de chicotadas contra o enriquecimento [do urânio]

Ao longo dos últimos meses, Clinton, a Dominatrix, acusou incansavelmente o Irã de ter rejeitado acordo semelhante, de troca de urânio baixo-enriquecido por combustível, proposto pelos EUA em outubro passado. Mais um movimento do script usual de Washington – um manual da eterna má-fé, insistindo que as sanções “nada têm a ver” com o enriquecimento do urânio, quando o mesmo enriquecimento, há apenas poucas semanas, era apresentado como o xis da questão e razão-chave para mais sanções.

E é ainda pior que isso. Como Gareth Porter revelou (“Washington queima pontes”, 21/5/2010, Asia Times Online e traduzido, em português, no Blog Viomundo, em http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ira-diz-que-washington-queima-pontes.html), Washington só propusera alguma troca de urânio por combustível em outubro último, porque, desde o início, planejava forçar o Irã a suspender completamente seu programa de enriquecimento de urânio (programa perfeitamente legal e legítimo, ao qual o Irã tem direito, como signatário do Tratado de Não-proliferação Nuclear, NPT). Mas essa intenção dos EUA jamais fora anunciada publicamente: tudo foi apresentado como se o problema fossem as bombas atômicas que não há e das quais o Irã não cogita.

Seja como for, o Irã continuará a produzir urânio enriquecido a 20% (direito do Irã, nos termos do Acordo de Não-proliferação), e começará a construir uma nova usina de enriquecimento, das dimensões da usina de Natanz. É parte do projeto de construir outras 10 usinas, anunciado ano passado pelo presidente Mahmud Ahmadinejad. Além disso, a usina nuclear construída pelos russos em Bushehr já está em fase final de testes e será inaugurada no próximo verão. São fatos irreversíveis, a “realidade em campo”.

Saeed Jalili, secretário do Conselho Superior de Segurança Nacional do Irã e principal negociador iraniano de facto nas questões nucleares, deve encontrar-se em breve com a chefe da política exterior da União Europeia Catherine Ashton na Turquia. Ashton, negociadora designada pela “comunidade internacional” seria representante da opinião pública global, nos termos de um press release distribuído pela British Petroleum sobre o vazamento de petróleo no Golfo do México. Isso, porque a União Europeia prepara-se para editar suas próprias sanções contra o Irã. Vale o mesmo para o Congresso dos EUA; como o senador Chris Dodd, Democrata de Connecticut, confirmou essa semana. Portanto, além das sanções do Conselho de Segurança, o Irã também terá de enfrentar sanções extra, declaradas pela coalizão de direita, dos poodles europeus decadentes, liderada pelos EUA.

China e Rússia, vêm de Sun Tzu

Antigo clássico general chinês, mestre estrategista, filósofo e autor de A Arte da Guerra, disse Sun Tzu: “Deixe que o inimigo erre. Não corrija erros do inimigo.” A China e a Rússia, também mestres estrategistas, aplicam aos EUA, em grande estilo, essa lição bem aprendida.

As dez páginas do rascunho de sanções da ONU de que ontem tanto se falou, já foram reduzidos a tirinhas inócuas de papel por China e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança. Qualquer manifestação em linguagem mais belicosa, que ainda se ouça contra aquele rascunho, no Conselho de Segurança, virá dos membros não permanentes Brasil, Turquia e Líbano. (Qualquer sanção terá de ser aprovada por unanimidade; sem isso, as sanções de Clinton nascem mortas.) Não há meio pelo qual Washington consiga forçar todos os membros do Conselho de Segurança a aprovar nova rodada de sanções, sobretudo agora que não há como negar que o Irã está cooperando.

No pé em que estão as coisas, as sanções hoje rascunhadas impedem as importações de armas convencionais pelo Irã; cortam todas as importações relacionadas a mísseis balísticos; congelam bens e valores de membros-chave do Corpo de Guardas Revolucionários Islâmicos; e autorizam inspeção em portos e em águas internacionais. A maioria dessas sanções implicam adesão voluntária – i.e., os países não são obrigados a implementar o que determinem as sanções do Conselho de Segurança – e terão efeito zero no comércio global do Irã, de petróleo e gás.

Pequim e Moscou de modo algum lambem o chicote de Clinton. Imediatamente depois do bombástico anúncio em que ela falou do ‘rascunho’ de documento de sanções, o embaixador chinês na ONU, Li Badong, disse que o rascunho de Resolução “não fechava as portas à diplomacia” e, mais uma vez, reforçou a importância “do diálogo, da diplomacia e das negociações.”

E o ministro das Relações Exteriores da Rússia Sergei Lavrov telefonou imediatamente a Clinton, insistindo na necessidade de melhor análise para o acordo de troca de urânio baixo-enriquecido por combustível, mediado por Brasil e Turquia. Lavrov repetiu que a Rússia absolutamente não considera oportunas quaisquer novas sanções unilaterais de EUA e União Europeia contra o Irã. O Chanceler russo disse que sanções unilaterais incluem medidas “de alcance extraterritorial, além do que permitem os acordos vigentes na comunidade internacional e contrariando princípios da lei internacional consubstanciada na Carta da ONU”.

E assim chegamos a uma situação em que um acordo real e válido, aprovado pelo Irã, sobre troca de seu urânio por combustível para seu reator está em estudos na Agência Internacional de Energia Atômica… ao mesmo tempo em que já está em curso um ataque contra o Irã, mediante sanções, na ONU. Em quem, afinal, a verdadeira “comunidade internacional” acreditará? Erdogan não poderia ter dito com mais clareza: “É tempo de decidir se acreditamos na supremacia da lei ou na lei dos fortes e supremos…”

De fato, o que todo o mundo em desenvolvimento está vendo é o passado – EUA, França, Grã-Bretanha, Alemanha – combatendo contra o avanço do futuro – China, Índia, Brasil, Turquia, Indonésia. A arquitetura da segurança global – policiada por uma camarilha de guardiões autonomeados e assustados – entrou em coma. O ocidente ‘atlanticista’ está naufragando feito Titanic.

Queremos guerra, e é pra já!

Só o poderoso lobby pró-guerra infinita nos EUA continua a considerar “um fiasco” o primeiro passo em direção a um acordo nuclear com o Irã. Inclui-se aí os cada dia mais desacreditados e pró-guerra-do-Iraque New York Times (a mediação Brasil-Turquia estaria “complicando a discussão das sanções”) e Washington Post (o Irã estaria “criando ilusões de avanço nas negociações nucleares”).

Para esse lobby pró-guerra, o acordo mediado por Brasil e Turquia seria “uma ameaça”, porque se opõe diretamente à decisão de atacar imediatamente o Irã (ataque a ser iniciado por Israel, e que os EUA seguiriam) e a promover lá uma “troca de regime” – sonho-desejo sempre acalentado por Washington.

Em recente discurso no Conselho de Relações Estrangeiras o luminar Dr. Zbigniew [Brzezinski] “vamos conquistar a Eurásia” alertou contra “gravíssimo perigo” de “um despertar político global” e de as elites globais se desentenderem”. Para o ex-conselheiro presidencial para assuntos de segurança nacional dos EUA, “pela primeira vez na história humana, toda a humanidade está politicamente desperta. É realidade totalmente nova, praticamente jamais aconteceu, em toda a história humana.” E quem, diabos, essas estrelas novas recém acordadas, como Brasil e Turquia, pensam que são, para atrever-se a perturbar ‘nosso’ governo do mundo?

Enquanto isso, norte-americanos sempre subinformados continuam a perguntar-se “Por que nos odeiam tanto?” Porque, dentre outras razões, visceralmente unilateral sempre, Washington nunca pensa duas vezes antes de meter-se a tentar erguer o chicote até para os seus melhores amigos.

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mar 14 2010

É Guerra!

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 11:02

Do Escrevinhador, de Rodrigo Viana

Mauro Carrara escreve sobre uma operação que, claramente, já está em curso.

Passado o Carnaval, os setores ligados aos tucanos – na grande mídia – se desesperaram. A sequência de notícias ruins para eles, desde o fim do ano passado, é impressionante:

enchentes em São Paulo, Arruda preso, o DEM desmoralizado, o PSDB  sem discurso diante da recuperação da economia. Para completar: Serra caiu e Dilma subiu nas pesquisas.

A oposição ao governo Lula bateu os tambores no convescote organizado pelo Instituto Millenium. Ao perceber que os partidos de oposição caminhavam para a anomia, os donos da mídia asumiram o controle da oposição. E as manchetes, capas e títulos distorcidos se avolumam.

É guerra. É a tempestade no deserto – como explica Mauro no texto abaixo..

