fev 07 2010

Israel está “satisfeito” com relatório da ONU sobre Gaza

Categoria: Internacional,Mídia,Vera L. SilvaVera L. Silva @ 08:36

Israel está satisfeito com a ONU  – e  com o SILÊNCIO CRIMINOSO  do Mundo: Veja  Gaza

 

“O governo de Israel demonstrou hoje a sua “satisfação” pelo relatório apresentado por Ban Ki-moon  à Assembleia-geral da ONU sobre investigações realizadas pelas autoridades israelitas e palestinianas sobre possíveis crimes de guerra cometidos na Faixa de Gaza -  o Relatório Goldstone.

O Secretário-Geral da ONU disse ainda que “não era possível dizer”  se Israel e a Autoridade Nacional Palestina  tinham realizado investigações “confiáveis”.

Na Assembleia da ONU, ele explicou que as duas partes ainda tinham o que investigar sobre a atuação das suas forças durante a ofensiva israelense  contra Gaza há pouco mais de um ano.

Em resposta, o Ministério de Assuntos Exteriores de Israel divulgou hoje um comunicado no qual assegura que o Estado judeu “está satisfeito com o fato do Secretário-Geral ter mostrado fé no documento apresentado esta semana” pelos israelenses, informou o serviço de notícias “Ynet”.

Tanto Israel como a ANP entregaram à ONU, no último dia 29, suas contribuições para o Relatório Goldstone, que averiguou os 22 dias da operação lançada por Israel entre Dezembro de 2008 e Janeiro de 2009.

O Relatório Goldstone foi  aprovado em Novembro pela Assembleia-geral da ONUl,   apontando  indícios de  crimes de guerra.

Em Setembro, um painel da ONU já concluia  que Israel havia cometido crimes de guerra. Morreram no conflito 13 israelenses  e 1 400 palestinos, incluindo centenas de crianças e  civis.”

 

no Blog do Atheneu

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dez 04 2009

Mas por MIM o Lula fala, Miriam Leitão

Categoria: Internacional,Israel,Política,Vera L. SilvaVera L. Silva @ 18:24

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No MiriamLeitão.com, da Globo, li agora   matéria intitulada “Ele  não fala por mim”, se referindo ao Presidente Lula e sua posição diante do programa nuclear  iraniano.

Cá estou eu,  abarrotada de serviço até ao pescoço,  mas não consigo me conter. Tenho que responder. E responder  parágrafo por parágrafo, ou, como dizemos aqui em Goiás,  “vou dar  uma sapituca”.

E ela escreve, textualmente:

Ele não fala por mim

O presidente Lula defendeu ontem, de novo, o programa nuclear iraniano. A defesa do Irã é tão gratuita que causa espanto. Por que defender o indefensável? Ele disse que os Estados Unidos e a Rússia não têm autoridade para criticar o Irã. Não foram apenas esses dois países que condenaram o programa iraniano. O mundo o condenou porque ele não tem nenhuma cara de ser pacífico.
” O mundo o condenou porque ele não tem nenhuma cara de ser pacífico” Espantoso!  É esse o seu  critério de julgamento?  A “cara” de Ahmadinejad ?!  Quer  dizer que todos os últimos governantes dos EUA  tinham “cara”  boa  e por isso você foi   nadar naquelas  águas? Você, por exemplo, tem “cara” de ser uma mulher inteligente  mas ao dizer tamanha asneira, fica claro que sua “cara” engana. E agora, Míriam?

Parte do raciocínio faz sentido, parte não faz. Quando defende o desarmamento nuclear de todos, Lula representa a maioria do povo brasileiro, a quem nunca interessou o desenvolvimento de armas nucleares. Mas não faz sentido é a defesa, extemporânea e gratuita, de um governo que se isola da comunidade internacional, que escondeu parte das suas instalações nucleares, que mentiu para a Agência  Internacional de Energia Atômica (AIEA) e que admite que está enriquecendo urânio além do percentual necessário para produzir energia.
* Tic… o Lula representa não apenas  a maioria, mas TODO o  povo  brasileiro, o tempo todo. Diga  pois là  aos gringos  que  à  nós  realmente  “nunca interessou o desenvolvimento de armas nucleares”. O Lula já disse.

O que o Brasil ganha defendendo um país que na semana passada foi condenado na Agência Internacional de Energia Atômica? China e Rússia votaram contra o aliado. O Brasil se absteve. Nada pior do que a abstenção num caso que merece uma posição clara.
* O  Lula já defendeu sua posição, moça. Não entendeu ainda?! Percebo que você  é quem não está respeitando a posição do Presidente.

Após sete anos de improvisos catastróficos em viagens internacionais, o presidente Lula ainda não entendeu que ele, quando está representando o Brasil, não fala por si, mas pela nação inteira. Portanto, tem que expressar o sentimento coletivo e não seus impulsos. Não há qualquer clamor no Brasil de defesa do Irã, muito menos do governo Ahmadinejad. Pelo contrário. A esdrúxula negativa de fatos históricos como o holocausto torna o governante iraniano definitivamente divorciado do pensamento da maioria dos brasileiros. Quando as urnas iranianas exalavam ainda o mau cheiro das fraudes, o Brasil foi o primeiro país a dizer que a eleição dele foi legítima. Até o Conselho de Guardiões do Irã admitiu que houve em cinquenta cidades do país mais votos que eleitores. A repressão ao movimento popular que pedia eleições limpas matou cidadãos nas ruas, como a jovem Neda. Naquele momento de indignação em todo o mundo com o governo Ahmadinejad, o Brasil se apressou a dar o aval a eleições fraudulentas.
* Ora, ora… “sete anos de improvisos catastróficos”? Engraçado… nestes sete anos,   quando incontáveis vezes  ouvi você dizer  o contrário na telinha global, estava acaso sendo obrigada  à isso pelos seus patrões? Eles apertavam o sininho Plim-Plim e lá ia você, contrariada, elogiar  o Presidente? Acaso em todas as vezes engolia seus próprios impulsos? Isso é mal. Talvez devesse procurar outro emprego.
*  O que tem  o presidente iraniano, Ahmadinejad, a ver com  o Holocausto?! Porque lhe imputa esta pena?!  E  porque você, tão correta e ética, senão os outros, não divulgou  pelo menos AQUI , um  dia após a visita do Presidente  iraniano ao Brasil,  o reultado da “estrondosa” manifestação do povo brasileiro nas  10 capitais do país  contra a visita do Dr. Ahmadinejad, conforme divulgaram que aconteria, antes da sua visita?  Se o tivesse feito, ou  os outros, o mundo teria tido conhecimento do que pensa exatamente o povo brasileiro sobre  o Irã, Gaza, Palestina.. e  Israel. Sim, porque você,   neste texto,  evita usar a  plavra  Israel, preferindo citar  a palavra “Holocauto”. Patética essa sua tentativa de  manipular a mente do eleitor  através da   palavra. Sim, porque se você escreve  “Israel”,  automaticamente, na mente  de qualquer leitor, surge as  imagens do holocausto praticado pelos judeus em Gaza, na Palestina,  no Oriente Médio… surge a imagem de massacres, de muro, de mortos, de guerra, de armas nucleares…   mas se você fala “Holocausto”…
* Eu gostaria de saber a  SUA  posição diante das eleições em Honduras semana passada. Porque não defende  a posição do Presidente Lula de  se recusar a aceitar as eleições cocorridas ali, essas sim, ilegítimas e fraudulentas, resultantes de um golpe militar que vai exalar mau-cheiro em nossos narizes  latinos – inclusive  no seu?! A repressão em Honduras feriu, destruiu e matou, moça.

Com Honduras, ocorreu o oposto: o governo brasileiro condenou as eleições antes mesmo que elas tivessem acontecido. E já avisou que não reconheceria o novo governo.                                                                                                                                                                                                                                                                                                 *O que te dói é o  Presidente Lula não comer no prato yanque? Quase sempre em posições opostas, os dois.

No caso de Honduras e no caso do Irã, o que a política externa perde é o tom. Ser a favor do desarmamento nuclear o Brasil sempre foi. Mas sempre foi também contra a proliferação nuclear. E o Irã neste momento significa, na opinião das maiores autoridades no assunto reunidos na AIEA, o risco de proliferação nuclear. O mais estranho da declaração de Lula é que ela veio depois de ter sido divulgado um comunicado conjunto com a chanceler alemã Angela Merkel, admoestando o Irã a “responder positivamente” e “cooperar inteiramente” com a AIEA e a ONU. Isso sim é o correto e tira o Irã do isolamento.
* Traduza esta frase para mim: “Ser a favor do desarmamento nuclear o Brasil sempre foi. Mas sempre foi também contra a proliferação nuclear”. Compreendi que ela quer dizer que o Irã não pode, o Brasil não pode, a Venezuela não pode, Cuba não pode… mas os que têm armas nucleares devem conserva-las  para se defenderem de nós,  os que não as possuímos?!

No caso de Honduras, a posição defendida pelo presidente Lula, seu secretário de Relações Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tem a mesma dubiedade. No princípio, foi no tom exato, depois, desafinou. Numa região devastada por golpes de Estado, o Brasil condenou o golpe e a deportação de Manuel Zelaya, no que fez bem. A posição brasileira começou a sair do tom quando deixou de ser a defesa dos princípios democráticos para ser uma militância zelaysta.
* Hum.. você ataca o Presidente e cita   seu secretário e seu  ministro; ataca o  Irã e cita Honduras…  Essa conduta é velha no jornalismo. Quase infantil.  Uma hora a posição tomada é do Lula,  outra hora é brasileira.  Que TOM exato voce aconselha o  Presidente a tocar? Ou  você  prefere mesmo é ve-lo dançar  sob  o “tom”  da IEA,  da ONU,   dos EUA…   Lula, ao defender  o Presidente Zelaya, defendeu   aos que ele representava – o povo de Honduras. Isso vale para Ahmadinejad e  o povo iraniano.  Só  na sua cabeça um Presidente eleito não representa o povo que o elegeu!

O Brasil condenou uma eleição, a priori, e avalizou outra, quando a população ainda estava na rua indignada com as fraudes.
* Que tipo e que número  de  população estava nas ruas do Irã? A maioria dela? Você tem certeza? E  por quem ela era apoiada? Quem patrocinou cada um desses movimentosAnti-Ahmadinejad no Irã?

