mai 14 2010

A verdade sobre as privatizações

Categoria: Biografia,José Serra,PolíticaSenhor_do_Servo @ 17:19

Jorge da Mota e Silva: Delação premiada

Jorge da Mota e Silva, no Correio Brasiliense pelo Viomundo

Preliminarmente, registro que, durante cinco anos, cinco meses e cinco dias, me impus silêncio total sobre as críticas infundadas que a mídia nacional publicou e ainda publica contra a Telebrás. Período em que tive a honra e o privilégio de presidi-la. Não ocuparei espaço para relatar o que foi feito durante a minha gestão. Tenho certeza de que serei lembrado pelo que não deixei que fizessem: fechá-la. Lutei quase solitariamente, tive apenas o apoio da diretoria, dos conselhos de Administração, Fiscal e de empregados dedicados.

Só agora, quando deixo a presidência, dou esse grito sufocado por tanto tempo, para repor o verdadeiro papel que teve a empresa ao longo desses 38 anos de existência. A grande transformação das telecomunicações brasileiras deu-se após a sua criação em 1972. As redes de fibras óticas, a criação da Embratel, o uso dos satélites, as transmissões a cores pelas televisões, a modernização do sistema, integrando o Brasil de norte a sul, de leste a oeste, foram conquistas, sim, do monopólio estatal. Muitos de boa ou má fé teimam em dar como exemplo de anacronismo a estagnação da telefonia fixa, fruto de políticas adotadas pelos governos, que para manter o famigerado superávit primário impôs restrições aos investimentos, mesmo que houvesse recursos próprios das empresas estatais.

Mas eis que surgem novamente, com as garras aguçadas, os cavaleiros do apocalipse. Os gênios que criaram o atual modelo das telecomunicações, que um brilhante jornalista classifica de privataria. Não a privatização em si, mas o formato. Quem não se lembra da célebre frase estamos no limite da irresponsabilidade, em conversa gravada entre o então presidente do BNDES e um diretor do Fundo Previ (naquela época já se grampeavam as conversas telefônicas)?

O grande argumento da privataria era a busca da livre concorrência para o setor. A abertura para o capital privado, o melhor para o Estado, os exemplos de outros países etc. Hoje, os arautos do modelo da privatização, quase todos a serviço das teles, como lobistas, consultores ou empregados diretos, ganhando polpudos pro labores, querem mais incentivos do governo para levar aos brasileiros o que já deveriam ter feito ao longo desses 12 anos de gordas tarifas e perdão de obrigações assumidas nos contratos de concessão que não cumpriram. Querem sempre mais. Não bastou a distribuição que receberam, em 1998, de ativos da Telebrás da ordem de R$ 31 bilhões e, mais adiante, quase R$ 8 bilhões em compensações tributárias. Agora querem também ditar as políticas públicas de telecomunicações.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está apenas corrigindo distorções que são flagrantes no atual modelo das telecomunicações, estendendo o braço do Estado a milhões de brasileiros ávidos em participar das conquistas da tecnologia, através do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), a preços compatíveis com as suas condições econômicas.

Não é possível falar de modernização das telecomunicações no Brasil sem desfraldar a bandeira da Telebrás. Tanto é assim que, até hoje, após 12 anos, a Anatel acha imprescindível ao seu funcionamento a permanência de técnicos cedidos pela Telebrás, de reconhecida competência, que prestam relevantes serviços àquela agência reguladora.

É importante destacar que todo o arcabouço jurídico e legal que criou a Telebrás permanece inalterado. A lei que a criou, em 1972, continua em vigor. Obedece também à legislação que regula as sociedades anônimas, seu estatuto e regimento, possuindo mais de 2 milhões de acionistas, com papéis negociados na Bovespa. Não está incluída no Programa de Desestatização, sob a responsabilidade do Ministério do Planejamento. Ficou todos esses anos sem operacionalidade, fruto do modelo que deixou para a viúva apenas os ossos da privatização, representados pelo passivo judicial das ações nas áreas dos direitos civil, tributário e trabalhista.

Não seria justo terminar sem prestar a minha homenagem ao melhor dirigente que, durante 12 anos, presidiu a empresa e fez o seu logotipo ser reconhecido e respeitado internacionalmente, nas bolsas de valores de Nova York e Frankfurt. José Antônio de Alencastro e Silva será sempre lembrado pelos que reverenciam a honradez e o cumprimento do dever. Prestou grandes serviços ao Brasil, exemplo de dedicação e competência deixado na história das telecomunicações brasileiras.

Começa agora um novo tempo com o Programa Nacional de Banda Larga. A palavra chave é concorrência. Não ao monopólio privado. Essa, a minha delação. O prêmio é a volta da Telebrás.