Pesquisa IBOPE saiu a campo (coincidência, em se tratando do IBOPE?) na última semana, em meio à tempestade de manchetes anti-governistas. Resultado deve ser divulgado nos próximos dias, pela CNI.

Toda a esperança dos tucanos da mídia é que Serra tenha conseguido estancar a sangria dos votos. Aparentemente, não conseguiu. Há informações de que Dilma já aparece (numericamente) à frente de Serra, apesar de a situação (ainda) caracterizar empate técnico: leia sobre isso no Vermelho – Aqui, é só clicar

Nos próximos meses, entraremos num ritmo frenético, parecido com o de 2005 – quando setores da mídia tentaram derubar Lula. Agora, sabem que não podem derrubá-lo. Mas bastaria a eles arranhar a imagem do PT, e vender a idéia de de que “Lula a gente tolerou, mas Dilma – a terrorista – não vai chegar lá”.

Ninguém pode ser ingênuo. Essa campanha está articulada a interesses internacionais. Não do núcleo do governo de Obama, mas de setores da extrema-direita dos EUA que seguem alojados na máquina de governo em Wasgington, e que assumiram a tarefa de barrar a “subversão” na América Latina. Essa gente da mídia no Brasil é articulada com o que há de mais reacionário nos EUA.

A guerra será violenta – como diz o Mauro Carrara, abaixo. Fiquem com o texto dele…

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Operação “Tempestade no Cerrado”: o que fazer? – por Mauro Carrara

(O PT é um partido sem mídia… O PSDB é uma mídia com partido).

“Tempestade no Cerrado”: é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.

A expressão é inspirada na operação “Tempestade no Deserto”, realizada em fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo.

Liderada pelo general norte-americano Norman Schwarzkopf, a ação militar destruiu parcela significativa das forças iraquianas. Estima-se que 70 mil pessoas morreram em decorrência da ofensiva.

A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.

A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.

As conversas tensas nos “aquários” do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.

1)    Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.

2)     Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.

3)     Ressuscitar o caso “Mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.

4)     Elevar o tom de voz nos editoriais.

5)     Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “censura”.

6)     Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.

7)     Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.

8)     Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.

Quem está por trás

Parte da estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral.

É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado.

A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo “cientista político” Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.

Almeida escreveu Por que Lula? e A cabeça do brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.

O conteúdo

As manchetes dos últimos dias, revelam a carga dos explosivos lançados sobre o território da esquerda.

Acusam Lula, por exemplo, de inaugurar uma obra inacabada e “vetada” pelo TCU.

Produzem alarde sobre a retração do PIB brasileiro em 2009.

Criam deturpações numéricas.

A Folha de S. Paulo, por exemplo, num espetacular malabarismo de ideias, tenta passar a impressão de que o projeto “Minha Casa, Minha Vida” está fadado ao fracasso.

Durante horas, seu portal na Internet afirmou que somente 0,6% das moradias previstas na meta tinham sido concluídas.

O jornal embaralha as informações para forjar a ideia de que havia alguma data definida para a entrega dos imóveis.

Na verdade, estipulou-se um número de moradias a serem financiadas, mas não um prazo para conclusão das obras. Vale lembrar que o governo é apenas parceiro num sistema tocado pela iniciativa privada.

A mesma Folha utilizou seu portal para afirmar que o preço dos alimentos tinha dobrado em um ano, ou seja, calculou uma inflação de 100% em 12 meses.

A leitura da matéria, porém, mostra algo totalmente diferente. Dobrou foi a taxa de inflação nos dois períodos pinçados pelo repórter, de 1,02% para 2,10%.

Além dos deturpadores de números, a Folha recorre aos colunistas do apocalipse e aos ratos da pena.

É o caso do repórter Kennedy Alencar. Esse, por incrível que pareça, chegou a fazer parte da assessoria de imprensa de Lula, nos anos 90.

Hoje, se utiliza da relação com petistas ingênuos e ex-petistas para obter informações privilegiadas. Obviamente, o material  é sempre moldado e amplificado de forma a constituir uma nova denúncia.

É o caso da “bomba” requentada neste março. Segundo Alencar, Lula vai “admitir” (em tom de confissão, logicamente) que foi avisado por Roberto Jefferson da existência do Mensalão.

Crimes anônimos na Internet

Todo o trabalho midiático diário é ecoado pelos hoaxes distribuídos no território virtual pelos exércitos contratados pelos dois partidos conservadores.

Três deles merecem destaque…

1)     O “Bolsa Bandido”. Refere-se a uma lei aprovada na Constituição de 1988 e regulamentada pela última vez durante o governo de FHC. Esses fatos são, evidentemente, omitidos. O auxílio aos familiares de apenados é atribuído a Lula. Para completar, distorce-se a regra para a concessão do benefício.

2)     Dilma “terrorista”. Segundo esse hoax, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: “Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas”.

3)   O filho encrenqueiro. De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil.

O que fazer

Sabe-se da incapacidade dos comunicadores oficiais. Como vivem cercados de outros governistas, jamais sentem a ameaça. Pensam com o umbigo.

Raramente respondem à injúria, à difamação e à calúnia. Quando o fazem, são lentos, pouco enfáticos e frequentemente confusos.

Por conta dessa realidade, faz-se necessário que cada mente honesta e articulada ofereça sua contribuição à defesa da democracia e da verdade.

São cinco as tarefas imediatas…

1)     Cada cidadão deve estabelecer uma rede com um mínimo de 50 contatos e, por meio deles, distribuir as versões limpas dos fatos. Nesse grupo, não adianda incluir outros engajados. É preciso que essas mensagens sejam enviadas à Tia Gertrudes, ao dentista, ao dono da padaria, à cabeleireira, ao amigo peladeiro de fim de semana. Não o entupa de informação. Envie apenas o básico, de vez em quando, contextualizando os fatos.

2)     Escreva diariamente nos espaços midiáticos públicos. É o caso das áreas de comentários da Folha, do Estadão, de O Globo e de Veja. Faça isso diariamente. Não precisa escrever muito. Seja claro, destaque o essencial da calúnia e da distorção. Proceda da mesma maneira nas comunidades virtuais, como Facebook e Orkut. Mas não adianta postar somente nas comunidades de política. Faça isso, sem alarde e fanatismo, nas comunidades de artes, comportamento, futebol, etc. Tome cuidado para não desagradar os outros participantes com seu proselitismo. Seja elegante e sutil.

3)     Converse com as pessoas sobre a deturpação midiática. No ponto de ônibus, na padaria, na banca de jornal. Parta sempre de uma concordância com o interlocutor, validando suas queixas e motivos, para em seguida apresentar a outra versão dos fatos.

4)     Em caso de matérias com graves deturpações, escreva diretamente para a redação do veículo, especialmente para o ombudsman e ouvidores. Repasse aos amigos sua bronca.

5)     Se você escreve, um pouquinho que seja, crie um blog. É mais fácil do que você pensa. Cole lá as informações limpas colhidas em bons sites, como aqueles de Azenha, PHAGrupo Beatrice, entre outros. Mesmo que pouca gente o leia, vai fazer volume nas indicações dos motores de busca, como o Google. Monte agora o seu.

A guerra começou. Não seja um desertor.

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Gostaria de acrescentar excelentes blogues aos supracitados: Cidadania.Com, Escrivinhador, Agência Carta Maior, a revista Carta Capital, Luís Nassif Online, Blog do Saraiva, Blog do Miro, e muitos outros, que iremos colocando aqui oportunamente...

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mai 25 2009

Al Naqba também é nossa

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 22:41

Raul Longo, num excepcional texto originalmente publicado no Viomundo

Semana passada telefona um novo amigo, a quem aprendi a admirar pela cordialidade e sabedoria, me convidando para uma reunião de militantes da causa palestina.

Fui. Pelo amigo e pela causa.

Recebido com cordialidade por alguns que já conhecia e muitos que não conhecia, encontrei o Nildão, vizinho e sergipano que ameniza minhas saudades do nordeste.

Usufrui da conversa de pessoas de diversas idades e observei a beleza de suas mulheres, muito naturalmente trajadas e participativas. Apenas duas tinham a cabeça envolta por panos a protegê-las do frio daquela noite de final de outono. Uma delas num lenço cinza pastel e sem estampa, e outra com os desenhos de losangos em fundo  vermelho. Realçava-lhes a profundidade do olhar.

O amigo do convite explicou que o nome daquele lenço dos losangos é hata. Quando brancos, um sinal de paz; os rubros indicam guerra. Ninguém mais, homem ou mulher, o exibia, e imaginei naquela moça bonita uma guerrilheira de Gaza, ou vinda da Cisjordânia, apesar de seu perfeito português sem nenhum sotaque.

