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nov 24 2009

Tudo que você sabe sobre o Irã é um Mito

Categoria: Israel,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 18:05

Do blog do Virgílio Freire

O Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad,

O Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, começa hoje visita oficial ao nosso país.

Forme sua própria opinião, sem ser manipulado pela mídia e pelos sionistas. O artigo abaixo faz uma lúcida análise das idéias e dos discursos do líder Iraniano.

Lembre que o Irã nunca atacou, e que não ameaça atacar outros países. Israel é que tem um discurso belicista e ameaçador.

Existem alguns termos que as pessoas nos países islâmicos e ocidentais nunca deveriam dizer uns aos outros, porque confundem e inflamam mais do que esclarecem. Os mais óbvios seriam “jihad”, “Cruzada” e “Grande Satã”. Todos eles são usadas de maneira um tanto inócua pelas pessoas que as dizem, mas significam algo completamente diferente – e muito mais inflamatório – para ouvidos estrangeiros.

Gostaria de propor um acréscimo na lista de palavras que nunca devem ser usadas – a palavra “mito”. Especificamente quando é usada no contexto em que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o líder da Irmandade Egípcia, Mohammed Mehdi Akef, a têm mencionado nos últimos meses, ou seja, falam do “mito do Holocausto” (Egyptian Islamists deny Holocaust; BBC News, 23 Dec 2005).


Eles sabem o que querem dizer ao usar esta expressão, e eu também sei, mas por outro lado, se eles acham que a maioria das pessoas aqui no Ocidente irá ouvi-los e responder com algo mais profundo do que “Negadores do Holocausto!” então são profundamente ignorantes a respeito de como é central o Holocausto nas percepções dos Estados Unidos sobre o Oriente Médio, como é superficial o discurso público nos Estados Unidos sobre as relações com o mundo muçulmano, e o quanto esse discurso é moldado por aqueles que estão desejando um “Choque De Civilizações” e que atualmente estão empenhados em encontrar uma justificativa para fazer uma mudança de regime no Irã.

Todo mundo sabe o que é um mito, certo? É apenas um conto de fadas; uma improvável história inventada onde aparecem heróis de toga do passado longínquo. Assim, quando Ahmadinejad e Akef falam do “Mito do Holocausto” estão simplesmente – como a matéria da BBC sugere no link acima – estão dizendo que o Holocausto nunca aconteceu realmente, e podem ser tachados de Negadores do Holocausto. Só que um “mito” não é isso. (E eu devo estar ficando velho, porque realmente lembro da época em que qualquer repórter da BBC saberia o significado da palavra, e faria um esforço para transmitir seu significado com precisão).

Permitam-me dizer-lhes o que um “mito” realmente é.

O ser humano é uma criatura complexa que vive em sociedades complexas, e é capaz de ter pensamentos, percepções e sentimentos muito além das simples necessidades físicas da vida diária. Algumas das coisas intangíveis que pensamos sobre nós mesmos são difíceis de articular, de forma que nós os exprimimos contando histórias. E é isso que são os mitos. Os mitos são histórias que grupos de pessoas contam para expressar e justificar suas crenças mais fundamentais sobre si mesmos, suas origens, sua natureza essencial e suas aspirações. Os relatos em si podem ser históricos ou não, mas isso é irrelevante para o mito. Nos EUA, que apesar de toda sua religiosidade é basicamente uma sociedade secular e desmitificada, tendemos a pensar em mitos como contos de fadas, porque a exposição mais comum que temos a eles é através das superproduções Hollywoodianas da década de 1960 como Jasão e os Argonautas. Mas na verdade um mito é um mito porque é uma estória que conta uma verdade subjacente, existencial, sobre o povo que o relata, e a historicidade não tem nada a ver como o que constrói um mito.

Por exemplo, há tribos da Nova Guiné que contam uma história tradicional de como os bebês são concebidos. A história explica que a concepção humana ocorre somente quando um emu atravessa a aldeia dos pais durante a noite, e lança sua sombra sobre a sua cabana – o que pareceu muito divertido para os antropólogos europeus do século 19 que primeiro documentaram a história, e pensaram que significava que os nativos ignorantes nem sabiam de onde vêm os bebês. Mas é claro que os nativos ignorantes sabiam muito bem de onde vêm os bebês: a história na verdade era sobre algo completamente diferente.

Foto: modificada de um original da TIME Inc.

Na mitologia religiosa dessas tribos da Nova Guiné, o emu era um símbolo da divindade, e o relato sobre a sombra do emu é um mito da criação que explica as origens dos seres humanos e expressa que espécie de criaturas somos. Ao dizer que um bebê humano pode ser concebido apenas quando os pais são tocados pela presença do emu (Deus), a história transmite a convicção de que os humanos não são apenas seres físicos. Embora façam parte da ordem da criação, os seres humanos possuem qualidades “superiores” que os distinguem de todas as outras coisas criadas; têm a capacidade de transcender seus instintos e paixões e de serem autoconscientes, espirituais, criativos, dotados de empatia, etc. Portanto, a concepção de um novo ser humano não é apenas um ato físico, mas requer um ato de criação divina. É necessário que a mãe e o pai façam a sua parte, mas isso não ocorre a menos que o emu faça uma aparição também, segundo o mito. Se o povo da Nova Guiné fosse judeu, poderia expressar o mesmo entendimento fundamental sobre si mesmo, contando uma história de como Deus soprou a essência da vida em um punhado de terra para criar o primeiro homem, ou poderia resumir simplesmente dizendo que a humanidade foi feita “à imagem e semelhança de Deus”.

Outro tipo de mito: aqui nos Estados Unidos temos um mito sobre a história do Mayflower. Bem poucos de nós podem alegar que nossas famílias, literalmente, chegaram no Mayflower. Alguns de nós descendem de pessoas que já estavam aqui quando os primeiros europeus chegaram. Boa parte do nosso povo veio para cá em navios negreiros; grande número imigrou em navios a vapor no início do século 20; e alguns chegaram mais recentemente graças à Boeing. Mas como americanos, partilhamos uma narrativa comum que diz que nós, coletivamente, chegamos aqui no Mayflower. E fazemos isso porque vemos na história do Mayflower uma representação de forma histórica daquilo que cremos que é nosso país. Usamos o evento histórico e fazemos dele um relato que descreve o que nós, como americanos, acreditamos essencialmente que somos: um povo pioneiro, a cidade no topo da colina, uma comunidade de fé em busca de liberdade religiosa, um povo livre que foge da tirania e estabelece a democracia, etc. etc.

Este é um tipo de mito diferente da estória do emu: um é um mito nacionalista, baseado em um evento histórico, o outro é um mito religioso, baseado em um não-acontecimento histórico (ou seja, não existe um emu de carne e osso envolvido na concepção humana). Mas ambos são mitos, porque são histórias usadas para dizer uma verdade existencial, subjacente, sobre as pessoas que os narram, e chamá-los de mitos não é de forma alguma um juízo sobre a veracidade histórica dos eventos narrados.