*Jorge da Mota e Silva é jornalista, foi presidente da Telebrás

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nov 01 2009

Os filhos de FHC, VI: o roubo

Categoria: Biografia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 08:07

Governador Requião vai ao cerne da questão:

“Com privatização, FH roubou dez mil vezes mais do que qualquer desvio do governo de Lula”

“Corrupção vem dos que querem desnacionalizar o Brasil”, denunciou

A “gente não precisa nem de um roubômetro para avaliar isso: o Fernando Henrique, com toda a privataria, roubou 10.000 vezes mais do que qualquer possibilidade de desvio do governo Lula”, afirmou o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), em entrevista publicada na última edição da revista Caros Amigos. Requião ressaltou que se as investigações forem aprofundadas pegarão “o governo Fernando Henrique inteiro”. O governador condenou a política financeira implantada no país desde 1994, e falou de seu enfrentamento com grupos estrangeiros para defender os interesses do povo paranaense.

Página 3  http://www.horadopovo.com.br

Requião: se apurar o roubo a fundo, vai se “pegar o governo FH inteiro”

Para Requião, “as empresas internacionais, a proposta de desnacionalização do Brasil, os banqueiros”, que são, “os beneficiários da política econômica” financiam a corrupção

“A gente não precisa nem de um roubômetro para avaliar isso. O Fernando Henrique, com toda a privataria, roubou 10.000 vezes mais do que qualquer possibilidade de desvio do governo Lula”, afirmou o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), em entrevista publicada na última edição da revista “Caros Amigos” [ http://www.carosamigos.com.br ]. Requião ressaltou, em outro trecho da sua entrevista, que se as atuais investigações no Congresso forem aprofundadas pegarão “o governo Fernando Henrique inteiro”.

CRISE

Considerado um dos principais expoentes do PMDB, o governador fez um profundo balanço dos principais acontecimentos políticos brasileiros, reafirmou sua posição contrária à política econômica-financeira implantada no país desde 1994, falou de seu enfrentamento com grupos estrangeiros para defender os interesses do povo paranaense e desmontar um esquema de corrupção montado no governo Jaime Lerner e definiu as acusações contra o Congresso Nacional como a “crise do modelo neoliberal imposto ao Brasil”.

Requião disse estar seguro do não envolvimento do presidente Lula em qualquer caso de desvio de dinheiro público. Para Requião – que apoiou Lula na última eleição – “ele (Lula) não é ladrão. Não posso imaginar o Lula com R$ 1 de recurso público. Ele não teria nem como gastar isso saindo do governo, como usar isso, ele é um sujeito de uma integridade indiscutível”.

O governador disse que as denúncias levantadas contra um ou outro dirigente dos Correios são referente a pequenos ladrões, que têm de ir pra cadeia, mas que o cerne do problema “é o modelo econômico, que só pode funcionar com a corrupção do Congresso Nacional”. Para ele, o dinheiro da corrupção “não vem da plantação de amendoim da chácara do Lula”. “Vem dos beneficiários”, salientou Requião, “da política econômica” que são “as empresas internacionais, a proposta de desnacionalização do Brasil, os banqueiros”.

PRIVATIZAÇÃO

“Vejo o PFL batendo no Lula, não vi ninguém criticar o Palocci, eles querem a mesma política sem os sindicalistas, sem o Lula, sem o pessoal do PT. O horror (deles) é que o PT tem ocupado cargos públicos que eram feudos da elite paulista, paranaense, baiana, esse é o horror, não há nenhuma contradição da oposição com o Palocci. Eles ficam dizendo: ‘Mas como é que esse Lula, operário, agricultor, metalúrgico, torneiro é presidente da República?’”, disse Requião, ressaltando que “sempre houve corrupção, mas ela se acentua no momento do neoliberalismo, da privatização. É continuidade da mesma política”.

Não é à toa, destacou o governador, que setores da mídia propalam a doação do patrimônio público como “solução” contra a corrupção. “A solução é entregar para o ladrão, né?”, questionou. O governador ironizou Miriam Leitão que defendeu a entrega até da Petrobrás. “A Miriam Leitão é uma ‘intelectual’ de peso na crítica econômica brasileira. Eu liguei na Globo uma noite e ela estava dizendo que o fato de eu ter proibido a exportação de transgênicos no porto de Paranaguá estaria dando um prejuízo para o Estado do Paraná de 600 milhões de toneladas. Fiquei entusiasmado, porque o mundo produz 160! Daí, liguei para eles e pedi para corrigir. Não corrigiram”.