Tomamos chá, serviu-se esfirras. Depois fomos convidados a entrar numa sala com umas quantas cadeiras de platéia e outras tantas postadas à frente, onde evidentemente sentariam aqueles que discorreriam os temas da reunião. A bela guerrilheira da hata vermelha assumiu a palavra explicando a palavra título do evento: Al Nakba quer dizer A Catástrofe. Assim se denomina aquele dia em que se completavam os 61 anos de invasão da Palestina.

Expressou sensibilidade pelo sofrimento das crianças e mulheres de Gaza e Cisjordânia, mas suas palavras não me pareceram tão aguerridas. Talvez por usar um português tão nosso, imaginei. Como se lesse meus pensamentos, contou ser brasileira e descendente de italianos, ainda que envolvida com a causa palestina por senso de humanidade.

Daí chamou para compor a mesa ao Nildão, o Nildomar Freire, na qualidade de Presidente do Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino. Um senhor, Abdel, que não consegui depreender o sobrenome, mas é da Associação Palestina de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Fauzi El Machine, ex-embaixador da Palestina no México. Walid Altamimi, recém chegado dos campos de refugiados do Iraque. E, entre outros brasileiros, para meu espanto, chamou a mim, anunciando-me como poeta.

Cometo meus versos, é verdade, mas os sei modestos e sem maiores pretensões, além do que, isso de ser indicado como poeta em meio a povos arábicos, é coisa de muita responsabilidade. Eles são os pais da arte. A Europa ainda estava nas redondilhas quando os mouros trouxeram para a Península Ibérica suas odes, seus épicos e narrativas de longo fôlego, dando origem às grandes obras literárias que envaidecem todos os povos e culturas. Não é a toa que a gesta Mio Cid, de autoria desconhecida, surgiu em Espanha. Também anônima e espanhola é a primeira novela picaresca, precursora do realismo literário: Lazarillo de Tormes.

Ainda há pouco um clérigo espanhol e arabista renomado descobre que a Divina Comédia, a principal e mais antiga obra prima da literatura ocidental depois da Ilíada e Odisséia de Homero, nada mais fora do que uma adaptação ao toscano (uma aproximação do latim ao italiano atual) de antiga composição árabe. O que, entendem os estudiosos, em nada diminui o gênio do mestre florentino, pois como bem sabem os tradutores, poesia não se traduz, se as reescreve. Para se traduzir um poeta há de ser tão poeta quanto aquele que concebeu os versos originais.

De toda forma, que poeta era eu ali, para atender ao cochicho da guerrilheira pedindo minha participação com o dizer de algum poema próprio ou de outrem, que se acomodasse ao tema daquela noite?

Enquanto ouvia meu simpático vizinho, naquele vozeirão nordestino, transmitindo brasileiras homenagens à resistência do povo palestino, tentava catar memórias de João Cabral de Melo Neto. Mas na cabeça as estrofes se misturavam às de Manoel Bandeira e Gregório de Matos Guerra, pois há muito já se foi o tempo que conseguia reproduzir, sem tropeço, todo O Século ou o Navio Negreiro do Castro Alves.

Depois falou o senhor Abdel. Não seria correto interpretar mansuetude em seu tom, mas havia uma indignação contida, e não o ódio tão propalado como tônica dos corações palestinos. Enquanto isso eu tentava recompor os versos de Brecht, exortando reação contra os usurpadores e dominadores, buscando lembranças das coxias e dos ensaios de amigos que interpretaram as obras do dramaturgo alemão.

Falaram outros, palestinos e brasileiros, e os olhos da italiana travestida de guerrilheira anti-sionista, ali me cobrando pela memória que não vinha. Tão identificada é, que assumiu aquela expressividade árabe no olhar para exigir-me uma poesia de minha autoria. Imaginem! De minhas só decorei uma do único livro publicado no gênero: A Cabeça de Pinochet. E ainda assim por não ter mais do que três ou quatro versos para concluir que se o tirano lera Neruda, o fizera tão mal como nenhum analfabeto o faria. Mas como justificar, com isso, o Al Nakba?

Então falou Walid, o refugiado, em árabe. Enquanto um patrício o traduzia, o som daquelas palavras, que se iniciavam no fundo da garganta para depois estalar no palato, me sussurrou os rubaiyat  de Omar Khayyam. Mas como recordar a tradução adaptada em versos alexandrinos por si tão complexos, ainda que insuficientes para transmitir a refinada estrutura algébrica do matemático persa que influenciou Descartes?

Além disso, embora o tradutor reduzisse a dor do falar, no brilho daqueles olhos se refletia tantos horrores que, mesmo me fosse possível reproduzir os versos, impossível, ali, a celebração do astrônomo Khayyam a brindar, em galáxias e nebulosas das noites árabes, a beleza das silhuetas das mulheres.

Entre brasileiros e palestinos, não recordo a exata seqüência dos que se pronunciaram, pois do Omar Khayyam pulava para Vinícius de Moraes, numa relação lógica às influências daquele clássico ao nosso “poetinha” moderno. Mas claro que também Vinícius não se coadunaria ao momento.

Outra que falou foi Gina Couto, uruguaia e secretária do MST, vinda ao evento do Vale do Itajaí, onde diretores do INCRA e Sem Terras foram rendidos à mão armada pelo governador Luís Henrique da Silveira, através da Polícia Militar que impediu a posse de área desapropriada pelo desmatamento ilegal promovido pelos ex-proprietários.

Enquanto o ENTRA aguarda o apoio da Polícia Federal para enfrentar a reação armada do governador e dos jagunços dos madeireiros, Gina contou que os Sem Terras e sem seus mantimentos, agasalhos e colchões confiscados pela PM junto com as ferramentas de trabalho, estão acampados às margens de rodovias com suas mulheres e crianças, sob temperaturas que nas noites variam de 5 a 3 graus, no município de Taió.

O relato confundiu-se à dor da tristeza úmida nos olhos do Walid, mas o sotaque daquela mulher que deixou seu país para lutar com nossa gente pelos territórios ocupados por invasores e especuladores do ganho fácil e irresponsável, me trouxe à lembrança seu conterrâneo Mário Benedetti e nem poderia imaginar que iríamos perdê-lo dois dias depois.

Lembro que, por fim, falou o diplomata Fauzi, me impressionando com uma extensa relação de intelectuais, cientistas, oficiais militares de alta patente, todos judeus, mas anti-sionistas. Nominou um a um e reproduziu as palavras desses israelenses, reprovando a covardia e violência sionista contra o povo palestino.

Lamentei não mais lembrar o Kaddish de Allen Ginsberg, norte-americano de origem judaica, que bem poderia servir de incentivo a todos judeus para exorcizarem os fantasmas que os sionistas lhes impregnam na alma, alimentando-os da paranóia que tanto infelicitou a mãe de Ginsberg e a infância do próprio poeta.

Impressionou-me muito o profundo e sincero agradecimento do ex-embaixador à solidariedade desses tantos judeus que apóiam a causa da criação de um estado palestino. Também agradeceu, de forma muito comovente, a solidariedade mundial e, especificamente, a brasileira. Nem por isso deixou de ser duro contra grupos árabes que se vendem aos interesses sionistas ou a eles se associam na exploração e comércio do petróleo da região, através da espoliação de seus povos, particularmente do genocídio de palestinos.

Envolvido pela tragédia de todo o conteúdo ali exposto com tamanha ponderação e sobriedade, que muito mais dignifica o sofrimento daquele povo do que a exaustiva manipulação e exploração do holocausto judaico; não consigo recordar ao certo em que momento a “Anita Garibaldi” das arábias me convocou a falar.

Falar o quê, naquelas alturas? Recitar versos meus ou de quem fosse, nem pensar! Mas mesmo sem rimas ou estrofes, que mais poderia dizer, exprimir, além de um desespero que me engasgava e ao qual todos, ali, pareciam imunes. O que neles era ponderação, em mim era revolta, indignação! O que neles era dor, em mim era ódio!

Tentei falar do Crime Organizado Internacional para explicar porque o Al Nakba, a catástrofe, não é só dos palestinos, mas não consegui demonstrar como estamos, em todo o mundo, em cada país, entre cada povo, submetidos às organizações criminosas. Submetidos pela capilaridade sutil de pequenas organizações, governamentais ou não, sistematicamente centralizadas e comandadas pelos poderes financeiros e econômicos que regem o mundo. São os que determinam quais povos serão extintos à míngua e ao abandono como em África, por bombardeios como no Iraque e no Afeganistão, ou por massacre e humilhação como em Gaza, Cisjordânia e no Taió, do Vale do Itajaí, a mais rica e importante região do estado de Santa Catarina.