Então, o que querem dizer Ahmadinejad e Akef quando se referem ao “Mito do Holocausto”:

Falando a milhares de pessoas na cidade de Zahedan, no sudeste do país, Mahmoud Ahmadinejad, disse: “Atualmente, eles criaram um mito em nome do Holocausto e o consideram acima de Deus, da religião e dos profetas”. — Holocaust a myth, says Iran president

O líder da Irmandade Muçulmana, a principal força da oposição no Parlamento do Egito, fez coro com o presidente do Irã ao descrever o Holocausto como um mito. “A democracia ocidental tem atacado todos que não compartilham a visão dos filhos de Sião, quando o mito do Holocausto está em causa,” Mohamed Akef, disse em um comunicado na quinta-feira. Brotherhood chief: Holocaust a myth

“Alguns governos ocidentais, em particular os EUA, aprovam o sacrilégio contra o profeta Maomé (A Paz Esteja Com Ele), enquanto a negação do “Mito do Holocausto”, com base no qual os sionistas têm exercido pressão sobre outros países nos últimos 60 anos e matado palestinos inocentes, é considerado um crime,”, acrescentou o presidente. – President: Real holocaust to be sought in Palestine, Iraq

Eles não estão dizendo que o Holocausto não ocorreu: estão sugerindo algo mais complexo. A última citação em especial, sugere que Ahmadinejad está usando a palavra “mito” em seu sentido técnico correto. Lembre-se: os mitos são histórias que grupos de pessoas narram para expressar e justificar suas crenças mais fundamentais sobre si mesmos, suas origens, sua natureza essencial, etc. Ahmadinejad está dizendo que o Sionismo conta a história do Holocausto exatamente desta forma, ou seja, como um veículo para explicar e justificar o que os Sionistas acreditam sobre si mesmos. Quando ele “nega” o “mito” do Holocausto, ele não está negando o Holocausto, não está sequer discutindo o Holocausto como um acontecimento histórico. Ele está negando a validade do uso que está sendo feito da história do Holocausto. Ele está dizendo que em vez de ser uma história que expressa uma verdade subjacente, “o Mito do Holocausto” expressa uma “verdade” que simplesmente não é verdade, e que a negação desse mito é tão importante no Ocidente porque não se deve questionar se a afirmação subjacente é realmente verdade.

Então o que é exatamente o “Mito do Holocausto” que Akef e Ahmadinejad rejeitam? Vocês lembram de Wissam Tayem, o palestino que foi forçado por soldados israelenses a tocar seu violino para eles em um posto de controle nos Territórios Ocupados?

A reação à experiência de Wissam Tayem naquele posto de guarda resume sucintamente o que Ahmadinejad quer dizer com “o mito do Holocausto”. Como Chris McGreal salientou na época, a visão de um palestino sendo forçado a tocar violino para seus ocupantes causou muita celeuma em Israel. Mas o principal motivo que fez israelenses (especificamente judeus israelenses) se sentirem desconfortáveis não foi porque tivessem reconhecido que é errado tratar um ser humano da forma com que Wissam Tayem foi tratado. Pelo contrário, eles se sentiram desconfortáveis porque isso ameaça a imagem que eles tem de si próprios, e do país que criaram. Em outras palavras, isso subverte o mito que os Israelenses têm sobre si próprios.

De todas as revelações que abalaram o exército israelense na semana passada, talvez nenhuma tenha perturbado o público tanto como as imagens de vídeo de soldados forçando um palestino a tocar violino…

Depois que o incidente foi filmado por mulheres judias ativistas da paz, provocou repulsa entre Israelenses que normalmente não se incomodam com o tratamento dado aos Árabes. O comentarista de direita da Radio do Exercito Uri Orbach achou o incidente uma chocante reminiscência de músicos judeus obrigados a tocar música de fundo para assassinatos em massa. “E como fica Majdanek?” perguntou ele, referindo-se ao campo de extermínio nazista.

Os críticos não estavam traçando um paralelo entre um bloqueio israelense e um campo de concentração nazista. Sua preocupação era que o sofrimento dos judeus tinha sido diminuído pela humilhação do Senhor Tayem.

Yoram Kaniuk, autor de um livro sobre um violinista judeu forçado a tocar para um comandante de campo de concentração, escreveu no jornal Yedioth Ahronoth que os soldados responsáveis deveriam ser levados a julgamento “não por abusar de árabes, mas por desonrar o Holocausto”. “De todas as coisas terríveis feitas nos postos de controle, esta história nega a própria possibilidade da existência de Israel como um Estado judeu. Se [os militares] não levarem estes soldados a julgamento não teremos o direito moral de nos referirmos a nós mesmos como um estado que surgiu do Holocausto”, escreveu ele. “Se permitirmos que soldados judeus obriguem um violinista árabe a tocar em um bloqueio, rindo dele, conseguimos chegar ao ponto mais baixo moral possível. Toda a nossa existência nesta região árabe foi justificada, e ainda se justifica, pelo nosso sofrimento, por violinistas judeus nos campos. [Grifo meu]

Israel shocked by image of soldiers forcing violinist to play at roadblock; The Guardian, 29 Nov 2004.

A última linha acima resume com precisão o que Ahmadinejad e Akef querem dizer quando afirmam que o sionismo criou um “Mito do Holocausto”. Eles querem dizer que o sionismo conta a história do Holocausto com o objetivo de justificar tudo que fez na Palestina e a seus habitantes. A verdade subjacente que o mito quer transmitir é que o sofrimento dos judeus na Europa, justifica a criação de um Estado judeu em uma terra cuja população era: 1. Não judaica, mas majoritariamente muçulmana e cristã e 2. Não responsável pelo anti-semitismo europeu ou pelo Holocausto. Ahmadinejad e Akef estão dizendo que esse mito é falso; que ele não é uma explicação de uma verdade subjacente, mas uma apropriação do Holocausto a fim de promover uma agenda política. Quando eles negam o “Mito do Holocausto”, eles não estão questionando se os eventos históricos do Holocausto realmente aconteceram, estão negando que o sionismo tenha o direito de fazer o que faz com os palestinos por causa do que o nazismo e seus colaboradores fizeram a judeus europeus. Em suma, “o Mito do Holocausto”, diz que a Shoah justifica Nakba, e Ahmadinejad e Akef estão dizendo, “Não, não justifica”.

Esta não é uma leitura obscura dos comentários de Akef e Ahmadinejad sobre o “mito”: ambos têm deixado claro que seu questionamento do Holocausto não é sobre o genocídio na Europa per se, mas especificamente por que os palestinos devem ser os únicos a pagar por ele. Se você ler o contexto em que Ahmadinejad disse que “eles fizeram um mito do Holocausto”, vai ver que o que ele está discutindo não é se o Holocausto ocorreu, mas sim “porque a nação palestina deve pagar pelos crimes que os europeus cometeram” (o que – Se você refletir a respeito – de certa forma aceita implicitamente que esses crimes realmente ocorreram):

“Se os europeus estão dizendo a verdade em sua alegação de que mataram seis milhões de judeus no Holocausto durante a II Guerra Mundial – e parece que eles têm razão ao afirmar isso, já que insistem e prendem os que se opõem a essa versão, porque a nação palestina deve pagar pelo crime [?]…

Enfatizando que “os mesmos países europeus impuseram o regime sionista ilegalmente estabelecido na nação oprimida da Palestina”, disse ele, “Se você cometeu os crimes deve dar um pedaço de sua terra, em algum lugar na Europa ou na América e no Canadá ou Alasca para eles criarem seu próprio estado lá. Então a nação iraniana não terá objeções, não fará comícios no Dia de Qods e apoiará a sua decisão.”

Da mesma forma, Muhammad Akef explicitamente negou que seus comentários tivessem qualquer intenção de negar o Holocausto:

O líder da Irmandade Muçulmana do Egito disse que quando chamou o Holocausto de mito, esta semana, não quis dizer que nunca aconteceu, mas queria destacar a atitude do Ocidente em relação à democracia …

Em uma mensagem na quinta-feira, Akif disse: “a democracia ocidental tem atacado todos que não compartilham a visão dos filhos de Sião em tudo que se refere ao mito do Holocausto.”… Mas no sábado, disse seu gabinete: “Alguns orgãos da midia deram a suas declarações um sentido que ele [Akif] não tinha a intenção [e leram seus comentários] como uma negação de que o Holocausto dos judeus pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial tenha ocorrido. O fato é que ele não negou que isso aconteceu.”

E o vice-líder de Akef, Dr. Mohamed El-Sayed Habib, deixou claro qual o “mito do Holocausto que Akef estava rejeitando:

Quanto às declarações em que ele descreve o Holocausto como um mito, não houve intenção de negar o evento, mas apenas uma rejeição dos exageros apresentados pelos judeus. Isso não significa que não somos contra o Holocausto. No entanto, esse evento não deveria ter levado à perda dos direitos do povo palestino, à ocupação de suas terras e a violação e agressão de seus lugares sagrados e santos.