No mensalão do DEM em Brasília, o presidente Lula só encontrou a palavra “deplorável” no segundo dia. No primeiro, disse: “as imagens não falam por si”. O presidente da República não pode préjulgar. Mas não condenar antecipadamente não é o mesmo que absolver. Tudo fala por si no escândalo de Brasília: as imagens, os diálogos gravados, as conversas telefônicas, as desculpas improvisadas e mutantes e a hesitação do Democratas. “Aquela despesa mensal com político sua hoje está em quanto?”, disse o governador de Brasília, José Roberto Arruda. Muita coisa está fora da ordem nessa frase além do pronome possessivo.
* “o presidente Lula só encontrou a palavra “deplorável” no segundo dia. No primeiro, disse: “as imagens não falam por si”.  Não.  No primeiro  dia a  “grande” imprensa, a mesma,  sempre ela,  manipulou e divulgou o que ele disse: “as imagens não falam por si”. É que o presidente Lula deve acreditar na Justiça brasileira, como bom cidadão que  é, e deixar à ela o que a  ela compete,  ao invés de julgar pela “cara” das imagens que viu. Primeiro, o julgamento, depois a condenação.  É assim que é, para  o  Presidente Lula e para a  maioria de nós, brasileiros.  Deplorável,   sua colocação.

O presidente Lula poderia não ter se manifestado. Seria melhor. Mas sua forma de lidar com a imprensa é autoritária como nos governos militares. Naquela época os generais não davam entrevistas coletivas. Eles falavam quando eram abordados em viagens internacionais. Ao seguir esse modelo, Lula acaba se aborrecendo quando perguntado por essa “coisinha”. Preferia que perguntassem sobre grandes questões internacionais. Mas, no dia seguinte, brindou seus interlocutores com a defesa dispensável do programa nuclear iraniano. No Brasil, nunca se viu um movimento de opinião pública a favor do programa nuclear iraniano. Isso não é uma questão por aqui. O que incomoda, machuca, confunde o país neste momento são estas “coisinhas” deploráveis. Lula quando fala certas coisas deveria esclarecer que fala por si.
* “O presidente Lula poderia não ter se manifestado. Seria melhor”.  Melhor  para quem?
* “sua forma de lidar com a imprensa é autoritária como nos governos militares”. Ora, seus patrões não têm do que reclamar dos governos militares, então porque você reclama? Acaso vejo aí um começo de rebelião?! Que  “coisinha”  te  importuna agora neste país que vai muito bem  obrigada? Não seria o país estar muito bem obrigada…. seria?! Acaso, como  o Obama, você está “decepcionada” ?
* “a defesa dispensável do programa nuclear iraniano” Indispensável para quem? Á quem não interessa o programa nuclear iraniano,  Dona Míriam?
* “O que incomoda, machuca, confunde o país neste momento são estas “coisinhas” deploráveis” Engraçado. O que realmente não incomoda,   nem  machuca e nem confunde mais  o povo do país   são as notícias publicadas  pelos canais de  comunicação onde pessoas como você atuam. Sinceramente, você, hoje em dia,  apenas consegue, mometaneamente, ser irritante.

E  meta na sua  cabeça: Você só  escreve  por você. Mas mesmo assim eu te li e, de lambuja, vou  postar sua matéria no meu blog e noutros onde colaboro -  e agradeça, moça. Dias virão que nem  isso.

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nov 07 2009

Contra o Sionismo

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 11:02

por Bouthaina Shaaban*, Counterpunch pelo Viomundo

Quando se leem jornais que noticiam que “a ONU exige que Israel pare de demolir residências de palestinos e ponha fim à política de despejos forçados em Jerusalém Leste, denunciando que há 60 mil palestinos ameaçados de perderem suas casas”, é praticamente impossível não pensar sobre o papel da ONU hoje e o objetivo para o qual foi constituída, imediatamente depois da vitória dos exércitos da liberdade, em luta contra o nazismo e o fascismo; e sobre se essa seria a mesma organização autorizada pela história e pelos povos do mundo para garantir a todos o direito a ‘autodeterminação’.

Será a mesma organização encarregada de “por fim ao colonialismo”?

Será a mesma organização que crê no direito de todos os povos à liberdade, sem qualquer discriminação por raça ou fé religiosa?

Se é a mesma, por que ainda há tantos palestinos, há tanto tempo, expostos à brutalidade de colonos terroristas judeus armados?

A fala evasiva e vergonhosa das ‘conclamações’ da ONU sobrevive no mesmo contexto de submissão do Conselho de Segurança aos projetos dos sionistas e, consequentemente, se compromete na prática da mesma desgraça histórica, cada vez que ignora os legítimos direitos humanos, civis e políticos dos palestinos, entre os quais o direito à vida e à liberdade. A evidência de que a ONU não toma qualquer iniciativa efetiva para garantir ao povo palestino o direito à autodeterminação é e continuará a ser uma mácula que não será jamais apagada na história da Organização.

Há 60 anos os palestinos lutam contra uma forma racista de colonialismo, o sionismo das campanhas de limpeza étnica e das gangues de colonos-fundamentalistas judeus armados, apoiados pela polícia e pelo exército de Israel.  Nada há de semelhante a isso no século 21, senão na Palestina ocupada por Israel.

Os crimes desses fanáticos sionistas armados incluem o bloqueio econômico, assassinatos, envenenamento de alimentos, negação de comida e remédios, seqüestros, demolição de casas habitadas, roubo de colheitas, destruição de granjas, violação de prisioneiros, tráfico de órgãos humanos extraídos de prisioneiros e violações repetidas do direito dos palestinos de ir e vir entre suas vilas, suas casas, suas granjas e suas escolas.

Tudo isso acontece sob os olhos e o silêncio cúmplices do mundo ‘civilizado’ que apóia o governo israelense e finge não ver os crimes escandalosos que soldados israelenses e colonos judeus armados e cometem diariamente na Palestina ocupada. Esse silêncio também é crime contra o povo palestino, porque ‘autoriza’ políticos e generais israelenses e seus aliados a reincidir na prática dos mesmos crimes contra civis – que são violação flagrante e repetida das convenções de Genebra e das leis humanitárias internacionais.

O ‘pedido’ da ONU para que Israel “detenha a remoção [de fato, a demolição] de casas de palestinos” veio, dessa vez, depois da demolição das casas das famílias Hanoun e Ghawi nos arredores de al-Jarrah em Jerusalém; depois, também, da demolição da tenda que haviam erguido na rua, em frente à casa; e de terem sido confiscados todos os objetos postos sob a tenda – cobertores para proteger as crianças contra o frio e panelas. A tenda abrigava 50 pessoas das duas famílias que, até há alguns meses, habitavam as casas que os soldados da ocupação israelense demoliram, na política chamada de “Judaicização de Jerusalém”.

Vez ou outra, a ONU ou a União Europeia lembram-se de ‘declarar’ que “destruir casas de palestinos configura crime de desrespeito à lei internacional”.  Mas, se são crimes contra a lei internacional… por que se repetem diariamente, há anos? E, sobretudo: por que essas organizações internacionais nada fazem para proteger a segurança e os direitos dos palestinos?

A questão é: o que a ONU e a União Europeia farão?

Continuarão, como até hoje, satisfeitas com apenas ‘anotar’ e ‘lamentar’ os crimes das gangues de terroristas judeus colonos israelenses fundamentalistas e armados – que praticamente de hora em hora desrespeitam a Carta da ONU e todas as leis humanitárias e continuam a assassinar, incendiar e demolir casas e roubar tendas em Jerusalém, Nablus, Hebron e outros locais, sem que nenhuma ONU, União Europeia ou seja quem for consiga prendê-los, julgá-los e condená-los? Porque, de fato, não são ‘colonos’: são bandidos (por acaso, judeus).

Se esses crimes cometidos diretamente contra palestinos não são limpeza étnica e genocídio, o que falta acontecer?

Nos EUA, colonos brancos recém-chegados, há alguns séculos, jogavam mantas e lençóis contaminados sobre os índios, para matá-los. Hoje, o governo de Israel sonega comida e remédios aos palestinos, queima plantações, envenena a água, também para matar palestinos ou forçá-los a partir. A ONU define essas práticas como “evicção forçada”. Como se houvesse evicção voluntária?!

Depois de todos os crimes cometidos pelas forças da ocupação israelense e gangues de bandidos armados que vivem nas colônias exclusivas para judeus, a ONU “conclama Israel a suspender a demolição de casas”. Pior, só se acrescentassem “Por favor…”

Os civis palestinos precisam urgentemente de uma investigação dos crimes cometidos por Israel, para que sejam denunciados a organização internacional que ainda se preocupe com – ou, no mínimo, tenha algum interesse em preservar – a própria credibilidade.

Os crimes cometidos pelas forças israelenses de ocupação, o aterrorizamento de civis palestinos desarmados por colonos judeus israelenses armados são vergonha para toda a humanidade e não podem ser tolerados.  Os atos desses colonos e das autoridades israelenses que lhes dão cobertura e financiamento devolvem todo o mundo civilizado à lei da selva.

Quanto à escandalosa evidência de que a ONU é impotente e à também escandalosa evidência de que o presidente Obama já se declarou comprometido com preservar “a segurança de Israel”, ainda no 14º aniversário do assassinato de Yitzhak Rabin por um colono judeu terrorista fundamentalista – além do fato de que, na mesma ocasião, o presidente Obama não fez qualquer declaração de comprometimento com preservar também a segurança de civis palestinos –, são sinais bem claros de que os povos livres do mundo não podem omitir-se.

Cabe aos povos do mundo, a todos os intelectuais livres – também, evidentemente, aos intelectuais judeus – erguer suas vozes contra os israelenses criminosos de guerra, para que não pese também sobre os judeus, como uma vez pesou sobre os europeus alemães, a vergonha de cometer crimes de guerra e genocídios. Nenhum silêncio cúmplice é permitido sobre nenhum crime de guerra e nenhum genocídio. Não basta, evidentemente, impedir que os israelenses acusados de crimes de guerra deixem Israel. É indispensável que sejam julgados pelos mesmos critérios pelos quais outros criminosos acusados de genocídio e responsáveis por massacres e ocupações brutais já foram julgados e condenados antes desses.