São eles que decidem quais massas sociais ou faixas etárias deverão ser inutilizadas ou tornadas inativas pela obesidade dos fast foods, idiotizados pelas drogas, alienados pelo consumismo, como nos Estados Unidos e demais centros das Américas e da Europa.

Difícil demonstrar, assim de repente, como se tem me tornado claro que a partir da 2ª Guerra Mundial se começou a montar uma super estrutura muito maior do que as dos estados nacionais, com poder de manipular os governos destes estados.

Como explicar que, a meu ver, Hitler foi o último verdadeiro ditador, e todos os posteriores, meros tiranetes a serviço de um poder por trás do trono. Depois de Hitler, ou em meio ao caos promovido pela derrocada do ideal da supremacia do estado alemão, alguns detentores de grandes capitais planejaram evoluir a milenar utilização de grupos mercenários que da Antiguidade, se estendeu aos corsários do Império Britânico e ao lumpemproletariado de Bonaparte (analisado no 18 Brumário de Karl Marx); para enfim chegar ao comando do mundo através do capital. Hoje não são os reis e ditadores que contratam os criminosos. Os criminosos é que são os reis e ditadores do sistema político/econômico global, contratando e aliciando ridículos “laranjas” como Bush, Uribe, Berlusconi ou Luís Henrique, para que os povos se acreditem governados.

Seria necessário rastrear a história para identificar, entre aqueles que financiaram o delírio nazista, os nomes dos que se associaram  a corporações bancárias desenvolvidas  ao longo da história européia. Ninguém, dessas corporações, esteve em  algum dos tantos campos de extermínio do nazismo, embora muitos fossem e são judeus que continuam vivendo na Suíça, na Áustria, Itália, Polônia, França, Bélgica, Holanda e outros países ocupados pelas armas nazistas.

Esses não emigraram para Israel, não se expõem a insegurança de um estado em permanente guerra desde sua criação. Assim como judeus mortos e escravizados nos campos e guetos nazistas, em maioria, eram pobres e socialistas.

A primeira manifestação do poder dessas forças acima do poder dos estados e das nações que se recuperavam da 2º Guerra ocorreu em reunião da ONU, onde se criou o Estado de Israel sob a assinatura do brasileiro Osvaldo Aranha. Uma resolução já antes condenada pelos mais atilados observadores e analistas da proposta, muitos dos quais judeus, como Sigmund Freud e Albert Einstein.

Aquele crime praticado contra um povo milenar veio a ser o primeiro de uma série que se comprova pela falta de respostas a milhares de perguntas suscitadas ao longo das últimas seis décadas, por onde se dê atenção aos acontecimentos do mundo. Alguns exemplos aleatórios:

Filho de família tradicional e conservadora, a aproximação de John Fitzgerald Kennedy à Máfia, seria apenas por ser católico?  Ou tentava encontrar na Máfia um exército paralelo a lhe oferecer alguma defesa? Contra quem? Lee Oswald?

Porque as mais proficientes instituições policiais do mundo até hoje não explicaram quem teriam sido os assassinos do presidente de seu país, nem os assassinos de seu suposto e impossivelmente único assassino? Alguma relação com a anunciada indisposição daquele presidente a iniciante Guerra do Vietnam?

Contasse que após o conclave que o elegeu, João Paulo I teria comentado: “Alguém mais forte do que eu e que mereceria o lugar, esteve sentado à minha frente”. Premonição ou coincidência ter sido Karol Wojtyla quem se sentara a frente do escolhido pelo próprio João XXIII, responsável pelo movimento Teologia da Libertação, para sua sucessão. João Paulo I morreu um mês depois.

Coincidência Ratzinger, o secretário de Wojtyla que mais perseguiu a Teologia da Libertação e cassou nosso Leonardo Boff, ser o sucessor de João Paulo II?

Voltando à Máfia, evidentemente dela não se pode pretender fidelidade partidária, mas por qual razão, após a proximidade com o democrata John Kennedy, compareceu em peso a posse do republicano Ronald Reagan? Depois disso foi glamorizada pelo seriado Godfather e ultimamente anda no ostracismo. Será por causa da Operação Mãos Limpas na Itália?

E Berlusconi, que é ridicularizado aos olhos do mundo, flagrado comendo caca de nariz, como  sai e consegue voltar ao poder em tão pouco tempo?

Como que, no estado de Santa Catarina, recentemente afetado por um cataclismo climático que deixou dezenas de mortos e centenas de desabrigados, se aprova uma resolução de desmatamento que reduz para 1/3 a determinação do Código Florestal Federal? Isso apesar de todos os avisos de cientistas e ambientalistas nacionais e internacionais sobre os graves riscos de carência de água potável já para as próximas gerações! E enquanto esse mesmo governo se divulga por comerciais de TV, dizendo-se exemplo de preservacionismo!

Como que no Japão, país tão rígido e eficiente em todos os sentidos, se mantém a Yakuza?

Porque a família Bush, conhecida por financiar Hitler mesmo depois dos Estados Unidos declararem-se em guerra contra o nazismo, se indispôs com o mesmo Sadam Hussein poucos anos antes colocado no governo pelo também republicano Reagan?

Associados à família de Ben Laden, porque a despacha tão as pressas para a Arábia Saudita às vésperas do 11 de Setembro?

Se os Bush financiaram o nazismo e são sócios da família de Ben Laden, porque são tão queridos e apoiados pelos sionistas?

Claro que levantando ali todas essas questões, não colaboraria com a compreensão da extensão do conflito do Oriente Médio, mas acredito que refletir sobre as tantas perguntas sugeridas pelos acontecimentos do mundo, nos dará a exata dimensão das fronteiras do Al Nakba – A Catástrofe.

Quais as fronteiras de uma esfera?

Todos os crimes cometidos contra a humanidade e todas as catástrofes que nos abatem em qualquer parte do mundo, são um único Al Nakba. Uma única catástrofe relacionada a tiranetes manipulados por poderes econômicos regionais que, num processo sistêmico, respondem a uma Organização Criminosa Internacional.

Nada mais foi globalizado pelo liberalismo econômico, além do crime internacional e da catástrofe da humanidade. Ou terá sido apenas o muro de Berlim que impedia a emigração das tantas máfias:coreana, chinesa, albanesa, turca, russa, siciliana, etc.? Foi a queda do muro que possibilitou Carlos Menem? A privataria no Brasil? Os golpes políticos perpetrados por instituições de mero entretenimento e transmissão de informações? A promulgação de leis notavelmente irresponsáveis e imprevidentes, como as dos ruralistas de Santa Catarina?

Difícil saber se o Crime Organizado Internacional é comandado exclusivamente por loiros de olhos azuis, mas certamente não o será por negros, índios, ou pelos piratas da Somália.

Não são nenhum desses que ameaçam e humilham os Sem Terra de Taió. Os algozes daqueles camponeses são similares, praticamente os mesmos que humilham e trucidam palestinos há 61 anos.

Raul Longo

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abr 28 2009

As cooperações entre o Irã e o Brasil

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 11:52

PARA ANALISAR as relações entre o Irã e o Brasil, é necessário olhar para a atual posição dos dois países no mundo e os pontos de vista comuns nas políticas dos dirigentes dos dois países.

O Brasil, hoje, com uma população de cerca de 200 milhões de habitantes, é considerado a décima economia mundial, o maior país da América Latina e um ator influente no mundo multilateral, além de elemento eficaz nos processos de estabelecimento da paz no mundo, na luta contra pobreza, a exclusão, a opressão e a discriminação racial [acho que é isso que os demo-tucanos e a mídia rasa e vendida não suportam].

A República Islâmica do Irã, em sua região, é uma potência em todos os campos políticos, econômicos, científicos e tecnológicos, com seus grandes recursos e a riqueza de sua força humana, técnica e eficiente, tendo alcançado o cume na ciência e na tecnologia em diversos campos. O país também é presença forte, séria e eficiente nas relações mundiais [graças sobretudo à política profundamente islamófoba, à invasão do Iraque e do Afeganistãao e a cegueira israelófila do inverno de oito anos da era Bush].

Hoje, não se pode julgar o Brasil com as ideias antigas de que é um país muito duvidoso. Atualmente, o Brasil é considerado uma das potências emergentes, com sua capacidade econômica e política, pela qual está se candidatando a um assento no Conselho de Segurança da ONU [o que para os quislings vendilhões e traidores do PSDB, DEM, Folha, RBS, Estadão, Globo e assemelhados].

É nesse sentido que esses dois países, situados em dois pontos distantes no mundo, levando em conta sua situação atual e seu papel e influência internacionais, estão interessados em desenvolver suas relações.