Então, porque nos preocuparmos com o que é um mito, e o que estrangeiros barbudos do outro lado do mundo têm a dizer a respeito?Normalmente, isso poderia ser apenas uma interessante discussão acadêmica, mas neste momento é importante que nos esforcemos para entender o que Ahmadinejad realmente diz, pois o governo Iraniano está sendo alvo de uma campanha de desinformação com o objetivo de motivar a opinião pública para uma mudança de regime naquele país.Quando ouvimos uma acusação inflamada sendo repetida pela grande imprensa sobre o Irã e seu presidente – como por exemplo “Ahmadinejad nega o Holocausto!” – deveríamos lembrar o triste papel desempenhado pela nossa midia noticiosa na preparação para a guerra de 2003, e nos perguntarmos se cada nova revelação é realmente fato, ou “notícias” fabricadas com o objetivo de mobilizar a opinião pública para uma nova guerra.

As mesmas pessoas que nos levaram ao fracasso espetacular que é a guerra do Iraque, agora gostariam de tentar a sorte no Irã. Paul Wolfowitz explicou em maio de 2003 que, na ausência de um perigo claro e real por parte de Saddam Hussein, a administração Bush havia procurado uma justificativa para invadir o Iraque e decidido pelas ADM (Armas de Destruição em Massa) como um motivo que todos poderiam concordar. Desta vez, os EUA precisam de uma nova desculpa para invadir um país que claramente não vai nos invadir, e não é realmente muito difícil perceber que a desculpa vai centrar-se em grande parte, na pessoa de Mahmoud Ahmadinejad. Basta olhar para o volume de histórias sobre ele com que a nossa mídia notíciosa tem nos alimentado nos últimos seis meses.

1.Ele nega o Holocausto!Isso é que querem que entendamos nos relatos sobre suas declarações a respeito do “Mito do Holocausto” que discuti acima.

2.Ele quer varrer Israel do mapa!Isso é o que nos disse nossa midia, nas reportagens histéricas sobre o discurso de Ahmadinejad durante a conferencia “O Mundo Sem o Sionismo” em Teerã a 26 de Outubro de 2005. No entanto, quando corretamente traduzido, o que ele realmente disse não foi que Israel deve ser varrido do mapa, mas que “o regime de ocupação sobre Jerusalém deve desaparecer da página do tempo”, o que não é uma ameaça de guerra nem de aniquilação, mas uma expressão de esperança em uma mudança de regime. Ahmadinejad não é um sionista. Ele não acredita que a terra de uma maioria muçulmana na Palestina deva ser transformada pela força em um Estado judeu, e seu discurso é uma expressão de confiança em que o domínio do Estado sionista sobre Jerusalém terminará um dia de forma irremediável, tal como outros poderosos regimes (ele cita os exemplos do Xá do Irã, dos Comunistas na União Soviética e a ditadura de Sadam no Iraque) todos acabaram um dia. Se você olhar para o Oriente Médio através de uma perspectiva sionista, pode não gostar de ouvir isso, mas não dá a ninguém o direito de fingir que ele está ameaçando lançar bombas nucleares em Tel Aviv ou atirar os judeus ao mar, como a linguagem “varrido do mapa” poderia sugerir.

3.Ele é um psicopata”, que” fala como Hitler

4.Judeus iranianos estão sendo forçados a usar estrelas amarelas! Lembram daquela história, publicada inicialmente pelo National Post do Canadá e, posteriormente, reproduzida no jornal New York Post, sobre a lei aprovada no Parlamento iraniano, segundo o qual “os judeus seriam obrigados a usar fitas de tecido amarelo – como a Estrela de Davi que os judeus foram obrigados a usar na Alemanha nazista”? (O National Post já removeu este artigo do seu Web site, mas imagens da história original podem ser vistas no site Lenin’s Tomb e eu fiz o upload do texto do artigo original aqui).

Basta olhar para as fotos do National Post usadas para ilustrar essa história, para mostrar ao público até onde leis como esta estão levando o Irã.

Ocorre que não há tal lei iraniana.

Esta história foi totalmente forjada (a farsa foi posteriormente reconhecida pelo National Post) preparada por um jornalista iraniano monarquista expatriado chamado Amir Taheri, que por coincidência vem a ser um membro da Benador Associates, uma firma de relações públicas que tem entre seus clientes um grande número de líderes neoconservadores, incluindo a American Enterprise Institute (AEI) e seus associados Richard Perle, David Frum, Michael Ledeen, Michael Rubin, e Joshua Muravchik.
Importantes arquitetos de uma guerra com o Iraque, os clientes da Benador, que também incluem o ex-chefe da Agência Central de Inteligência James Woolsey e o ex-ministro israelense Natan Sharansky, têm pressionado o governo Bush a adotar uma postura mais dura com o Irã.
Os jornais que até agora publicaram a história são igualmente identificados com uma linha dura contra Teerã. O National Post, que foi comprada pela CanWest Global Communications de Conrad Black, um colaborador próximo de Perle, é controlada por David e Leonard Asper, que acusaram a Canadian Broadcasting Corporation de ser anti-Israel, segundo Marsha Cohen, da Universidade Internacional da Flórida , que tem acompanhado de perto a história das estrelas amarelas.

Do mesmo modo, o jornal Sun tem assumido posições alinhadas com o partido direitista Likud de Israel em assuntos do Oriente Médio, enquanto Murdoch é dono do Weekly Standard e da Fox News, fortemente pró-Israel, além do New York Post …(fonte)

Está percebendo um tema repetitivo? Está recebendo a mensagem de que Mahmoud Ahmadinejad é o novo Hitler, e o Irã é o quarto Reich, e eles estão a poucos dias de nos pulverizar com bombas nucleares e se nós não os atacarmos com todo nosso arsenal a fim de obter uma mudança de regime e instalarmos um regime pró-Estados Unidos que reconheça Israel e venda seu petróleo e gás para nós em lugar de vender para os chineses então teremos um punhado de Neville J’aime Berlin e VAMOS TODOS MORRER!!! …?

Porque a intenção é que você absorva essa mensagem.Esse é o novo meme, incutir medo a tal ponto que você apóie uma guerra que caso contrário não apoiaria. Mais uma vez, os nossos medos estão sendo manipulados por pessoas que querem uma guerra, mas não têm uma justificativa para iniciá-la. Da última vez, conquistaram a opinião pública com histórias assustadoras sobre as inexistentes armas nucleares do Iraque e as ligações fictícias de Saddam com a Al Qaeda; desta vez, é o inexistente programa nuclear do Irã e a espúria equivalência entre Ahmadinejad e Hitler.

E é por isso que esclarecer o significado do “Mito do Holocausto” de Ahmadinejad não é apenas um exercício acadêmico obscuro. Sabendo que uma ofensiva de propaganda está em andamento para demonizar o presidente do Irã como o novo Hitler, a fim de que possamos justificar um ataque ao seu país, temos de pensar criticamente toda vez que a nossa mídia faz esses paralelos entre a Alemanha nazista e o atual Irã, e analisar se é uma equivalência legítima ou mais uma manobra manipuladora alarmista para estabelecer as bases para uma nova guerra.

Apesar da calma com que que Richard Perle, Michael Ledeen e outros adotam quando desapaixonadamente discutem a reorganização do Oriente Médio, a guerra não é um jogo de War ou um estudo de caso em um seminário de graduação em Ciências Políticas. A guerra é jovens soldados perdendo membros estraçalhados por bombas de fabricação artesanal, ou famílias inteiras destruídas como “dano colateral” por nossos mísseis.Sabendo que isto é o que realmente está em jogo, devemos pelo menos fazer um esforço para determinar se o epíteto de “Negador do Holocausto!” e outros de cunho hitlerista que estão sendo jogados contra o Irã são baseados em fatos, ou se são apenas o trabalho mais recente dos mesmos manipuladores de informação que – na segurança de suas consultorias em Washington – repetidamente pressionam para a guerra no Oriente Médio, seguros na certeza de não serão seus amigos e parentes que serão alvo dos Artefatos Explosivos de Fabricação Caseira ou das chamadas bombas-inteligentes.