Por que os intelectuais judeus recusam-se a encarar esse dilema histórico e moral que contamina a entidade sionista?

Quando os nazistas alemães massacraram judeus, ciganos e outros povos, os alemães encararam o dilema moral e aprovaram leis que tornaram ilegal o antissemitismo. Quando o mundo sofreu sob as ambições dos japoneses, o Japão tomou decisão histórica radical contra todas as guerras.

Por que os intelectuais judeus supõem que poderia haver alguma justificativa para as atrocidades e as ilegalidades cometidas diariamente pelos políticos e generais israelenses?

Como se justifica que Ehud Olmert seja processado por crimes de corrupção financeira e não seja sequer acusado da prática de crimes de guerra no Líbano e na Palestina?

Por que há quem considere heróis esses corruptos e criminosos de guerra?

Por que há quem lhes garanta uma segurança que ninguém cuida de garantir às vítimas deles?

Por que não se denunciam como criminosos os autores de massacres contra civis palestinos?

Por todos os critérios que se possam usar, todos esses governantes e generais da entidade sionista cometeram crimes de guerra. Por que não são criticados, para começar, dentro da própria cultura?

Terão os judeus, depois da invenção de Israel, perdido a capacidade moral de indignar-se contra generais cujas mãos continuem manchadas com o sangue de tantos inocentes?

Todos os intelectuais judeus que se calem são responsáveis pelos crimes passados e, também, pelos outros crimes que continuem a ser cometidos pelos sionistas israelenses. Vergonha eterna caia sobre todos os que se calem hoje.

A ONU e a União Europeia, e todos que se escondam por trás de palavras ambíguas ao descrever os crimes que Israel cometeu e continua a cometer, crimes que deveriam já ter despertado a indignação de todos os povos livres, partilham idêntica responsabilidade.  A história condenará os que se calem, os que se omitam, e saberá relembrar com respeito todos os que defendam os palestinos, o direito que todos os palestinos temos de viver vida digna em terra que é nossa, em liberdade, com segurança e sob a proteção de nosso Estado nacional independente.

* Bouthaina Shaaban é conselheira política e de comunicações da presidência da Síria e ex-ministra dos Expatriados. É escritora e professora na Universidade de Damasco desde 1985. Foi porta-voz oficial do governo sírio e indicada para o prêmio Nobel em 2005.

Texto traduzido pelo coletivo Política para Todos

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abr 30 2009

Israel – Estado Bandido [2]

Categoria: Apoiamos,Internacional,Israel,Política,meio ambienteSenhor_do_Servo @ 17:40

O Estado de Israel não tem história. Tem folha corrida.

Desde a semana passada vinha pensando que título dar a minha coluna semanal. Várias sugestões eu avaliei, consultei amigos e camaradas. Ao final, olhando as atitudes que Israel vem tomando e conhecendo seu histórico em quase 61 anos de existência de seu Estado, não tive dúvidas: Israel hoje é o mais bandido dos estados existentes na terra, um estado delinqüente. E vejamos o porquê.

Histórico ou folha corrida?

A história do Estado de Israel não é propriamente uma história. Poderíamos chamá-la de folha corrida?, tamanha são as agressões e atrocidades cometidas por organizações terroristas e assassinas tanto para a sua criação, como posteriormente depois de criado em 14 de maio de 1948. Esse dia, para os palestinos e árabes em geral é conhecido como Al Nabka (A Catástrofe).

Israel meteu-se em pelo menos cinco guerras contra seus vizinhos árabes. De um território originalmente concedido pelas Nações Unidas em seu maior erro histórico cometido em 29 de novembro de 1947, da ordem de 52% (os palestinos ficariam com 48%), hoje Israel detém 92% de toda a Palestina histórica. Sim, caro leitor, é isso mesmo que você leu. Um povo, que milenarmente ocupa aquela terra, que são os palestinos, tem as suas propriedades expropriadas em mais da metade e com o passar dos anos, com uma apolítica sistemática de limpeza étnica, de expulsões, matanças, assassinatos, demolições de residências, foi perdendo cada vez mais suas terras e hoje se restringe a meros 8%, na Faixa de Gaza ? a região mais densamente povoada da terra ? e na Cisjordânia, onde ainda moram 400 mil israelenses em 250 assentamentos.

Israel não respeita e nem nunca respeitou qualquer resolução da ONU que lhe seja contrária. As mais importantes foram as tomadas por ocasião da Guerra dos Seis Dias de junho de 1967. A ONU, por unanimidade ? uma das poucas vezes que os EUA não vetaram uma resolução contra Israel ? decide que Israel deveria devolver aos palestinos as suas terras tomadas nessa guerra. Mas, que nada. Isso nunca aconteceu. E quem tem a coragem e a força política ? e militar ? para impor algum tipo de sanção a esse Estado?

O termo ?Estado bandido? é de uso comum entre estudiosos da política internacional. Surge cunhado por gente do Departamento de Estado americano, para tentar caracterizar aqueles estados párias, que ficam à margem das leis internacionais, estados delinqüentes e em alguns casos, como eles mesmo diziam, estados que patrocinam e apóiam o terrorismo internacional. Ora, como caracterizar o que Israel vem fazendo hoje contra o povo palestino na Faixa de Gaza? Porque esse Estado não respeita e não acata as resoluções da ONU e as leis internacionais? Não seria então exatamente esse um ?Estado bandido?, pela definição estadunidense? Não tenho dúvidas que sim.

Porque Israel se sente no direito de matar indiscriminadamente os palestinos? Isso tem alguma origem divina? Que o seu deus das suas escrituras sagradas lhe tenha dito que eles são um ?povo eleito? e predestinado, ainda assim isso não lhe daria o direito ?divino? de matar ninguém. Que o seu deus lhes tenha prometido uma terra, ainda que eu não creia em nenhum deus, até entendo que os deuses devem cuidar dos povos que neles acreditam. Mas, prometer uma terra para um povo com outro povo morando nessa terra assim também é demais. Mas, como tenho insistido ao longo dos anos nesta coluna, a questão não é e nunca foi religiosa, como querem ? erroneamente ? insistir alguns analistas. O problema é e seguirá sendo político. Trata-se de um projeto colonial, de luta pela terra, em uma das regiões mais estratégicas ? se não a mais estratégica ? de todo o planeta. E tem por detrás disso a maior potência do planeta, que são os EUA, que armaram e criaram o quarto maior e mais poderoso exército da terra, que é o de Israel.

Análise dos últimos acontecimentos

Tenho lido tudo que sai publicado diariamente em quatro grandes jornais nacionais, além de dezenas de artigos que me chegam em diversos idiomas, sobre o assunto. Parece que todos despertaram para a questão palestina e enviam para suas listas de contatos na Internet artigos que reputam de boa qualidade. Faço meu filtro pessoal, ainda que a esmagadora maioria do que recebo sejam artigos com os quais me identifico.

Queria comentar aqui alguns aspectos dos últimos acontecimentos.

1. Quem mesmo rompeu a trégua? Muito se tem dito que quem quebrou a trégua acertada em junho de 2008, mediada pelo Egito, foram os palestinos do Hamas, no dia 19 de dezembro passado. Essa é uma mentira escandalosa, que é encoberta pelos grandes meios de comunicação de massa. Quem violou a trégua foram os israelenses. E a violaram de duas formas. Por um lado, nunca cumpriram o acertado em junho passado de abrir as fronteiras para o livre trânsito de mercadorias, especialmente remédios e alimentos e impuseram um odioso bloqueio econômico à região de Gaza. Mas, em 4 de novembro, exatamente o dia das eleições presidenciais americanas, na calada da noite, Israel mata um palestino na fronteira com o Egito. O Hamas dispara um foguete contra cidade israelense próxima e no revide, a aviação israelense assassina cinco dirigentes do Hamas. E isso tudo ocorrendo a cinco dias da realização de uma nova rodada de negociações e discussões sobre a paz possível, onde o Hamas sinalizava que poderia vir a reconhecer o Estado de Israel. Nunca é bom esquecer. Na Cisjordânia, os palestinos da resistência não jogam mísseis em cidades israelenses próximas nem nos assentamentos judaicos que ficam incrustados nessa região. Ainda assim, em 2008, Israel matou 50 palestinos.

2. Quem é vítima, Israel ou os Palestinos? Tenho lido muita coisa na grande mídia (ou seria apenas mídia grande?), sobre o ?direito? de Israel se defender. Usam comparações absurdas, falam em até ?20 mil foguetes? que o Hamas possuiria. Bobagem completa. Os mísseis fabricados pelo Hamas são como rojões caseiros, fogos Caramuru, muito conhecidos no Brasil. Nenhuma eficácia e o máximo que conseguem é disparar sirenes de alarme nas cidades vizinhas à Gaza, nada mais. A resposta é completamente assimétrica, desproporcional. Estranha-nos que os tais analistas e mesmo correspondentes dos jornalões, que pedem que os palestinos deixem de resistir. Que querem eles com isso? Que um povo perca a sua identidade? Que deixe de lutar? Que desapareça completamente? Isso nunca ocorrerá. Fazem com isso o jogo dos agressores, mostrando Israel como vítima e os palestinos que morrem às centenas como os algozes. Uma completa inversão dos fatos e da realidade. As vítimas é que são as culpadas. E nisso, os EUA não estão sozinhos, mas contam com o beneplácito de quase todos os governos europeus. Honrosa exceção esta o Brasil, cuja chancelaria emitiu em 12 dias de bombardeios, quatro notas pedindo um imediato cessar-fogo e criticando, diplomaticamente claro, as agressões israelenses. Como diz o jornalista Pimenta (HP), há duas formas de criminosos agirem. O de Israel e seu modus operandi é assim: a) fazem sempre se passar por vítimas, lembrando sempre que lês for conveniente o holocausto judeu vitimas do nazismo e b) fazendo uma provocação para que algum grupo palestino da resistência os ataque. Isso não cola mais. Não enganam mais as consciências de milhões em todo o mundo, que hoje, mais do que nunca, estão com os palestinos. Como se diz: hoje somos todos palestinos!