Nos últimos meses, o Irã e o Brasil testemunharam um novo e importante desenvolvimento nas suas relações bilaterais. Após 17 anos desde a última visita do mesmo tipo, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, visitou o Irã. E, depois de 16 anos, o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, visitou o Brasil.

As conversas entre os dois chanceleres são, seguramente, o alicerce na nova arquitetura das relações entre ambos os países. O auge dessa nova estrutura serão as visitas dos presidentes das duas nações. A primeira já na primeira semana de maio, quando o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, vem ao Brasil.

A política externa da República Islâmica do Irã, dentro do quadro de desenvolvimento das suas relações com os países do chamado Sul, busca aprofundar as relações em todos os campos com a República Federativa do Brasil. Um dos critérios que mais ajudam na aproximação dos dois países são as visões de ambos os chefes de Estado a respeito dos assuntos internacionais. O slogan dos dois presidentes é “justiça social, combate à pobreza e à exclusão”.

Nos últimos anos, o Irã islâmico, que se desenvolveu em diversas áreas econômicas e sociais, tem sido considerado um dos centros importantes da produção científica e tecnológica e das ciências avançadas no continente asiático e no Oriente Médio, especialmente no campo da energia, indústria e minas, pesquisa científica, nanotecnologia e biotecnologia.

Estamos diante do surgimento de novas potências no mundo, as quais estão quebrando o monopólio da produção científica e industrial que há pouco pertencia somente a poucos países. Nesse contexto, o Irã e o Brasil têm palavras a dizer. Certamente isso trará muitos meios para o desenvolvimento dos países do Sul.

O Irã e o Brasil, com seus conhecimentos da situação do mundo, conscientes de seu papel e de sua influência na cena global, estão interessados em intensificar as suas cooperações [é verdade; mas a mídia vendida e os partidos entreguistas do Brasil tremem de raiva em imaginar uma nação e um povo independente, que tenham a ousadia de fazer o que é melhor para si mesmos e não para uma outras potências estrangeiras e pessoas a serviço delas] .

No governo do presidente Ahmadinejad, existe um esforço pela promoção das cooperações do Irã com os países da América Latina, baseado no princípio do respeito mútuo e da não intervenção nos assuntos internos de outros países [já pensou se essa moda pega? O ideaal para eles seria que os EUA interviessem sempre que as elites se sentissem ameaçadas; "respeito mútuo", para essa gente, soa como palavrão...]  e apenas respe. As recentes visitas dos dois chanceleres abriram novos horizontes na pluralização dessas cooperações bilaterais.

As duas partes têm a intenção de criar suportes eficazes por meio da implantação de grupos setoriais de especialistas em diversas áreas e, também, por meio dos contatos políticos, chegando a um novo patamar nas relações entre si [mas o que eles querem é que demos bênção aos israelenses, não importa quantos eles matarem, nem como e nem porquê].

Nesse sentido, foi acertado que o presidente Lula fará uma visita oficial à República Islâmica do Irã, assim como vem o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil, chefiando uma extensa delegação econômica, com a presença de autoridades de alto nível do país. O Brasil também prometeu levar, com o presidente Lula, uma comitiva de grandes empresários ao Irã [ou seja: são negócios; mas o que essa gente estúpida quer é que só defendamos incondicionalmente, como vassalos, o Estado de Israel, um Estado racista, que como os africânderes proíbe casamentos inter-raciais, não adota o princípio da igualdade jurídica para todos os seus cidadãos e que aliás sequer considera cidadãos as pessoas de quem eles roubaram as terras e expulsaram].

Mohsen Shaterzadeh, embaixador da República Islâmica do Irã no Brasil.

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O pessoal do Notícias da Rua Judaica, que me mandou o e-mail com o artigo escreveu logo abaixo o seguinte:

EXTRA – RUA JUDAICA – ARTIGO MAQUIADO DO EMBAIXADOR DO IRÃ NO BRASIL

(…) Titulado de “As cooperações entre o Irã e o Brasil”, o Embaixador defende as relações entre os dois países e afirma que “o Irã, em sua região, é uma potência em todos os campos políticos, econômicos, científicos e tecnológicos, com seus grandes recursos e a riqueza de sua força humana, técnica e eficiente”.

Infelizmente o Sr. Shaterzadeh esqueceu de citar que o Irã também, e não somente na região, é um dos países que mais desrespeitam os direitos humanos no mundo[coincidentemente, e de maneira mais atroz, o Estado de Israel é o outro]. E esqueceu também que seu país constantemente defende sua política de não existência do Estado de Israel. E por fim, esqueceu de citar que o país tem utilizado de sua tecnologia para fabricação de armas nucleares o que [lembrando que Israel não apenas defende, como EXECUTA uma política de não existência do Estado da Palestina como são eles, os israelenses, que tem centenas de bombas atômicas], ele também não citou, é ameaça iminente ao mundo [só lembrando que quem se mostrou disposto a matar crianças e a executar inocentes em uma guerra recente de extermínio, não foram os iranianos, mas os israelenses].

Enviamos a todos vocês o e-mail da seção “Tendências / Debates” da Folha de São Paulo: debates@uol.com.br ou leitor@uol.com.br

É isso aí: se eles escreverão para falar merda, que também nós escrevamos para defendermos a visita do líder iraaniano. Afinal, se recebemos o Bush, que matou centenas de milhares de crianças e inocentes em duas guerras injustas e cruéis, iniciadas sob pretextos falsos e mentirosos, que legalizou e praticou a tortura e em larga escala, que defendeu os poluidores e os especuladores, que deixou os ricos muito mais ricos e aaumentou em dor e sofrimento a pobreza, a miséria e o obscurantismo religioso, por que não haveríamos de receber o Ahmadinejad, que é inocente destes mesmos crimes?

Aliás, onde estavam estes bobalhões estúpidos e hipócritas, quando do massacre de Gaza e da visita de Bush ao Brasil? Onde estava a indignação deles? Eles não estão indignados porcaria nenhuma, estes falsos. Ou podem até estar, mas não por estes motivos, pois de tudo quanto acusam o Irã os EUA e o Estado de Israel fez bem pior e em escala muito mais larga. Eles querem é que sintamos a dor que é deles, a tristeza que sentem ao ver que há mais de uma voz e de um caminho, eles querem é que nos indignemos com a possibilidade de sermos , afinal, livres e senhores de nossas mentes e corações para que possamos, enfim, construir o NOSSO destino.

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jan 15 2009

A Rosa de Gaza

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 08:29

Uraniano Mota, do Direto da Redação

Recife (PE) – Um poema de Vinícius ordena, suplica que “Pensem nas crianças mudas telepáticas. Pensem nas meninas cegas inexatas. Pensem nas mulheres rotas alteradas. Pensem nas feridas como rosas cálidas…”.

É esse poema, A Rosa de Hiroxima, é essa talha em versos que ordena, que resiste e insiste em nossa memória, quando vemos a foto de Somaeah Hassan, de 6 anos, abatida na faixa de Gaza. Essa flor fuzilada, entre gazes, olhinhos semicerrados, é a própria Rosa da Palestina. Contenhamos a velocidade da mão, refreemos a velocidade da escrita, represemos o fluxo da leitura. Pedimos uma pausa no caleidoscópio, nas luzes fugazes, frívolas, vulgares do incessante ir e vir do noticiário de todos os dias. Somaeah Hassan está morta. Calma, buldogues, fechem suas bocas, canos quentes de balas, suspendam a digitação, noticiaristas, segurem por um instante a divulgação do mais quente e recente escândalo. Porque o escândalo já está feito: Somaeah Hassan está morta. Na foto, seus olhinhos se negam a compreender o horror das balas que a levantaram do chão de refugiados de Rafah. Negaram-se é maneira de dizer. São incapazes, nos seus 6 anos. Mais tempo houvesse, mais vida, outra vida tivesse, Somaeah compreenderia e se negaria a compreender o horror maior do seu povo cercado como cães raivosos. E a raiva, em cães, se abate. Mas a raiva, em gente feita cão, não se abate – apenas cresce, quando a crianças como Hassan abatem.

Refreemos a mão. É difícil. Mas tentemos.

Era bom, assim pede a paz que nosso peito deseja, era bom um lugar-comum que nos ajudasse, que nos socorresse. Dizer, por exemplo, que assim é a guerra, cruel como todas as outras, que nela não existem santos e demônios, que a guerra nos transforma a todos em anjos das trevas. Dito isto, seria melhor dizer que o terror feito pelo Estado de Israel apenas é uma resposta ao terror sofrido antes por sua gente. Dito isto, podemos afinal dizer que o mal e o mau têm que ser destruídos, para que só então a paz volte.