Após mais de três anos no Iraque, onde mais de 2500 de nossas próprias tropas e milhares de desconhecidos iraquianos foram mortos, os americanos finalmente se tornaram céticos sobre os motivos pelos quais invadimos o Iraque, e estão se perguntando exatamente por que estamos lutando lá. Agora que se trata de uma ameaça de ataque sobre o Irã, talvez desta vez possamos fazer uma análise crítica antes de invadirmos e sentenciarmos à morte dezenas de milhares de seres humanos cujas vidas são tão valiosas em todos os aspectos quanto a nossa. Nas imortais palavras do próprio Presidente (Bush): “Um ditado que o povo do Tennesee diz – sei que é do Texas, provavelmente do Tennessee — que diz, se você me enganar uma vez, vergonha… é uma vergonha para você. Me engane – não conseguem te enganar de novo”.

Links relacionados

Ahmadinejad: Lost in translation; Little Red Email, via Information Clearing House, 5 April 2006.
Does Iran’s President Want Israel Wiped Off The Map – Does He Deny The Holocaust? ; Information Clearing House, 14 April 2006.
Iran; The Early Days of a Better Nation, 1 May 2006.
Latest Hitler: How Lies Becomes News; Lenin’s Tomb, 20 May 2006.
Another Fraud on Iran: No Legislation on Dress of Religious Minorities; Informed Comment, 20 May 2006.
Yellow stars for Iranian Jews? The disinfo campaign; Just World News, 20 May 2006.
Harper says Iran ‘capable’ of introducing Nazi-like clothing labels; The Canadian Press, 21 May 2006.
Taheri-ng It Up; Unqualified Offerings, 22 May 2006.
Iran Target of Apparent Disinformation Ploy; Jim Lobe, 22 May 2006.
Fake But Accurate; Antiwar.com, 24 May 2006.
Too Stupid for Citizenship: Will Americans fall for Bush’s lies again? ; Antiwar.com, 1 June 2006.

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jul 19 2009

Carniceiro racista visita o Brasil

Categoria: Israel,Mídia,PolíticaSenhor_do_Servo @ 16:09

Por Altamiro Borges

Nos meses de abril e maio passado, a mídia hegemônica fez um baita escândalo contra a visita ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que estava agendada há meses para assinar vários acordos comerciais de interesse dos dois países. A TV Globo chegou a dar destaque a um reduzido protesto da comunidade israelense no Rio Janeiro. Alegando compromissos eleitorais, o governo iraniano cancelou a viagem na última hora, o que foi comemorado como “uma vitória dos direitos humanos” pela mídia colonizada, ventríloqua dos interesses imperiais dos EUA.

Logo na seqüência, em junho, a mesma “grande imprensa” fez o maior escarcéu com o resultado das eleições no Irã, que garantiram 64% dos votos para Ahmadinejad. Ela amplificou a mentira de que a eleição fora fraudada. Nem o alerta de um diretor da “informada” CIA, confirmando a legitimidade do pleito, serviu para acalmar os ânimos colonizados dos barões da mídia. Eles não disfarçaram o temor com a rebeldia crescente do Irã, que coloca em risco os “valores ocidentais” e desafia o decadente imperialismo. Nos mesmos dias, o assassinato de dezenas de indígenas no Peru, um país vizinho, foi ofuscado pelas manchetes contra a “fraude” no Irã. Haja engodo!

Rechaçar a visita do ministro-terrorista

Agora, esta mesma mídia manipuladora silencia sobre a visita ao Brasil, em julho, de um dos maiores carniceiros da Israel, o ministro de Relações Exteriores Avigdor Lieberman. Neste caso, não há dúvidas ou suspeitas: Lieberman é um racista assumido, que prega descaradamente ações terroristas. O jornal Água Verde, publicado no Paraná, preparou um dossiê sobre esse asqueroso personagem que, evidentemente, não será reproduzido pela chamada “grande imprensa”. Vale à pena conhecer sua história, até para organizar, desde já, protestos contra a sua indesejada visita.

“Virá ao Brasil no final deste mês de julho o racista e terrorista israelense Avigdor Lieberman, ministro das Relações Exteriores de Israel, com a única tarefa de pressionar o governo brasileiro a romper relações com o Irã, país com o qual o Brasil tem ótimas relações comerciais. Em todo o país estão sendo organizadas manifestações de repúdio à vinda de Lieberman, um judeu sionista (racista) nascido na Moldávia.

Lieberman participou da quadrilha liderada por Ariel Sharon e responde a processos na Justiça por envolvimento com o crime organizado (Máfia Russa), incluindo tráfico de drogas. Ele é fundador do partido de extrema direita Yisrael Beitenu (“Israel é nossa casa”), que apoiou o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em troca de cargos no governo. Entre as declarações racistas e criminosas do terrorista Lieberman destacamos as seguintes:

“Transformar o Irã num aterro”

- Em 1998, ele defendeu a inundação do Egito através do bombardeio da Represa de Assuã;

- Em 2001, como ministro da Infraestrutura Nacional de Israel, propôs que a Cisjordânia fosse dividida em quatro cantões sem governo palestino central e sem a possibilidade dos palestinos transitarem na região;

- Em 2002 o jornal israelense Yedioth Ahronoth publicou a seguinte declaração de Lieberman: “As 8 da manhã nós vamos bombardear todos os seus centros comerciais, à meia-noite as estações de gás, e às duas horas vamos bombardear seus bancos”.

- Em 2003 o diário israelense Haaretz informou que Lieberman defendeu que os milhares de prisioneiros palestinos detidos em Israel fossem afogados no Mar Morto, oferecendo, cinicamente, ônibus para o transporte;

- Em maio de 2004, ele propôs um plano de transferência de territórios palestinos, anexando os territórios palestinos e expulsando a população nativa;

- Em maio de 2004, afirmou que 90% dos 1,2 milhão de cidadãos palestinos de Israel “tinham de encontrar uma nova entidade árabe para viver”, fora das fronteiras de Israel. “Aqui não é o lugar deles. Eles podem pegar suas trouxas e dar no pé!”

- Em maio de 2006, ele defendeu o assassinato dos membros árabes do Knesset (Parlamento israelense) que haviam se encontrado com os membros do Hamas integrantes da Autoridade Palestina para discutir acordos de paz na região;

- Em dezembro de 2008, defendeu o uso de armas químicas e nucleares contra a Faixa de Gaza, afirmando que seria “perda de tempo usar armas convencionais. Devemos jogar uma bomba atômica em Gaza para reduzir o tempo de conflito, assim como os EUA atacaram em Hiroshima na Segunda Guerra”, afirmou em entrevista em jornal israelense Haaretz;

- Em junho de 2009, discursou no Knesset israelense ameaçando “transformar o Irã num aterro”, através do bombardeio do país com armas nucleares.

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jan 15 2009

A Rosa de Gaza

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 08:29

Uraniano Mota, do Direto da Redação

Recife (PE) – Um poema de Vinícius ordena, suplica que “Pensem nas crianças mudas telepáticas. Pensem nas meninas cegas inexatas. Pensem nas mulheres rotas alteradas. Pensem nas feridas como rosas cálidas…”.

É esse poema, A Rosa de Hiroxima, é essa talha em versos que ordena, que resiste e insiste em nossa memória, quando vemos a foto de Somaeah Hassan, de 6 anos, abatida na faixa de Gaza. Essa flor fuzilada, entre gazes, olhinhos semicerrados, é a própria Rosa da Palestina. Contenhamos a velocidade da mão, refreemos a velocidade da escrita, represemos o fluxo da leitura. Pedimos uma pausa no caleidoscópio, nas luzes fugazes, frívolas, vulgares do incessante ir e vir do noticiário de todos os dias. Somaeah Hassan está morta. Calma, buldogues, fechem suas bocas, canos quentes de balas, suspendam a digitação, noticiaristas, segurem por um instante a divulgação do mais quente e recente escândalo. Porque o escândalo já está feito: Somaeah Hassan está morta. Na foto, seus olhinhos se negam a compreender o horror das balas que a levantaram do chão de refugiados de Rafah. Negaram-se é maneira de dizer. São incapazes, nos seus 6 anos. Mais tempo houvesse, mais vida, outra vida tivesse, Somaeah compreenderia e se negaria a compreender o horror maior do seu povo cercado como cães raivosos. E a raiva, em cães, se abate. Mas a raiva, em gente feita cão, não se abate – apenas cresce, quando a crianças como Hassan abatem.