3. Quais são os alvos em Gaza? Israel iniciou os ataques dizendo que destruiria o Hamas completamente, um grupo político e religioso que vencem democraticamente as eleições de janeiro de 2006, nas eleições mais democráticas já realizadas no mundo árabe. E quem diz isso é a entidade presidida por Jimmy Carter, ex-presidente americano. Depois disso, passou a dizer que agora quer apenas enfraquecer o grupo e desarmá-lo. Vai sair derrotado dessa aventura, como foi no Líbano em 2006. Vai acabar fortalecendo o Hamas. Mas, o maior problema em tudo isso são os métodos adotados por Israel para cumprir ?seus objetivos estratégicos?. Atacam indiscriminadamente todos os locais onde seus órgãos de ?inteligência? (?) afirmam ser depósitos de mísseis. Bombardeiam 1,5 milhão de palestinos que vivem enjaulados. Casas de famílias, mesquitas, escolas e até hospitais! Dizem que os dirigentes do Hamas usam as pessoas como ?escudos humanos?. Não é verdade isso. Mas, ainda que fosse verdade, ética e moralmente é aceitável matar 30 crianças, como a da escola da ONU, mesmo que lá estivessem escondidos os ?fogos caramuru? do Hamas?

4. Qual é mesmo a questão central hoje? Os que defendem os ataques aos palestinos argumentam que ?Israel tem o direito de existir?. E é verdade. Mas isso não esta sendo questionado por ninguém. Até o Hamas sabe que precisará aceitar isso. A questão central é que o Estado da Palestina precisa existir e ser instalado e conviver harmonicamente ao lado de Israel. Essa é a questão central. E essa é uma decisão tomada há 61 anos e não se cumpre!

5. O que é a chamada ?assimetria? nos ataques? Muito tem se falado sobre a desproporção e a assimetria nos combates. De um lado o quarto maior e mais poderoso exército entre os 200 países membros da ONU. De outro, guerrilheiros palestinos, mal armados e treinados, usando táticas de guerra urbana e de guerrilha, com seus mísseis caseiros. Israel usa o armamento mais moderno e poderoso, fornecido, claro, pelos Estados Unidos. Todas as bombas que são despejadas nas cabeças dos palestinos vêm escritas ?made in USA?. E ainda querem que o ódio aos americanos não se dissimule pelo mundo afora. Mas, usam bombas de outros tipos. A imprensa registra uso de balas de tungstênio, de urânio empobrecido, termobáricas, de fragmentação (proibidas pela ONU e suas convenções internacionais) e até bombas de fósforo. Matam e matam com requinte especial. Como diz meu amigo e combativo jornalista em seu blog, George Bordokan, que venham agora as câmaras de gás e os fornos crematórios. É o que falta para a ?solução final? de extermínio do povo palestino. Nunca nos esqueçamos inclusive que Israel, que diz que o Irã vai produzir a sua bomba atômica e quer que o mundo ataque esse país, é o único pais do Oriente Médio inteirinho a possuir a bomba atômica. Alguns estudiosos afirmam que o país possui em torno de 40 ogivas nucleares prontas para serem disparadas.

6. Por que Obama se transforma em uma ?esfinge?? Obama tem enviado sinais para a imprensa de que ?os Estados Unidos só podem ter um presidente de cada vez e até 20 de janeiro, o presidente é George Bush. Estamos em completo desacordo com isso. O período que ele vive e o mundo inteiro conhece, é chamado de transição. O governo agonizante de Bus, morto há vários anos, o mais impopular da história, segue cometendo as maiores atrocidades e erros na sua diplomacia em toda a história americana. Mas Obama, se quisesse poderia interferi nisso, dar uma linha, fazer um pronunciamento, ou mesmo um pedido para o presidente que finda seu mandato. Mas optou em não fazê-lo. Comete um erro grave. Vai queimando a sua imensa popularidade, ao omitir-se nesse momento crucial, onde a omissão soa como completa conivência com o massacre em curso. E é uma mentira que Obama não deve se pronunciar sobre a política externa americana. Quando dos atentados na Índia na cidade de Mumbai, que mataram dezenas de pessoas, ele fez um duro pronunciamento condenando os ataques. Agora mesmo, em duas reuniões de emergência do Conselho de Segurança da ONU, os EUA vetaram uma resolução pedindo um imediato cessar fogo. Obama poderia ter interferido nisso e pedido que a resolução fosse aprovada. Preferiu não fazê-lo.

Desdobramentos e Perspectivas

Ninguém sabe ao certo o que vai ocorrer. Podemos no máximo, apontar algumas possibilidades. Ainda assim, com dificuldades. Mas, vamos a elas:

1. Os chamados ?falcões? de Israel ganham com os ataques. Ehud Barak, dos trabalhistas, atual ministro da defesa e general da reserva, deve ampliar em pelo menos cinco cadeiras no parlamento e superar a ministra Livni, do Kadima. Aliás, esta deixou a desejar, queimou-se e fecho todas as portas para uma possibilidade de acordos com setores mais à esquerda em Israel;

2. Os ataques ocorrem e podem continuar mais alguns dias, foram milimetricamente traçados ? alguns falam em planejamento de um ano ? e servem aos que são contra os acordos de paz, os acordos de Annapolis e as propostas do Quarteto (ONU, União Européia, Rússia e EUA) e a implantação do chamado Mapa do Caminho. Tais ataques precisavam, claro, ocorrer antes da posse de Obama, que mesmo mudo como se encontra, provavelmente não o apoiaria depois de 20 de janeiro. Assim, o serviço sujo deveria ser feito no apagar das luzes do governo Bush, o mais impopular da história americana;

3. Israel sairá política e moralmente derrotado da guerra, ainda que possa infligir baixa no grupo do Hamas. Israel não aprende as lições com seus erros passados. Não se constrói a paz atirando bombas, ainda que para responder aos fogos ?Caramuru? dos guerrilheiros palestinos. Seu desgaste ampliará a cada dia mais. Se o Estado de Israel não foi contestado até agora, passará a sê-lo com força. Crescem as consciência de milhões de pessoas em todo o mundo que não aceitam as manipulações odiosas da mídia em favor de Israel, que invertem que é mocinho e quem é o verdadeiro bandido nessa questão;

4. Israel quer na verdade é a rendição incondicional dos palestinos, do Hamas, que sairá fortalecido nesse processo. Quer um cessar fogo unilateral e quer ter o eterno direito de continuar bombardeando indistintamente e matando palestinos ao seu bel prazer. Quer continuar asfixiando Gaza e matando de fome, de doenças tratáveis mais de um milhão de palestinos. Quer manter suas colônias na Cisjordânia;

5. A paz vai ficando cada dia mais distante. Ódios vão se avolumando, divergências vão se aflorando a cada dia e barreiras vão sendo erguidas e ficam cada vez mais intransponíveis. Tenho dito isso, com pesar no coração, mas é a dura realidade. Não vejo perspectivas de paz hoje;

6. Os governantes árabes, com a honrosa exceção da Síria, seguirão omissos e complacentes com tudo que acontece. Fazem, na prática, o jogo de Israel e dos americanos pró-sionismo. Lamentável. Que falta nos faz um Gamal Abdel Nasser nesses momentos. Com todos os seus exércitos ditos poderosos, porque os árabes não se levantam contra a chacina dos palestinos?

7. A ANP e o grupo Fatah saem desgastados. Não bastasse as quase quatro décadas de poder na Palestina, interrompida com a vitória do Hamas nas eleições de 2006, ainda persistem desconfianças, mal entendidos, equívocos na condução do processo de paz, denúncias de corrupção. Mas, a equivocada declaração no início dos ataques em 27 de dezembro, de Mahmoud Abbas, dizendo que Hamas é que era culpado, causou imensa polêmica e ampliou o fosse entre as várias correntes palestinas.

Assim, o melhor e mais prudente, mesmo que as feridas ainda estejam abertas, o sangue escorrendo, é um imediato cessar fogo e voltarem à mesa das negociações. Israel precisa negociar com o Hamas, reconhecê-lo enquanto governo e enquanto grupo insurgente ao mesmo tempo. Todas as partes tem que sentar á mesa. Não devo escolher com quem negocio, mas com o interlocutor que se apresenta com legitimidade e apoiado pelo povo palestino.

Tenho a absoluta certeza que a unidade nacional palestina voltará a ser restabelecido. Mais dia menos dia os palestinos vencerão, porque a justiça e a história estão com eles.

Por isso dizemos em alto e bom som: Hoje somos todos palestinos!
Para não esquecermos
Algumas regras da mídia
Doze regras de redação da mídia internacional quando o assunto é o Oriente Médio*

1) No Oriente Médio são sempre os Árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Essa defesa chama-se represália.

2) Os árabes, palestinos ou libaneses não têm o direito de matar civis. Isso se chama ”terrorismo”.

3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama ”legítima defesa”.

4) Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama ”Reação da Comunidade Internacional”.

5) Os palestinos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso se chama ”Seqüestro de pessoas indefesas.”

6) Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente são mais de dez mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinos. Isso se chama ”Prisão de terroristas”.

7) Quando se menciona a palavra ”Hezbollah”, é obrigatória a mesma frase conter a expressão ”apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã”.

8) Quando se menciona ”Israel”, é proibida qualquer menção à expressão ”apoiada e financiada pelos EUA”. Isso pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.

9) Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões ”Territórios ocupados”, ”Resoluções da ONU”, ”Violações dos Direitos Humanos” ou ”Convenção de Genebra”.

10) Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre ”covardes”, que se escondem entre a população civil, que ”não os quer”. Se eles dormem em suas casas, com suas famílias, a isso se dá o nome de ”Covardia”. Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso se chama Ação Cirúrgica de Alta Precisão”.

11) Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama ”Neutralidade jornalística”.

12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são ”Terroristas anti-semitas de Alta Periculosidade”.

* Texto da jornalista inglesa Mona Baker, do The Translator

*Lejeune Mirhan, Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Escritor, Arabista e Professor Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa, Membro da International Sociological

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abr 30 2009

Israel: Estado Bandido

Categoria: Apoiamos,Internacional,Israel,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 17:31

Reportagem completa AQUI:

Visando expandir seu poder e influencia no Oriente Médio, os Estados Unidos tem um papel protagonista nessa história. Ainda para Mirha, “Quando o comércio era basicamente marítimo, todas as rotas que saiam da Índia e da China para chegar a Europa passavam pela Palestina para atravessar o Mediterrâneo, tornando a região estratégica. Já no século XX, desgraçadamente os Estados Unidos fizeram um furinho e descobriram que o Oriente Médio é a região mais petrolífera do mundo, sendo necessário colocar ali uma cabeça de lança que defendesse seus interesses. A solução foi apoiar a criação de um Estado totalmente artificial.”