Mas, ao chegarmos a este passo, perguntamos: mas de que mal e maus vocês falam, caras-pálidas? Pois será que ninguém ainda notou que a nossa cara tem a cara e o sangue da gente palestina? Que eles, os palestinos, são a nossa própria cara? Será que ninguém ainda percebeu que o desespero dos povos palestinos é o nosso próprio desespero em outras terras e em outras circunstâncias? Aquele mesmo desespero que acomete a gente em situações-limite? Ainda que os Estados Unidos mandem fazer a volta ao mundo uma negra para consumo externo, ela apenas nos aparece como um novo Al Jolson, com a cara tisnada. Os interesses de que ela fala não são os nossos. Servem à mesma rosa atômica que se fez cair em Hiroxima e Nagasáqui.

Então voltemos, mais serenos. Mas, desgraça, descobrimos: serenos, não temos mais mãos. Temos somente uma grande letargia. Então quebremos o torpor, voltemos ao princípio.

“A rosa hereditária, a rosa radioativa, estúpida e inválida. A rosa com cirrose, a anti-rosa atômica” sofreu uma tradução no campo de refugiados da faixa de Gaza. Ela se fez uma rosa fuzilada, a Rosa da Palestina, no corpinho frágil de Somaeah Hassan. Essa menina nos fere como uma filhinha morta. Ela, em árabe, em dialeto, em outra língua, nos fala e a compreendemos como compreendemos e amamos uma própria filha que o nosso sêmen esculpiu. Mais: como um serzinho esculpido por nós por um nosso irmão. Mais: irmão com um sentido de irmão mais fundo que o genético. Mais: com um sentido de irmão mais fundo que o racial. Mais: com um sentido de irmão mais fundo que o nacional. Mais, finalmente: com um sentido de irmão que é o próprio sentido de humanidade. Hassan é a nossa própria humanidade abatida. Ela se abre em outras rosas que se despedaçam em Jerusalém. Rosas que em vez de pétalas jogam carnes, fígado, coração e intestinos.

Já secamos as lágrimas. Não nos perguntem portanto por que vomitamos. Nós não queríamos ter essas Rosas da Palestina.

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jan 14 2009

As verdades por trás das mentiras

Categoria: Apoiamos,Ceticismo,CulturaSenhor_do_Servo @ 14:42

Counterpunch, através do Viomundo:

Norman Finkelstein é autor de cinco livros, entre os quais Image and Reality of the Israel-Palestine Conflict, Beyond Chutzpah and The Holocaust Industry, traduzidos para mais de 40 idiomas. Esse artigo está publicado também em sua página internet, em www.NormanFinkelstein.com

O registros existem e são muito claros. Qualquer pessoa encontra na internet, na página do governo de Israel e, também, na página do ministério de Negócios Exteriores de Israel. Israel desrespeitou o cessar-fogo, invadiu Gaza e matou seis ou sete (há controvérsia quanto ao número de assassinados, não quanto ao crime de assassinato) militantes palestinenses, dia 4/11. Depois, o Hamás respondeu ou, como se lê nas páginas do governo de Israel “o Hamás retaliou contra Israel e lançou mísseis.”

Quanto aos motivos, os documentos oficiais também são claros. O jornal Haaretz já informou que Barak, ministro da Defesa de Israel, começou a planejar o massacre de Gaza muito antes, até, de haver acordo de cessar-fogo. De fato, conforme o Haaretz de ontem, a chacina de Gaza começou a ser planejada em março.

Quanto às principais razões do massacre, acho, há duas. Número um: restaurar o que Israel chama de “capacidade de contenção do exército” e que, em linguagem de leigo, significa a capacidade de Israel para semear pânico e morte em toda a região e submetê-la mediante a pressão das armas, da chantagem, do medo. Depois de ter sido derrotado no Líbano em julho de 2006, o exército de Israel entendeu que seria importante comunicar ao mundo que Israel ainda é capaz de assassinar, matar, mutilar e aterrorizar quem se atreva a desafiar seu poder pressuposto absoluto, acima de qualquer lei.

A segunda razão pela qual Israel atacou Gaza é culpa do Hamás: o Hamás começou a dar sinais muito claros de que deseja construir um novo acordo diplomático a respeito das fronteiras demarcadas desde junho de 1967 e jamais respeitadas por Israel.

Em outras palavras, o Hamás sinalizou que está interessado em fazer respeitar exatamente os mesmos termos e conceitos que toda a comunidade internacional respeita e que, em vez de resolver os problemas a canhão e com campanhas de mentiras por jornais e televisão, estaria interessado em construir um acordo diplomático.

Aconteceu aí o que Israel poderia designar como “uma ameaçadora ofensiva de paz chefiada pelos palestinenses”. Imediatamente, para destroçar a ofensiva de paz, o governo e o exército de Israel desencadearam campanha furiosa para destroçar o Hamás.

A revista Vanity Fair publicou, em abril de 2008, em artigo assinado por David Rose, baseado, por sua vez em documentos internos dos EUA, que os EUA estavam em contato estreito com a Autoridade Palestinense e o governo de Israel, organizando um golpe para derrubar o governo eleito do Hamás, e que o Hamás conseguira abortar o golpe. Isso não é objeto de discussão: esse fato é estabelecido, documentado e há provas.

A questão passou a ser, então, impedir o Hamás de governar, e ninguém governa sob bloqueio absoluto, bloqueio que desmantelou toda a atividade econômica em Gaza. Ah! Vale lembrar: o bloqueio começou antes de o Hamás chegar ao poder (eleito!). O bloqueio nada tem ou jamais teve a ver com o Hamás. Quanto ao bloqueio, os EUA despacharam gente para lá, James Wolfensohn especificamente, para tentar pôr fim ao bloqueio, depois de Israel ter invadido Gaza.

O xis da questão é que Israel não quer que Gaza progrida, sequer quer que viva, e Israel não quer ver nenhum conflito encaminhado por vias diplomáticas, que tanto os líderes do Hamás em Damasco, quanto os líderes do Hamás em Gaza têm repetidas vezes declarado que buscam, sempre com vistas a resolver o conflito relacionado às fronteiras demarcadas em 1967, fronteiras que Israel jamais respeitou. Tudo, até aí, são fatos registrados e comprovados. Não há qualquer ambigüidade: tudo é bem claro.

Todos os anos, a Assembleia da ONU vota uma resolução intitulada “Solução pacífica para a questão da Palestina”. E todos os anos o resultado é o mesmo: o mundo inteiro de um lado; Israel, EUA, alguns atóis dos mares do sul e a Austrália, no lado oposto. Ano passado, o resultado da votação foi 164 a 7. Todos os anos, desde 1989 (em 1989, o resultado foi 151 a 3), é sempre a mesma coisa: o mundo a favor de uma solução pacífica para a questão da Palestina; e EUA, Israel e a ilha-Estado de Dominica, contra.

A Liga Árabe, todos os 22 Estados-membros da Liga Árabe, são favoráveis a uma chamada “Solução dos Dois Estados”, com as fronteiras determinadas em junho de 1967. A Autoridade Palestinense é favorável à mesma “Solução dos Dois Estados” e às mesmas fronteiras determinadas em junho de 1967. E o Hamás também é favorável à mesma “Solução dos Dois Estados” e às mesmas fronteiras demarcadas em junho de 1967. O problema é Israel, patrocinado pelos EUA. Esse é o problema.

Bem… Há provas de que o Hamás desejava manter o cessar-fogo; exigiu, como única condição, que Israel levantasse o bloqueio de Gaza. Muito antes de começarem os rojões do Hamás, os palestinenses já enfrentavam terrível crise humanitária, por causa do bloqueio. A ex-Alta Comissária para Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson, descreveu o cenário que testemunhou em Gaza como “destruição de uma civilização”. Isso, durante o cessar-fogo.

O que se vê nos fatos? Os fatos mostram que nos últimos mais de vinte e tantos anos, toda a comunidade internacional procura um modo de resolver o conflito das fronteiras de 1967, com solução justa para a questão dos refugiados. Será que 164 Estados-membros da ONU estão sempre errados, e certos e pacificistas seriam só EUA, Israel, Nauru, Palau, Micronésia, as ilhas Marshall e a Austrália? Quem é pacifista? Quem trabalha contra a paz?

Há registros e documentos que comprovam que, em todas as questões cruciais discutidas em Camp David; depois, nos parâmetros de Clinton; depois, em Taba, em cada ponto discutido, os palestinenses sempre fizeram concessões. Israel jamais concedeu qualquer coisa. Nada. Os palestinenses repetidas vezes manifestaram decisão de superar a questão das fronteiras de 1967 em estrito respeito à lei internacional.