Refreemos a mão. É difícil. Mas tentemos.

Era bom, assim pede a paz que nosso peito deseja, era bom um lugar-comum que nos ajudasse, que nos socorresse. Dizer, por exemplo, que assim é a guerra, cruel como todas as outras, que nela não existem santos e demônios, que a guerra nos transforma a todos em anjos das trevas. Dito isto, seria melhor dizer que o terror feito pelo Estado de Israel apenas é uma resposta ao terror sofrido antes por sua gente. Dito isto, podemos afinal dizer que o mal e o mau têm que ser destruídos, para que só então a paz volte.

Mas, ao chegarmos a este passo, perguntamos: mas de que mal e maus vocês falam, caras-pálidas? Pois será que ninguém ainda notou que a nossa cara tem a cara e o sangue da gente palestina? Que eles, os palestinos, são a nossa própria cara? Será que ninguém ainda percebeu que o desespero dos povos palestinos é o nosso próprio desespero em outras terras e em outras circunstâncias? Aquele mesmo desespero que acomete a gente em situações-limite? Ainda que os Estados Unidos mandem fazer a volta ao mundo uma negra para consumo externo, ela apenas nos aparece como um novo Al Jolson, com a cara tisnada. Os interesses de que ela fala não são os nossos. Servem à mesma rosa atômica que se fez cair em Hiroxima e Nagasáqui.

Então voltemos, mais serenos. Mas, desgraça, descobrimos: serenos, não temos mais mãos. Temos somente uma grande letargia. Então quebremos o torpor, voltemos ao princípio.

“A rosa hereditária, a rosa radioativa, estúpida e inválida. A rosa com cirrose, a anti-rosa atômica” sofreu uma tradução no campo de refugiados da faixa de Gaza. Ela se fez uma rosa fuzilada, a Rosa da Palestina, no corpinho frágil de Somaeah Hassan. Essa menina nos fere como uma filhinha morta. Ela, em árabe, em dialeto, em outra língua, nos fala e a compreendemos como compreendemos e amamos uma própria filha que o nosso sêmen esculpiu. Mais: como um serzinho esculpido por nós por um nosso irmão. Mais: irmão com um sentido de irmão mais fundo que o genético. Mais: com um sentido de irmão mais fundo que o racial. Mais: com um sentido de irmão mais fundo que o nacional. Mais, finalmente: com um sentido de irmão que é o próprio sentido de humanidade. Hassan é a nossa própria humanidade abatida. Ela se abre em outras rosas que se despedaçam em Jerusalém. Rosas que em vez de pétalas jogam carnes, fígado, coração e intestinos.

Já secamos as lágrimas. Não nos perguntem portanto por que vomitamos. Nós não queríamos ter essas Rosas da Palestina.

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jan 14 2009

As verdades por trás das mentiras

Categoria: Apoiamos,Ceticismo,CulturaSenhor_do_Servo @ 14:42

Counterpunch, através do Viomundo:

Norman Finkelstein é autor de cinco livros, entre os quais Image and Reality of the Israel-Palestine Conflict, Beyond Chutzpah and The Holocaust Industry, traduzidos para mais de 40 idiomas. Esse artigo está publicado também em sua página internet, em www.NormanFinkelstein.com

O registros existem e são muito claros. Qualquer pessoa encontra na internet, na página do governo de Israel e, também, na página do ministério de Negócios Exteriores de Israel. Israel desrespeitou o cessar-fogo, invadiu Gaza e matou seis ou sete (há controvérsia quanto ao número de assassinados, não quanto ao crime de assassinato) militantes palestinenses, dia 4/11. Depois, o Hamás respondeu ou, como se lê nas páginas do governo de Israel “o Hamás retaliou contra Israel e lançou mísseis.”

Quanto aos motivos, os documentos oficiais também são claros. O jornal Haaretz já informou que Barak, ministro da Defesa de Israel, começou a planejar o massacre de Gaza muito antes, até, de haver acordo de cessar-fogo. De fato, conforme o Haaretz de ontem, a chacina de Gaza começou a ser planejada em março.

Quanto às principais razões do massacre, acho, há duas. Número um: restaurar o que Israel chama de “capacidade de contenção do exército” e que, em linguagem de leigo, significa a capacidade de Israel para semear pânico e morte em toda a região e submetê-la mediante a pressão das armas, da chantagem, do medo. Depois de ter sido derrotado no Líbano em julho de 2006, o exército de Israel entendeu que seria importante comunicar ao mundo que Israel ainda é capaz de assassinar, matar, mutilar e aterrorizar quem se atreva a desafiar seu poder pressuposto absoluto, acima de qualquer lei.

A segunda razão pela qual Israel atacou Gaza é culpa do Hamás: o Hamás começou a dar sinais muito claros de que deseja construir um novo acordo diplomático a respeito das fronteiras demarcadas desde junho de 1967 e jamais respeitadas por Israel.

Em outras palavras, o Hamás sinalizou que está interessado em fazer respeitar exatamente os mesmos termos e conceitos que toda a comunidade internacional respeita e que, em vez de resolver os problemas a canhão e com campanhas de mentiras por jornais e televisão, estaria interessado em construir um acordo diplomático.

Aconteceu aí o que Israel poderia designar como “uma ameaçadora ofensiva de paz chefiada pelos palestinenses”. Imediatamente, para destroçar a ofensiva de paz, o governo e o exército de Israel desencadearam campanha furiosa para destroçar o Hamás.

A revista Vanity Fair publicou, em abril de 2008, em artigo assinado por David Rose, baseado, por sua vez em documentos internos dos EUA, que os EUA estavam em contato estreito com a Autoridade Palestinense e o governo de Israel, organizando um golpe para derrubar o governo eleito do Hamás, e que o Hamás conseguira abortar o golpe. Isso não é objeto de discussão: esse fato é estabelecido, documentado e há provas.

A questão passou a ser, então, impedir o Hamás de governar, e ninguém governa sob bloqueio absoluto, bloqueio que desmantelou toda a atividade econômica em Gaza. Ah! Vale lembrar: o bloqueio começou antes de o Hamás chegar ao poder (eleito!). O bloqueio nada tem ou jamais teve a ver com o Hamás. Quanto ao bloqueio, os EUA despacharam gente para lá, James Wolfensohn especificamente, para tentar pôr fim ao bloqueio, depois de Israel ter invadido Gaza.

O xis da questão é que Israel não quer que Gaza progrida, sequer quer que viva, e Israel não quer ver nenhum conflito encaminhado por vias diplomáticas, que tanto os líderes do Hamás em Damasco, quanto os líderes do Hamás em Gaza têm repetidas vezes declarado que buscam, sempre com vistas a resolver o conflito relacionado às fronteiras demarcadas em 1967, fronteiras que Israel jamais respeitou. Tudo, até aí, são fatos registrados e comprovados. Não há qualquer ambigüidade: tudo é bem claro.

Todos os anos, a Assembleia da ONU vota uma resolução intitulada “Solução pacífica para a questão da Palestina”. E todos os anos o resultado é o mesmo: o mundo inteiro de um lado; Israel, EUA, alguns atóis dos mares do sul e a Austrália, no lado oposto. Ano passado, o resultado da votação foi 164 a 7. Todos os anos, desde 1989 (em 1989, o resultado foi 151 a 3), é sempre a mesma coisa: o mundo a favor de uma solução pacífica para a questão da Palestina; e EUA, Israel e a ilha-Estado de Dominica, contra.