Incentivando a imigração para a Palestina, os americanos financiavam a compra de armamento pelos judeus, que embasados na idéia do “soldado cidadão” treinavam seu povo militarmente para combate. E é essa força militar que é usada em atentados contra aldeias palestinas, como no episódio do massacre da aldeia de DERIASSIM, dois anos antes da criação do Estado de Israel, onde 247 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas pelo grupo judeu sionista Irgun.

Mas esse e outros atentados contra os palestinos não ganharam repercussão. O mundo, principalmente a Europa, se sentia culpado pela conivência que tiveram com os crimes cometidos durante o Holocausto, e a maneira de se redimir foi colocar a questão judaica em primeiro plano.

A criação do Estado de Israel se tornou pauta na agenda internacional, até que em reunião na sede da Organização das Nações Unidas, em Washington, durante uma votação apertada, 33 votos a favor – incluindo o do Brasil e da União Soviética, e 30 contra; ficou declarado oficialmente que a partir de 14 de maio de 1948, o mapa do mundo ganharia mais um país, Israel.

Para o sociólogo a resolução da ONU foi polêmica, implicando na criação de dois Estados, o de Israel e o Palestino, sendo que o primeiro teria 52% das terras, e o segundo 48%.

“Todos os países árabes votaram contra Israel, pois aqueles que antes eram donos de 100% da terra perderam em uma assinatura 52% dela. Sem contar que as terras israelenses eram as mais aráveis, os palestinos ficaram com a parte mais seca. Hoje chamamos Israel de estado bandido porque a única resolução da ONU que o estado acatou foi essa, todas as outras ele descumpre. E isso foi possível ver nesta última ocupação em Gaza, com o uso indiscriminado de fósforo branco.”

Anakba
Enquanto os judeus comemoravam sua vitória, e os sionistas se preparavam para ser o grupo político hegemônico dentro do novo país, o dia 14 de maio de 1948 foi para os palestinos o dia da Anakba, que em árabe quer dizer catástrofe.

O território palestino foi limitado às regiões da Faixa de Gaza, Cisjordânia, e parte oriental de Jerusalém, e as pessoas que viviam onde se construiria o novo país foram violentamente retiradas de suas casas pelo embrião do poderoso exercito israelense, dando início à saga dos refugiados palestinos.

“Quando Ben-Gurion proclama o Estado de Israel, ele traz junto de seu projeto imperialista travar uma guerra contra seus vizinhos, e ocupar seus territórios, e é isso que vemos até hoje. Os Estados Unidos financiam as invasões israelenses, eles tem uma ligação umbilical tão estreita que todo o ano separam 5 bilhões de seu orçamento para ser enviado a Israel”, revela Lejeune Mirhan.

E o sociólogo continua: “Desde a fundação do Estado de Israel existia um projeto chamado ‘Grande Israel’, que consistia na ocupação de toda a Palestina, o Sinai, o Sul do Líbano, e parte do Egito. Tanto que em 1967, Israel monta uma grande ofensiva militar que fica conhecida como Guerra dos Seis Dias, momento em que o exercito israelense pegou todos os países árabes de surpresa, dizimando toda a força aérea egípcia, síria e jordaniana, sem antes delas terem conseguido decolar.”

Nesse momento Israel expande consideravelmente suas fronteiras – antes da Guerra dos Seis Dias o território palestino já estava restrito a 22%, conseqüência de constantes ocupações – limitando a Palestina àquilo que é hoje, apenas 8% de toda a terra.

Mesmo a ONU considerando totalmente ilegais as terras conquistadas nesse episódio, e votando a resolução 242 que exigia a retirada de todos os assentamentos israelenses em terras árabes, Israel nunca a cumpriu.

Camila Martins é socióloga e repórter na revista Caros Amigos

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abr 28 2009

A verdade incomoda

Categoria: Apoiamos,Internacional,Israel,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 18:24

Do Oriente Médio Vivo:

A verdade é uma grande inimiga do Estado de Israel. O recente boicote ao presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Racismo, sediada em Genebra na última segunda-feira (dia 20), prova que o Ocidente tem uma séria dificuldade em encarar fatos que são extremamente simples, de conhecimento público e registrados nos documentos da própria ONU. A saída parece ser ignorar a realidade.

A mídia ocidental elogiou a decisão dos representantes de 23 países que abandonaram a conferência quando Ahmadinejad começou a discursar. A decisão foi interpretada como um “gesto espontâneo”, uma “revolta” com relação às palavras do iraniano. Como de costume, ninguém ouviu o que ele tinha a dizer. Acontece que tudo isso fora combinado antes, nos bastidores da reunião. Antes mesmo de Ahmadinejad subir ao palanque, os líderes ocidentais estavam cientes de que não dariam voz ao iraniano. O fato foi revelado pelo embaixador britânico, o judeu Peter Gooderham, um dos organizadores do boicote. “Assim que o presidente Ahmadinejad começou a falar de Israel, foi o momento para darmos o fora. Nós combinamos de antemão que, se ele usasse essa retórica, nós não toleraríamos”, disse Gooderham. Sendo assim, a saída às pressas dos embaixadores ocidentais deve ser vista com outros olhos: tratou-se de um teatro, organizado justamente para calar Ahmadinejad. Ao invés das palavras do líder iraniano serem ouvidas, a mídia mundial comentou somente sobre o boicote ocidental.

Basta um pouco de pesquisa e interesse para descobrir que o teatro de Genebra foi orquestrado pelos lobistas sionistas. Em novembro de 2008, enquanto os últimos detalhes sobre a conferência eram organizados, o lobby sionista britânico Conselho de Representantes dos Judeus Britânicos, equivalente ao Aipac nos Estados Unidos, comunicou que Elizabeth Harris, a Diretora de Assuntos Públicos do grupo, havia participado de um “comitê preparativo” em Genebra com Peter Gooderham, o embaixador britânico que organizou o boicote. Segundo o comunicado do lobby, Harris e Gooderham tiveram “reuniões construtivas” sobre como encarar a conferência. Obviamente, foi nesse período que todo o teatro foi preparado. Falar então em “gestos espontâneos” e “revolta” representa uma desonra. É confiar na ingenuidade e ignorância do público.

Após a conferência, ao ser questionado sobre a diferença entre sionismo e racismo, o tópico levantado por Ahmadinejad, Gooderham foi breve: “sionismo é um movimento político, e racismo é outra coisa – nós reconhecemos quando vemos”. Tão breve quanto confuso, foi com essa “clareza” que o boicote foi organizado. Mas a história, e a própria ONU, são testemunhas de que não é tão fácil assim livrar Israel das acusações de racismo. Uma derrota moral de Israel aconteceu em 10 de novembro de 1975, após uma eleição da Assembleia Geral da ONU. Entre as 139 nações presentes, a Assembléia determinou que “o conceito de ‘sionismo’ é uma forma de racismo, de discriminação racial”. E o sionismo permaneceu uma forma de racismo até 1991, quando a pedido do presidente George H. W. Bush a ONU aprovou a Resolução 4686, que anulou a Resolução 3379. Em função das circunstâncias suspeitas, essa foi a resolução da ONU com um dos textos mais curtos da história, afirmando somente: “A Assembleia Geral decide revogar a determinação contida na Resolução 3379, de 10 de novembro de 1975” – nada mais. Ironicamente, não houve qualquer explicação para que o sionismo deixasse de ser uma forma de racismo.

É nesse contexto de dois pesos e duas medidas que o Ocidente julga discursos como os de Ahmadinejad. Todos sabem que o plano sionista envolve a expansão do Estado de Israel da Jordânia ao Mediterrâneo, do Eufrates ao Nilo, conduzindo um processo de expulsão e limpeza étnica dos árabes nativos dessas regiões. Isso está claramente documentado pelos próprios sionistas, e é conhecimento público. Israel se declara o “lar nacional judaico”, um Estado fundado especificamente para um determinado povo, que se intitula “os únicos escolhidos por Deus”. Se isso não é discriminação étnica, o que seria? A situação fica ainda mais humilhante quando se considera que as terras que Israel ocupa são de direito do povo palestino, expulsos à força pelos invasores sionistas. Dessa forma, Israel representa um caso único. Como é que nações supostamente morais e civilizadas, que conseguem ver nos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial um crime, não conseguem enxergar que o mesmo está sendo cometido hoje contra a nação palestina.

Ao que tudo indica, ninguém sabe responder a essa pergunta. Nenhum dos líderes que organizaram ou participaram do boicote foram capazes de explicar o que teria sido ofensivo no discurso de Ahmadinejad. Sendo assim, a grande ofensa foi não ter escutado, afinal, a verdade é a maior vítima da ONU há 60 anos. Mais uma vez os líderes racistas de Tel Aviv conseguiram enganar a todos, e novamente os povos do Ocidente caíram na armadilha.

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fev 03 2009

Sob a bandeira preta da ilegalidade

Categoria: Internacional,Israel,PolíticaSenhor_do_Servo @ 17:03

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por Uri Avnery com tradução de Caia Fittipaldi publicada no Viomundo.

UM JUIZ ESPANHOL iniciou inquérito judicial em que acusa vários políticos, militares e personalidades israelenses por prática de crime de guerra e de crime contra a humanidade. Fato gerador: a bomba de uma tonelada lançada em 2002 sobre a casa de Salah Shehade, líder do Hamás. Além da vítima visada no atentado, foram mortas outras 14 pessoas, a maioria das quais, crianças.

Para os que tenham esquecido: o então comandante da Força Aérea de Israel, Dan Halutz, foi entrevistado, à época, sobre o que sentia quando bombardeava um prédio residencial. A resposta dele, inesquecível: “Uma leve trepidação na asa.” Quando nós, do Gush Shalom [Movimento da Paz] o acusamos por crime de guerra, exigiu que fôssemos julgados, nós, acusados de traição. Com ele estava o primeiro-ministro, Ariel Sharon, que nos acusou de desejar “entregar os oficiais do exército de Israel ao inimigo”. Fomos oficialmente notificados pelo Procurador Geral de que o Estado de Israel não investigaria o ataque à bomba.