A lei também é claríssima. Em julho de 2004, a Corte Internacional de Justiça, órgão máximo da ONU para questões de direito internacional, declarou que Israel não tem direito de ocupar nem um metro quadrado da Cisjordânia nem um metro quadrado de Gaza. Israel tampouco tem qualquer direito sobre Jerusalém. O setor Leste de Jerusalém, os bairros árabes, nos termos da decisão da mais alta corte de justiça do planeta, são território da Palestina ocupado ilegalmente por Israel. Também nos termos de decisão da mais alta corte de justiça do planeta, nos termos da lei internacional, todas as colônias de judeus que há na Cisjordânia são ilegais.

O ponto mais importante de tudo isso é que, em todas as ocasiões em que se discutiram essas questões, os palestinenses sempre aceitaram fazer concessões. Fizeram todas as concessões. Israel jamais fez qualquer concessão.

O que tem de acontecer é bem claro. Número um, EUA e Israel têm de se aproximar do consenso da comunidade internacional e têm de respeitar a lei internacional. Não me parece que trivializar a lei internacional seja pequeno crime ou pequeno problema. Se Israel contraria o que dispõe a lei internacional, Israel tem de ser acusada, processada e julgada em tribunais competentes, como qualquer outro Estado, no mundo.

O presidente Obama tem de considerar o que pensa o povo dos EUA. Tem de ser capaz de dizer, com todas as letras, onde está o principal obstáculo para que se chegue a uma solução para a questão da Palestina. O obstáculo não são os palestinenses. O obstáculo é Israel, sempre apoiada pelo governo dos EUA, que, ambos, desrespeitam a lei internacional e contrariam o voto de toda a comunidade internacional.

Hoje, o principal desafio que todos os norte-americanos temos de superar é conseguir ver a verdade, por trás das mentiras.

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jan 14 2009

0729 – Boicote aos produtos de Israel

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 12:32

Do Blog do Altamiro:

Durante a longa e heróica resistência ao apartheid, os lutadores anti-racistas da África do Sul contaram com uma inestimável solidariedade internacionalista. Além dos crescentes e massivos protestos de rua, um movimento mundial de boicote às multinacionais daquele país, que sempre lucraram com o segregacionismo, contribuiu decisivamente para isolar os racistas. Agora, diante da barbárie promovida por Israel na Faixa de Gaza, um apelo internacionalista semelhante ganha corpo. A idéia é não comprar produtos fabricados pelos sionistas, que hoje escondem o “made in Israel” para driblar a repulsa mundial, mas tem o código de barras iniciado com o número 0729.

Este movimento de solidariedade, que adquiriu velocidade pela rede da internet nos últimos dias, teve início nos meios universitários da Europa e dos EUA. Uma das promotoras deste boicote é Olícia Zemor, uma judia indignada com as políticas genocidas de Israel – o que confirma que o movimento não tem qualquer marca anti-semita e nem é contra o povo israelense, mas sim contra a política terrorista e expansionista do Estado e das classes dominantes daquele país. Segundo ela explicou, em Paris, “o boicote se tornará ainda mais abrangente e eficaz quando os consumidores memorizarem o código de identificação internacional dos produtos israelenses, o 0729”.

Produção em “terras roubadas”

“Os europeus, em particular, precisam saber que muitos dos produtos israelenses, beneficiando-se das tarifas preferenciais da UE, são fabricados nos territórios palestinos ilegalmente ocupados pelos colonos judeus, incluindo áreas ‘anexadas’ há pouco – e nisso é utilizada a água que Israel usurpa também, para não dizer rouba, dos palestinos”, advertiu a corajosa judia. Outro ativista da jornada de boicote, o escritor Maurice Rajsfus, de 74 anos, explicou os motivos da sua adesão:

“Há muitos cidadãos judeus, como eu, que não vivem no passado, com esta vontade de transferir o ódio para os outros, de fazer os palestinos pagarem pelos crimes nazistas. O melhor modo de não se esquecer do holocausto consiste em evitar que outros homens, mulheres e crianças sejam reprimidas, sob indiferença geral”. No âmbito universitário, o movimento já reúne 120 docentes europeus e estadunidenses, vários de origem judaica, que defendem a suspensão do intercambio com suas homólogas israelenses. No meio artístico, ele gerou o cancelamento de temporadas na Europa de companhias de dança e música israelense, enquanto congêneres européias decidiram não participar do próximo Festival de Israel. Também ocorrem protestos em ginásios de esporte.

Comércio já sente os efeitos

Segundo a imprensa européia, o boicote, deflagrado no meio universitário, já obteve o apoio de comerciantes e industriais e preocupa os empresários israelenses. Até agora, porém, nenhum país ocidental se declarou favorável ao movimento. Em abril passado, diante do bloqueio sionista à economia palestina, o Parlamento Europeu até discutiu sanções contra Israel, mas a proposta foi rejeitada pela Comissão Executiva da União Européia. Apesar disto, as exportações israelenses para o velho continente já caíram cerca de 20%, atingindo especialmente o comércio de armas.

Alguns fornecedores europeus também têm se recusado a vender várias peças de reposição para geladeiras e máquinas de lavar, “sob o pretexto que elas poderão servir à fabricação de mísseis”. Sob pressão, a Alemanha decidiu retardar o fornecimento de motores e caixas de câmbio para os tanques e carros de combate Merkava, utilizados pelo exército israelense. Já industriais gregos e holandeses suspenderam a venda de detergentes de cozinha, argumentando que tais produtos são “potencialmente armas químicas”. Empresários de origem palestina têm jogado papel decisivo na campanha, superando a passividade na defesa dos seus irmãos de Gaza e da Cisjordânia.

O papel ativo do sindicalismo

Além disso, o que é bastante sintomático sobre o papel que o proletariado pode jogar, estivadores noruegueses impediram recentemente a entrada no porto do Oslo de um cargueiro transportando mercadorias israelenses. Pouco depois, alguns dos principais sindicatos da Escócia, Dinamarca e Noruega conclamaram os trabalhadores a não comprar nos supermercados os produtos “made in Israel”, principalmente o das suas poderosas multinacionais. O movimento do boicote já tem sido divulgado nos protestos de rua na Europa organizados, entre outros, pelas centrais sindicais.

O Brasil, que infelizmente ainda não tem uma cultura de solidariedade internacionalista, bem que poderia aderir ao movimento mundial das redes pelo boicote aos produtos sionistas. As primeiras manifestações contra o genocídio em Gaza, embora tímidas, já pipocam pelo país, a partir do ato em São Paulo, que reuniu 600 pessoas e teve o apoio das entidades e igrejas árabes, dos partidos de esquerda (PCdoB, PT, PSOL, PSTU e PCB) e dos movimentos sociais. Outras manifestações contra o terrorismo de Israel já estão agendadas para esta semana. Seria uma ótima oportunidade para divulgar o número 0729, da campanha mundial de boicote aos produtos sionistas.

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jan 14 2009

Agnato e acéfalo…

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 12:23

Do Blog do Altamiro, através do Viomundo:

O jornal israelense Haaretz informou agora há pouco que o governo da Bolívia decidiu romper relações diplomáticas com Israel por conta do ataque a Gaza.

Aproveito para reproduzir artigo escrito pelo Altamiro Borges sobre a atuação do ex-chanceler de Fernando Henrique Cardoso:

Lampreia, o “ridículo” ex-chanceler de FHC

O diplomata de carreira Luiz Felipe Lampreia, ex-ministro das Relações Exteriores do governo FHC de 1995 a 2001, deixou de lado qualquer diplomacia – se é que algum dia teve – para atacar duramente o atual ministro Celso Amorim. O motivo da bronca, que deve ter agradado o regime sionista de Israel, foi a viagem do representante do presidente Lula ao Oriente Médio na tentativa de contribuir para um cessar-fogo na Faixa de Gaza. No seu blog, não por acaso postado no site do jornal O Globo, o ativo tucano destilou veneno. Com diz o ditado, a inveja é uma… desgraça!

“No seu afã de protagonismo, o ministro Amorim iniciou um périplo no Oriente Médio que beira o ridículo”, esbravejou Lampreia. Como sua mentalidade servil às potenciais imperialistas, ele avalia que o Brasil não tem nenhum papel a jogar no tabuleiro internacional. Para ele, Amorim “deve estar incomodando os líderes políticos da região com seus pedidos de audiência quando eles têm outras prioridades. Ele nada pode acrescentar aos esforços de paz que a França e o Egito desenvolvem. Deve ser vista com suspeita pelos líderes israelenses pelas posições que assumir. Seguramente não é considerado pelos americanos como um fator relevante na questão. Enfim, as peripécias do ministro são uma inutilidade que só pode trazer desgaste à diplomacia brasileira”.

