nov 12 2009

Shimon Peres: a cara de Israel

Categoria: Internacional,Israel,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 12:14

Do Amálgama:

por Daniel Lopes – Shimon Peres, presidente de Israel, está no Brasil para uma visita de cinco dias. Na montanha de referências a seu nome que saiu nos sites de jornais nas últimas horas, não notei nenhum tom crítico. Peres já discursou no Senado, já ganhou título de Cidadão Honorário de Brasília, já criticou o Irã e logo vai com seu teatro para Rio e São Paulo. Onde estão os jornalistas e comentaristas brasileiros amigos da paz mundial, que ainda há pouco babavam contra o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, o Demônio, e sua adiada visita ao Brasil? Algo me diz que nos próximos dias o presidente israelense será tratado com tapete vermelho nas páginas de jornais, revistas e nos noticiários da tevê. Prevejo que será como se o príncipe de Mônaco circulasse pelo território nacional. Me permito listar alguns fatos que, suspeito, não serão destaque na mídia pacifista brasileira.

Em um livro de memórias, Shimon Peres admitiu sem muito peso na consciência que Israel desviou dinheiro doado por judeus de todo o mundo, com propósitos humanitários, para o programa nuclear clandestino do país, nos anos 1950-60. Aliás, Peres é conhecido como o homem que intrduziu o armamento nuclear no Oriente Médio, ainda que não tenha sido por isso que levou pra casa o Nobel da paz.

Em maio de 2002, Peres, então ministro do exterior, foi aos EUA fazer lobby pela invasão do Iraque. Em entrevista à CNN, disse que “Saddam Hussein é tão perigoso quanto bin Laden”, e que os Estados Unidos não deveriam esperar sentados até que ele pusesse seu arsenal nuclear para trabalhar. Era mais do que chegada a hora de derrubar o ditador barbudo.* Em setembro do mesmo ano, impaciente com os despreparados inspetores da ONU que não descobriam logo os mais que evidentes planos de Saddam para conquistar o mundo, Peres disse que, de qualquer forma, “A campanha contra Saddam Hussein é necessária. Inspeções e inspetores são bons para pessoas decentes, mas pessoas desonestas facilmente enganam as inspeções e os inspetores.” Em Fevereiro de 2003, irritou-se com a oposição francesa à guerra, e questionou a conveniência do país europeu fazer parte do Conselho de Segurança da ONU como membro permanente.**

No discurso ao senado brasileiro, Shimon Peres criticou a futura visita do presidente iraniano Ahmadinejad. Disse que não tem nada contra o povo iraniano, que suas desavenças são com o atual líder. Será? Em 1993, tão logo Clinton subiu ao poder nos EUA, Peres, então primeiro-ministro, e outros líderes de Israel começaram uma campanha para denegrir o Irã. Temiam que uma aproximação entre Washington e Teerã acabasse por deixar Israel como um parceiro não tão preferencial dos EUA, agora que a Guerra Fria acabara. Então, o que propagar? Que o Irã não passa de um Estado que gesta, exporta e patrocina terroristas, claro. Que o Irã, em suma, “é um perigo mundial”, para usar a frase original que o excelentíssimo presidente soltou no Senado.

Em 1993, o presidente iraniano era Ali Rafsanjani, um moderado, inimigo do radicalismo da “República Islmâmica” e oponente do atual presidente Ahmadinejad, para quem perdeu as eleições em 2005. Não fez diferença para Israel que Rafsanjani fosse presidente em 1993, assim como não fez quando outro moderado, Mohammad Khatami, ocupou o cargo de 1997 a 2005.

Aliás, em 2003, mal Saddam fora defenestrado do poder, Shimon Peres começou a advogar outro ataque, agora contra o Irã – sim, o Irã de Khatami, não o de Ahmadinejad. Enquanto o embaixador israelense em Washington espalhava que a queda de Saddam “não era o bastante”, Peres publicou artigo no Wall Street Journal, em junho, intitulado “We must unite to prevent an Ayatollah Nuke“. Dada a precisão da análise anterior de Peres, sobre o perigo representado por Saddam, esse artigo no WSJ só pode ser mais uma prova de que se trata realmente de um homem determinado a lutar pela paz, sempre e com todas as armas ao alcance.

Por último, tendo que encarar as duras e conhecidas verdades do recente Relatório Goldstone da ONU (sobre o mais recente show de massacre de civis palestinos por Israel, conhecido como Guerra de Gaza), Shimon Peres o classificou de “uma paródia da história” — isto é, da “história” adequada a Peres/Israel.