A Liga Árabe, todos os 22 Estados-membros da Liga Árabe, são favoráveis a uma chamada “Solução dos Dois Estados”, com as fronteiras determinadas em junho de 1967. A Autoridade Palestinense é favorável à mesma “Solução dos Dois Estados” e às mesmas fronteiras determinadas em junho de 1967. E o Hamás também é favorável à mesma “Solução dos Dois Estados” e às mesmas fronteiras demarcadas em junho de 1967. O problema é Israel, patrocinado pelos EUA. Esse é o problema.

Bem… Há provas de que o Hamás desejava manter o cessar-fogo; exigiu, como única condição, que Israel levantasse o bloqueio de Gaza. Muito antes de começarem os rojões do Hamás, os palestinenses já enfrentavam terrível crise humanitária, por causa do bloqueio. A ex-Alta Comissária para Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson, descreveu o cenário que testemunhou em Gaza como “destruição de uma civilização”. Isso, durante o cessar-fogo.

O que se vê nos fatos? Os fatos mostram que nos últimos mais de vinte e tantos anos, toda a comunidade internacional procura um modo de resolver o conflito das fronteiras de 1967, com solução justa para a questão dos refugiados. Será que 164 Estados-membros da ONU estão sempre errados, e certos e pacificistas seriam só EUA, Israel, Nauru, Palau, Micronésia, as ilhas Marshall e a Austrália? Quem é pacifista? Quem trabalha contra a paz?

Há registros e documentos que comprovam que, em todas as questões cruciais discutidas em Camp David; depois, nos parâmetros de Clinton; depois, em Taba, em cada ponto discutido, os palestinenses sempre fizeram concessões. Israel jamais concedeu qualquer coisa. Nada. Os palestinenses repetidas vezes manifestaram decisão de superar a questão das fronteiras de 1967 em estrito respeito à lei internacional.

A lei também é claríssima. Em julho de 2004, a Corte Internacional de Justiça, órgão máximo da ONU para questões de direito internacional, declarou que Israel não tem direito de ocupar nem um metro quadrado da Cisjordânia nem um metro quadrado de Gaza. Israel tampouco tem qualquer direito sobre Jerusalém. O setor Leste de Jerusalém, os bairros árabes, nos termos da decisão da mais alta corte de justiça do planeta, são território da Palestina ocupado ilegalmente por Israel. Também nos termos de decisão da mais alta corte de justiça do planeta, nos termos da lei internacional, todas as colônias de judeus que há na Cisjordânia são ilegais.

O ponto mais importante de tudo isso é que, em todas as ocasiões em que se discutiram essas questões, os palestinenses sempre aceitaram fazer concessões. Fizeram todas as concessões. Israel jamais fez qualquer concessão.

O que tem de acontecer é bem claro. Número um, EUA e Israel têm de se aproximar do consenso da comunidade internacional e têm de respeitar a lei internacional. Não me parece que trivializar a lei internacional seja pequeno crime ou pequeno problema. Se Israel contraria o que dispõe a lei internacional, Israel tem de ser acusada, processada e julgada em tribunais competentes, como qualquer outro Estado, no mundo.

O presidente Obama tem de considerar o que pensa o povo dos EUA. Tem de ser capaz de dizer, com todas as letras, onde está o principal obstáculo para que se chegue a uma solução para a questão da Palestina. O obstáculo não são os palestinenses. O obstáculo é Israel, sempre apoiada pelo governo dos EUA, que, ambos, desrespeitam a lei internacional e contrariam o voto de toda a comunidade internacional.

Hoje, o principal desafio que todos os norte-americanos temos de superar é conseguir ver a verdade, por trás das mentiras.

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jan 14 2009

0729 – Boicote aos produtos de Israel

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 12:32

Do Blog do Altamiro:

Durante a longa e heróica resistência ao apartheid, os lutadores anti-racistas da África do Sul contaram com uma inestimável solidariedade internacionalista. Além dos crescentes e massivos protestos de rua, um movimento mundial de boicote às multinacionais daquele país, que sempre lucraram com o segregacionismo, contribuiu decisivamente para isolar os racistas. Agora, diante da barbárie promovida por Israel na Faixa de Gaza, um apelo internacionalista semelhante ganha corpo. A idéia é não comprar produtos fabricados pelos sionistas, que hoje escondem o “made in Israel” para driblar a repulsa mundial, mas tem o código de barras iniciado com o número 0729.

Este movimento de solidariedade, que adquiriu velocidade pela rede da internet nos últimos dias, teve início nos meios universitários da Europa e dos EUA. Uma das promotoras deste boicote é Olícia Zemor, uma judia indignada com as políticas genocidas de Israel – o que confirma que o movimento não tem qualquer marca anti-semita e nem é contra o povo israelense, mas sim contra a política terrorista e expansionista do Estado e das classes dominantes daquele país. Segundo ela explicou, em Paris, “o boicote se tornará ainda mais abrangente e eficaz quando os consumidores memorizarem o código de identificação internacional dos produtos israelenses, o 0729”.

Produção em “terras roubadas”

“Os europeus, em particular, precisam saber que muitos dos produtos israelenses, beneficiando-se das tarifas preferenciais da UE, são fabricados nos territórios palestinos ilegalmente ocupados pelos colonos judeus, incluindo áreas ‘anexadas’ há pouco – e nisso é utilizada a água que Israel usurpa também, para não dizer rouba, dos palestinos”, advertiu a corajosa judia. Outro ativista da jornada de boicote, o escritor Maurice Rajsfus, de 74 anos, explicou os motivos da sua adesão:

“Há muitos cidadãos judeus, como eu, que não vivem no passado, com esta vontade de transferir o ódio para os outros, de fazer os palestinos pagarem pelos crimes nazistas. O melhor modo de não se esquecer do holocausto consiste em evitar que outros homens, mulheres e crianças sejam reprimidas, sob indiferença geral”. No âmbito universitário, o movimento já reúne 120 docentes europeus e estadunidenses, vários de origem judaica, que defendem a suspensão do intercambio com suas homólogas israelenses. No meio artístico, ele gerou o cancelamento de temporadas na Europa de companhias de dança e música israelense, enquanto congêneres européias decidiram não participar do próximo Festival de Israel. Também ocorrem protestos em ginásios de esporte.

Comércio já sente os efeitos

Segundo a imprensa européia, o boicote, deflagrado no meio universitário, já obteve o apoio de comerciantes e industriais e preocupa os empresários israelenses. Até agora, porém, nenhum país ocidental se declarou favorável ao movimento. Em abril passado, diante do bloqueio sionista à economia palestina, o Parlamento Europeu até discutiu sanções contra Israel, mas a proposta foi rejeitada pela Comissão Executiva da União Européia. Apesar disto, as exportações israelenses para o velho continente já caíram cerca de 20%, atingindo especialmente o comércio de armas.

Alguns fornecedores europeus também têm se recusado a vender várias peças de reposição para geladeiras e máquinas de lavar, “sob o pretexto que elas poderão servir à fabricação de mísseis”. Sob pressão, a Alemanha decidiu retardar o fornecimento de motores e caixas de câmbio para os tanques e carros de combate Merkava, utilizados pelo exército israelense. Já industriais gregos e holandeses suspenderam a venda de detergentes de cozinha, argumentando que tais produtos são “potencialmente armas químicas”. Empresários de origem palestina têm jogado papel decisivo na campanha, superando a passividade na defesa dos seus irmãos de Gaza e da Cisjordânia.

O papel ativo do sindicalismo

Além disso, o que é bastante sintomático sobre o papel que o proletariado pode jogar, estivadores noruegueses impediram recentemente a entrada no porto do Oslo de um cargueiro transportando mercadorias israelenses. Pouco depois, alguns dos principais sindicatos da Escócia, Dinamarca e Noruega conclamaram os trabalhadores a não comprar nos supermercados os produtos “made in Israel”, principalmente o das suas poderosas multinacionais. O movimento do boicote já tem sido divulgado nos protestos de rua na Europa organizados, entre outros, pelas centrais sindicais.