Depois de reiterar que o grande problema da corrupção está no modelo econômico e a necessidade urgente em mudá-lo, o governador respondeu a indagação sobre o “que faria se estivesse na posição do Lula”. “Faria exatamente o que estou fazendo no Paraná, teria denunciado contratos predadores, acabava com essa conversa mole de que denunciar patifaria prejudica investimento, demonstrei que não é assim”, assinalou.

Sobre os contratos que cancelou por ferirem os interesses do Estado, Requião citou os de informática, os da Copel, que estava indo à falência em virtude do roubo implantado em contratos com empresas norte-americanas e espanholas.

O governador lembrou ainda o processo de doação do Banestado: “Estamos providenciando uma ação, porque o Itaú comprou o Banestado por 1 bilhão e 600 milhões de reais, e recebeu créditos tributários de 1 bilhão e 800 milhões de reais. Além disso, o Estado ficou devendo 5 bilhões para a união, e eu pago hoje 50 milhões de reais por mês do empréstimo do Banco Central para sanear o Banestado. Trambicaço foi a venda do Banestado”.

Mesmo tendo implementado uma limpeza no estado do Paraná, Requião disse que não quer ver o seu governo definido como um governo de combate à corrupção e sim um governo de mudança do modelo econômico. “Assumi o governo, levantei as coisas e entreguei para o Ministério Público. Estou muito mais preocupado é com a modificação da estrutura econômica do Estado, dentro das possibilidades que o governo me dá, que não são grandes. Estou tentando construir e estabelecer um contraponto, por exemplo, com essa política fiscalista”, disse o peemedebista, destacando que para tanto é necessário fortalecer o Estado para que ele faça os investimentos necessários em infra-estrutura e no setor produtivo.

Requião também desqualificou a conversa fiada da chamada “reforma política” que, segundo ele, não adiantaria para nada, pois manteria o monopólio da mídia que tem poderes para construir falsas imagens de pessoas e destruir imagens. “Prefiro esse troço aberto e de repente poder procurar uns empresários nacionalistas e pedir financiamento para fazer uma crítica ao entreguismo no Brasil”, disse.

Questionado sobre a relação do governo com a mídia, o governador criticou a posição do governo federal em não investir e apoiar setores independentes da imprensa, em mídia alternativa. “Como a rede Globo pensa exatamente o que pensa o Palocci, por que é que vai investir em mídia alternativa? Nada melhor do que a rede Globo”, comentou.

Ainda sobre o papel dos setores colonizados da imprensa, Requião citou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que teve que enfrentar e vencer a imprensa entreguista para mudar o país e implementar um modelo mais justo e benéfico para o povo venezuelano. “Chávez mostrou que é possível. Veja bem, Chávez mora num país onde 5% da população é dona de 85% das terras. Ele mora num país que ainda tem o petróleo estatizado. Então acho que a gente precisava fazer uma transfusão de sangue do Chávez pro Lula, mas não exagerar na dose”, disse Requião, destacando que “o Chávez é uma maravilha venezuelana. Ele é a medida que a Venezuela precisava hoje. Você não pode transplantar o Chávez para o Brasil. Eu acho ele uma referência, um exemplo, como Kirchner”.

PROGRAMA

Ao falar sobre a candidatura própria do PMDB à presidência da República, Requião afirmou que este assunto está condicionado à formulação de um projeto de governo. “Se tiver programa, lança, se não tiver programa, não vale nada a candidatura própria. Veja bem, se isso continuar como está, nós vamos ter a grande mídia apoiando a continuidade do programa econômico sem Lula, sem os operários no poder. Você viu outro dia o Virgílio (Artur) dando pau: ‘Não, mas o Palocci é uma figura maravilhosa, ele não pode se envolver nisso…’. Eu acho que é por aí, mas tem saída. Claro que tem saída. E isso tudo é um minuto na história de um país, um segundo”, ressaltou.

“Estamos trabalhando em cima de uma proposta. Eu pedi ao Lessa (Carlos), ao Dark (Costa), ao brigadeiro Ferola e a um grupo que começassem a nos ajudar a produzir alguma coisa. Estamos formulando um programa, acho que, se a gente tiver uma boa bandeira, a gente mexe com o país”, destacou.

Hora do Povo – 20 de julho de 2005 – http://www.horadopovo.com.br

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Entrevista com Roberto Requião na revista Caros Amigos – http://www.carosamigos.com.br

A Entrevista Explosiva é com o governador do Paraná Roberto Requião, um nacionalista de quatro costados.

Entrevistadores: Carlos Azevedo, Palmério Dória, Paulo César Pereio, Marcos Zibordi, José Arbex Jr., João de Barros, Thiago Domenici, Sérgio de Souza.

http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed100/entrev_requiao.asp

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