Mas não espere ler muito sobre isso nas reportagens, editoriais e colunas da imprensa brasileira. Se você quiser ver sangue de verdade, terá que esperar o próximo dia 23, quando Ahmadinejad, a besta em pessoa, pisa em solo brasileiro. Isto é, se as forças da paz não o alcançarem antes.

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* Essa e outras informações do post estão no imperdível The Israel lobby and US foreign policy.
** “Peres questions France permanent status on security council” – Ha’aretz, 20 de fevereiro de 2003.

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out 24 2009

A Educação pelo Bico

Categoria: Educação,PolíticaSenhor_do_Servo @ 18:41

Do Cloaca News:

Como duas urticantes taturanas, as hirsutas sobrancelhas de Paulo Renato Souza costumam se eriçar cada vez que este Cloaca News invoca seu nome. O abespinhamento do tucano com este blog “joão-ninguém”, no entanto, é facilmente explicável.

Desde que revelamos aqui o grau de promiscuidade existente entre ele – representado pela empresa PRS Consultores, de sua propriedade – e algumas das empresas mais pujantes do país na área dos materiais didáticos, o ex-ministro de FHC obrigou-se até mesmo a retirar da internet o link do website de seu estabelecimento comercial.

Com isso, ficamos sem saber se seu escritório de negócios ainda ocupa um dos conjuntos entre os demais do mesmo piso no edifício em que encontra instalada uma das empresas do bilionário grupo editorial espanhol Santillana, um de seus mais graúdos clientes.Ocorre que encontramos outra poderosa corporação do portfólio da PRS Consultores – o Grupo Positivo – “prestando serviços” à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, pasta em que o titular é o próprio lobista tucano Paulo Renato Souza. No caso, trata-se da “impressão, acabamento, embalagem e expedição de livros de atividades de alunos da rede pública de ensino do Estado de São Paulo”.

Popularmente chamados de “cadernos do aluno”, ao todo, a mamata prevê a confecção de mais de 100 milhões de exemplares dos mesmos, loteados entre uma curiosa confraria de editores. Coube à Posigraf, do Grupo Positivo, um generoso quinhão nessa festa papeleira, incumbida que está de entregar os “cadernos” de Química e de Inglês aos alunos dos ensinos Fundamental e Médio.

Positivamente, uma transação de vulto, se considerarmos que o contrato prevê a impressão de até 24.139.900 exemplares. O diligente governo de Zé Chirico, inclusive, já depositou parte do estipêndio na conta da empresa, como se depreenderá aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Feitas as contas, chegamos à modesta cifra de R$ 13.286.501,68. Por enquanto. Conforme demonstramos nesta postagem de 24 de agosto, o atual governador de São Paulo parece gostar muito – muitíssimo – de papel. Por isso mesmo, nos próximos dias desenrolaremos aqui uma respeitável bobina de curiosidades sobre o incrível jeito tucano de fazer negócios na Educação paulista. Coisa de arrepiar os sobrolhos.

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jan 12 2009

Requiém por Israel

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 19:24

Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados; não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada. O artigo é de Boaventura Sousa Santos.

Está ocorrendo na Palestina o mais recente e brutal massacre do povo palestino cometido pelas forças ocupantes de Israel com a cumplicidade do Ocidente, uma cumplicidade feita de silêncio, hipocrisia e manipulação grotesca da informação, que trivializa o horror e o sofrimento injusto e transforma ocupantes em ocupados, agressores em vítimas, provocação ofensiva em legítima defesa.

As razões próximas, apesar de omitidas pelos meios de comunicação ocidentais, são conhecidas. Em novembro passado a aviação israelense bombardeou a faixa de Gaza em violação das tréguas, o Hamas propôs a renegociação do controle dos acessos à faixa de Gaza, Israel recusou e tudo começou. Esta provocação premeditada teve objetivos de política interna e internacional bem definidos: recuperação eleitoral de uma coligação em risco; exército sedento de vingar a derrota do Líbano; vazio da transição política nos EUA e a necessidade de criar um fato consumado antes da investidura do presidente Obama. Tudo isto é óbvio mas não nos permite entender o ininteligível: o sacrifício de uma população civil inocente mediante a prática de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade cometidos com a certeza da impunidade.

É preciso recuar no tempo. Não ao tempo longínquo da bíblia hebraica, o mais violento e sangrento livro alguma vez escrito. Basta recuar sessenta anos, à data da criação do Estado de Israel. Nas condições em que foi criado e depois apoiado pelo Ocidente, o Estado de Israel é o mais recente (certamente não o último) ato colonial da Europa. De um dia para o outro, 750.000 palestinos foram expulsos das suas terras ancestrais e condenados a uma ocupação sangrenta e racista para que a Europa expiasse o crime hediondo do Holocausto contra o povo judeu.

Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados; não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada (daí, que a seguir a cada tratado de paz se tenha de seguir um ato de violação que a desminta); para consolidar a ocupação, o povo judeu tem de se afirmar como um povo superior condenado a viver rodeado de povos racialmente inferiores, mesmo que isso contradiga a evidência de que árabes e judeus são todos povos semitas; com raças inferiores só é possível um relacionamento de tipo colonial, pelo que a solução dos dois Estados é impensável; em vez dela, a solução é a do apartheid, tanto na região, como no interior de Israel (daí, os colonatos e o tratamento dos árabes israelenses como cidadãos de segunda classe); a guerra é infinita e a solução final poderá implicar o extermínio de uma das partes, certamente a mais fraca.

O que se passou nos últimos sessenta anos confirma tudo isto mas vai muito para além disto. Nas duas últimas décadas, Israel procurou, com êxito, sequestrar a política norte-americana na região, servindo-se para isso do lobby judaico, dos neoconservadores e, como sempre, da corrupção dos líderes políticos árabes, reféns do petróleo e da ajuda financeira norte-americana. A guerra do Iraque foi uma antecipação de Gaza: a lógica é a mesma, as operações são as mesmas, a desproporção da violência é a mesma; até as imagens são as mesmas, sendo também de prever que o resultado seja o mesmo. E não se foi mais longe porque Bush, entretanto, se debilitou. Não pediram os israelenses autorização aos EUA para bombardear as instalações nucleares do Irã?

É hoje evidente que o verdadeiro objetivo de Israel, a solução final, é o extermínio do povo palestino. Terão os israelenses a noção de que a shoah com que o seu vice-ministro da defesa ameaçou os palestinianos poderá vir a vitimá-los também? Não temerão que muitos dos que defenderam a criação do Estado de Israel hoje se perguntem se nestas condições – e repito, nestas condições – o Estado de Israel tem direito de existir?

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jun 09 2008

Washington, Israel

Categoria: Internacional,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 16:05

DEPOIS DE MESES de disputa dura e amarga, sem tréguas, Barack Obama derrotou uma formidável opositora, Hillary Clinton. Operou um milagre: pela primeira vez na história, um negro é candidato viável à presidência do mais poderoso país do planeta.

E qual foi a primeira coisa que fez, depois desta fantástica vitória? Correu para não chegar atrasado a mais uma reunião do lobby israelense, no AIPAC (American Israel Public Affairs Committee), e lá fez um discurso que bateu todos os recordes de subserviência e adulação.

Foi chocante. Muito mais chocante foi que ninguém ficou chocado.

Foi uma fala triunfalista. Nem o AIPAC, organização poderosa, jamais vira coisa semelhante. Sete mil funcionários judeus, vindos de todos os cantos dos EUA, reuniram-se para receber a manifestação de obediência servil da elite de Washington, que ali se curvava, de vez. Os três aspirantes à presidência discursaram, disputando entre eles a palma máxima da adulação. Trezentos senadores e membros do Congresso lotavam as galerias. Quem aspirasse a ser eleito ou reeleito nos EUA, de fato qualquer um que acalentasse ambições políticas, lá estava, para ver e ser visto.

A Washington do AIPAC é como a Constantinopla dos imperadores bizantinos nos dias de apogeu.

O mundo olhou e ficou enfeitiçado. Em Israel, os jornais viveram dias de êxtase. Em todas as capitais do planeta, todos acompanhavam o evento. Os jornais árabes demoraram-se em reportagens e análises. A rede Al-Jazeera dedicou uma hora à discussão do fenômeno.

As mais extremadas conclusões dos professores John Mearsheimer e Stephen Walt confirmaram-se inteiramente. Às vésperas da chegada dos professores a Israel, na próxima 5ª-feira, o lobby pró-Israel está no centro da vida política nos EUA e em todo o planeta.

(…)

Sim, é verdade comprovada que o lobby judeu quase sempre consegue impedir a eleição de senadores e membros do Congresso que não dancem – e não dancem fervorosamente – pela música de Israel. Em alguns casos exemplares (propostos, de fato, para servirem de exemplo) o lobby derrotou políticos populares, jogando o próprio prestígio e o peso do apoio financeiro em outro nome também empenhado na mesma disputa eleitoral e, de início, praticamente desconhecido.

Por quê? Porque seu espantoso sucesso nas primárias só se explica pela promessa de “trazer a mudança”, de pôr fim às práticas políticas viciosas de Washington e de trocar as caras cínicas de sempre por um rosto jovem, de um homem corajoso que não esqueceria seus princípios.

E então, no vai da valsa, a primeira coisa que Obama faz, depois de ter garantido a indicação pelo seu partido. foi esquecer os tais princípios. E esqueceu-os em grande estilo!