Eu deveria estar feliz, portanto, que, depois de tanto tempo, alguém tenha decidido dar andamento àquele processo (por mais que pareça motivado por pressão política). Mas lamento que tenha acontecido na Espanha, não em Israel.

Os telespectadores em Israel têm sido brindados com imagens bizarras: os oficiais do exército mascarados, como criminosos comuns, porque a lei passou a proibir que sejam identificados. Como os pedófilos e os estupradores.

As ordens dos censores militares aplicam-se a todos os oficiais, de comandantes de batalhão para baixo e que tenham participado na guerra de Gaza. Dado que já se conhecem todas as caras dos comandantes de brigada para cima, o mascaramento obrigatório não os inclui.

Imediatamente depois do cessar-fogo, o ministro da Defesa, Ehud Barak, assinou lei especial que dá apoio e cobertura especiais do Estado a todos os soldados e oficiais que participaram da guerra de Gaza e que possam ser acusados, em qualquer lugar do mundo, por prática de crime de guerra. O que parece confirmar um ditado hebraico: “Em cabeça de ladrão, chapéu pega fogo.”

NADA TENHO a objetar a esses processos fora de Israel. O que interessa é que os criminosos de guerra, como os piratas, sejam julgados. Não importa muito onde sejam presos. (Essa foi a regra aplicada pelo Estado de Israel quando sequestrou Adolf Eichmann na Argentina e o enforcou em Israel por crimes cometidos fora do território de Israel e, de fato, antes de Israel existir.)

Mas sou israelense e patriota e preferiria que israelenses suspeitos de crime de guerra fossem julgados em Israel. Porque é necessário, por respeito aos oficiais e soldados decentes do exército de Israel e para educar as futuras gerações de cidadãos e de soldados.

Não é preciso recorrer só às leis internacionais. O Estado de Israel tem leis contra crimes de guerra. Basta lembrar a sentença imortal cunhada por Binyamin Halevy, em função de juiz militar, no julgamento que condenou os policiais israelenses de fronteira, responsáveis, em 1956, pelo massacre em Kafr Kassem, quando dúzias de crianças, homens e mulheres foram assassinados por violar um toque de recolher que nem sabiam que houvesse sido implantado.

O juiz declarou que mesmo em tempos de guerra há ordens que carregam a “bandeira preta da ilegalidade”. São ordens “manifestamente” ilegais – isso é, ordens que qualquer pessoa normal sabe que são ilegais, sem precisar consultar advogados.

Criminosos de guerra envergonham o exército cujo uniforme vistam – sejam generais ou soldados rasos. Como soldado combatente que eu era, no dia em que as Forças de Defesa de Israel, o exército de Israel, foi oficialmente criado, envergonho-me dos criminosos de guerra e exijo que sejam expulsos do exército e julgados em Israel.

Minha lista de suspeitos inclui políticos, soldados, rabinos e advogados.

NÃO HÁ nem sombra de dúvida de que, na guerra de Gaza, cometeram-se crimes de guerra. Falta determinar quem os cometeu e a extensão dos crimes.

Exemplo: soldados gritaram para os moradores de uma casa, que saíssem. Uma mulher e quatro crianças saíram, usando lenços como bandeiras de rendição. É absolutamente claro que não eram combatentes armados. Um soldado de um tanque próximo levantou-se, mirou e matou-os a queima-roupa. Segundo testemunhas das quais nada autoriza a duvidar, aconteceu mais de uma vez.

Outro exemplo: o bombardeamento da escola da ONU, repleta de refugiados, de onde não saiu um único tiro – o que até o exército já admitiu, depois de desmascaradas as desculpas iniciais.

Esses são casos “simples”. Mas o espectro de casos é muito mais amplo. Uma investigação judicial criteriosa teria de começar por cima: pelos políticos e oficiais superiores que decidiram iniciar a guerra e autorizaram os planos; todos esses têm de ser investigados a partir das decisões que tomaram. Em Nuremberg fixou-se para sempre o entendimento de que é crime iniciar guerra de agressão.

Investigação objetiva tem de determinar se se justifica a decisão de iniciar a guerra de Gaza, ou se haveria outros meios para deter o lançamento de foguetes contra o território de Israel. Claro que país algum aceitaria que suas cidades e vilas fossem bombardeadas. Mas não haveria meio de evitar que fossem, no caso de Israel, mediante contato com as autoridades em Gaza? A verdadeira causa da guerra de Gaza foi a decisão, pelo governo de Israel, de boicotar o Hamás, vencedor de eleiçõs democráticas na Palestina? O bloqueio imposto a 1,5 milhão de habitante da Faixa de Gaza contribuiu para que começassem os ataques com Qassams? Em resumo: antes de decidir iniciar uma guerra brutal, o governo de Israel considerou devidamente todas as alternativas?

O plano de guerra incluiu ataque massivo contra a população civil na Faixa de Gaza. O real objetivo da guerra pode ser inferido, menos das declarações oficiais dos que a iniciaram e mais de suas ações. Se nessa guerra foram mortos cerca de 1.300 homens, mulheres e crianças, a maioria dos quais não eram combatentes; se cerca de 5.000 pessoas foram feridas, a maioria das quais, crianças; se mais de 2.500 residências foram destruídas total ou parcialmente; se a estrutura básica de vida foi totalmente demolida em Gaza – é evidente que nada disso aconteceria acidentalmente. Tudo isso tem, necessariamente, de ter sido parte do plano de guerra.

O que políticos e oficiais do exército de Israel declararam durante a guerra deixa claro que o plano de guerra visava a pelo menos dois objetivos; e ambos configuram crime de guerra: (1) causar morte e destruição em larga escala, para “fixar um preço”, “para marcar a fogo a consciência [do inimigo]“, “para reforçar o poder de contenção” e, sobretudo – para levar a população a levantar-se contra o Hamás e derrubar o governo. Evidente que, em todos esses objetivos, o alvo sempre foi a população civil. E (2) evitar baixas no exército de Israel a (literalmente) qualquer preço, destruindo tudo, prédios e vidas humanas nas áreas nas quais o exército de Israel se movesse, destruindo também casas habitadas e impedindo o socorro aos feridos, matando gente indiscriminadamente. Em alguns casos, os habitantes foram avisados de que fugissem, mas foi gesto para, apenas, contruir algum álibi: não havia para onde fugir e os fugitivos também foram fuzilados durante a fuga.

Uma corte independente terá de decidir se tal plano de guerra respeita a legislação nacional e internacional, ou se, desde o início, configura crime de guerra e crime contra a humanidade.

Foi guerra entre um exército regular com grande capacidade de ataque contra uma força de guerrilha. Mas nem em guerras assim tudo é permitido. Argumentos como “os terroristas do Hamás escondiam-se entre os civis” e “usaram a população como escudos humanos” servem talvez para propaganda, mas nada mudam, de substancial: é sempre assim em guerra de guerrilhas. E o grande risco de atingir civis tem de ser considerado na decisão de iniciar uma guerra sob essas condições.

Em Estado democrático, os militares são subordinados aos dirigentes políticos. OK. Mas isso não inclui obedecer ordens “manifestamente” ilegais, sobre as quais paire “a bandeira preta da ilegalidade”. Desde os julgamentos de Nuremberg, já não se aceitam desculpas de “obedecer ordens”.

É indispensável, portanto, examinar a responsabilidade pessoal de todos os envolvidos – do Chefe de Estado, do Comandante Militar, do Comandante de Operações e dos Comandantes de Divisão até o último soldado. Pode-se deduzir das declarações dos soldados que muitos acreditavam que o serviço era “matar a maior quantidade possível de árabes”. Isso só significa uma coisa: não distinguir entre combatentes e não-combatentes. Essa ordem é completamente ilegal, seja explícita seja implícita numa piscadela ou num cutucão. Os soldados entenderam que esse era “o espírito do comandante”.

DENTRE os suspeitos de crimes de guerra, os rabinos têm lugar de honra.

Todos os que incitaram a prática de crimes de guerra e conclamaram os soldados, direta ou indiretamente, a cometer crimes de guerra devem também ser julgados por crime de guerra.

Quando se fala de “rabinos”, pensa-se em homens velhos, de longas barbas brancas e grandes chapéus, que dão voz a saberes veneráveis. Os rabinos que acompanharam os soldados de Israel são de espécie muito diferente.

Nas últimas décadas, a educação religiosa financiada pelo Estado, em Israel, tem formado “rabinos” que mais parecem padres católicos medievais do que os velhos sábios judeus poloneses ou marroquinos. Esse sistema de doutrinação massiva converte os jovens a uma espécie de culto tribal violento, totalmente etnocêntrico, que vê a história universal como uma história sem fim dos judeus vítimas eternas. É uma religião do Povo Eleito, indiferente a outros povos, uma religião sem compaixão por quem não seja judeu, que glorifica o genocídio decretado por Deus narrado na Bíblia, no Livro de Josué.

Os “rabinos” professores de educação religiosa dos mais jovens são os que resultam desse tipo de educação religiosa. Por influência deles, está em andamento um movimento para converter “por dentro” o exército de Israel. Oficiais que usam kippa substituíram os oficiais educados nos Kibbuts e que, até há pouco tempo, eram maioria no exército. Muitos dos oficiais das patentes médias e mais baixas do exército de Israel pertencem a esse grupo.

O exemplo mais destacado é o “Rabino Comandante”, coronel Avichai Ronsky, que declarou que sua missão é reforçar “o espírito de combate” dos soldados. É homem de extrema direita, próximo do espírito do falecido rabino Meir Kahane, cujo partido foi tornado ilegal em Israel, por militância de ideologia fascista. Os soldados receberam brochuras patrocinadas pelo rabinato do exército, com artigos desses “rabinos” de extrema direita.

Esse material inclui incitamento político, a ideia de que a religião judaica proíbe “ceder um milímetro que seja da ‘Grande Israel’”; que os palestinos, como os filistinos (nome étnico do qual deriva a palavra Palestina), são povo estrangeiro que invadiu Israel; e que ceder aos árabes (como se lê também no programa oficial do governo de Israel) seria pecado mortal. Desnecessário dizer que, evidentemente, a distribuição de propaganda política aos soldados viola, é claro, as leis militares.