Um notório entreguista

De Jerusalém, onde se encontrou com representantes do governo israelense, após se reunir com o presidente sírio Bashar Assad, Amorim deu o troco de forma diplomática. Sem citar nomes, ele classificou as críticas como sintoma da baixa autoestima de alguns brasileiros. “No futebol, nós superamos essa síndrome. Na política e no comércio internacional, ainda não”. Para ele, o Brasil deve ter um papel protagonista no cenário mundial. “Não tenho ilusões de que estamos aqui para resolver um problema que ninguém resolveu. Mas fazemos parte de um conjunto de esforços da comunidade internacional. A comunidade internacional não pode ser só EUA e União Européia”.

Uma postura bem diferente da adotada por Lampreia quando exerceu a mesmo cargo no governo entreguista de FHC. Na época, o ex-chanceler foi um dos mais ativos defensores da política de “alinhamento automático” com os EUA. Com inúmeros atos, ele tentou pavimentar “o caminho” para viabilizar o tratado neocolonial imposto pelo imperialismo, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Também propôs a concessão da base militar de Alcântara, no Maranhão, para os EUA. Quem quiser conhecer melhor este triste período da diplomacia brasileira basta ler o livro “As relações perigosas Brasil/Estados Unidos”, de Luiz Alberto Moniz Bandeira.

Um direitista militante

Luiz Felipe Lampreia tenta se travestir de diplomata, mas é um direitista militante e um tucano de carteirinha. Para conhecer suas opiniões, basta passar os olhos no seu blog no site da Globo. No atual genocídio em Gaza, ele adota a mesma posição da carniceira Condoleezza Rice e dos sionistas, vendendo a imagem de Israel como vítima e dos palestinos como terroristas. Ataca o Hamas, que “prossegue em seu tom belicoso, anunciando que seguirá na luta. Para os radicais palestinos, o hasteamento de sua bandeira verde no último prédio de pé em Gaza representaria uma grande vitória política”. Ele até defende o cessar-fogo, mas sob os escombros de Gaza.

Já no que se refere à América Latina, um dos principais alvos de suas críticas a atual política do governo Lula, Lampreia explicita que não tem nada de diplomata. Prega maior endurecimento nas relações com os “parceiros truculentos”, atacando o presidente Rafael Correa, do Equador; agride Hugo Chávez – chamando-o de coronel e não de presidente –, criticando “os seus gastos ineficientes” e defendendo “uma mudança radical em sua política econômica”. O ódio ao líder bolivariano é tanto que ele condenou a aprovação da Câmara Federal do ingresso da Venezuela no Mercosul. “Esperemos que o Senado mantenha sua oposição a esta decisão desastrosa”.

Serviçal dos EUA e de Uribe

O ex-chanceler de FHC também adora desqualificar Cuba. “A revolução cubana fez 50 anos e os oligarcas de Havana celebraram muito. Mas o povo está cada vez mais miserável”, atacou num de seus últimos textos. Em outra, rancoroso, disse que foi destratado numa viagem à ilha. “Cuba é glorificada por alguns ingênuos (e outros não tanto). Mas continua sendo, desde os tempos do paredón, uma ditadura feroz, com um partido único, um chatíssimo jornal único, muitos presos políticos e o cerceamento das liberdades”, escreveu num linguajar típico dos agentes da CIA.

Para Lampreia, o governo Lula erra ao investir no avanço das relações políticas e econômicas no continente. Por isso, ele atacou de maneira hidrófoba a Cúpula da America Latina, realizada em dezembro na Bahia. “Os resultados foram nulos”, esbravejou. A razão, segundo o defensor do “alinhamento automático” com os EUA, foi “a retórica antiamericana extravagante dos Chávez e Morales da vida, no momento em que vai assumir o presidente Barack Obama, de quem muito se espera universalmente… Com radicais ideológicos não há muito espaço para a racionalidade”.

Ao mesmo tempo em que ataca Venezuela, Cuba, Bolívia e Equador – e, com inveja, o ministro Celso Amorim –, o ex-chanceler de FHC prioriza as suas “ligações” com os EUA e o presidente narcoterrorista Álvaro Uribe. Há poucos dias, o ministro de Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, anunciou que Felipe Lampreia fará parte de uma missão especial encarregada de melhorar a imagem desde país – conhecido como o recordista mundial em assassinados de sindicalistas, pelos escândalos de corrupção nos altos escalões de governo e pela existência de milícias paramilitares envolvidas no trafico de cocaína. Belas companhias a de Lampreia!

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jan 14 2009

De Assassino para Refém

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 07:20

Do Biscoito Fino e a Massa:

Visionário, Gilles Deleuze previu muito em 1978

No dia 07 de abril de 1978, no Le Monde, o filósofo Gilles Deleuze profeticamente escrevia:

Como os palestinos poderiam ser “parceiros legítimos” em conversações de paz, se não têm país? Mas como teriam país, se seu país lhes foi roubado? Os palestinos jamais tiveram escolha, além da rendição incondicional. Só lhes ofereceram a morte.
[...]
Desde 1969, Israel bombardeia sem descanso o sul do Líbano. Israel já disse, claramente, que a recente invasão do Líbano não foi ato de retaliação pelo ataque terrorista em Telavive (11 terroristas contra 30 mil soldados); de fato, a invasão do Líbano é o ponto culminante de um plano, mais uma, numa sequência de operações a serem iniciadas como e quanto Israel decida iniciá-las. Para uma “solução final” para a questão palestina, Israel conta com a cumplicidade quase irrestrita de outros Estados (com diferentes nuances e diferentes restrições).

Um povo sem terra e sem Estado, como o palestino, é como uma espécie de leme, que dá a direção em que andará a paz de todos que se envolvam em suas questões. Se tivessem recebido auxílio econômico e militar, ainda assim teria sido em vão. Os palestinos sabem o que dizem, quando dizem que estão sós.
[...]
Essa população do sul do Líbano, em exílio perpétuo, indo e vindo sob ataque militar dos israelenses, não vê diferença alguma entre os ataques de Israel e atos de terrorismo. Os últimos ataques tiraram 200 mil pessoas de suas casas. Agora, esses refugiados vagam pelas estradas.

O Estado de Israel está usando, no sul do Líbano, o método que já se provou tão eficaz na Galileia e em outros lugares, em 1948: Israel está “palestinizando” o sul do Líbano.
A maioria dos militantes palestinos nasceram dessa população de refugiados. E Israel pensa que derrotará esses militantes criando mais refugiados e, portanto, com certeza, criando mais terroristas.
[...]
O conflito Israel-Palestina é um modelo que determinará como o ocidente enfrentará, doravante, os problemas do terrorismo, também na Europa.

A cooperação internacional entre vários Estados e a organização planetária dos procedimentos da polícia e dos bandidos necessariamente levará a um tipo de classificação que cada vez mais incluirá pessoas que serão consideradas “terroristas”. Aconteceu já na Guerra Civil espanhola, quando a Espanha serviu como laboratório experimental para um futuro ainda mais terrível que o passado do qual nascera.

Israel inteira está envolvida num experimento. Inventaram um modelo de repressão que, devidamente adaptado, será usado em vários países.

Há marcada continuidade nas políticas de Israel. Israel crê que as resoluções da ONU, que condenam Israel verbalmente, são autorizações para invadir. Israel converteu a resolução que o mandava sair dos territórios ocupados em direito de construir colônias!
[...]
Esse conflito é uma estranha espécie de chantagem, da qual o mundo jamais escapará, a menos que todos lutemos para que os palestinos sejam reconhecidos pelo que são: “parceiros genuínos” para conversações de paz. De fato, estão em guerra. Numa guerra que não escolheram.

Sublinhamos: São palavras publicadas numa época em que Atlético-MG e São Paulo tinham o mesmo número de títulos do Campeonato Brasileiro: abril de 1978. Ou, dito em outras palavras, 23 anos, 5 meses e 4 dias antes dos atentados terroristas da Al Qaeda nos EUA, que nos levam a outra etapa deste inferno — também prevista, aliás, por Deleuze. Em 1978, a ocupação ilegal dos territórios palestinos completava sua primeira década. Hoje, já são mais de quatro: a mais longa ocupação colonial da era moderna. Deleuze foi um dos primeiros, no Ocidente, a alertar. A íntegra do texto está publicada no Amálgama, em tradução de Caia Fittipaldi. Há uma versão em inglês aqui.

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