Mas a declaração sobre Jerusalém ultrapassou todos os limites. Não exagera quem diga, desta declaração, que foi um escândalo. Um escândalo.

NENHUM PALESTINO, nenhum árabe, nenhum muçulmano jamais fará a paz com Israel, se o complexo Haram al-Xerife (também conhecido como Monte do Templo), um dos três locais sagrados do Islam e o mais importante símbolo do nacionalismo palestino, não estiver sob plena soberania palestina. Este é um dos núcleos mais duros de todo o conflito.

Até a conferência de Camp David, em 2000, apesar do então primeiro-ministro Ehud Barak, já considerava a possibilidade de dividir Jerusalém, de algum modo.

E então aparece Obama e colhe, no fundo do quintal, o ultra-superado slogan de uma “Jerusalém indivisa, capital de Israel para toda a Eternidade”! Desde Camp David, todos os governos de Israel já sabem que este mantra é obstáculo insuperável em qualquer negociação que vise à construção da paz. Por isto, o mantra desaparecera – silenciosamente, quase secretamente – de todos os arsenais de slogans oficiais. Só a direita israelense (e a direita judaico-norte-

americana) tem interesse em repeti-lo, e pela mesma razão: para matar no berço, para impedir que cresça, qualquer possibilidade de qualquer paz, porque toda e qualquer paz sempre exigirá o fim das colônias de ocupação em terra árabe.

Nas campanhas presidenciais anteriores, os candidatos sempre falaram como se bastasse prometer que a embaixada dos EUA seria transferida de Telavive para Jerusalém. Eleitos, nenhum dos candidatos jamais deu um passo para cumprir esta promessa. Todos foram persuadidos pelo Departamento de Estado de que a transferência agrediria interesses norte-americanos básicos, na Região.

Obama, não. Obama foi muito além disto. O mais provável é que tenha falado por artifício de campanha, pensando com seus botões: ‘OK, tenho de dizer isto, para ser eleito. Depois… será o que Deus quiser’.

Mas nem assim se pode ignorar o fato: todos temem tanto o AIPAC, tanto, que nem este candidato, que promete mudanças importantes, atreveu-se a contrariar publicamente o lobby! Neste ponto, Obama segue, rigorosamente, a rotina da Washington mais antiquada: está pronto para deixar matar o mais básico dos interesses dos EUA.

A verdade é que a paz entre Israel e Palestina é interesse vital dos EUA, porque só a paz abrirá caminho até o coração das massas árabes, do Iraque a Marrocos. Obama comprometeu a própria imagem no mundo muçulmano. E pôs o próprio futuro sob pesada hipoteca – que muito mais pesará, quando, e se, for eleito presidente.

(…)

Há 65 anos, os judeus norte-americanos assistiram, impotentes, ao extermínio de seus irmãos e irmãs, pela Alemanha nazista, na Europa. Nada puderam fazer para influenciar o Presidente Franklin Delano Roosevelt e forçá-lo a tomar alguma atitude para deter o Holocausto. (Na mesma época, muitos afro-americanos temiam aproximar-se das sessões eleitorais, para votar; temiam os cachorros que eram atiçados contra eles.)

O que causou este tão significativo aumento no poder do establishment judeu-norte-

americano? Talento organizacional? Dinheiro? A ascensão social? Vergonha pelo pouco empenho durante o Holocausto?

Quanto mais penso sobre este espantoso fenômeno, mais se fortalece minha convicção (sobre a qual já escrevi muitas vezes) de que o fator determinante é sempre a semelhança que há entre e empreitada norte-americana e a empreitada sionista, tanto no plano espiritual quanto no plano prático mais objetivo. Israel é os EUA, em miniatura. Os EUA são um monstruoso Israel.

(…)

Por tudo isto, não aceito sem reservas a ‘explicação’ de que Obama disse o que disse ‘apenas’ para ser eleito; que, depois de eleito, retomará o seu discurso progressista.

Não tenho certeza de que as coisas sejam bem assim. Sou dos que acham que os preconceitos deitaram raízes muito fundas no pensamento de Obama; e que nada mudará, na passagem do candidato ao presidente eleito.

De certeza, só tenho uma: a fala de Obama na reunião do AIPAC fez mal, muito mal, ao processo de paz. E o que faça mal ao processo de paz faz mal a Israel, faz mal aos EUA, faz mal ao mundo e faz mal ao povo palestino.

Se Obama mantiver-se preso ao que disse perante o AIPAC, depois de eleito estará obrigado a confessar, em tudo quanto tenha a ver com a paz entre israelenses e palestinenses: “Não sei fazer. Sou incapaz!”.

URI AVNERY, apud Viomundo.

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