Os rabinos pregaram aos soldados, abertamente, que fossem cruéis, impiedosos contra todos os árabes. Tratá-los com piedade seria – disseram eles –, “terrível, horrenda imoralidade”. Esse material foi entregue aos soldados religiosos que partiam para combate. E isso ajuda a entender por que as coisas aconteceram como aconteceram.

QUEM PLANEJOU essa guerra sabia que a sombra dos crimes de guerra pairava sobre toda a operação que estava sendo planejada. Prova: o Procurador Geral (cujo título oficial é “Conselheiro Legal do Governo” [Legal Advisor to the Government] trabalhou no planejamento da guerra. Essa semana, o Advogado Geral do Exército, Coronel Avichai Mandelblut, revelou que seus funcionários trabalharam alocados em todos os comandos, durante toda a guerra, do Gabinete do Comandante do Estado-maior Geral do Exército, até os comandos de divisão.

Tudo isso leva à conclusão inescapável de que também os conselheiros para temas legais no governo de Israel são diretamente responsáveis pelas decisões tomadas, pelas ordens distribuídas e pelas ações executadas, do massacre dos formandos de uma escola de Polícia, assassinados durante a cerimônia de formatura, até o bombardeio de instalações da ONU. Todos os advogados que participaram das deliberações antes de as ordens serem expedidas são responsáveis pelas consequências das ordens, a menos que provem que apresentaram objeção formal.

O Advogado Geral do Exército, a quem cabe dar aconselhamento técnico, profissional e objetivo ao Exército de Israel, fala de um “inimigo monstruoso” e tem tentado justificar as ações do exército, dizendo que o exército de Israel enfrentava “inimigo sem freios, que declarara que ‘ama a morte’ e esconde-se atrás de mulheres e crianças”. Essa linguagem, perdoável talvez nos discursos de algum soldado bêbado de violência e morte, como o chefe de batalhão que ordenou que seus soldados se suicidassem, se houvesse risco de serem capturados, é totalmente inadmissível no discurso do principal advogado-oficial conselheiro do Exército de Israel.

TEMOS DE SEGUIR os trâmites legais, todos eles, em Israel, e exigir investigação independente e lutar até que sejam indiciados todos os criminosos que cometeram crime de guerra, na guerra de Gaza. Temos de exigir que se cumpram esses imperativos de lei, ainda que as chances de que se venham a cumprir sejam, de fato, mínimas.

Se nossos esforços falharem, ninguém terá o que objetar se Israel for julgado em tribunais no exterior, seja em corte internacional seja em cortes nacionais de países que respeitam os direitos humanos e a lei internacional.

Até lá, Israel vive sob a bandeira preta da ilegalidade.

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jan 15 2009

A Rosa de Gaza

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 08:29

Uraniano Mota, do Direto da Redação

Recife (PE) – Um poema de Vinícius ordena, suplica que “Pensem nas crianças mudas telepáticas. Pensem nas meninas cegas inexatas. Pensem nas mulheres rotas alteradas. Pensem nas feridas como rosas cálidas…”.

É esse poema, A Rosa de Hiroxima, é essa talha em versos que ordena, que resiste e insiste em nossa memória, quando vemos a foto de Somaeah Hassan, de 6 anos, abatida na faixa de Gaza. Essa flor fuzilada, entre gazes, olhinhos semicerrados, é a própria Rosa da Palestina. Contenhamos a velocidade da mão, refreemos a velocidade da escrita, represemos o fluxo da leitura. Pedimos uma pausa no caleidoscópio, nas luzes fugazes, frívolas, vulgares do incessante ir e vir do noticiário de todos os dias. Somaeah Hassan está morta. Calma, buldogues, fechem suas bocas, canos quentes de balas, suspendam a digitação, noticiaristas, segurem por um instante a divulgação do mais quente e recente escândalo. Porque o escândalo já está feito: Somaeah Hassan está morta. Na foto, seus olhinhos se negam a compreender o horror das balas que a levantaram do chão de refugiados de Rafah. Negaram-se é maneira de dizer. São incapazes, nos seus 6 anos. Mais tempo houvesse, mais vida, outra vida tivesse, Somaeah compreenderia e se negaria a compreender o horror maior do seu povo cercado como cães raivosos. E a raiva, em cães, se abate. Mas a raiva, em gente feita cão, não se abate – apenas cresce, quando a crianças como Hassan abatem.

Refreemos a mão. É difícil. Mas tentemos.

Era bom, assim pede a paz que nosso peito deseja, era bom um lugar-comum que nos ajudasse, que nos socorresse. Dizer, por exemplo, que assim é a guerra, cruel como todas as outras, que nela não existem santos e demônios, que a guerra nos transforma a todos em anjos das trevas. Dito isto, seria melhor dizer que o terror feito pelo Estado de Israel apenas é uma resposta ao terror sofrido antes por sua gente. Dito isto, podemos afinal dizer que o mal e o mau têm que ser destruídos, para que só então a paz volte.

Mas, ao chegarmos a este passo, perguntamos: mas de que mal e maus vocês falam, caras-pálidas? Pois será que ninguém ainda notou que a nossa cara tem a cara e o sangue da gente palestina? Que eles, os palestinos, são a nossa própria cara? Será que ninguém ainda percebeu que o desespero dos povos palestinos é o nosso próprio desespero em outras terras e em outras circunstâncias? Aquele mesmo desespero que acomete a gente em situações-limite? Ainda que os Estados Unidos mandem fazer a volta ao mundo uma negra para consumo externo, ela apenas nos aparece como um novo Al Jolson, com a cara tisnada. Os interesses de que ela fala não são os nossos. Servem à mesma rosa atômica que se fez cair em Hiroxima e Nagasáqui.

Então voltemos, mais serenos. Mas, desgraça, descobrimos: serenos, não temos mais mãos. Temos somente uma grande letargia. Então quebremos o torpor, voltemos ao princípio.

“A rosa hereditária, a rosa radioativa, estúpida e inválida. A rosa com cirrose, a anti-rosa atômica” sofreu uma tradução no campo de refugiados da faixa de Gaza. Ela se fez uma rosa fuzilada, a Rosa da Palestina, no corpinho frágil de Somaeah Hassan. Essa menina nos fere como uma filhinha morta. Ela, em árabe, em dialeto, em outra língua, nos fala e a compreendemos como compreendemos e amamos uma própria filha que o nosso sêmen esculpiu. Mais: como um serzinho esculpido por nós por um nosso irmão. Mais: irmão com um sentido de irmão mais fundo que o genético. Mais: com um sentido de irmão mais fundo que o racial. Mais: com um sentido de irmão mais fundo que o nacional. Mais, finalmente: com um sentido de irmão que é o próprio sentido de humanidade. Hassan é a nossa própria humanidade abatida. Ela se abre em outras rosas que se despedaçam em Jerusalém. Rosas que em vez de pétalas jogam carnes, fígado, coração e intestinos.

Já secamos as lágrimas. Não nos perguntem portanto por que vomitamos. Nós não queríamos ter essas Rosas da Palestina.

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jan 14 2009

As verdades por trás das mentiras

Categoria: Apoiamos,Ceticismo,CulturaSenhor_do_Servo @ 14:42

Counterpunch, através do Viomundo:

Norman Finkelstein é autor de cinco livros, entre os quais Image and Reality of the Israel-Palestine Conflict, Beyond Chutzpah and The Holocaust Industry, traduzidos para mais de 40 idiomas. Esse artigo está publicado também em sua página internet, em www.NormanFinkelstein.com

O registros existem e são muito claros. Qualquer pessoa encontra na internet, na página do governo de Israel e, também, na página do ministério de Negócios Exteriores de Israel. Israel desrespeitou o cessar-fogo, invadiu Gaza e matou seis ou sete (há controvérsia quanto ao número de assassinados, não quanto ao crime de assassinato) militantes palestinenses, dia 4/11. Depois, o Hamás respondeu ou, como se lê nas páginas do governo de Israel “o Hamás retaliou contra Israel e lançou mísseis.”

Quanto aos motivos, os documentos oficiais também são claros. O jornal Haaretz já informou que Barak, ministro da Defesa de Israel, começou a planejar o massacre de Gaza muito antes, até, de haver acordo de cessar-fogo. De fato, conforme o Haaretz de ontem, a chacina de Gaza começou a ser planejada em março.

Quanto às principais razões do massacre, acho, há duas. Número um: restaurar o que Israel chama de “capacidade de contenção do exército” e que, em linguagem de leigo, significa a capacidade de Israel para semear pânico e morte em toda a região e submetê-la mediante a pressão das armas, da chantagem, do medo. Depois de ter sido derrotado no Líbano em julho de 2006, o exército de Israel entendeu que seria importante comunicar ao mundo que Israel ainda é capaz de assassinar, matar, mutilar e aterrorizar quem se atreva a desafiar seu poder pressuposto absoluto, acima de qualquer lei.

A segunda razão pela qual Israel atacou Gaza é culpa do Hamás: o Hamás começou a dar sinais muito claros de que deseja construir um novo acordo diplomático a respeito das fronteiras demarcadas desde junho de 1967 e jamais respeitadas por Israel.

Em outras palavras, o Hamás sinalizou que está interessado em fazer respeitar exatamente os mesmos termos e conceitos que toda a comunidade internacional respeita e que, em vez de resolver os problemas a canhão e com campanhas de mentiras por jornais e televisão, estaria interessado em construir um acordo diplomático.

Aconteceu aí o que Israel poderia designar como “uma ameaçadora ofensiva de paz chefiada pelos palestinenses”. Imediatamente, para destroçar a ofensiva de paz, o governo e o exército de Israel desencadearam campanha furiosa para destroçar o Hamás.

A revista Vanity Fair publicou, em abril de 2008, em artigo assinado por David Rose, baseado, por sua vez em documentos internos dos EUA, que os EUA estavam em contato estreito com a Autoridade Palestinense e o governo de Israel, organizando um golpe para derrubar o governo eleito do Hamás, e que o Hamás conseguira abortar o golpe. Isso não é objeto de discussão: esse fato é estabelecido, documentado e há provas.