O Brasil, que infelizmente ainda não tem uma cultura de solidariedade internacionalista, bem que poderia aderir ao movimento mundial das redes pelo boicote aos produtos sionistas. As primeiras manifestações contra o genocídio em Gaza, embora tímidas, já pipocam pelo país, a partir do ato em São Paulo, que reuniu 600 pessoas e teve o apoio das entidades e igrejas árabes, dos partidos de esquerda (PCdoB, PT, PSOL, PSTU e PCB) e dos movimentos sociais. Outras manifestações contra o terrorismo de Israel já estão agendadas para esta semana. Seria uma ótima oportunidade para divulgar o número 0729, da campanha mundial de boicote aos produtos sionistas.

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jan 14 2009

Agnato e acéfalo…

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 12:23

Do Blog do Altamiro, através do Viomundo:

O jornal israelense Haaretz informou agora há pouco que o governo da Bolívia decidiu romper relações diplomáticas com Israel por conta do ataque a Gaza.

Aproveito para reproduzir artigo escrito pelo Altamiro Borges sobre a atuação do ex-chanceler de Fernando Henrique Cardoso:

Lampreia, o “ridículo” ex-chanceler de FHC

O diplomata de carreira Luiz Felipe Lampreia, ex-ministro das Relações Exteriores do governo FHC de 1995 a 2001, deixou de lado qualquer diplomacia – se é que algum dia teve – para atacar duramente o atual ministro Celso Amorim. O motivo da bronca, que deve ter agradado o regime sionista de Israel, foi a viagem do representante do presidente Lula ao Oriente Médio na tentativa de contribuir para um cessar-fogo na Faixa de Gaza. No seu blog, não por acaso postado no site do jornal O Globo, o ativo tucano destilou veneno. Com diz o ditado, a inveja é uma… desgraça!

“No seu afã de protagonismo, o ministro Amorim iniciou um périplo no Oriente Médio que beira o ridículo”, esbravejou Lampreia. Como sua mentalidade servil às potenciais imperialistas, ele avalia que o Brasil não tem nenhum papel a jogar no tabuleiro internacional. Para ele, Amorim “deve estar incomodando os líderes políticos da região com seus pedidos de audiência quando eles têm outras prioridades. Ele nada pode acrescentar aos esforços de paz que a França e o Egito desenvolvem. Deve ser vista com suspeita pelos líderes israelenses pelas posições que assumir. Seguramente não é considerado pelos americanos como um fator relevante na questão. Enfim, as peripécias do ministro são uma inutilidade que só pode trazer desgaste à diplomacia brasileira”.

Um notório entreguista

De Jerusalém, onde se encontrou com representantes do governo israelense, após se reunir com o presidente sírio Bashar Assad, Amorim deu o troco de forma diplomática. Sem citar nomes, ele classificou as críticas como sintoma da baixa autoestima de alguns brasileiros. “No futebol, nós superamos essa síndrome. Na política e no comércio internacional, ainda não”. Para ele, o Brasil deve ter um papel protagonista no cenário mundial. “Não tenho ilusões de que estamos aqui para resolver um problema que ninguém resolveu. Mas fazemos parte de um conjunto de esforços da comunidade internacional. A comunidade internacional não pode ser só EUA e União Européia”.

Uma postura bem diferente da adotada por Lampreia quando exerceu a mesmo cargo no governo entreguista de FHC. Na época, o ex-chanceler foi um dos mais ativos defensores da política de “alinhamento automático” com os EUA. Com inúmeros atos, ele tentou pavimentar “o caminho” para viabilizar o tratado neocolonial imposto pelo imperialismo, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Também propôs a concessão da base militar de Alcântara, no Maranhão, para os EUA. Quem quiser conhecer melhor este triste período da diplomacia brasileira basta ler o livro “As relações perigosas Brasil/Estados Unidos”, de Luiz Alberto Moniz Bandeira.

Um direitista militante

Luiz Felipe Lampreia tenta se travestir de diplomata, mas é um direitista militante e um tucano de carteirinha. Para conhecer suas opiniões, basta passar os olhos no seu blog no site da Globo. No atual genocídio em Gaza, ele adota a mesma posição da carniceira Condoleezza Rice e dos sionistas, vendendo a imagem de Israel como vítima e dos palestinos como terroristas. Ataca o Hamas, que “prossegue em seu tom belicoso, anunciando que seguirá na luta. Para os radicais palestinos, o hasteamento de sua bandeira verde no último prédio de pé em Gaza representaria uma grande vitória política”. Ele até defende o cessar-fogo, mas sob os escombros de Gaza.

Já no que se refere à América Latina, um dos principais alvos de suas críticas a atual política do governo Lula, Lampreia explicita que não tem nada de diplomata. Prega maior endurecimento nas relações com os “parceiros truculentos”, atacando o presidente Rafael Correa, do Equador; agride Hugo Chávez – chamando-o de coronel e não de presidente –, criticando “os seus gastos ineficientes” e defendendo “uma mudança radical em sua política econômica”. O ódio ao líder bolivariano é tanto que ele condenou a aprovação da Câmara Federal do ingresso da Venezuela no Mercosul. “Esperemos que o Senado mantenha sua oposição a esta decisão desastrosa”.

Serviçal dos EUA e de Uribe

O ex-chanceler de FHC também adora desqualificar Cuba. “A revolução cubana fez 50 anos e os oligarcas de Havana celebraram muito. Mas o povo está cada vez mais miserável”, atacou num de seus últimos textos. Em outra, rancoroso, disse que foi destratado numa viagem à ilha. “Cuba é glorificada por alguns ingênuos (e outros não tanto). Mas continua sendo, desde os tempos do paredón, uma ditadura feroz, com um partido único, um chatíssimo jornal único, muitos presos políticos e o cerceamento das liberdades”, escreveu num linguajar típico dos agentes da CIA.

Para Lampreia, o governo Lula erra ao investir no avanço das relações políticas e econômicas no continente. Por isso, ele atacou de maneira hidrófoba a Cúpula da America Latina, realizada em dezembro na Bahia. “Os resultados foram nulos”, esbravejou. A razão, segundo o defensor do “alinhamento automático” com os EUA, foi “a retórica antiamericana extravagante dos Chávez e Morales da vida, no momento em que vai assumir o presidente Barack Obama, de quem muito se espera universalmente… Com radicais ideológicos não há muito espaço para a racionalidade”.

Ao mesmo tempo em que ataca Venezuela, Cuba, Bolívia e Equador – e, com inveja, o ministro Celso Amorim –, o ex-chanceler de FHC prioriza as suas “ligações” com os EUA e o presidente narcoterrorista Álvaro Uribe. Há poucos dias, o ministro de Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, anunciou que Felipe Lampreia fará parte de uma missão especial encarregada de melhorar a imagem desde país – conhecido como o recordista mundial em assassinados de sindicalistas, pelos escândalos de corrupção nos altos escalões de governo e pela existência de milícias paramilitares envolvidas no trafico de cocaína. Belas companhias a de Lampreia!

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jan 14 2009

De Assassino para Refém

Categoria: CulturaSenhor_do_Servo @ 07:20

Do Biscoito Fino e a Massa:

Visionário, Gilles Deleuze previu muito em 1978

No dia 07 de abril de 1978, no Le Monde, o filósofo Gilles Deleuze profeticamente escrevia:

Como os palestinos poderiam ser “parceiros legítimos” em conversações de paz, se não têm país? Mas como teriam país, se seu país lhes foi roubado? Os palestinos jamais tiveram escolha, além da rendição incondicional. Só lhes ofereceram a morte.
[...]
Desde 1969, Israel bombardeia sem descanso o sul do Líbano. Israel já disse, claramente, que a recente invasão do Líbano não foi ato de retaliação pelo ataque terrorista em Telavive (11 terroristas contra 30 mil soldados); de fato, a invasão do Líbano é o ponto culminante de um plano, mais uma, numa sequência de operações a serem iniciadas como e quanto Israel decida iniciá-las. Para uma “solução final” para a questão palestina, Israel conta com a cumplicidade quase irrestrita de outros Estados (com diferentes nuances e diferentes restrições).

Um povo sem terra e sem Estado, como o palestino, é como uma espécie de leme, que dá a direção em que andará a paz de todos que se envolvam em suas questões. Se tivessem recebido auxílio econômico e militar, ainda assim teria sido em vão. Os palestinos sabem o que dizem, quando dizem que estão sós.
[...]
Essa população do sul do Líbano, em exílio perpétuo, indo e vindo sob ataque militar dos israelenses, não vê diferença alguma entre os ataques de Israel e atos de terrorismo. Os últimos ataques tiraram 200 mil pessoas de suas casas. Agora, esses refugiados vagam pelas estradas.

O Estado de Israel está usando, no sul do Líbano, o método que já se provou tão eficaz na Galileia e em outros lugares, em 1948: Israel está “palestinizando” o sul do Líbano.
A maioria dos militantes palestinos nasceram dessa população de refugiados. E Israel pensa que derrotará esses militantes criando mais refugiados e, portanto, com certeza, criando mais terroristas.
[...]
O conflito Israel-Palestina é um modelo que determinará como o ocidente enfrentará, doravante, os problemas do terrorismo, também na Europa.

A cooperação internacional entre vários Estados e a organização planetária dos procedimentos da polícia e dos bandidos necessariamente levará a um tipo de classificação que cada vez mais incluirá pessoas que serão consideradas “terroristas”. Aconteceu já na Guerra Civil espanhola, quando a Espanha serviu como laboratório experimental para um futuro ainda mais terrível que o passado do qual nascera.

Israel inteira está envolvida num experimento. Inventaram um modelo de repressão que, devidamente adaptado, será usado em vários países.

Há marcada continuidade nas políticas de Israel. Israel crê que as resoluções da ONU, que condenam Israel verbalmente, são autorizações para invadir. Israel converteu a resolução que o mandava sair dos territórios ocupados em direito de construir colônias!
[...]
Esse conflito é uma estranha espécie de chantagem, da qual o mundo jamais escapará, a menos que todos lutemos para que os palestinos sejam reconhecidos pelo que são: “parceiros genuínos” para conversações de paz. De fato, estão em guerra. Numa guerra que não escolheram.

Sublinhamos: São palavras publicadas numa época em que Atlético-MG e São Paulo tinham o mesmo número de títulos do Campeonato Brasileiro: abril de 1978. Ou, dito em outras palavras, 23 anos, 5 meses e 4 dias antes dos atentados terroristas da Al Qaeda nos EUA, que nos levam a outra etapa deste inferno — também prevista, aliás, por Deleuze. Em 1978, a ocupação ilegal dos territórios palestinos completava sua primeira década. Hoje, já são mais de quatro: a mais longa ocupação colonial da era moderna. Deleuze foi um dos primeiros, no Ocidente, a alertar. A íntegra do texto está publicada no Amálgama, em tradução de Caia Fittipaldi. Há uma versão em inglês aqui.

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jan 14 2009

Sobre o Exército de Israel

Categoria: Apoiamos,Internacional,PolíticaSenhor_do_Servo @ 05:58

Do Viomundo:

HaMoked é uma organização de judeus israelenses que dá assistência humanitária aos palestinenses confinados nos campos de refugiados


“É responsabilidade do Estado de Israel fornecer alimentos, remédios e assistência médica à população de refugiados confinada na Faixa de Gaza”
(da legislação internacional sobre Territórios Ocupados)

11/1/2009 – A família A. vive em Siafa, no noroeste da Faixa de Gaza, região de pequenos agricultores, hoje reduzidos à mais completa miséria, em área isolada e separada do restante da Faixa, perto de onde existiu a colônia de judeus de Dugit.

A família ficou sem qualquer suprimento de comida ou remédios desde o início do massacre de Gaza; desde então nenhum dos serviços regulares de assistência (que há muito tempo já não são regulares) chegou a Siafa.

A família ampliada é formada de 120 pessoas, o mais jovem dos quais tem 5 meses e o mais velho, 80 anos. Desde o início do massacre de Gaza, a área foi completamente cercada pelo exército de Israel. Dia 3/1 uma das casas foi bombardeada. Morreram um menino e um senhor de idade.

Dia 8/1, a ONG HaMoked fez contato com o Escritório da Coordenação Distrital do governo de Israel em Gaza (District Coordination Office (DCO) in Gaza) e exigiu que fosse restabelecido o suprimento de alimentos àquela família. Mais tarde, a família informou a voluntários da ONG HaMoked que o exército entregara lá 120 sanduíches e 6 garrafas de água – para alimentar uma família de 120 pessoas que estavam sem nenhuma espécie de alimento ou água potável há uma semana!

O exército de Israel informou aos voluntários da HaMoked que, com aquela entrega, dava por cumprida qquer responsabilidade que tivesse quanto à sobrevivência daquela família e que não voltaria a entregar nem alimentos, nem água nem remédios naquela região. Além disso, o exército de Israel também “informou” os voluntários da HaMoked sobre um “corredor humanitário” a ser implantado naquele dia, durante as três horas do cessar-fogo “humanitário”, e que, durante esse período de cessar-fogo, a própria família poderia comprar o que lhe faltasse.

Isso é quase inacreditável, para quem conheça as condições em que vive a família A., em região em que não há onde comprar coisa alguma, o que é fato conhecido por todos que sabem que a região é geograficamente isolada e, hoje, cercada.

Mais uma vez, os voluntários da HaMoked exigiram que o exército de Israel cumprisse sua obrigação de lei, e fornecesse alimentos à família A.

Como resposta, o exército de Israel ofereceu duas ‘alternativas”:

Uma – completamente absurda – sugeria que algum parente da família A. comprasse em Gaza o que fosse necessário e “providenciasse o envio” para a região nordeste da Faixa, entregando-os em ponto a ser combinado, a partir do qual o exército “faria chegar as compras” até a família A.

Pela outra sugestão, os voluntários da HaMoked deveriam providenciar toda a necessária ajuda e fazê-la chegar à passagem de Erez, ponto a partir do qual o exército levaria os suprimentos até a área onde vive a família. Um encarregado militar que atendeu os voluntários da HaMoked “garantiu” que, se os suprimentos fossem comprados e entregues ao exército, a família A. os receberia “no prazo possível”.

Apesar da precariedade dessa “garantia”, a HaMoked comprou 5 toneladas de alimentos e remédios, com dinheiro arrecadado entre famílias de judeus, em Israel e em todo o mundo, que há muito tempo mantêm uma rede de assistência aos refugiados que vivem nos campos que há em Israel. Médicos, da ONG “Médicos pelos Direitos Humanos (Israel, PHR-Israel) encarregaram-se de reunir medicamentos e recursos de primeiros socorros.

Depois de todos os alimentos e medicamentos estarem comprados e preparados para serem entregues ao exército que, como acertado, teria de fazê-los chegar à família A., os voluntários da ONG HaMoked foram procurados por representante do exército, encarregado de “des-confirmar” o acordo feito, sob a alegação de que não haveria “condições objetivas” para que os suprimentos e remédios chegassem àquela região e àquela família. Os voluntários protestaram. Só perto da meia-noite do sábado, 10/1, o exército afinal informou que o Centro de Operações para os Territórios afinal autorizara o carregamento dos suprimentos e remédios para posterior entrega à família A.

Finalmente hoje, 11/1/2009, um caminhão carregado de alimentos e remédios pôde deixar Jerusalém, com trajeto previsto pela passagem Zikim, ponto a partir do qual o exército levaria os alimentos e remédios, para descarregá-los em outro ponto de controle militar, localizado a 500 metros de onde mora a família A.

Daquele ponto em diante, a própria família terá de conduzir os suprimentos, até a vila, contando, para isso, com dois carrinhos e dois burros.

“É responsabilidade do Estado de Israel fornecer alimentos, remédios e assistência médica à população de refugiados confinada na Faixa de Gaza” (da legislação internacional sobre Territórios Ocupados)

PARA SABER MAIS SOBRE O INFERNO QUE TEM SIDO A VIDA EM GAZA, CLIQUE AQUI

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