A questão passou a ser, então, impedir o Hamás de governar, e ninguém governa sob bloqueio absoluto, bloqueio que desmantelou toda a atividade econômica em Gaza. Ah! Vale lembrar: o bloqueio começou antes de o Hamás chegar ao poder (eleito!). O bloqueio nada tem ou jamais teve a ver com o Hamás. Quanto ao bloqueio, os EUA despacharam gente para lá, James Wolfensohn especificamente, para tentar pôr fim ao bloqueio, depois de Israel ter invadido Gaza.

O xis da questão é que Israel não quer que Gaza progrida, sequer quer que viva, e Israel não quer ver nenhum conflito encaminhado por vias diplomáticas, que tanto os líderes do Hamás em Damasco, quanto os líderes do Hamás em Gaza têm repetidas vezes declarado que buscam, sempre com vistas a resolver o conflito relacionado às fronteiras demarcadas em 1967, fronteiras que Israel jamais respeitou. Tudo, até aí, são fatos registrados e comprovados. Não há qualquer ambigüidade: tudo é bem claro.

Todos os anos, a Assembleia da ONU vota uma resolução intitulada “Solução pacífica para a questão da Palestina”. E todos os anos o resultado é o mesmo: o mundo inteiro de um lado; Israel, EUA, alguns atóis dos mares do sul e a Austrália, no lado oposto. Ano passado, o resultado da votação foi 164 a 7. Todos os anos, desde 1989 (em 1989, o resultado foi 151 a 3), é sempre a mesma coisa: o mundo a favor de uma solução pacífica para a questão da Palestina; e EUA, Israel e a ilha-Estado de Dominica, contra.

A Liga Árabe, todos os 22 Estados-membros da Liga Árabe, são favoráveis a uma chamada “Solução dos Dois Estados”, com as fronteiras determinadas em junho de 1967. A Autoridade Palestinense é favorável à mesma “Solução dos Dois Estados” e às mesmas fronteiras determinadas em junho de 1967. E o Hamás também é favorável à mesma “Solução dos Dois Estados” e às mesmas fronteiras demarcadas em junho de 1967. O problema é Israel, patrocinado pelos EUA. Esse é o problema.

Bem… Há provas de que o Hamás desejava manter o cessar-fogo; exigiu, como única condição, que Israel levantasse o bloqueio de Gaza. Muito antes de começarem os rojões do Hamás, os palestinenses já enfrentavam terrível crise humanitária, por causa do bloqueio. A ex-Alta Comissária para Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson, descreveu o cenário que testemunhou em Gaza como “destruição de uma civilização”. Isso, durante o cessar-fogo.

O que se vê nos fatos? Os fatos mostram que nos últimos mais de vinte e tantos anos, toda a comunidade internacional procura um modo de resolver o conflito das fronteiras de 1967, com solução justa para a questão dos refugiados. Será que 164 Estados-membros da ONU estão sempre errados, e certos e pacificistas seriam só EUA, Israel, Nauru, Palau, Micronésia, as ilhas Marshall e a Austrália? Quem é pacifista? Quem trabalha contra a paz?

Há registros e documentos que comprovam que, em todas as questões cruciais discutidas em Camp David; depois, nos parâmetros de Clinton; depois, em Taba, em cada ponto discutido, os palestinenses sempre fizeram concessões. Israel jamais concedeu qualquer coisa. Nada. Os palestinenses repetidas vezes manifestaram decisão de superar a questão das fronteiras de 1967 em estrito respeito à lei internacional.

A lei também é claríssima. Em julho de 2004, a Corte Internacional de Justiça, órgão máximo da ONU para questões de direito internacional, declarou que Israel não tem direito de ocupar nem um metro quadrado da Cisjordânia nem um metro quadrado de Gaza. Israel tampouco tem qualquer direito sobre Jerusalém. O setor Leste de Jerusalém, os bairros árabes, nos termos da decisão da mais alta corte de justiça do planeta, são território da Palestina ocupado ilegalmente por Israel. Também nos termos de decisão da mais alta corte de justiça do planeta, nos termos da lei internacional, todas as colônias de judeus que há na Cisjordânia são ilegais.

O ponto mais importante de tudo isso é que, em todas as ocasiões em que se discutiram essas questões, os palestinenses sempre aceitaram fazer concessões. Fizeram todas as concessões. Israel jamais fez qualquer concessão.

O que tem de acontecer é bem claro. Número um, EUA e Israel têm de se aproximar do consenso da comunidade internacional e têm de respeitar a lei internacional. Não me parece que trivializar a lei internacional seja pequeno crime ou pequeno problema. Se Israel contraria o que dispõe a lei internacional, Israel tem de ser acusada, processada e julgada em tribunais competentes, como qualquer outro Estado, no mundo.

O presidente Obama tem de considerar o que pensa o povo dos EUA. Tem de ser capaz de dizer, com todas as letras, onde está o principal obstáculo para que se chegue a uma solução para a questão da Palestina. O obstáculo não são os palestinenses. O obstáculo é Israel, sempre apoiada pelo governo dos EUA, que, ambos, desrespeitam a lei internacional e contrariam o voto de toda a comunidade internacional.

Hoje, o principal desafio que todos os norte-americanos temos de superar é conseguir ver a verdade, por trás das mentiras.

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jan 14 2009

0729 – Boicote aos produtos de Israel

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 12:32

Do Blog do Altamiro:

Durante a longa e heróica resistência ao apartheid, os lutadores anti-racistas da África do Sul contaram com uma inestimável solidariedade internacionalista. Além dos crescentes e massivos protestos de rua, um movimento mundial de boicote às multinacionais daquele país, que sempre lucraram com o segregacionismo, contribuiu decisivamente para isolar os racistas. Agora, diante da barbárie promovida por Israel na Faixa de Gaza, um apelo internacionalista semelhante ganha corpo. A idéia é não comprar produtos fabricados pelos sionistas, que hoje escondem o “made in Israel” para driblar a repulsa mundial, mas tem o código de barras iniciado com o número 0729.

Este movimento de solidariedade, que adquiriu velocidade pela rede da internet nos últimos dias, teve início nos meios universitários da Europa e dos EUA. Uma das promotoras deste boicote é Olícia Zemor, uma judia indignada com as políticas genocidas de Israel – o que confirma que o movimento não tem qualquer marca anti-semita e nem é contra o povo israelense, mas sim contra a política terrorista e expansionista do Estado e das classes dominantes daquele país. Segundo ela explicou, em Paris, “o boicote se tornará ainda mais abrangente e eficaz quando os consumidores memorizarem o código de identificação internacional dos produtos israelenses, o 0729”.

Produção em “terras roubadas”

“Os europeus, em particular, precisam saber que muitos dos produtos israelenses, beneficiando-se das tarifas preferenciais da UE, são fabricados nos territórios palestinos ilegalmente ocupados pelos colonos judeus, incluindo áreas ‘anexadas’ há pouco – e nisso é utilizada a água que Israel usurpa também, para não dizer rouba, dos palestinos”, advertiu a corajosa judia. Outro ativista da jornada de boicote, o escritor Maurice Rajsfus, de 74 anos, explicou os motivos da sua adesão:

“Há muitos cidadãos judeus, como eu, que não vivem no passado, com esta vontade de transferir o ódio para os outros, de fazer os palestinos pagarem pelos crimes nazistas. O melhor modo de não se esquecer do holocausto consiste em evitar que outros homens, mulheres e crianças sejam reprimidas, sob indiferença geral”. No âmbito universitário, o movimento já reúne 120 docentes europeus e estadunidenses, vários de origem judaica, que defendem a suspensão do intercambio com suas homólogas israelenses. No meio artístico, ele gerou o cancelamento de temporadas na Europa de companhias de dança e música israelense, enquanto congêneres européias decidiram não participar do próximo Festival de Israel. Também ocorrem protestos em ginásios de esporte.

Comércio já sente os efeitos

Segundo a imprensa européia, o boicote, deflagrado no meio universitário, já obteve o apoio de comerciantes e industriais e preocupa os empresários israelenses. Até agora, porém, nenhum país ocidental se declarou favorável ao movimento. Em abril passado, diante do bloqueio sionista à economia palestina, o Parlamento Europeu até discutiu sanções contra Israel, mas a proposta foi rejeitada pela Comissão Executiva da União Européia. Apesar disto, as exportações israelenses para o velho continente já caíram cerca de 20%, atingindo especialmente o comércio de armas.

Alguns fornecedores europeus também têm se recusado a vender várias peças de reposição para geladeiras e máquinas de lavar, “sob o pretexto que elas poderão servir à fabricação de mísseis”. Sob pressão, a Alemanha decidiu retardar o fornecimento de motores e caixas de câmbio para os tanques e carros de combate Merkava, utilizados pelo exército israelense. Já industriais gregos e holandeses suspenderam a venda de detergentes de cozinha, argumentando que tais produtos são “potencialmente armas químicas”. Empresários de origem palestina têm jogado papel decisivo na campanha, superando a passividade na defesa dos seus irmãos de Gaza e da Cisjordânia.

O papel ativo do sindicalismo

Além disso, o que é bastante sintomático sobre o papel que o proletariado pode jogar, estivadores noruegueses impediram recentemente a entrada no porto do Oslo de um cargueiro transportando mercadorias israelenses. Pouco depois, alguns dos principais sindicatos da Escócia, Dinamarca e Noruega conclamaram os trabalhadores a não comprar nos supermercados os produtos “made in Israel”, principalmente o das suas poderosas multinacionais. O movimento do boicote já tem sido divulgado nos protestos de rua na Europa organizados, entre outros, pelas centrais sindicais.

O Brasil, que infelizmente ainda não tem uma cultura de solidariedade internacionalista, bem que poderia aderir ao movimento mundial das redes pelo boicote aos produtos sionistas. As primeiras manifestações contra o genocídio em Gaza, embora tímidas, já pipocam pelo país, a partir do ato em São Paulo, que reuniu 600 pessoas e teve o apoio das entidades e igrejas árabes, dos partidos de esquerda (PCdoB, PT, PSOL, PSTU e PCB) e dos movimentos sociais. Outras manifestações contra o terrorismo de Israel já estão agendadas para esta semana. Seria uma ótima oportunidade para divulgar o número 0729, da campanha mundial de boicote aos produtos sionistas.

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